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domingo, 1 de janeiro de 2012

Arabis beirana (Cruciferae)





Pedindo desculpa pela modesta qualidade da foto, mas tentando mesmo assim iniciar bem o novo ano 2012, com votos de paz, prosperidade e saúde para todos os leitores e camaradas blogueiros, deixamos aqui uma crucífera rara, endémica exclusiva da Península Ibérica: Arabis beirana P. Silveira, Paiva & N. Marcos in Bot. J. Linn. Soc. 135(3): 299 (2001).
Mais algumas informações interessantes acerca desta planta:
«Type Information
Collector(s): P. Silveira 2050
Locality: Beira Litoral, Pampilhosa da Serra, Colmeal, between Quinta de Belide and Decabelos, 940m
Collection Date: 1998-6-18
Type Location:
holotype COI
isotype AVE
isotype MA
Original Data:
Distribution: Portugal.», provenientes daqui:
http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=1020076-1

Na foto, proveniente de S, Pedro do Açor, alt. c. 1340 m, é possível observar mais algumas espécies como por ex. Pterospartum tridentatum (Leguminosae) -a carqueja-, Sedum sediforme (Crassulaceae), Jurinea humilis e Solidago virgaurea (Compositae).

sábado, 24 de dezembro de 2011

Scleroderma citrinum (Sclerodermataceae) e outras plantas
















Com os nossos votos de um santo Natal de 2011 e um próspero Ano 2012, para todos os nossos leitores e camaradas blogueiros, trazemos aqui o belíssimo cogumelo Scleroderma citrinum Pers., Syn. meth. fung. (Göttingen) 1: 153 (1801) (Sclerodermataceae, Boletales, Agaricomycetidae, Agaricomycetes, Basidiomycota, Fungi)
(http://www.speciesfungorum.org/Names/GSDSpecies.asp?RecordID=181865),
que encontrámos em 22 de Maio de 2003, num pinhal bravo de Pinus Pinaster (Pinaceae) com vegetação arbustiva baixa acidófila da classe Calluno-Ulicetea, incluindo Agrostis Curtisii (Gramineae), Calluna vulgaris (Ericaceae), Halimium alyssoides (Cistaceae), Monotropa Hypopitys (Ericaceae), Ulex minor (Leguminosae) ... no conc. de Moimenta da Beira, pr. de Alva.


E como Vénus traz a Paz e Júpiter traz a Alegria, e ambos brilham intensamente no céu, nesta noite de Natal, aqui ficam:
http://www.youtube.com/watch?v=oKvG0RU4_fI
http://www.youtube.com/watch?v=Nz0b4STz1lo
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Planets

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um cogumelo e mais algumas plantas (várias famílias)





Trazemos hoje aqui uma foto de um curioso cogumelo, não identificado, acompanhado por diversas plantas da época, mais ou menos identificadas.
Assim, nas vizinhanças do curioso fungo, podem reconhecer-se:


Cotula australis (Spreng.) Hook. f., Fl. Nov.-Zel. 1: 128. 1852 (Compositae ou Asteraceae), uma pequena erva exótica, ligeiramente invasora, de origem australiana e neozelandesa;
Cercis siliquastrum L., Sp. Pl.: 374. 1753 (Leguminosae ou Fabaceae), representada por um fruto - uma vagem que parece pertencer a esta espécie (http://en.wikipedia.org/wiki/Cercis_siliquastrum);
Galium murale (L.) All., Fl. Pedem. 1: 8. 1785 (Rubiaceae), um endemismo euro-mediterrânico (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Galium%20murale&PTRefFk=7200000);
Pyracantha sp. (Rosaceae), um fruto vermelho deste arbusto exótico espinhoso frequentemente cultivado em sebes;
Ochlopoa annua (L.) H. Scholz in Ber. Inst. Landschafts-Pflanzenökologie Univ. Hohenheim, Beih. 16: 58. 200 = Poa annua L., Sp. Pl.: 68. 1753 (Gramineae ou Poaceae)
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameId=7711786&PTRefFk=7100000),
embora não possamos garantir que se trate desta espécie, evidentemente...

Todo este elenco florístico faz parte da chamada vegetação ruderal urbana, que surge, neste caso particular, por entre os blocos calcários que constituem uma calçada bem portuguesa.

domingo, 2 de outubro de 2011

Glycine max (Fabaceae), a planta mais perigosa do mundo III

A evolução fez-nos heterotróficos e no que ao metabolismo das proteínas e do azoto diz respeito, dependentes da ingestão de proteínas de origem animal ou vegetal. A proteína foi sempre crítica na alimentação humana pré-industrial. Não há muito tempo, conforme descrevem os higienistas da primeira metade do séc. XX, a alimentação no Portugal rural baseava-se no pão, que chegava a suprir 90% das necessidades energéticas diárias. Fartura de carne só em dia de festa; no dia-a-dia o homem do campo bastava-se com o sabor do osso que fervia dias a fio no pote da sopa. Alguma leguminosa de horta mitigava a escassez crónica de proteína.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ... e os menús.

Hoje, a proteína é barata e a carne uma componente crescente da alimentação humana. A soja é a fonte mais barata de proteína. Se a procura de proteína animal aumenta a área cultivada de soja segue o mesmo padrão, na devida proporção.

Adequabilidade para o cultivo da soja a tecnologias intermédias

Contrapondo a figura anterior (mais informação aqui) com a seguinte, constata-se que alguns dos espaços, à escala global, mais favoráveis ao cultivo da soja são áreas de elevada diversidade de plantas vasculares (e.g. SE dos EUA e Centro Oeste do Brasil). Mais importante ainda, muitos estes territórios possuem uma flora rica em plantas relíquia, com taxa supraespecíficos endémicos (e.g. Madagáscar ou Cerrado Brasileiro).

Diversidade de plantas com semente por 10.000km^2 (imagem extraída daqui)

Investigadores da Universidade de S. Paulo provaram, nos anos 50 do séc. XX, a utilidade agrícola dos solos do Cerrado após a aplicação de fósforo e a correcção da acidez com calcário. Estava aberto o caminho para a colonização definitiva do Centro-Oeste brasileiro, idealizada por Getúlio Vargas e pela República Nova no final da década de 30.
A resolução da infertilidade natural dos solos do Cerrado foi o primeiro passo. A partir dos anos 60, apoiada por uma sistema eficiente de investigação agrária e uma política agressiva de subsídios, a agricultura da soja (e do milho) espalhou-se como uma mancha de óleo pelo Cerrado. O cultivo da soja no Brasil é a maior alteração da geografia agrícola global das últimas décadas.
No Cerrado onde não se cultiva soja ou milho faz-se pasto. A correcção das deficiências nutritivas dos solos do Cerrado facilita também as Brachiaria e outras gramíneas pratenses C4 de origem africana. A flora do Cerrado, que durante milhares de anos evoluiu num ambiente de escassez de fósforo, elevada acidez e toxicidade pelo alumínio, mingua de dia para dia, enquanto a agricultura e as exóticas pratenses, inexoravelmente, preenchem os solos melhorados pelo homem.
A expansão da soja a habitats de elevada diversidade biológica é o primeiro elemento de perigosidade da soja mas não é o mais importante. A dependência da agricultura da soja no fósforo é absoluta; o fósforo é finito e falta pouco tempo para sentirmos os efeitos da sua escassez (ver aqui). A economia do fósforo está condenada à extinção, provavelmente ainda antes da economia do petróleo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Glycine max (Fabaceae), a planta mais perigosa do mundo II

As proteínas são o cimento e o tijolo dos corpos animais. As defesas contra agentes infecciosos externos, a regulação da actividade celular, o transporte de nutrientes, gases e lixo metabólico e até o movimento dependem das proteínas. As proteínas são "legos" de amino-ácidos; os amino-ácidos incorporam átomos de azoto; e o azoto de algum lado tem que vir. Na complexa cadeia alimentar que sustenta as populações humanas, os átomos de azoto que compõem as proteínas alimentares têm, inevitavelmente, origem numa planta. As plantas assimilam azoto inorgânico ou moléculas azotadas simples que, por sua vez, provêm do adubo azotado químico, da reciclagem do azoto retidos em resíduos orgânicos ou da fixação do azoto atmosférico pelas bactérias diazotróficas que colonizam as raízes das leguminosas (outras fontes de azoto assimilável para as para as plantas, como sejam as descargas eléctricas atmosféricas, são irrelevantes no ciclo biogeoquímico do azoto).
Em apenas 100 anos, desde a invenção da síntese química da amónia por Fritz Haber e Carl Bosch em 1909, para mim a maior criação humana depois da invenção da agricultura, o ciclo do azoto passou a ser maioritariamente controlado pelo homem. Um átomo de azoto em cada dois incorporados na biomassa dos homens que povoam o planeta é fixada artificialmente através do processo Haber-Bosch à custa de consumos maciços de energia fóssil (3-5 % do gás natural é consumido neste processo).

Glycine max (Fabaceae) «soja», plantas cultivadas no Planalto de Miranda


A soja é uma leguminosa. A fixação biológica de azoto pode ser suficiente nutrir as plantas de soja em sistemas de elevada produtividade (e.g. 3000 kg semente/ha). No Brasil, o segundo maior produtor mundial de soja, esta planta é cultivada sem fertilização química azotada (uma revisão sobre o tema aqui). Construamos uma dedução simples do tipo A=B, B=C, então A=C: se a soja muito é uma fixadora eficiente de azoto e a fixação biológica de azoto reduz o consumo de combustíveis fósseis, então o cultivo da soja reduz a pressão sobre este precioso recurso não renovável que é o gás natural. As gerações futuras agradecem que consumamos mais proteína de soja, e menos proteína de cereais fertilizados com 200 e mais kg N/ha de síntese química, por exemplo.


A soja é das espécies mais trabalhadas pelos geneticistas. Dois exemplos. A soja resistente ao glifosato, um conhecido herbicida não selectivo, foi lançada em 1995. Estas variedades OGM permitem a utilização de técnicas de mobilização mínima na preparação do solo e, por essa via, reduzir os gastos em combustíveis fósseis, as perdas de solo por erosão e aumentar o teor de de matéria orgânica do solo. Estão a ser desenvolvidas variedades com elevados teores de lisina para serem usadas na alimentação do salmão, uma tecnologia que reduzirá a pressão sobre os stocks de peixe de mar.
Em resumo a soja é uma planta maravilhosa !!!
Mas ...
(continua ;)

sábado, 30 de julho de 2011

Lupinus albus (Fabaceae) I


O grande agrónomo Lucius Junius Moderatus Columella [4-70 d.C.] refere-se do seguinte modo ao Lupinus albus, o vulgar tremoço-branco: "Se um agricultor nada tem, pelo menos pode dispor do tremoço; se o distribuir num solo pobre nos meados de Setembro, o enterrar, e na altura própria o cortar e enterrar com um arado obterá um efeito semelhante ao melhor estrume." (De Re Rustica II, 15). O comentário de Columella é por si só suficiente para se perceber que as características morfológicas e fisiológicas, a história da domesticação e a agronomia do L. albus merecem ser contadas. Por ora apenas vou referir o menos relevante aspecto da agronomia do tremoço-branco: a colheita. A razão é simples: acabei de colher os meus tremoços.

 
Os agricultores mais experientes costumam dizer que o tremoço-branco quer pouco tempo fora da terra. Assim como não há vantagem em atrasar a sementeira (para os meados do Outono) também convém não  antecipar demasiadamente a sua colheita (as plantas deve estar completamente secas).
A colheita tem o seu quê. A indeiscência das vagens no tremoço, como em muitas outras leguminosas para grão (e.g. soja), é imperfeita (vd. imagem), sobretudo nas cultivares de semente muito grande (e.g. maioria dos tremoços consumidos nas cervejarias portuguesas, vd. imagem).



Para diminuir a abertura acidental das vagens e as perdas na colheita, tradicionalmente colhia-se o tremoço ao nascer sol enquanto a humidade relativa do ar não descia abruptamente com o aumento da temperatura do ar. Colhi os meus tremoços às 11h da manhã, de mãos nuas - esqueci-me das luvas - e experimentei, por várias vezes, aquele espinho que encima as vagens a enterrar-se por debaixo das minhas unhas. Foi merecido o aceno reprovador que recebi de um agricultor reformado que por ali passou.

Volto no final de Agosto para terminar alguns post em suspenso, e iniciar muitos outros.

sábado, 11 de junho de 2011

Glycine max (Fabaceae), a planta mais perigosa do mundo I

A Glycine max, i.e. a soja, foi domesticada na China a partir da soja-selvagem (Glycine soja), uma leguminosa indígena do sudeste asiático com uma enorme área de distribuição. Vários centros de origem, todos localizados no interior da China, têm sido propostos para a soja. O mais provável é que a sua domesticação tenha ocorrido, de forma independente, em mais de uma região, entre as quais o troço médio do Rio Amarelo e, mais a sul, no vale do Rio Yangtze. Os mais antigos macrorrestos de sementes de G. max datam de 3000 BP (antes do presente); a documentação histórica antecipa para ca. 4500 BP o seu cultivo.
A domesticação da G. soja compreendeu um alargamento do ciclo de vida, a redução da dimensão das plantas e do número de ramificações, o desaparecimento das características de planta trepadora (as plantas de G. max sustentam-se na vertical) e um aumento do tamanho  das vagens e das sementes. No centro de origem da espécie co-existem tipos selvagens (G. soja), plantas domesticadas (G. max) e plantas com características intermédias.

Entre as plantas cultivadas a soja é aquela que atinge o maior teor de proteína na semente (40 %) e a maior percentagem de óleo (atinge 20% do peso da semente) relativamente ao peso total da planta. Na Ásia, sobretudo na China, a soja é consumida sob a forma de tofu (alimento de consistência semelhante ao queijo que resulta da coagulação das proteínas do leite de soja após a adição de cloreto de magnésio), leite de soja (produzido a partir da moenda do grão-de-soja com água), creme seco de soja (um derivado do leite de soja) e molho de soja. A maior parte da produção mundial de soja é destinada à produção de óleos alimentares e alimentos compostos animais.
Segundo a FAOSTAT em 2009 a produção mundial atingiu se soja em 2009 as 223,2 10^6 toneladas, cultivadas em 99,5 x 10^6 ha.
Evolução da área cultivada e da produção de soja à escala global (FAOSTAT, acedido a 11-VI-2011) ... sempre a crescer!

(continua)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma pequena árvore misteriosa (Fabaceae) + um fungo branco




















Fotografámos recentemente (no início de Maio) uma pequena árvore decorativa misteriosa, cuja identificação desconhecemos... Pode ser que algum dos ilustres botânicos que frequentam e participam neste blog possa dar alguma pista...
Um perito sugeriu tratar-se de uma leguminosa e pode ser que seja, embora as flores não sejam das mais típicas dessa grande família.
Também desconhecemos a identidade do fungo branco de aspecto esponjoso que sobre ela vive.
Antecipadamente, os nossos agradecimentos pela possível identificação!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Amorpha fruticosa (Fabaceae)


















Vamos postar hoje aqui uma curiosíssima leguminosa decorativa, cujas flores só possuem uma pétala, ao contrário do que é habitual nas Leguminosas típicas
Amorpha - Wikipedia, the free encyclopedia.
Esta belíssima fabácea, que talvez até já se encontre subespontânea em Portugal, é um endemismo norte-americano, embora já se encontre espalhada por outras partes do Mundo:
Amorpha fruticosa L., Sp. Pl. 2: 713. 1753 [1 May 1753]
IPNI Plant Name Query Results
Amorpha fruticosa information from NPGS/GRIN
PLANTS Profile for Amorpha fruticosa (desert false indigo) | USDA PLANTS
UC/JEPS: Jepson Manual treatment for AMORPHA fruticosa
Amorpha fruticosa in Flora of China @ efloras.org

Numa das fotos é possível observar também um insecto voador de difícil identificação, pois se encontra em pleno voo.

Como sugestão musical deixamos hoje aqui The Beach Boys - Let's Go Away For Awhile, do genial Brian Wilson:
YouTube - The Beach Boys - Let's Go Away For Awhile

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ulex europaeus (Fabaceae), uma invasora dentro de casa

Os taludes das estradas são utilizados por muitas espécies de plantas como corredores de dispersão. Só assim se explica a presença, por exemplo, do termófilo Cistus albidus (Cistaceae) a 700 m de altitude, mesmo às portas de Bragança.

O Ulex europeus destaca-se no fundo acinzentado de uma paisagem ainda invernal porque em Trás-o-Montes floresce no final de Março, início de Abril, quando a maior parte das árvores ainda nem sequer abrolhou. Primavera após Primavera, acompanhei nos últimos vinte anos a penetração do U. europaeus, desde a região de Vila-Real até ao extremo NE de Portugal, pelos taludes do IP4. Já chegou ao norte do concelho de Miranda do Douro.

 Embora seja uma espécie indígena de Portugal, o U. europaeus tem claramente um comportamento invasor no NE. Por enquanto, permanece contido nos taludes viários, não quer dizer que um destes dias não salte da vizinhança do IP4, ou das estradas que a ele têm acesso, para as terras abandonadas colonizadas por Cytisus sp.pl. «giestas».

Na Primavera, há medida que as florações se sucedem, conseguem-se detectar padrões de outro modo impossíveis de observar. Há que aproveitar que o tempo está óptimo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Trifolium subterraneum (Fabaceae) II

A biologia da dispersão do T. subterraneum é extraordinária.
Finda a ântese (floração) os pedúnculos inflectem em direcção ao solo, e enterram os frutos encerrados no interior de capítulos frutíferos semelhantes a uma bola. Cada fruto de trevo contem uma única semente. Se quisermos ser cuidadosos com os conceitos e a linguagem, o fruto dos trevos não é uma vagem, como acontece na grande maioria das leguminosas, mas sim um aquénio.

 Aquénios de  T. subterraneum (Fabaceae) encerrados num capítulo frutífero. N.b. flores estéreis brancas de cálice reduzido a uma espécie de estrela de 5 pontas

Os capítulos frutíferos de T. subterraneum apresentam-se revestidos por um grande número de flores estéreis. Esta fantástica "descoberta evolutiva" resolve de uma penada vários problemas que qualquer planta pratense que se preze teve que lidar durante a sua história evolutiva. A flores localizadas no ápice da inflorescência estão reduzidas a pequenos cones com função de facilitar o enterramento dos frutos. Os cálices das restantes flores estéreis funcionam como as farpas de um anzol: ancoram os capítulos frutíferos no solo. Este mesmo carácter permite que os capítulos fiquem retidos entre as unhas ou no pêlo dos ungulados (e.g. ovelhas e vacas), que entretanto se encarregam de os dispersar a longa distância. Os cascos dos ungulados também facilitam o enterramento dos frutos no solo. Os serviços "comprados" pelo trevo-subterrâneo aos ungulados ficam concluídos com uma copiosa fertilização orgânica. Os excrementos animais, sobretudo dos ovinos, melhoram a fertilidade dos microsítios onde germinam as sementes após a chegada das primeiras chuvas outonais.

Capítulos frutíferos de T. subterraneum

O trevo-subterrâneo exige intensidades luminosas elevadas, tem um hábito prostrado e apresenta um pico de acumulação de biomassa  relativamente tardio. Estas três características ajudam a explicar a sensibilidade desta espécie à competição por gramíneas e outras plantas de porte erecto. Intensidades elevadas de pastoreio no final do Inverno (Fevereiro-Março) são essenciais para manter elevados graus de cobertura de trevo-subterrâneo quer em prados semi-naturais, quer em pastagens semeadas. Nos solos muito húmidos as gramíneas anuais, tão abundantes nos pastos mediterrânicos, são substituídas por gramíneas perenes (e.g. Holcus lanatus). Nestas condições o trevo-subterrâneo titubeia e é substituído por trevos perenes (e.g. T. repens «trevo-branco» ou T. pratense «trevo-violeta») ou por congéneres anuais de floração alta (e.g. T. dubium). Solos compactados e pisoteados pelos grandes herbívoros domésticos, secos e duros de Verão, pelo contrário, não o incomodam. Por alguma razão, no NE de Portugal, os melhores prados de trevo-subterrâneo podem ser encontrados nos terrenos baldios situados à entrada das aldeias, onde os animais descansam ao final da tarde, depois de um extenuante e longo dia de pastoreio, antes de regressarem aos seus alojamentos.

domingo, 20 de março de 2011

Trifolium subterraneum (Fabaceae) I

O trevo-subterrâneo é a minha planta preferida.
O que tem de especial uma pequena planta anual, prostrada e de flores inconspícuas?
Vou demorar três, ou mais posts para explicar o porquê.
Começarei pela forma e por alguns aspectos da biologia do trevo-subterrâneo. No próximo post falarei dos mecanismos de dispersão. E no seguinte explicarei porque esta planta é tão importante. Feita a soma obtemos a mais notável espécie da nossa flora.
O T. subterraneum é uma herbácea pratense indígena de Portugal. É uma indiferente edáfica, com uma clara preferência por solos derivados de substratos duros (não vai lá muito bem areias) de territórios de clima mediterrânico. Sendo uma planta anual de óptimo mediterrânico germina com as primeiras chuvas outonais. Como tem um sistema radicular relativamente superficial, conclui o ciclo de vida na Primavera quando não haja mais água no solo para consumir.
Cresce e floresce rente ao solo. A folhas apresentam três folíolos (folhas compostas trifolioladas), obcordados (com a forma de coração estilizado) e peludos, impossíveis de confundir com os de qualquer outro trevo da flora de Portugal. As flores organizam-se em pequenos capítulos axilares que facilmente passam desapercebidos.
O trevo-subterrâneo suporta bem o pisoteio e a herbivoria por animais domésticos, quer de ovelhas, quer de vacas ou burros. Os herbívoros domésticos não só deprimem potenciais competidores - a sombra de outras plantas é uma forte ameaça à sua persistência - como facilitam a sua dispersão.
A morfologia dos trevos-subterrâneos é extraordinariamente variável. Experimentem no campo, com a ajuda de uma lupa, identificar linhas de trevo-subterrâneo. Há-as com caules glabros e com caules hirsutos (e todo o tipo de estádios intermédios); ...

 ... com estípulas glabras ou peludas; com pedicelos e pecíolos glabros ou peludos; com marcas-de-água nas folhas e sem elas; com manchas vermelhas nas folhas ou não; com cálices verdes ou vermelhos ...

... e por aí a diante.
Algumas linhas começam a florir em Fevereiro, outras ainda têm flores no final de Abril. Alguns trevos-subterrâneos vivem em solos pobres e secos, e outros em solos ricos nas vizinhança de cursos de água.
A variabilidade desta planta em Portugal é vastamente grande (uma combinação feliz de palavras que não foi inventada por mim). Um património genético que nos poderá vir a ser muito útil!

[o tema fertilidade da terra ficou a meio; um dia desta voltarei ao assunto]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Que árvore é esta? (III)

 Genista florida (Fabaceae)

Como se constrói um montado de giestas?
Quatro etapas:
1) Suspensão da agricultura - a mobilização do solo elimina irremediavelmente as plantas herbáceas pratenses e os arbustos;
2) Reconstrução por sementeira ou por abandono do estrado arbustivo - a sementeira, por exemplo do Cytisus striatus, era uma prática comum no norte e centro de Portugal sendo a sementeira das giestas, muitas vezes, realizada em simultâneo com o cereal no último ano antes do pousio; as giestas instalavam-se então sob a protecção do  cereal; durante a ceifa (à mão) havia o cuidado de não as danificar;
3) Desadensamento e condução dos arbustos;
4) Estabilização do coberto herbáceo pelo pastoreio.
Um dos últimos grandes agrónomo portugueses - o Engº Fernando Gusmão - contou-me há uns meses atrás, que no Barroso, antes da chegada dos adubos de síntese, se praticava uma rotação de 14 anos com giestas (C. striatus) nas terras mais pobres: 13 anos de giesta e 1 de cereal. Uma rotação semelhante de 7 anos foi-me explicada para a Terra-Quente transmontana.
Quem quiser aprofundar o papel das giestas nos sistemas de tradicionais de agricultura da montanha portuguesa tem que ler os artigos do Prof. George Estabrook (ver aqui).
Remato o post com uma ideia de investigação que pelos vistos nada tem de novo: o montado de giestas. A recuperação deste modelo não é despiciente se tomarmos em consideração as ameaças à segurança alimentar que pairam sobre globo, e que a síntese da amónia depende, em exclusivo, de energias fósseis. Depois até pode ser uma forma de ajudar a desenvolver no mediterrânico o conceito de "forest garden" proposto pelos permacultores.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Que árvore é esta ? (II)

O meu último post continha uma pergunta descomprometida.
"Que estranha árvore é esta?"
 A maior parte dos leitores que se deram ao trabalho de escrever um comentário identificaram correctamente a planta retratada na foto, ou andaram lá perto. Sim, trata-se de uma Genista florida, com porte arbóreo porque foi conduzida (podada) pelo homem, e ciclicamente debicada por ovelhas e pelas vacas.


O montado de giestas-piorneiras não é novidade, e o porquê da sua existência também não. 
«Debajo de cada retama [Retama sphaerocarpa] se cría un borrego», dizem os castelhanos. O ilustre fitossociólogo, Prof. Salvador Rivas-Martínez, costuma servir-se deste ditado para explicar a importância das genísteas [leguminosas das tribo das Genisteae, i.e. das giestas] na gestão da fertilidade do solo no passado recente. As giestas são leguminosas e estabelecem um simbiose nas raízes com bactérias fixadoras de azoto. Por essa via, desempenhavam um papel fundamental na introdução deste elemento essencial à produtividade agrícola, nos sistemas orgânicos de agricultura. Por outro lado, as suas raízes mergulham no solo a profundidades superiores às das raízes das plantas herbáceas pratenses. Com o tempo, a bombagem activa de nutrientes para as camadas superficiais, e biologicamente mais activas do solo,  acaba por criar uma ilha de fertilidade em redor das giestas. Para aproveitar estes elementos nutritivos em favor das plantas pratenses o agricultor necessita de desadensar o mato, de construir um montado. Uma elevada densidade de plantas arbustivas elimina as plantas herbáceas mais desejadas porque estas são estritamente heliófilas (exigentes em luz): a sombra e as ervas pratenses nunca combinaram.
(continua)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Que árvore é esta? (I)

Uma copa de ramos finos, flexíveis e verdes é por certo invulgar entre a flora indígena de Portugal.
Que planta mais estranha!
Ninguém duvidará, porém, que se trata de uma árvore. Uma planta com 4 m de altura, de tronco desprovido de ramos que afasta do solo um copa globular bem ramificada, cai limpinha no conceito clássico de árvore (vd. Pio Font Quer, Diccionario de Botánica).
Mais interessante ainda é o montado representado na foto que anteontem visitei na Serra de Montemuro. Será esse o tema do meu próximo post.
Aceitam-se comentários ;)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Marquesa de Alorna e a botânica

Leonor de Almeida Portugal [1750-1835], Marquesa de Alorna, teve uma vida tão longa como acidentada. Sofreu as perseguições do Marques de Pombal, e refugiou-se por duas vezes exilada no estrangeiro. Assistiu ao terramoto de 1755, à primeira fase da decadência dos Braganças, às invasões francesas, à guerra civil e à instauração da monarquia constitucional. A adolescência passou-a desterrada num mosteiro, em Chelas, não sem o convívio de visitadores masculinos. Casou com um alemão que, como era e ainda é hábito na nação, dado o berço alóctone, subiu meteoricamente no poder e na escala social indígena. Aparentemente, esteve envolvida no assassinato de um general francês. Uma filha foi amante de Junot; um filho acompanhou os exércitos de Napoleão à Rússia. Conviveu com a nata da nobreza europeu e o melhor da elite cultural portuguesa. Acabou os seus dias, bem, numa quinta apalaçada nos arredores de Lisboa.
Mulher de densa cultura, estupenda inteligência e incontida petulância aristocrática, pintou e foi autora de traduções e de uma obra poética vasta. Um dos seus livros de poesia tem por título "Recreações botanicas". Conheço dois artigos sobre o livro, ricos de comentários e transcrições, da autoria de Luis de Pina (1953) e da Prof. Maria Helena Rocha Pereira (1983). Da sua leitura percebo que além de um acurado conhecimento teórico da ciência botânica e da sua história - leu Lineu e Tournefort, louva Correia da Serra e Brotero e recomenda a botânica como fonte de prazer e elevação - a Marquesa de Alorna percepcionou a forma das plantas, entendeu o sistema sexual lineano, e conhecia de facto as plantas e o seu uso.
Atentem nestes dois trechos de poesia.
Sobre as leguminosas:

Quantos legumes saborosos cobre
Uma silica branca! Com que graça
Verde e branco o faval recrêa a vista!
Como a luzerna, que viçosa cresce
D'esmeraldas os campos alcatifa!
Quantas mais com profusos dons contentam
Homens, aves, quadrupedes, insectos!
As artes, a saúde, a economia,
Implorando os aureílios desta Classe,
Sem as plantas que pródiga concede
Talvez parcos triunfos obteriam.

Medicago orbicularis (Fabaceae), uma luzerna anual, frequente nas áreas de clima mediterrânico de Portugal continental, com algum interesse nas misturas de sementes de pastagens ricas em leguminosas

E das labiadas:

As labiadas são familia illustre
Que a Natureza distinguiu vaidosa,
Pela forma do calix, pelas bracteas,
Pela corolla as reconhece as eschola.
Destas plantas cheirosas as virtudes.
Combatem as tristeza, a dôr, e a morte:
...

Teucrium heterophyllum (Lamiaceae), um soberbo endemismo madeirense e canarino

Ficam pela certa bem a abrir uma dissertação sobre metabolitos secundários e substâncias aromáticas ou, então, um panegírico dirigido às leguminosas, ao rizóbio e à nitrogenase. O último servia também um livro de agricultura biológica, não fora a natureza alternativa da política de muitos dos seus praticantes.
[fotos C.Aguiar]

sábado, 2 de outubro de 2010

Lens nigricans e L. culinaris (Fabaceae)

"E tu toma trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho miúdo, e espelta, e mete-os numa só vasilha, e deles faz pão. Conforme o número dos dias que te deitares sobre o teu lado, trezentos e noventa dias, comerás disso." Ezequiel 4:9

Esta belíssima passagem de Ezequiel atesta a importância da lentilha - Lens culinaris - nos mediterrâneo oriental, nos meados do I mil. a.C.
Antes da generalização do uso de fertilizantes químicos azotados, a lentilha era também largamente cultivada na Ibéria na produção de grão para consumo humano, de feno para os animais ou como melhoradora da fertilidade do solo. Por exemplo, na Terra-Quente transmontana semeavam-se os olivais com lentilhas no Outono para serem fenadas na Primavera. O solo era demasiado escasso e as aldeias demasiado povoadas para deixar por cultivar as entrelinhas dos olivais tradicionais.

As lentilhas, há semelhança de tantas outras cultivadas, provêm do mediterrâneo oriental. Como referi aqui, fazem parte do "founder crops package", do primeiro grupo de plantas domesticadas, no início do Holocénico no Crescente fértil.
O ancestral da lentilha já foi identificado - Lens orientalis; as mais antigas evidências de domesticação datam de 11.000 BP (antes do presente).

Em Portugal temos duas espécies indígenas do género Lens: L. nigricans e Lens lamottei (vd. aqui).


Lens nigricans (Fabaceae), uma planta de orlas sombrias de bosques perenifólios sobre rochas ricas em cálcio. N.b. pedúnculo da inflorescência culminado por uma arista. O género Lens é muito próximo de Vicia - parece que a sua segregação não é sustentável - do qual se distingue pela presença de sementes lenticulares e cachos geralmente aristados [foto CA, Bragança]

Existem evidências de que a domesticação da L. nigricans foi tentada, talvez por mais de uma vez, no SE da Europa. Alguns autores admitem que as vantagens agronómicas da L. culinaris coarctaram a domesticação da L. nigricans. Curioso, muito curioso.

sábado, 25 de setembro de 2010

Vicia narbonensis (Fabaceae) e Vicia faba (Fabaceae)

Evidências recentes datadas de 10º milénio BP (antes do presente), reunidas por Tanno & Willcox (2006), indiciam que a faveira (Vicia faba) foi domesticada no Crescente Fértil pouco depois do início do Holocénico.
O antepassado da faveira não está identificado. Alguns autores admitem que o ancestral da faveira está extinto; outros propõem que a faveira é um domesticado de V. narbonensis ou de V. galilaea, embora o número de cromossomas não seja coincidente.
As primeiras faveiras produziam sementes pequenas. Os botânicos colocaram estas plantas numa var. minor. A fava graúda que iremos semear dentro de dias, ou que encontramos nos mercados, é um seleccionado recente, talvez obtido por volta do ano 1000 d.C., na última etapa da Idade Média.
O nome Vicia faba foi atribuído por Lineu a plantas de sementes grandes originárias do Egipto. Por essa razão as faveira de sementes graúdas actuais pertencem à var. faba. O nome varietal var. major designa a mesma planta: é um sinónimo de var. faba. Portanto, o trinome Vicia faba var. major não pode ser usado. Enquanto a var. minor tem os seus autores [var. minor (Harz) Beck], a variedade tipo não leva autorias. Esta trica nomenclatural é de cumprimento obrigatório, assim o diz o Código Internacional de Nomenclatura Botânica. Já agora, estas regras não são aplicadas aos taxa subescíficos de Pinus pinaster «pinheiro-bravo» porque ninguém sabe o que é o P. pinaster var. pinaster (pelo menos até a planta ser tipificada; não sei se entretanto já o foi).
Já vi mais de uma vez a atribuição de autorias a taxa subespecíficos que ficam com o tipo nomenclatural, i.e. a nomes do tipo V. faba var. faba. Convém evitar.

Esta curta história da domesticação da V. faba é um pretexto para publicar uma foto de uma planta extraordinária:


A V. narbonensis é tudo menos abundante em Portugal. Vi-a meia dúzia de vezes, uma delas num olival de um colega, como muito vezes acontece com as espécies deste género, aproveitando a sombra da árvore e a pequena ilha de fertilidade que se cria à sua volta.

domingo, 19 de setembro de 2010

Pisum sativum (Fabaceae)

A ervilheira foi uma das primeiras plantas domesticadas no Médio-Oriente e no SW da Ásia central (e.g. Turquemenistão), no final do Dryas recente ou no Holocénico inicial [o Dryas recente foi uma pequena pulsação fria ocorrida, aproximadamente, de 12800-11500 cal. BP (antes do presente, em datas calibradas), que marca o final do Pleistocénico].

Pisum sativum subsp. sativum «ervilheira-cultivada»

A ervilheira faz parte do "founder crops package" - conceito cunhado por Zohary & Hopf (Domestication of Plants in the Old World, 2000) - isto é do primeiro grupo de plantas domesticadas, que incluía cereais – Triticum monoccocum, T. diccocum e Hordeum vulgare «cevada» –, leguminosas para grão – Lens culinaris «lentilha», Cicer arietinum «grão-de-bico», Pisum sativum «ervilheira» e Vicia ervilia –, e uma fibra, o Linum usitatissimum «linho». Vale a pena referir que a combinação de plantas produtora de amido (cereais, raizes ou tubérculos) com leguminosas é um padrão comum a todos os centros de origem das plantas cultivadas, seja este conceito assumido como um território concreto ou uma grande região de fronteiras difusas. A explicação é simples: os cereais esgotam rapidamente o azoto do solo; as leguminosas refazem com maior ou menor eficiência essa pool de azoto determinante da produtividade vegetal.

Pisum sativum subsp. elatius «ervilheira-brava»

Ao contrário de outras plantas cultivadas (e.g. milho, o alho e a faveira) a ervilha ainda se assemelha muito ao seu ancestral - o Pisum sativum subsp. syriacum.
Em Portugal continental é relativamente frequente o P. sativum subsp. elatius, uma subespécie quase idêntica à oriental subsp. syriacum, própria de orlas de bosques pernifólios ou de escarpas bem conservadas, invadidas por matagal. Na Primavera, aqui em Trás-os-Montes, colhem-se no campo as vagens de P. sativum subsp. elatius, que se consomem como as ervilhas-de-quebrar.
Quando deparo com o P. sativum subsp. elatius, e admiro as suas enormes e apetitosas vagens, é-me inevitável pensar que na Ibéria mediterrânica abundam plantas "domesticáveis". Faltou um estímulo externo e um ambiente cultural adequado para que essa revolução de máxima grandeza que foi o Neolítico aqui tivesse tido início.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Trifolium tomentosum (Fabaceae)

Nos prados de sequeiro com trevos-subterrâneos (T. subterraneum), naturais ou semeados, quando os anos são húmidos abundam as plantas de solos temporariamente encharcados, conforme referi neste post. Se os anos forem secos ganham dominância plantas mais xerófilas (melhor adaptadas à secura do solo), entre as quais se conta este trevo anual:

Trifolium tomentosum (Fabaceae)

Este pequeno trevo é uma das espécies do género Trifolium, indígenas de Portugal, de ciclo biológico mais curto, e mais resistentes ao pisoteio e à compactação do solo. Primavera meada não passa desapercebido em prados, margens de caminhos, estradas e passeios, com as suas frutificações esféricas prontas a rebolar pelo solo ao sabor do vento, até se encravarem numa pequena reentrância entre os paralelos de uma estrada rural ou num tufo seco de gramíneas. A anemocoria (dispersão pelo vento) neste trevo, à semelhança do T. resupinatum (vd. aqui), resulta da presença de cálices acrescentes (que crescem) após a fecundação, e colaescem numa infrutescência de grande volume e pouco peso.