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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sorbus aria (L.) Crantz (Rosaceae)



Pensamos que ainda aqui não tinha sido postada a bela árvore
Sorbus aria (L.) Crantz, Stirp. Austr. Fasc. 2:46. 1763
Este arbusto ou pequena árvore, foi por nós fotografado em 20.V.2004 num local granítico da Serra do Caramulo (concelho de Tondela, BA), muito próximo do ponto trigonométrico ou vértice geodésico "Cabeço da Neve", 985 m, num local bastante perturbado com numerosas coníferas exóticas assim como algumas plantas endémicas como Silene acutifolia, Silene marizii e Dianthus laricifolius (Caryophyllaceae), algumas gramíneas e alguns arbustos comuns como Erica arborea (Ericaceae) e Cytisus striatus (Leguminosae), etc.
Não sabemos se este pequeno bosquete será espontâneo ou terá sido plantado pelo homem, que tantas árvores (sobretudo coníferas exóticas) plantou nas suas vizinhanças.
Na foto das flores de Sorbus aria são visíveis duas abelhas polinizadoras e melíficas, pertencentes à vasta ordem Hymenoptera.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eschscholzia californica Chamisso (Papaveraceae) e diversas outras espécies (Campanulaceae, Gramineae, Leguminosae)



Eschscholzia californica Chamisso in Nees, Horae Phys. Berol. 73. 1820 (Papaveraceae)

“Eschscholzia californica, commonly called the California poppy or golden poppy, is a perennial and annual plant, native to the United States, and the official state flower of California.” (http://en.wikipedia.org/wiki/Eschscholzia_californica)

Fotografias obtidas em 19.VI.2012, na BA: Tondela: Caramulo, local granítico, alt. c. 900 m, com diversas outras espécies mais ou menos ruderais: Avena barbata Link, Cynosurus echinatus L., Holcus lanatus L., Micropyrum tenellum (L.) Link (Gramineae), Jasione montana L. (Campanulaceae), Vicia sativa L. (Leguminosae).

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Algumas plantas caramulanas (várias famílias) + um ortóptero


Para iniciarmos bem o mês de Julho, trazemos aqui algumas belas plantas caramulanas anuais, pertencentes a três famílias diversas:
Campanula lusitanica L. in Loefling, Iter Hisp.: 111. 1758 (Campanulaceae),
 um endemismo da Região Mediterrânica Ocidental
 (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Campanula%20lusitanica&PTRefFk=7400000) 

Também se podem observar - à direita, nas fotos:
Filago minima (Sm.) Pers., Syn. Pl. 2: 422. 1807
= Gnaphalium minimum Sm. = Oglifa minima (Sm.) Rchb. f.
 = Logfia minima (Sm.) Dumort., Fl. Belg. (Dumortier) 68. 1827 (Asteraceae ou Compositae)
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Filago%20minima&PTRefFk=7000000)

assim como - do lado esquerdo, nas fotos :
Micropyrum tenellum (L.) Link in Linnaea 17: 398. 1844
 um endemismo da Região Euro-Mediterrânica
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Micropyrum%20tenellum&PTRefFk=7100000)

...E ainda um pequeno ortóptero, que pertencerá provavelmente ao género Phaneroptera Serville, 1831, da família Phaneropteridae, da ordem Orthoptera - identificação gentilmente providenciada pelo ilustre naturalista Carlos M. Silva.

domingo, 20 de maio de 2012

Filogenia de poáceas

GPWG (Grass Phylogeny Working Group) publicou, no início do corrente ano, um novo paper de filogenia das gramíneas (aqui). A topologia da árvore filogenética das gramíneas pouco mudou nestes últimos 11 anos, desde o GPWG (2001, aqui): três grupos basais (AnomochlooideaePharoideae Puelioideaede corologia tropical, aninhados em série, sucedidos por dois grandes clados irmãos, BEP e PACMAD. O  BEP inclui as subfamílias Bambusoideae (bambus), Ehrhartoideae (e.g. Oryza sativa «arroz») e Pooideae (subfamília da maioria das gramíneas indígenas de Portugal). O clado  PACMAD agrega Panicoideae (e.g. Sorghum bicolor «sorgo» e Zea mays «milho-graúdo»), Arundinoideae (e.g. Arundo donax «cana»), Chloridoideae (e.g. Cynodon dactylon «grama»), Micrairoideae (grupo tropical ausente de Portugal), Aristidoideae  (grupo tropical ausente de Portugal) e Danthonioideae (e.g. Cortaderia selloana «cortaderia»)
Enquanto revisitava a árvore filogenética da Poaceae fiquei curioso, e googlei em busca da história da descoberta da Anomochlooideae, o grupo mais primitivo de todas as gramíneas. Nestas coisas da filogenia é inevitável, a atenção foge para a base das árvores, onde radicam os taxa ancestrais, e para os taxa mais evoluídos, ricos em caracteres derivados. A descrição da primeira espécie de Anomochlooideae - a Anomochloa marantoidea - deve-se a Adolphe-Théodore Brongniart [1801-1876], um botânico francês, afincado estudioso da Flora da Nova Caledónia, citado nos livros, e na Wikipedia, como o pai da paleobotânica. Interessante, Paris está inscrita como localidade clássica da tropical A. marantoidea, porque a planta que lhe serviu de tipo encontrava-se cultivada num jardim botânico da capital de França. Durante mais de um século multiplicaram-se os exemplares de herbário de A. marantoidea, todos com a mesma proveniência: um punhado de sementes que alguém trouxe, em data desconhecida, de algures, no Brasil. A agrostóloga argentina, Cleofe Carderon, naturalista no Sminthsonian National Museum, reecontrou-a em 1976, numa plantação de cacaueiros no Estado da Baía, 125 anos depois da descrição de Brongniart. Esta curiosa história é contada aqui. Não é única do tipo.

Lolium perenne L. (Poaceae ou Gramineae)

Mais uma beldade do Reino Vegetal, fotografada hoje mesmo: Poaceae: Lolium perenne L. Sp. Pl. 1: 83. 1753 [1 May 1753] View page [BHL] Links: basionym of:Poaceae Festuca perennis (L.) Columbus & J.P.Sm. Aliso 28: 65 (-66). 2010 [21 May 2010] Original Data: Notes: Europ.; As. temp. (http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=407493-1)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Festuca summilusitana, um endemismo lusitano das montanhas (Gramineae)





Festuca summilusitana Franco & Rocha Afonso in Bol. Soc. Brot. sér. 2, 54: 94. 1980 [1980-81 publ. 1980] (Poaceae ou Gramineae)
Distribution: Portugal.
Original Data: Distribution: Portugal.


(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=896497-1)

Foto proveniente da Serra da Freita (concelho de Arouca, freguesia de Albergaria da Serra, pr. do vértice geodésico S. Pedro Velho), alt. ca. 1090 m, sobre rochas metamórficas, 4.VII.2003, vegetação rupícola da Classe Festucetea indigestae.
Trata-se de um endemismo exclusivamente lusitano, segundo consta.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Várias plantas, quase na Primavera



















Neste dia tão extraordinário (29 de Fevereiro - trata-se de um ano bissexto!) aqui ficam algumas beldades subespontâneas que quase assinalam a chegada da nossa prima favorita, a Primavera!

São elas:
Phytolacca americana L., Sp. Pl. 1: 441. 1753 [1 May 1753] (Phytolaccaceae);

Oxalis pes-caprae L., Sp. Pl. 1: 434. 1753 [1 May 1753] (Oxalidaceae) (2 fotos);

Bergenia crassifolia (L.) Fritsch, Verh. Zool.-Bot. Ges. Wien xxxix. (1889) 587.
basionym: Saxifraga crassifolia L. Sp. Pl. 1: 401. 1753 [1 May 1753] (Saxifragaceae);

Ehrharta erecta Lam., Encycl. [J. Lamarck & al.] 2(1): 347. 1786 [16 Oct 1786] (Poaceae);

Verbascum levanticum I.K.Ferguson, Bot. J. Linn. Soc. 64 (2): 230 (1971) (Scrophulariaceae)
Original Data: Notes: Turkey, Israel, Lebanon, Cyprus, naturalised in Portugal;

Nephrolepis cordifolia (L.) C. Presl, Tentamen Pteridographiae 1836 (Lomariopsidaceae).

Estes dados são provenientes de The International Plant Names Index (IPNI), http://www.ipni.org

sábado, 24 de dezembro de 2011

Scleroderma citrinum (Sclerodermataceae) e outras plantas
















Com os nossos votos de um santo Natal de 2011 e um próspero Ano 2012, para todos os nossos leitores e camaradas blogueiros, trazemos aqui o belíssimo cogumelo Scleroderma citrinum Pers., Syn. meth. fung. (Göttingen) 1: 153 (1801) (Sclerodermataceae, Boletales, Agaricomycetidae, Agaricomycetes, Basidiomycota, Fungi)
(http://www.speciesfungorum.org/Names/GSDSpecies.asp?RecordID=181865),
que encontrámos em 22 de Maio de 2003, num pinhal bravo de Pinus Pinaster (Pinaceae) com vegetação arbustiva baixa acidófila da classe Calluno-Ulicetea, incluindo Agrostis Curtisii (Gramineae), Calluna vulgaris (Ericaceae), Halimium alyssoides (Cistaceae), Monotropa Hypopitys (Ericaceae), Ulex minor (Leguminosae) ... no conc. de Moimenta da Beira, pr. de Alva.


E como Vénus traz a Paz e Júpiter traz a Alegria, e ambos brilham intensamente no céu, nesta noite de Natal, aqui ficam:
http://www.youtube.com/watch?v=oKvG0RU4_fI
http://www.youtube.com/watch?v=Nz0b4STz1lo
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Planets

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um cogumelo e mais algumas plantas (várias famílias)





Trazemos hoje aqui uma foto de um curioso cogumelo, não identificado, acompanhado por diversas plantas da época, mais ou menos identificadas.
Assim, nas vizinhanças do curioso fungo, podem reconhecer-se:


Cotula australis (Spreng.) Hook. f., Fl. Nov.-Zel. 1: 128. 1852 (Compositae ou Asteraceae), uma pequena erva exótica, ligeiramente invasora, de origem australiana e neozelandesa;
Cercis siliquastrum L., Sp. Pl.: 374. 1753 (Leguminosae ou Fabaceae), representada por um fruto - uma vagem que parece pertencer a esta espécie (http://en.wikipedia.org/wiki/Cercis_siliquastrum);
Galium murale (L.) All., Fl. Pedem. 1: 8. 1785 (Rubiaceae), um endemismo euro-mediterrânico (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Galium%20murale&PTRefFk=7200000);
Pyracantha sp. (Rosaceae), um fruto vermelho deste arbusto exótico espinhoso frequentemente cultivado em sebes;
Ochlopoa annua (L.) H. Scholz in Ber. Inst. Landschafts-Pflanzenökologie Univ. Hohenheim, Beih. 16: 58. 200 = Poa annua L., Sp. Pl.: 68. 1753 (Gramineae ou Poaceae)
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameId=7711786&PTRefFk=7100000),
embora não possamos garantir que se trate desta espécie, evidentemente...

Todo este elenco florístico faz parte da chamada vegetação ruderal urbana, que surge, neste caso particular, por entre os blocos calcários que constituem uma calçada bem portuguesa.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os garranos e a biodiversidade



Garranos a pastar no planalto da serra de Arga (foto: João Gomes)

O pastoreio de equídeos (garranos) no Norte de Portugal é resultado da nova política europeia de apoio às raças autóctones. Apesar de tudo não é algo novo, pois no século XIX eram milhares os animais que circulavam nas serras nortenhas. O seu número era mais controlado pelas populações humanas que iam periodicamente recolher os potros, do que pelo lobo, o predador típico destes animais. Os garranos pastavam livremente na serra durante o Inverno, sendo depois condicionados para as áreas marginais durante a primavera, quando os prados húmidos de maior qualidade eram necessários para o gado bovino. Ora os cavalos e as vacas pastam de maneira diferente, introduzindo oportunidades para espécies com diferentes características funcionais. Os cavalos comem essencialmente gramíneas fibrosas, evitando dicotiledóneas com grande presença de metabólitos secundários. Conseguem comer rente ao solo devido à sua dupla dentição, arrancado mesmo algumas ervas mais fibrosas como Agrostis curtisii e Nardus stricta. As vacas não conseguem pastar vegetação muito curta porque precisam de puxar a vegetação com a língua para a poderem cortar com os dentes, sendo menos seletivas em relação às plantas que comem. Este duplo regime criou pastagens muito diversas, sendo muito importante para um habitat em particular, o cervunal. Os cervunais têm uma diversidade florística muito grande, sendo essa diversidade dependente do tipo de pastoreio. As ovelhas produzem cervunais pobres em espécies, dominados pelo cervum (Nardus stricta), espécie que evitam devido à sua baixa palatabilidade e reduzido conteúdo nutricional. Isso é notório tanto nos cervunais da Escócia como nos da serra da Estrela. Cavalos e vacas produzem cervunais ricos em espécies quando em regime misto, ou seja, pastados por equídeos no inverno e bovinos no verão. O grande problema é que neste momento os cavalos são largados no monte sem qualquer tipo de seguimento, sendo que o controle das crias em muitos casos só é feito para ver se há baixas causadas pelo lobo. No século XIX, o garrano era muito importante na economia agrícola e pastoril, sendo muito utilizado pelas populações. Neste momento, representa para muitos um importante recurso apenas em termos de subsídio. Os garranos pastam durante o ano todo nos cervunais, provocando alterações muito significativas nas gramíneas dominantes. Se a isto for adicionado alterações provocadas pela adição de fosfatos ao sistema, devido à escorrência de cinzas resultantes dos incêndios, o caso torna-se ainda mais complicado. Na serra de Arga, é possível nalguns locais contar os pés de cervum, a gramínea que supostamente devia dominar estas comunidades. A Quercus tem em mãos um projeto que visa recuperar este habitat que é claramente moldado pelas atividades humanas, e que será um caso de estudo muito interessante nos anos vindouros.

domingo, 25 de setembro de 2011

Gramíneas e diatomáceas I

O planeta Terra pode ser compreendido como um organismo vivo que, por uma qualquer razão inexplicável, foi sempre capaz de repor equilíbrios ameaçados em favor do biota (a totalidade dos seres vivos). Por poucas palavras, esta é a ideia fundamental da teoria de Gaia de James Lovelock, pelo menos na sua formulação original. Se a Terra, no seu todo, é um organismo, a capacidade de se manter em equilíbrio em torno de condições ambientais óptimas para a vida (homeostasia) teria que resultar de um processo interactivo de tentativa e erro, submetido a selecção. A selecção natural actua ao nível do gene e do indivíduo, como poderia, saltando os níveis de complexidade do ecossistema e do bioma, estender-se à escala do planeta? A noção teleológica do funcionamento do sistema Terra que assiste a teoria de Gaia não é aceitável em ciência. A teoria de Gaia é uma metáfora.
A Terra tem, ainda, vida porque assim foi; calhou. O facto de a vida ser na Terra, e de uma espécie terráquea, a nossa, deter a capacidade de a conceptualizar e explorar, tolda-nos a razão, fazendo-nos crer que a existência é, por si só, um argumento suficiente da necessidade de ser. A vida pode até ter povoado os planetas Marte e Vénus, mas ambos foram "incapazes" de a manter. Retroacções positivas poderão ter causado a evaporação para o espaço dos oceanos de Marte, e a subida da temperatura da atmosfera de Vénus, a valores incompatíveis com a vida. Sem água líquida e temperaturas compatíveis com a química do carbono dificilmente poderá ocorrer vida. A leis físicas que explicam a retenção da vida na Terra, são as mesmas que explicam a sua não presença, ou extinção, em Vénus e Marte. Se há vida na Terra, então a vida poderá acontecer noutro local do universo. A regras que explicam a vida estão na Terra e fora dela, o que, no meu entender, torna um pouco interessante, quase irrelevante, a busca de vida extraterrestre.
James Lovelock, dizem tanto os seus seguidores como os seus detractores, teve um papel fundamental na compreensão das relações atmosfera-litologia-vida à escala geológica. A vida, desde a sua emergência há mais de 3,7 mil milhões de anos, interage com a atmosfera e com as rochas; a atmosfera e os substratos rochosos, por sua vez, interferiram na evolução da vida. As bactérias fotossintéticas e as plantas verdes foram determinantes na composição química da atmosfera, na meteorização das rochas e na formação de depósitos geológicos; os animais tiveram um papel por regra passivo, limitaram-se a obedecer às plantas, adaptando-se.
Gosto desta designação: "Grande Oxidação". Refere-se a um evento ocorrido há 2,4 mil milhões de anos, no início do Proterozóico (éon que decorre 2,5 mil milhões - 542 milhões de anos). No Hadeano e no Arqueano, éons anteriores ao Proterozóico, a atmosfera manteve-se fortemente redutora (diz Lovelock que este facto é essencial para explicar a emergência da vida). A maquinaria fotossintética das bactérias azul-esverdeadas produz um temível subproduto: o oxigénio. A paulatina acumulação deste gás na atmosfera - supõe-se, sem evidência directa, que pela acção das bactérias azul-esverdeadas (os mecanismos envolvidos na grande oxidação não são consensuais, alguns autores defendem que a explicação encontra-se na tectónica de placas, outros na produção bacteriana de metano) - redundou numa mudança catastrófica da química da atmosfera. Um dos efeitos mais dramáticos da acumulação atmosférica de oxigénio foi a precipitação do ferro suspenso nos mares arqueanos em extensos depósitos de ferro de grande valor económico. O oxigénio tem uma importante propriedade química: o oxigénio é um fortíssimo oxidante, aliás poucas substâncias são mais oxidantes do que o oxigénio. O oxigénio de rédea solta, sem controlo bioquímico, pode destruir as estruturas celulares, oxidando-as. Se dominado pela respiração, o mecanismo inverso da fotossíntese, permite extrair mais energia da matéria orgânica do que a fermentação. Com mais energia os animais podem ser maiores (as despesas energéticas são proporcionais à dimensão), e as plantas também. A Grande Oxidação abriu o caminho à explosão da vida animal nos mares câmbricos e, um pouco mais tarde, no Devónico, à conquista da Terra emersa, primeiro pelas plantas e logo a seguir pelos animais.
Perdi-me na escrita. Inicialmente queria discutir a forma como as gramíneas controlaram a composição do fitoplâncton marítimo e a evolução dos mamíferos herbívoros no Cenozóico. As gramíneas são apenas um dos muitos actores da vida na Terra que influenciaram e se deixaram influenciar pelas suas extraordinárias capacidades, pelo seu extraordinário sucesso evolutivo. Sem um contexto um pouco mais lato, recuando até à Grande Oxidação, poderia parecer que as gramíneas foram únicas a manipular os macro-caminhos da evolução. Sem compromissos de datas, essa história fica para depois.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Uma flor (Gentianaceae) e mais cinco espécies de bichos (Insecta)





















Deixamos hoje aqui uma pequena gencianácea anual que gosta de locais calcários (calcícola):
Blackstonia perfoliata (L.) Huds., Fl. Angl. (Hudson) 146. 1762
= Gentiana perfoliata L., Sp. Pl. 1: 232. 1753 [1 May 1753]
= Chlora perfoliata (L.) L., Syst. Nat., ed. 12. 2: 267. 1767 [15-31 Oct 1767]
IPNI Plant Name Query Results
IPNI Plant Name Query Results
IPNI Plant Name Query Results
Blackstonia perfoliata - Wikipedia, the free encyclopedia,

assim como cinco belos insectos para eventual identificação pelos ilustres entomólogos que habitualmente por aqui passam - e aos quais ficam, desde já, os nossos sinceros agradecimentos!
Apesar da nossa profunda ignorância em relação ao fascinante mundo dos amigos de seis patas, pensamos estarem aqui representados duas borboletas (Lepidoptera), um coleóptero (Coleoptera), uma mosca (Diptera) e ainda uma colmeia de abelhas ou vespas (Hymenoptera).

O belíssimo coleóptero listado parece estar situado sobre a gramínea relativamente comum Agrostis curtisii Kerguélen, Lejeunia 75(Err. & Corr.): 1, nom. nov. 1975; Bull. Soc. Bot. France 123(5-6): 318, nom. 1976
IPNI Plant Name Query Results.

A borboleta de cima encontra-se sobre folhas secas do comum Pteridium aquilinum, feto já aqui divulgado neste blog:
Das plantas e das pessoas: Pteridium aquilinum (Dennstaedtiaceae),
enquanto que a borboleta de baixo surge pousada sobre a bela composta de distribuição eurasiática, macaronésica e mediterrânica
Pallenis spinosa (L.) Cass. in Cuvier, Dict. Sci. Nat. 37: 276. 1825
= Buphthalmum spinosum L., Sp. Pl. 2: 904. 1753 [1 May 1753]
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Pallenis spinosa&PTRefFk=7000000)
IPNI Plant Name Query Results
IPNI Plant Name Query Results

E, porque esta versão nos parece particularmente excelente, aqui fica, mais uma vez, do genial A. Vivaldi:
YouTube - Vivaldi - Gloria: 1. Gloria in excelsis Deo - Trevor Pinnock - The English Concert

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lacerta schreiberi (Lacertideae) e Funaria hygrometrica (Funariaceae)




















Trazemos hoje aqui um belíssimo lagarto, Lacerta schreiberi Bedriaga, 1878, também conhecido como "lagarto de água", um lacertídeo que parece gostar de sítios frescos e húmidos (com precipitações anuais superiores a 600 mm) e que se pode encontrar nalgumas das nossas montanhas como por exemplo as Serras da Freita e de Montemuro, sendo endémico da Península Ibérica (http://www.icn.pt/psrn2000/caracterizacao_valores_naturais/FAUNA/anfibios_repteis/Lacerta%20schreiberi.pdf).
Segundo o mesmo artigo acima citado, cerca de 45% da sua área de distribuição localiza-se em Portugal!

Como acompanhamento vegetal trazemos hoje aqui o belo musgo Funaria hygrometrica Hedw., cuja seta se assemelha a uma corda -do "Latin funis, rope, alluding to cord-like twisted seta"-, e que é relativamente comum em Portugal.
Funaria in Flora of North America @ efloras.org
Funaria hygrometrica in Flora of North America @ efloras.org
Funaria hygrometrica - Wikipedia, the free encyclopedia

Convém ainda notar a presença de um Rubus (Rosaceae), da Stellaria holostea (Caryophyllaceae) e de uma gramínea -quem sabe se será Holcus mollis (Poaceae)-, tão comuns na classe de vegetação florestal Querco-Fagetea e nas suas orlas (classe Trifolio-Geranietea).

Como acompanhamento musical, vamos sugerir mais uma vez o excelente Philippe Jaroussky, que vale sempre a pena ouvir:
YouTube - Philippe Jaroussky - Carestini

domingo, 3 de abril de 2011

Um prado, algumas ovelhas e algumas árvores (Oleaceae, etc.)

















Não têm surgido posts neste blog, recentemente, por isso ocorreu-nos deixar aqui algo, hoje um pouco diferente do habitual.
Assim, postamos aqui hoje um prado ovelhoso, com diversas ovelhas:
Sheep - Wikipedia, the free encyclopedia
Existem também algumas árvores, que talvez os ilustres frequentadores deste blog possam identificar. Para além dos habituais Eucalyptus globulus Labill. (Myrtaceae) e Olea europaea L. (Oleaceae) -a oliveira- existem mais alguns exemplares de árvores que, embora fotografados a cerca de 1 km de distância, talvez sejam identificáveis!
Presumimos que também serão visiveis espécie de Quercus (género que inclui carvalhos, azinheiras e sobreiros) e Salix sp. (os salgueiros), para além de grandes gramíneas como Arundo sp.
Convém notar que as duas fotos aqui apresentadas foram obtidas em diversas épocas do ano: a de cima em Abril (Primavera) e a de baixo em Novembro (Outono).

Como sugestão musical, deixamos hoje a excelente Christina Pluhar e sua orquestra - e quem é que não aprecia uma verdadeira alma italiana?:
YouTube - Christina Pluhar, une âme italienne.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Fertilidade da terra, Eça de Queirós e von Liebig (II)

O crescimento das plantas depende da disponibilidade de recursos.
Quem faz horta sabe que a falta de água e de fertilidade da terra, ou a sombra de um prédio vizinho se pagam com baixas produções. Se rareia a água, rega-se; se escasseia o azoto, estruma-se ou aduba-se a terra; se a sombra é muita, o melhor é mudar de horta. Reparem: a falta água não se resolve fertilizando a terra, bem pelo contrário: o adubo aumenta a pressão osmótica (quantidade de sais) da água do solo e só desajuda. Se a minha horta murcha, enquanto não abrir um furo de nada me vale gastar dinheiro na casa agrícola!
O dia-a-dia das 600 gerações de agricultores que povoaram a bacia do mediterrânico desde o final da última glaciação foi condicionada por estes, ou similares problemas.
von Liebig resumiu o efeito da escassez de nutrientes no solo na conhecida Lei do Mínimo. Observações simples pedem formulações teóricas tão simples como brilhantes. Escreve von Liebig: "o crescimento das plantas é limitadas pelo elemento, ou composto, que esteja presente em menor quantidade no solo". Portanto, se as necessidades em azoto das minhas batatas estão satisfeitas, a produtividade passará a estar limitada por outro nutriente, por exemplo pelo potássio.
Para explicar a Lei do Mínimo von Liebig serviu-se de uma fantástica metáfora (imagem sacada daqui) representada na imagem do lado. Parece que ainda sobrevive uma dorna semelhante à da figura no laboratório de von Liebig.

A Lei do Mínimo tem dois importantes corolários: 1) a produção é proporcional à quantidade do nutriente limitante disponível no solo para as plantas; 2) à medida que este nutriente for adicionado ao solo os rendimentos crescem cada vez mais lentamente (rendimentos decrescentes).
Quando a curva atinge um tecto outro nutriente passou a controlar a produtividade.

Estudei esta curva quando era estudante de agronomia há vinte e cinco anos atrás. O meu professor de química agrícola insistia, é claro, no lado direita da curva. Os rendimentos decrescentes e os consumos de luxo (consumo de nutrientes pelas plantas sem reflexos na produção) eram, e por enquanto ainda são, um problema sério para a agricultura industrial. Por outras palavras: a certa altura os ganhos de produção não pagam a adição de mais uma unidade de nutriente, e a nutrição das plantas representa uma fatia substancial das contas de cultura.
E o lado esquerdo da curva?

Se o Sr. Jacinto, o coveiro do "A Capital", soubesse interpretar gráficos, se tivesse estudado funções na escola, certamente concentraria a sua atenção no esquerdo da curva. O lado da abundância, quando a curva tende para um limite, ser-lhe-ia irrelevante. A derivada a convergir para o infinito,pelo contrário, perturbar-lhe-ia o sono. Aquele súbito mergulho da curva em direcção à origem representa uma das maiores  condicionantes das tomadas de decisão, e da qualidade de vida dos agricultores orgânicos pré-industriais. Em momentos de escassez uma unidade de azoto, ou de qualquer outro nutriente limitante, valia uma vida. E essa unidade explica por que razão se reduziram a cinzas os bosques cobriam no início do Holocénico o território que é hoje Portugal, ou a dedicação de uma vida a recolher bostas de vaca pelas estradas das gândaras da região de Aveiro (vd. post anterior).

 A dominância do  Agrostis x fouilladei (Poaceae) ...







... ou das ericáceas nas serras graníticas do Norte e Centro de Portugal, por exemplo, conta a mesma história: é um testemunho de uma demanda milenar por aquela unidade milagrosa do nutriente limitante.


Erica umbellata (Ericaceae)

[continua]

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sinapis arvensis (Brassicaceae)

No passado mês de Junho, num leito de cheias cascalhento de um pequeno rio transmontano, longe de tudo e de todos, herborizei esta planta:

«A linha de água está pouco perturbada e as encostas sobranceiras revestidas por abundantes azinhais climácicos. A planta deve ser rara!», pensei então. Entusiasmado, corri para o herbário; segui as chaves das Floras e observei ao pormenor os meus exemplares herbário de brassicáceas com frutos compridos (silíquas). O resultado era sempre o mesmo. «Não pode ser! O sítio é perfeito para plantas invulgares!». Recusei-me a aceitar. Enviei uma foto a um amigo botânico; o veredicto foi rápido e claro: Sinapis arvensis, a mais do que frequente mostarda-dos-campos. Que desilusão! Não tinha, afinal, encontrado uma espécie nova para Trás-os-Montes, e muito menos para Portugal.

Este relato pequenino pouco interesse tem; não chega sequer para um blogue descomprometido de divulgação botânica. Porém estimula a imaginação, oferece uma razão para recuperar, ainda brevemente, uma das especulações preferidas  da comunidade fitossociológica: na paisagem pristina, há mais de 5000 anos, qual era o habitat das espécies que hoje preenchem os nossos campos e matos? Por outras palavras: Onde estavas tu, planta daninha, arbusto enfadonho, antes do Neolítico?
Estas dúvidas não têm uma resposta simples e objectiva. Vai-se especulando, vai-se cambiando de ideias com novas observações, com pequenas epifanias. Cada planta é um caso, e um caso por natureza insolúvel.
De qualquer modo, a dita Sinapis arvensis (Brassicaceae), o Pinus pinaster (Pinaceae) «pinheiro-bravo» e o Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva» numa escapa, a Erica australis (Ericaceae) «urze-vermelha» encavalitada numa crista quartzítica, a Spergula arvensis (Caryophyllaceae) que germina às primeiras chuvas num mato recentemente ardido ou o Cynodon dactylon (Poaceae) «grama» a perfurar um exíguo mouchão de areias acumulado nas margens de um rio de montanha, estas e muitas outras plantas, fazem-me suspeitar da sua raridade, ou, pelo menos, infrequência nas paisagens pristinas.
O Neolítico, a agricultura, alterou a ordem das coisas: o que era raro volveu abundante e o comum incomum. Com muitas excepções, suponho.
A conservação da natureza, como muito bem dava a entender o Luís Moreira num comentário a este post, está impregnada pelos modelos de paisagem das sociedades orgânicas tradicionais, que sobreviviam, mal, muito mal, a malhar nos ecossistemas naturais, numa luta diária para recuperar ou colher o átomo de azoto e de fósforo e com ele fazer a seara e a horta, e compensar à justa a enorme despesa energética dos corpos retorcidos pela enxada e pela gadanha.
Este referencial em cima do qual raciocinamos a conservação da natureza, no fundo, esta ideologia, não parece lá muito lógica.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ctenopsis delicatula (Poaceae)

Na senda de um post anterior (aqui), mais um cadáver de uma gramínea anual de identificação automática. Pena é que esta planta seja tão rara em Portugal.


Ctenopsis delicatula (Poaceae) [rochas ultrabásicas do Monte de Morais, Macedo de Cavaleiros]. Fotos bem mais interessantes do que esta disponíveis aqui.

As espiguetas unilaterais (todas viradas para o mesmo lado) deste endemismo ibérico ocidental aproximam-no das vulgaríssimas Vulpia. De facto, nas árvores filogenéticas obtidas com dados moleculares Ctenopsis surge embebido com numerosas Vulpia num mesmo clado (vd. aqui).

sábado, 23 de outubro de 2010

Psilurus incurvus e Taeniatherum caput-medusae (Poaceae)

Mesmo secas, em pleno Verão, as plantas não deixam de apelar à atenção do naturalista que gosta de botânica. Aqui, em Trás-os-Montes, é impossível não reparar nos cadáveres de duas interessantes gramíneas (= poáceas) anuais:

Psilurus incurvus (Poaceae). N.b. inflorescências filiformes, encaracoladas, que se fragmentam ao toque. Procurem-na nas orlas de esteval ou nos caminhos mais secos, mais pobres em nutrientes e expostos ao sol

Taeniatherum caput-medusae (Poaceae) «cabeça-de-medusa». Esta planta, embora xerófila, pede solos mais ricos em nutrientes do que a anterior. Uma análise cuidada da sua morfologia permite perceber que se trata de um parente próximo das cevadas (gén. Hordeum)

Começou a estação das chuvas. As plantas anuais secas que escaparam incólumes ao pisoteio ou ao dente animal, à máquina agrícola ou ao efeito do vento estarão mineralizadas, incorporadas na matéria orgânica do solo ou serão consumidas por mamíferos herbívoros até à próxima estação seca. As primeiras chuvas outonais marcam, simultaneamente, o início do ciclo de vida e da decomposição do corpo da maioria das plantas anuais que povoam os nossos montes.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Espiguetas dobradas em T. aestivum (Poaceae) «trigo-mole»

Há uns meses atrás, enquanto aguardava pelo menu do almoço num restaurante de Vimioso, dei por mim a desfazer distraidamente as espigas de trigo-mole (Triticum aestivum) do arranjo floral que decorava o centro da mesa. No meio de uma animada conversa com um amigo reparei, subitamente, que a espiga que tinha em mãos era distinta de todas as que tinha alguma vez observado (desfeito). Apresentava uma característica invulgar: espiguetas dobradas, i.e. nós com duas espiguetas. O fenómeno está descrito na bibliografia e pode, inclusivamente, ser frequente em alguns trigos; nos trigos cultivados em Trás-os-Montes nunca vi tal coisa. Sem que o dono reparasse surripiei a espiga e tirei-lhe umas fotos em casa. Aqui estão elas devidamente legendadas:

1ª foto) Espiga de espiguetas de T. aestivum; n.b. as espiguetas foram retiradas dos nós inferior. 2ª foto) Espiga de espiguetas de T. aestivum; n.b. inserção alterna das espiguetas na espiga e presença de nós com duas espiguetas (espiguetas dobradas). 3ª foto) Flor destacada de uma espigueta [fotos C. Aguiar]

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Flora do lameiro do Poulão VIII: Holcus lanatus, Poa trivialis e Briza media

Bom, aí estão as gramíneas.
Como se de uma avalanche se tratasse, num mês e meio, a gramíneas encanaram (produção de entrenós caulinares alargados), emborracharam (formação de uma intumescência na bainha da última folha causada pela subida da inflorescência), espigaram e cobriram o solo.
Entre as gramíneas mais frequentes no lameiro do Poulão contam-se:
A)B)
C)
A) Holcus lanatus «erva-lanar», B) Poa trivialis e C) Briza media.

A grande maioria das espécies de gramíneas perenes de lameiro espiga praticamente em simultâneo. A concertação dos estados fenológicos intra e - vou arriscar - interespecificamente tem certamente uma lógica evolutiva. Da mesma forma que a agregação dos peixes em densos cardumes é reprodutivamente vantajosa - e.g. reduz a probabilidade de predação dos indivíduos e dos seus ovos -, espigar ao mesmo tempo provavelmente diminui os riscos e os danos da herbivoria (e.g. consumo de folhas e sementes) e, por esta via, incrementa o sucesso reprodutivo das gramíneas pratenses.
Na paisagem pristina (antes do homem controlar em seu proveito a produtividade primária global) a concentração temporal da oferta de biomassa forraginosa atenuava o efeito dos herbívoros na capacidade competitiva e na produção de sementes das gramíneas pratenses. O corte para feno praticado pelo Homem nas pastagens higrófilas seminaturais perenes, i.e. nos lameiros, é mais extenso e uniforme do que o corte e consumo de erva realizado pelos grandes herbívoros. No entanto, a fenação tradicional faz-se muito tarde, quando muitas das cariópses (fruto das gramíneas) estão já maduras. A vibração das inflorescências produzida pelas gadanheiras, viradores de feno e enfardadeiras, pode desarticular as sementes mais maduras e frágeis, que tombam no solo acompanhadas, ou não, por algumas peças da flor [glumelas] e/ou da inflorescência [glumas], ocorrendo, deste modo, alguma ressementeira.
A herbivoria não é forçosamente a causa da concentração temporal da floração das gramíneas pratenses perenes. Por outras palavras: a hipotética redução da herbivoria resultante da concentração da floração poderia bem ser um subproduto evolutivo, uma consequência indirecta de uma pressão de selecção que nada tem que ver com grandes mamíferos. Fiz uma pequena busca na net e não encontrei nada de interessante sobre as causas da explosão de gramíneas que caracteriza as pastagens seminaturais dominadas por gramíneas perenes nos meses de Maio ou Junho. Pode ser que algum leitor deste blogue esteja ao corrente do que se tem escrito sobre o assunto.