quarta-feira, 9 de setembro de 2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Filogenia das plantas terrestres atuais
Alerto a vossa atenção para duas importante novidades: os Equisetum são o grupo basal do grande clado dos fetos; as monocotiledóneas divergiram antes das magnoliidas e clados subsequentes.
Está na altura de atualizar a taxonomia de plantas-terrestres que se ensina no nosso ensino secundário.
Nota: grupos parafiléticos entre aspas; os dois cladogramas são idênticos, um segue o sistema de classificação de Chase & Reveal (2009), no outro são usados nomes vernáculos.
Todos os reparos são bem-vindos.
domingo, 6 de setembro de 2015
Relações evolutivas entre as plantas terrestres atuais e os principais grupos fósseis de embriófitos
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
sábado, 3 de janeiro de 2015
Schmeissneria sinensis
Já escrevi algures sobre este tema neste blogue. Hoje quero insistir numa pequena história que mostra que a botânica, como todas as outras ciências, não está livre da mordaça das ideias dominantes (dos paradigmas de Kuhn, para os aficionados em epistemologia).
A história é a que se segue.
Os primeiros pólens de angiospérmicas datam do Valingiano (Cretácico Inferior, ca. 135 M.a.). Os dados moleculares, consoante os autores, antecipam a sua origem para o Triássico Superior-Jurássico Inferior (199-167 M.a.), ou para o Triássico (170-229 M.a.).
As datas não batem certo, portanto.
O que é normal por três razões: 1) podem existir depósitos mais antigos de pólen fóssil de angiospérmicas por descobrir; 2) as primeiras populações de uma dado grupo taxonómico são por natureza escassas, e podem não ter tido a oportunidade de fossilizar; 3) as primeiras angiospérmicas poderiam ter um pólen semelhante ao das gimnospérmicas.
A recente sequenciação da Amborella trichopoda, a mais basal das angiospérmicas atuais, mostra que a gimnospérmica ancestral de todas as angiospérmicas, sofreu uma duplicação do seu genoma no Triássico Superior (214 M.a.). Os genes então duplicados puderam evoluir, desempenhar novas funções e codificar novas estruturas características das angiospérmicas.
As datações moleculares começam a ganhar consistência.
Wang et al. (2007) comprovaram em Schmeissneria sinensis, um fóssil do Jurássico Inferior, dois critérios fundamentais para distinguir positivamente uma angiospérmica: 1) presença de sementes encerradas num fruto; 2) extremidade do ovário fechada ao exterior antes da polinização. A Schmeissneria aparentemente pertence a um grupo extinto de angiospérmicas, anterior às angiospérmicas atuais, esporádico em comunidades vegetais dominadas por gimnospérmicas. Sendo correta esta interpretação, a Schmeissneria atira a origem das angiospérmicas para o Triássico Superior.
A informação fóssil e molecular parecem convergir.
O interessante nisto tudo é que os fósseis de Schmeissneria alteram de tal maneira a história oficial das angiospérmicas que foram sistematicamente desvalorizados nas mais recentes revisões sobre a origem das angiospérmicas. As minhas últimas leituras mostram que finalmente as coisas estão a mudar.
domingo, 20 de maio de 2012
Filogenia de poáceas
domingo, 25 de setembro de 2011
Gramíneas e diatomáceas I
A Terra tem, ainda, vida porque assim foi; calhou. O facto de a vida ser na Terra, e de uma espécie terráquea, a nossa, deter a capacidade de a conceptualizar e explorar, tolda-nos a razão, fazendo-nos crer que a existência é, por si só, um argumento suficiente da necessidade de ser. A vida pode até ter povoado os planetas Marte e Vénus, mas ambos foram "incapazes" de a manter. Retroacções positivas poderão ter causado a evaporação para o espaço dos oceanos de Marte, e a subida da temperatura da atmosfera de Vénus, a valores incompatíveis com a vida. Sem água líquida e temperaturas compatíveis com a química do carbono dificilmente poderá ocorrer vida. A leis físicas que explicam a retenção da vida na Terra, são as mesmas que explicam a sua não presença, ou extinção, em Vénus e Marte. Se há vida na Terra, então a vida poderá acontecer noutro local do universo. A regras que explicam a vida estão na Terra e fora dela, o que, no meu entender, torna um pouco interessante, quase irrelevante, a busca de vida extraterrestre.
James Lovelock, dizem tanto os seus seguidores como os seus detractores, teve um papel fundamental na compreensão das relações atmosfera-litologia-vida à escala geológica. A vida, desde a sua emergência há mais de 3,7 mil milhões de anos, interage com a atmosfera e com as rochas; a atmosfera e os substratos rochosos, por sua vez, interferiram na evolução da vida. As bactérias fotossintéticas e as plantas verdes foram determinantes na composição química da atmosfera, na meteorização das rochas e na formação de depósitos geológicos; os animais tiveram um papel por regra passivo, limitaram-se a obedecer às plantas, adaptando-se.
Gosto desta designação: "Grande Oxidação". Refere-se a um evento ocorrido há 2,4 mil milhões de anos, no início do Proterozóico (éon que decorre 2,5 mil milhões - 542 milhões de anos). No Hadeano e no Arqueano, éons anteriores ao Proterozóico, a atmosfera manteve-se fortemente redutora (diz Lovelock que este facto é essencial para explicar a emergência da vida). A maquinaria fotossintética das bactérias azul-esverdeadas produz um temível subproduto: o oxigénio. A paulatina acumulação deste gás na atmosfera - supõe-se, sem evidência directa, que pela acção das bactérias azul-esverdeadas (os mecanismos envolvidos na grande oxidação não são consensuais, alguns autores defendem que a explicação encontra-se na tectónica de placas, outros na produção bacteriana de metano) - redundou numa mudança catastrófica da química da atmosfera. Um dos efeitos mais dramáticos da acumulação atmosférica de oxigénio foi a precipitação do ferro suspenso nos mares arqueanos em extensos depósitos de ferro de grande valor económico. O oxigénio tem uma importante propriedade química: o oxigénio é um fortíssimo oxidante, aliás poucas substâncias são mais oxidantes do que o oxigénio. O oxigénio de rédea solta, sem controlo bioquímico, pode destruir as estruturas celulares, oxidando-as. Se dominado pela respiração, o mecanismo inverso da fotossíntese, permite extrair mais energia da matéria orgânica do que a fermentação. Com mais energia os animais podem ser maiores (as despesas energéticas são proporcionais à dimensão), e as plantas também. A Grande Oxidação abriu o caminho à explosão da vida animal nos mares câmbricos e, um pouco mais tarde, no Devónico, à conquista da Terra emersa, primeiro pelas plantas e logo a seguir pelos animais.
Perdi-me na escrita. Inicialmente queria discutir a forma como as gramíneas controlaram a composição do fitoplâncton marítimo e a evolução dos mamíferos herbívoros no Cenozóico. As gramíneas são apenas um dos muitos actores da vida na Terra que influenciaram e se deixaram influenciar pelas suas extraordinárias capacidades, pelo seu extraordinário sucesso evolutivo. Sem um contexto um pouco mais lato, recuando até à Grande Oxidação, poderia parecer que as gramíneas foram únicas a manipular os macro-caminhos da evolução. Sem compromissos de datas, essa história fica para depois.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Leefructus mirus (Ranunculaceae)
O L. mirus é a mais antiga eudicotiledónea fóssil conhecida.
As plantas com flores (=angiospérmicas) são hoje divididas em quatro grandes grupos: um parafilético - as angiospérmicas basais - e três monofiléticos, as magnoliidas, as monocotiledóneas e as eudicotiledóneas. Entre as mono e as eudicotiledóneas situa-se um quinto grupo constituído pelo enigmático Ceratophyllum, um género com duas espécies aquáticas presentes em Portugal: o C. demersum, tão comum nos rios de montanha ibéricos, e o C. submersum, uma planta muito apreciada pelos aquariofilistas que se tornou invasora. A divisão tradicional entre mono e dicotiledóneas já era.
O fóssil de A. mirei tem entre 122,6 e 125,8 milhões anos (Cretácico inicial). Se os mais antigos pólenes inequívocos de angiospérmicas datam de 141-132 milhões de anos antes do presente, então a radiação das plantas com flor foi um processo rápido; foi chegar e vencer. Os homens do molecular dizem-nos que não, que as angiospérmicas datam do final do Triássico, início do Jurássico, e que andaram pela Terra durante 60 milhões de anos à espera de uma oportunidade (vd. aqui).
Continua tudo em aberto.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A marcescência das folhas em Quercus faginea (Fagaceae)

Exemplar de carvalho-alvarinho semi-caducifólico em S. Pedro de Moel.
Num excelente post anterior do meu amigo Carlos Aguiar, falou-se no conceito de marcescência e semi-caducifolia e deu-se como exemplo Quercus faginea e Quercus pyrenaica. É complicado referir que uma determinada espécie do género Quercus é marcescente ou semi-caducifólica porque se trata de género com multi-espécies que hibridam nas zonas de contacto e portanto podem partilhar haplótipos facilmente. A semi-caducifolia é típica das zonas temperadas húmidas na costa Este dos continentes e nas zonas subtropicais enquanto a marcescência ocorre em zonas montanhosas interiores em clima mediterrânico. O carvalho-cerquinho (Quercus faginea) é uma espécie típica das zonas mais continentais da Península Ibérica (Quercus faginea subsp. faginea). A sua presença no quadrante Sudeste da Península Ibérica (Quercus faginea subsp. broteroi), em zonas litorais parece ser uma contradição da ecologia desta espécie. Contudo a sua capacidade para absorver mais nutrientes durante o Outono, uma característica típica da marcescência, permitiu-lhe colonizar os solos pobres calcários do maciço estremenho, ocupando um nicho ecológico vago, já que sobreiro é incapaz de ocupar solos básicos. O centro Oeste do litoral Ibérico possui algumas áreas com um andar bioclimático e ombroclima (mesomediterrânico inferior húmido) com algumas semelhanças com as zonas temperadas húmidas, e que permitem o aparecimento dos louriçais mais exuberantes da nossa laurissilva incipiente. Neste contexto climático alguns exemplares de Quercus faginea e Quercus robur são claramente semi-caducifólicos, deixando parte das folhas verdes durante todo o ano. O facto de nesta região o carvalho-alvarinho e o carvalho cerquinho partilharem alguns haplótipos (especialmente na zona compreendida entre a Serra da Boa Viagem e Valongo), juntamente com as enormes populações de Quercus x coutinhoi (híbrido entre as duas espécies) da zona da Serra de Sicó, parecem indicar que estas estratégias evolutivas não são características intrínsecas das espécies mas sim o resultado de uma extensa troca de genes seguida de uma selecção positiva.
sábado, 4 de setembro de 2010
Os custos do generalismo
Como em tempos aqui referi (ver aqui), a flor é um ramo curto de crescimento determinado, com funções reprodutivas, muito modificado pelas forças da evolução. As folhas inseridas neste ramo desempenham muitas funções. Geralmente, as sépalas protegem a flor na fase de botão e desempenham a função fotossintética, as pétalas atraem os polinizadores, os estames produzem pólen, e os carpelos escondem no seu interior os primórdios seminais. Os carpelos, organizados em um ou mais pistilos, darão origem ao fruto após a fecundação dos primórdios seminais e o início da formação das sementes.
Muito bem, esta lenga-lenga, por vezes acompanhada de alguns erros (e.g. confundir carpelo com pistilo ou chamar flor à estrutura reprodutiva das gimnospérmicas), faz parte dos livros de biologia dos ensinos básico e secundário.
O tema do post é outro.
Quem se dispuser a observar numa manhã solarenga o trabalhos das abelhas forrageadoras (como se diz no Brasil) - estas abelhas estão tão empenhadas na recolecção de néctar e pólen que não reagem ao toque, não picam - poderá reparar que não se abstêm de visitar flores de várias espécies: a abelha é um polinizador generalista. O generalismo é mais frequente do que a priori supunham os biólogos, e atinge níveis mais elevados na relação planta-insecto polinizador do que na relação planta-insecto herbívoro. Atendendo ao que acabei de referir é expectável que o pistilo das flores entomófilas (polinizadas por insectos) que observamos no campo seja incensado com uma panóplia de grãos de pólen incapazes de germinar na sua superfície. Por conseguinte, surge naturalmente uma importante questão: o tapete de pólen que se cria na superfície do estigma pode prejudicar a fecundação dos primórdios seminais e a formação de sementes? Isto é, prejudica o sucesso reprodutivo (= fitness) das plantas com flor?
Não sou de perto nem de longe especialista na biologia e na evolução da flor. Porém, a internet tem destas coisas, esbarrei-me uma destas noites com um interessante paper sobre as consequências evolutivas da partilha de polinizadores, da autoria de Morales & Traveset (2008). Dizem-nos estes autores que sim, que tem custos, que muito pólen "entope" os estigmas e prejudica a germinação dos grãos de pólen. Mais ainda: que um insecto generalista ao visitar muitas plantas dilui os pólens e reduz a eficácia da recepção e doação do pólen ente indivíduos (plantas) da mesma espécie. Portanto, as plantas capazes de cativar polinizadores menos promíscuos, através de uma peculiar morfologia floral estão, aparentemente, em vantagem frente às plantas com flores polinizadas pelos tais generalistas. Este mecanismo evolutivo terá desempenhado um importante papel na evolução da flor e na diversificação das angiospérmicas; ajuda a explicar por que razão, à escala da comunidades de plantas, coexistem plantas com mecanismos de polinização por insectos muito diversificados.
Fico maravilhado como as perguntas de investigação se encadeiam em biologia: há sempre uma pergunta seguinte, uma questão que emerge pela lógica de conhecimentos prévios e que necessita de ser ser modelada e testada experimentalmente.
A curiosidade é um comportamento infantil, assim o diz Konrad Lorenz, mas sem dúvida uma causa fundamental no progresso da ciência.
Para decorar o post escolhi o Thymus caespititius (Lamiaceae), uma planta relativamente frequente no NW de Portugal. Lá estão as flores bilabiadas "pacientemente" à espera de um polinizador: pagam com néctar e para maior comodidade do polinizador oferecem uma elegante pista de aterragem (lábio inferior da flor).
As plantas e os animais têm uma biologia e uma ecologia muito, muito diferentes, mas assemelham-se na importância (evolutiva) que atribuem ao sexo.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Chara sp. (Characeae) e Tilia platyphyllos (Malvaceae)

Ainda aqui não tinha aparecido esta curiosa planta aquática: Chara sp. (da família Characeae), aqui juntamente representada com frutos e respectivas brácteas de Tilia platyphyllos Scop. (Malvaceae actualmente - costumava pertencer à família Tiliaceae) e ainda um fragmento da conífera exótica Cryptomeria japonica (L. f.) D. Don (Cupressaceae ou Taxodiaceae, como se preferir).
Encontrei-a há dias num tanque e a sua identificação (até ao género) não deixou dúvidas, pois trata-se de uma erva (alga) aquática com verticilos de folhas verdes bastante duras, devido à deposição de sais de cálcio nas paredes das suas células.
O género Chara L. pertence à família Characeae, à ordem Charales, à classe Charophyceae e à divisão Charophyta que, segundo alguns autores, poderia incluir todas as plantas terrestres (cf. Mabberley's Plant-Book, 2008: 927).
Este autor (2008: 175) informa-nos ainda que o género Chara L. é conhecido desde o Cretácico Superior e que as Charales são conhecidas desde o Ordovícico tardio (através de fósseis), sendo consideradas irmãs das plantas terrestres.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Vacas e pastores III

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Vacas e pastores II
domingo, 1 de novembro de 2009
Quercus x neomarei (Fagaceae) e Cistus x cyprius (Cistaceae)
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Convergência evolutiva: Eryngium (Apiaceae), Daucus (Apiaceae) e Carlina (Asteraceae)



sábado, 12 de setembro de 2009
Árvore filogenética das Angiospérmicas: últimas novidades

quarta-feira, 22 de julho de 2009
Plantas que mentem
As plantas sendo imóveis durante a maior parte do seu ciclo de vida "encontraram" uma solução engenhosa para a trocarem genes entre si: através da oferta de recompensas alimentares cativaram animais (agentes de polinização) para realizar o transporte de pólen de flor em flor. O pólen e o néctar são os tipos de recompensa mais frequentes. Para sinalizarem a presença destes alimentos aos polinizadores as plantas "desenvolveram" sinais visuais (e.g. forma e cor das pétalas), tácteis (e.g. papilas) ou odoríferos (e.g. moléculas análogas às feromonas dos insectos fêmea) O mutualismo planta-polinizador acelerou as taxas evolutivas quer das plantas quer dos animais polinizadores, facto que explica, pelo menos em parte, o sucesso (a abundância) das plantas com flor e de alguns grupos de insectos (e.g. himenópteros).
A oferta de recompensas, i.e. o pagamento do serviço polinização é energeticamente muito caro. A edificação de nectários e estames, e o fabrico de néctar e pólen implicam produzir menos folhas, menos caules e menos raizes. Crescer menos arrasta o enorme risco de ser menos competitivo do que o vizinho do lado, um inimigo que combate, sem tréguas, por espaço e recursos. As plantas enfrentam um problema análogo ao nosso quando entramos num supermercado: gastar todo o dinheiro em peixe rico em omega 3 implica não ter batatas para engrossar a sopa ou pão para o pequeno-almoço. A polinização cruzada tem, portanto, um enorme custo de oportunidade evolutivo.
O elevado custo das recompensas incrementa a probabilidade do sucesso de soluções alternativas ao mutualismo planta-polinizador. A autogamia - por exemplo através do desenvolvimento de flores cleistogâmicas (que se fecundam a si próprias antes de abrirem ao exterior) - é uma solução frequente. Outra hipótese é optar por vectores físicos de polinização como o vento (novamente com enormes custos energéticos). Porém, melhor, melhor, é findo o serviço de polinização não pagar a conta. Por outra palavras: mentir aos polinizadores.
A polinização fundada na mentira é conhecida por polinização por engano. Os botânicos reconhecem dois tipos de polinização por engano:
· Polinização por engano sexual (“sexual deceit”) – as flores mimetizam as feromonas sexuais e/ou os sinais visuais e tácteis de insectos fêmeas; os insectos machos são usados como veículo de pólen quando visitam e tentam copular (pseudocópula), por engano, com a flor; sistema muito conhecido das orquídeas;
· Polinização por engano alimentar (“food deceit”) – as flores assinalam a presença de recompensas alimentares inexistentes; as espécies que seguem esta estratégia imitam a forma e os odores de espécies que oferecem recompensas.
A Plumeria rubra (Apocynaceae), uma árvore centro-americana, não oferece recompensas às borboletas nocturnas polinizadoras, engana-as mimetizando o odor e a forma de outras espécies falaenófilas com recompensas [foto C. Aguiar, tirada nos belíssimos jardins de Goiânia, Goiás]
A mentira está generalizada na Natureza; compensa até ao momento que as vítimas aprendem a distinguir os impostores dos ingénuos que nunca enveredaram pelos caminhos do embuste. As relações mutualistas - por definição relações entre indivíduos de diferentes espécies com ganhos de parte a parte - geram tensões evolutivas que podem ser quebradas a qualquer momento. Mas a estratégia de polinização com vectores animais sem sexo nem comida também tem os seus riscos. Por alguma razão os caloteiros são menos frequentes do que os cumpridores da ordem estabelecida.
P.S. Robert Trivers oferece-nos uma fabulosa introdução a uma historia natural da mentira aqui
terça-feira, 21 de julho de 2009
Plantas primitivas

Esta planta fui-a encontrando de vez em quando. Vi a primeira numa exposição permanente do Museu, Laboratório e Jardim Botânico de Lisboa, num pavilhão que reconstroi o ambiente vegetal do Secundário, de forma agradavelmente ingénua e com objectivos didácticos (bem haja a quem montou a exposição, certamente já há vários anos e lá pôs o Psilotum nudum!). Talvez ainda lá esteja, com os seus dinossaurios pintados na parede...
Depois, no campo, vi-a em Moçambique numas rochas riolíticas junto á conhecida cascata da Namacha, assim que pús os pés fora do carro (houve uma telenovela que tinha muitas cenas nesta cascata). O encontro mais curioso foi num vaso no campus da Universidade da Madeira e ninguém fazia a mínima ideia de como lá foi parar.
Depois fui-a vendo em jardins botânicos, não é assim tão difícil de encontrar. A figura 2 é uma foto tirada no Jardim Botânico de Leiden, há 15 dias.
Gosto tanto desta planta.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
A flor das angiospérmicas III

sexta-feira, 22 de maio de 2009
A flor das angiospérmicas II
Dominavam na altura as ideias de dois amigos improváveis – o soviético/arménio, Armen Takhtajan, e o estadunidense, investigador do Jardim Botânico de Nova York, Arthur Cronquist (que em plena guerra fria aprendeu russo para ler os textos dos botânicos soviéticos e se deliciava a cantar com voz de barítono áreas de óperas russas) – ambos influenciados por outro grande botânico estadunidense, C. Bessey [1845-1915].










