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terça-feira, 20 de março de 2012

Vinca difformis (Apocynaceae) e Pandorea pandorana (Bignoniaceae)










Para celebrar devidamente o Equinócio e a vinda da Primavera, que hoje ocorreu de madrugada, aqui ficam duas beldades, fotografadas hoje mesmo!

Vinca difformis Pourr., Mem. Acad. Toul. iii. (1788) 333. (Apocynaceae)
= Vinca major L. subsp. difformis (Pourr.) M. Laínz Aport. Conoc. Fl. Gallega 6: 22. 1968 [26 Oct 1968]
(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=82683-1)
e
Pandorea pandorana (Andrews) Steenis, Bull. Jard. Bot. Buitenzorg ser. III, x. 198 (1928) (Bignoniaceae)
= Bignonia pandorana Andrews, The Botanist's Repository 2 1800
= Tecoma pandorana (Andrews) Skeels, United States Department of Agriculture. Bureau of Plant Industry - Bulletin No. 282 1913
(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=50518-3&back_page=%2Fipni%2FeditSimplePlantNameSearch.do%3Ffind_wholeName%3DBignonia%2Bpandorana%26output_format%3Dnormal)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Asclepias incarnata L. (Apocynaceae)





Ainda aqui não tinha sido postada esta beldade, a erva do leite dos pântanos ("swamp milkweed"), um endemismo exclusivamente norte-americano:
Asclepias incarnata L., Sp. Pl. 1: 215. 1753 [1 May 1753].


Pertencia tradicionalmente às Asclepiadaceae, mas agora faz parte das Apocynaceae, de acordo com o famoso e revolucionário APG III.

(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=94351-1
http://plants.usda.gov/java/profile?symbol=ASIN
http://en.wikipedia.org/wiki/Asclepias_incarnata)

domingo, 6 de junho de 2010

Árvores-garrafa: Pachypodium lealii (Apocynaceae) e Moringa ovalifolia (Moringaceae)

Nas regiões semidesérticas paleotropicais (da África e da Ásia) são frequentes árvores caducifólias de estação seca, de caules anormalmente alargados na base. Este tipo de suculência - conhecida por paquicaulia - é uma adaptação à escassez e irregularidade da precipitação. Mais do água, a região engrossada do tronco destas plantas invulgares acumula grandes quantidades de hidratos de carbono e aminoácidos.
A abundância de árvores hiperpaquicaules, ou árvores-garrafa, é um dos aspectos mais curiosos da fisionomia da vegetação semidesértica do SW de Angola. Esta adaptação surgiu de forma independente, por convergência, em grupos evolutivamente muito dispares, tanto de mono como de eudicotiledóneas.
A Moringa ovalifolia e a Pachypodium lealii são duas das espécies hiperpaquicaules mais comuns da faixa semidesértica que envolve o Deserto do Namibe:

Moringa ovalifolia (Moringacea)
[foto amavelmente cedida por J.C. Costa ]

A M. ovalifolia é um endemismo angolano-namibiano. As suas folhas e frutos são consumidos por girafas e elefantes, entre outros grandes herbívoros. A família das Moringaceas inclui um único género com 12 espécies de distribuição paleotropical, adaptadas a climas áridos.


Pachypodium lealii Welw. (Apocinaceae)
[fotos amavelmente cedidas por J.C. Costa ]

O P. lealii é endémico do Sul de Angola e Norte da Namíbia. Foi dedicado ao geólogo português Fernando da Costa Leal pelo grande botânico austríaco Friedrich Welwitsch [1806-1872], conhecido explorador da flora angolana ao serviço da coroa portuguesa. À semelhança de muitas outras apocináceas, o P. lealii produz um latex tóxico.

Certamente muitos dos leitores deste blogue conhecem o Brachychiton populneus (Malvaceae, Sterculioideae), uma árvore-garrafa relativamente comum nas avenidas e jardins portugueses.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Plantas que mentem

A polinização cruzada, i.e. a troca de genes através do pólen entre distintos indivíduos da mesma espécie, tem muitas vantagens, dizem os livros. As duas mais importantes serão: 1) a redução do risco da expressão de genes que de algum modo reduzem o sucesso reprodutivo dos indivíduos (i.e. a sua fitness darwiniana); 2) a aceleração das taxas evolutivas. Teoricamente, as plantas alogâmicas (de polinização cruzada) solucionam com mais facilidade do que as autogâmicas a grande ameaça que paira sobre todos os seres vivos: a eterna mutabilidade deste mundo.

As plantas sendo imóveis durante a maior parte do seu ciclo de vida "encontraram" uma solução engenhosa para a trocarem genes entre si: através da oferta de recompensas alimentares cativaram animais (agentes de polinização) para realizar o transporte de pólen de flor em flor. O pólen e o néctar são os tipos de recompensa mais frequentes. Para sinalizarem a presença destes alimentos aos polinizadores as plantas "desenvolveram" sinais visuais (e.g. forma e cor das pétalas), tácteis (e.g. papilas) ou odoríferos (e.g. moléculas análogas às feromonas dos insectos fêmea) O mutualismo planta-polinizador acelerou as taxas evolutivas quer das plantas quer dos animais polinizadores, facto que explica, pelo menos em parte, o sucesso (a abundância) das plantas com flor e de alguns grupos de insectos (e.g. himenópteros).

A oferta de recompensas, i.e. o pagamento do serviço polinização é energeticamente muito caro. A edificação de nectários e estames, e o fabrico de néctar e pólen implicam produzir menos folhas, menos caules e menos raizes. Crescer menos arrasta o enorme risco de ser menos competitivo do que o vizinho do lado, um inimigo que combate, sem tréguas, por espaço e recursos. As plantas enfrentam um problema análogo ao nosso quando entramos num supermercado: gastar todo o dinheiro em peixe rico em omega 3 implica não ter batatas para engrossar a sopa ou pão para o pequeno-almoço. A polinização cruzada tem, portanto, um enorme custo de oportunidade evolutivo.

O elevado custo das recompensas incrementa a probabilidade do sucesso de soluções alternativas ao mutualismo planta-polinizador. A autogamia - por exemplo através do desenvolvimento de flores cleistogâmicas (que se fecundam a si próprias antes de abrirem ao exterior) - é uma solução frequente. Outra hipótese é optar por vectores físicos de polinização como o vento (novamente com enormes custos energéticos). Porém, melhor, melhor, é findo o serviço de polinização não pagar a conta. Por outra palavras: mentir aos polinizadores.

A polinização fundada na mentira é conhecida por polinização por engano. Os botânicos reconhecem dois tipos de polinização por engano:
· Polinização por engano sexual (“sexual deceit”) – as flores mimetizam as feromonas sexuais e/ou os sinais visuais e tácteis de insectos fêmeas; os insectos machos são usados como veículo de pólen quando visitam e tentam copular (pseudocópula), por engano, com a flor; sistema muito conhecido das orquídeas;
· Polinização por engano alimentar (“food deceit”) – as flores assinalam a presença de recompensas alimentares inexistentes; as espécies que seguem esta estratégia imitam a forma e os odores de espécies que oferecem recompensas.


A Plumeria rubra (Apocynaceae), uma árvore centro-americana, não oferece recompensas às borboletas nocturnas polinizadoras, engana-as mimetizando o odor e a forma de outras espécies falaenófilas com recompensas [foto C. Aguiar, tirada nos belíssimos jardins de Goiânia, Goiás]

A mentira está generalizada na Natureza; compensa até ao momento que as vítimas aprendem a distinguir os impostores dos ingénuos que nunca enveredaram pelos caminhos do embuste. As relações mutualistas - por definição relações entre indivíduos de diferentes espécies com ganhos de parte a parte - geram tensões evolutivas que podem ser quebradas a qualquer momento. Mas a estratégia de polinização com vectores animais sem sexo nem comida também tem os seus riscos. Por alguma razão os caloteiros são menos frequentes do que os cumpridores da ordem estabelecida.

P.S. Robert Trivers oferece-nos uma fabulosa introdução a uma historia natural da mentira aqui