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quarta-feira, 30 de abril de 2014
Brachypodium distachyum (L.) P. Beauv. (Gramineae)
E porque a Primavera está cheia de flores, vamos aqui (re)postar mais uma planta muito interessante: Brachypodium distachyum (L.) P. Beauv. = Bromus distachyos L. (basion.) = Trachynia distachya (L.) Link (Poaceae ou Gramineae), uma planta anual própria de comunidades de vegeatção pratense anual, bastante comum em Portugal continental (Lu) e também nas regiões mediterrânica e macaronésica, como se pode ver aqui (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Trachynia%20distachya&PTRefFk=7100000).
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Trifolium striatum L. (Leguminosae)
Fotografámos recentemente um belo trevo, que pensamos poder ser o Trifolium striatum L., Sp. Pl.: 770. 1753 , uma planta forrageira não ameaçada, de distribuição eurasiática, norte-africana e macaronésica, também espontânea em Portugal continental (Lu):
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Trifolium%20striatum&PTRefFk=8500000)
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Anthoceros cf. punctatus (Anthocerotaceae) II
Quase exactamente quatro anos passaram desde
que aqui postámos esta pequena planta tão extraordinária (quinta-feira, 15 de Abril de 2010).
http://plantas-e-pessoas.blogspot.pt/2010/04/anthoceros-punctatus-anthocerothaceae.html
Ontem voltámos a encontrá-la, pr. do mesmo local (a umas centenas de metros e ca. de 10 m mais acima), à frente do Instituto Botânico de Coimbra, 29TNE4950, alt. c. 90m (10.IV.2014) e no mesmo local (11.IV.2014).
Anthoceros punctatus L. (Anthocerotaceae, uma família que pertence à ordem Anthocerotales, à classe Anthocerotopsida e à divisão Anthocerotophytha, do reino Plantae) é uma planta curiosíssima que parece dar-se bem em sítios perturbados com vegetação pratense anual ou perene, formando pradinhos com manchas negras muito conspícuas devidas aos esporófitos maduros.
De acordo com bibliografia mais recente (abaixo indicada), esta planta poderá pertencer à classe Equisetopsida sensu lato, que, para além das Angióspermicas e das Gimnospérmicas, inclui ainda todos os Briófitos e Pteridófitos...
http://plantas-e-pessoas.blogspot.pt/2010/04/anthoceros-punctatus-anthocerothaceae.html
Ontem voltámos a encontrá-la, pr. do mesmo local (a umas centenas de metros e ca. de 10 m mais acima), à frente do Instituto Botânico de Coimbra, 29TNE4950, alt. c. 90m (10.IV.2014) e no mesmo local (11.IV.2014).
Anthoceros punctatus L. (Anthocerotaceae, uma família que pertence à ordem Anthocerotales, à classe Anthocerotopsida e à divisão Anthocerotophytha, do reino Plantae) é uma planta curiosíssima que parece dar-se bem em sítios perturbados com vegetação pratense anual ou perene, formando pradinhos com manchas negras muito conspícuas devidas aos esporófitos maduros.
De acordo com bibliografia mais recente (abaixo indicada), esta planta poderá pertencer à classe Equisetopsida sensu lato, que, para além das Angióspermicas e das Gimnospérmicas, inclui ainda todos os Briófitos e Pteridófitos...
1. Mark W. Chase & James L.
Reveal (2009). "A
phylogenetic classification of the land plants to accompany APG III". Botanical Journal of the
Linnean Society 161: 122–127.
2.
Maarten J. M. Christenhusz, Xian-Chun Zhang & Harald Schneider (2011). "A
linear sequence of extant families and genera of lycophytes and ferns".
Phytotaxa
19: 7–54.
3.
Maarten J. M. Christenhusz, James L. Reveal, Aljos Farjon, Martin F. Gardner,
Robert R. Mill, Mark W. Chase (2011). "A
new classification and linear sequence of extant gymnosperms". Phytotaxa
19: 55–70.
4.
James L. Reveal & Mark W. Chase (2011). "APG
III: Bibliographical Information and Synonymy of Magnoliidae". Phytotaxa
19: 71–134.
Este grupo tão peculiar de plantas não vasculares (hornworts) pode também ser considerado como uma divisão autónoma: Anthocerotophytha
http://www.ucmp.berkeley.edu/plants/anthocerotophyta.html
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Odontites vernus Dumort. (Orobanchaceae)
Numa recente visita a Bragança e arredores (23.VII.2013), tivemos a felicidade de encontrar esta bela orobancácea (antigamente uma escrofulariácea), tão interessante e tão rara: Odontites vernus Dumort., Fl. Belg. (Dumortier) 32; Reichb. Fl. Germ. Excurs. 359 (http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=806460-1), em plena Serra de Rebordãos, junto a uma seara de trigo (Triticum sp.) , na companhia de outras plantas como Vulpia sp. (Gramineae) e Papaver Rhoeas L. (Papaveraceae), pouco depois do castelo de Rebordãos, subindo a serra do mesmo nome, 29TPG7824 (altitude já acima dos 1000 m).
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sábado, 13 de abril de 2013
Linaria incarnata (Vent.) Spreng. (Plantaginaceae)
É uma espécie anual pouco comum, que se pode encontrar em floração entre Fevereiro e Julho.
(http://jb.utad.pt/especie/linaria_incarnata)
Synonym
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|||
Synonym
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Linaria incarnata
(Vent.) Sprengel, Syst. Veg. 2: 796 (1825)
= Antirrhinum incarnatum Vent., Descr. Pl. Nov. (1800)
= Antirrhinum linogriseum Brot., Phyt. Ins. sel., II (1816)
= Linaria linogrisea Hoffmanns. & Link, Fl. Port., 240, pl. 41
(1809)
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Um trevo e outras leguminosas da Ilha de Creta (Fabaceae ou Leguminosae)
Aqui fica um par de fotos já antigas (23.IV.2006) de um trevo da Ilha de Creta, uma espécie de momento não identificada, pertencente ao belíssimo género Trifolium L. (da famíla Fabaceae ou Leguminosae), que tem sido tradicionalmente um dos géneros mais acarinhados neste blog!
Também é possível observar Anthyllis Vulneraria L. s.l. e Medicago sp. (Leguminosae). O Medicago poderá talvez ser o Medicago coronata (L.) Bartal. = Medicago polymorpha var. coronata L.
(http://www.theplantlist.org/tpl/record/ild-8486);
e ainda vestígios de uma gramínea, talvez Bromus sp. (Poaceae ou Gramineae). O solo é acastanhado e estão presentes blocos rochosos aparentemente calcários, de natureza básica.
Sobre os blocos rochosos existem líquenes epilíticos, que não sabemos identificar...
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
Algumas plantas caramulanas (várias famílias) + um ortóptero
Para
iniciarmos bem o mês de Julho, trazemos aqui algumas belas plantas caramulanas anuais, pertencentes a três famílias diversas:
Campanula
lusitanica L. in
Loefling, Iter Hisp.: 111. 1758 (Campanulaceae),
um
endemismo da Região Mediterrânica Ocidental
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Campanula%20lusitanica&PTRefFk=7400000)
Também se podem observar - à direita, nas fotos:
Filago minima (Sm.) Pers., Syn. Pl. 2: 422. 1807
Filago minima (Sm.) Pers., Syn. Pl. 2: 422. 1807
= Gnaphalium minimum Sm. = Oglifa minima (Sm.) Rchb. f.
= Logfia minima (Sm.) Dumort., Fl. Belg. (Dumortier) 68. 1827 (Asteraceae ou
Compositae)
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Filago%20minima&PTRefFk=7000000),
assim como - do lado esquerdo, nas fotos :
Micropyrum tenellum (L.) Link in Linnaea 17: 398. 1844
Micropyrum tenellum (L.) Link in Linnaea 17: 398. 1844
= Triticum tenellum L. = Catapodium tenellum (L.) Trab. = Nardurus tenellus (L.) Duval-Jouve (Poaceae ou Gramineae),
um
endemismo da Região Euro-Mediterrânica
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Micropyrum%20tenellum&PTRefFk=7100000)
...E
ainda um pequeno ortóptero, que pertencerá provavelmente ao género Phaneroptera
Serville,
1831, da família Phaneropteridae, da ordem Orthoptera - identificação
gentilmente providenciada pelo ilustre naturalista Carlos M. Silva.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Medicago minima (L.) L. (Leguminosae)
Continuando com trevos, luzernas e afins, aqui fica a belíssima:
Leguminosae: Medicago minima (L.) L., Fl. Angl. (Linnaeus) 21. 1754
= Medicago polymorpha L. var. minima L. , Sp. Pl. 2: 780. 1753 [1 May 1753]
(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=506286-1;
http://www.theplantlist.org/tpl/record/ild-31590)
Este trevinho anual pode encontrar-se em locais ruderais ou mais comummente em locais com vegetação pratense anual da classe Tuberarietea guttatae, sendo entre nós frequente sobretudo no Centro e Sul de Portugal.
Se por acaso os ilustres autores da grande obra sobre trevos, luzernas e afins -cuja publicação felizmente se avizinha- tiverem algum interesse nas nossas modestas fotos, teremos todo o gosto em disponibilizá-las para esse efeito!
Leguminosae: Medicago minima (L.) L., Fl. Angl. (Linnaeus) 21. 1754
= Medicago polymorpha L. var. minima L. , Sp. Pl. 2: 780. 1753 [1 May 1753]
(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=506286-1;
http://www.theplantlist.org/tpl/record/ild-31590)
Este trevinho anual pode encontrar-se em locais ruderais ou mais comummente em locais com vegetação pratense anual da classe Tuberarietea guttatae, sendo entre nós frequente sobretudo no Centro e Sul de Portugal.
Se por acaso os ilustres autores da grande obra sobre trevos, luzernas e afins -cuja publicação felizmente se avizinha- tiverem algum interesse nas nossas modestas fotos, teremos todo o gosto em disponibilizá-las para esse efeito!
domingo, 20 de março de 2011
Trifolium subterraneum (Fabaceae) I
O trevo-subterrâneo é a minha planta preferida.
O que tem de especial uma pequena planta anual, prostrada e de flores inconspícuas?
Vou demorar três, ou mais posts para explicar o porquê.
Começarei pela forma e por alguns aspectos da biologia do trevo-subterrâneo. No próximo post falarei dos mecanismos de dispersão. E no seguinte explicarei porque esta planta é tão importante. Feita a soma obtemos a mais notável espécie da nossa flora.
O T. subterraneum é uma herbácea pratense indígena de Portugal. É uma indiferente edáfica, com uma clara preferência por solos derivados de substratos duros (não vai lá muito bem areias) de territórios de clima mediterrânico. Sendo uma planta anual de óptimo mediterrânico germina com as primeiras chuvas outonais. Como tem um sistema radicular relativamente superficial, conclui o ciclo de vida na Primavera quando não haja mais água no solo para consumir.
Cresce e floresce rente ao solo. A folhas apresentam três folíolos (folhas compostas trifolioladas), obcordados (com a forma de coração estilizado) e peludos, impossíveis de confundir com os de qualquer outro trevo da flora de Portugal. As flores organizam-se em pequenos capítulos axilares que facilmente passam desapercebidos.
O trevo-subterrâneo suporta bem o pisoteio e a herbivoria por animais domésticos, quer de ovelhas, quer de vacas ou burros. Os herbívoros domésticos não só deprimem potenciais competidores - a sombra de outras plantas é uma forte ameaça à sua persistência - como facilitam a sua dispersão.
A morfologia dos trevos-subterrâneos é extraordinariamente variável. Experimentem no campo, com a ajuda de uma lupa, identificar linhas de trevo-subterrâneo. Há-as com caules glabros e com caules hirsutos (e todo o tipo de estádios intermédios); ...
... com estípulas glabras ou peludas; com pedicelos e pecíolos glabros ou peludos; com marcas-de-água nas folhas e sem elas; com manchas vermelhas nas folhas ou não; com cálices verdes ou vermelhos ...
... e por aí a diante.
Algumas linhas começam a florir em Fevereiro, outras ainda têm flores no final de Abril. Alguns trevos-subterrâneos vivem em solos pobres e secos, e outros em solos ricos nas vizinhança de cursos de água.
A variabilidade desta planta em Portugal é vastamente grande (uma combinação feliz de palavras que não foi inventada por mim). Um património genético que nos poderá vir a ser muito útil!
[o tema fertilidade da terra ficou a meio; um dia desta voltarei ao assunto]
O que tem de especial uma pequena planta anual, prostrada e de flores inconspícuas?
Vou demorar três, ou mais posts para explicar o porquê.
Começarei pela forma e por alguns aspectos da biologia do trevo-subterrâneo. No próximo post falarei dos mecanismos de dispersão. E no seguinte explicarei porque esta planta é tão importante. Feita a soma obtemos a mais notável espécie da nossa flora.
O T. subterraneum é uma herbácea pratense indígena de Portugal. É uma indiferente edáfica, com uma clara preferência por solos derivados de substratos duros (não vai lá muito bem areias) de territórios de clima mediterrânico. Sendo uma planta anual de óptimo mediterrânico germina com as primeiras chuvas outonais. Como tem um sistema radicular relativamente superficial, conclui o ciclo de vida na Primavera quando não haja mais água no solo para consumir.
Cresce e floresce rente ao solo. A folhas apresentam três folíolos (folhas compostas trifolioladas), obcordados (com a forma de coração estilizado) e peludos, impossíveis de confundir com os de qualquer outro trevo da flora de Portugal. As flores organizam-se em pequenos capítulos axilares que facilmente passam desapercebidos.
O trevo-subterrâneo suporta bem o pisoteio e a herbivoria por animais domésticos, quer de ovelhas, quer de vacas ou burros. Os herbívoros domésticos não só deprimem potenciais competidores - a sombra de outras plantas é uma forte ameaça à sua persistência - como facilitam a sua dispersão.
A morfologia dos trevos-subterrâneos é extraordinariamente variável. Experimentem no campo, com a ajuda de uma lupa, identificar linhas de trevo-subterrâneo. Há-as com caules glabros e com caules hirsutos (e todo o tipo de estádios intermédios); ...
... com estípulas glabras ou peludas; com pedicelos e pecíolos glabros ou peludos; com marcas-de-água nas folhas e sem elas; com manchas vermelhas nas folhas ou não; com cálices verdes ou vermelhos ...
... e por aí a diante.
Algumas linhas começam a florir em Fevereiro, outras ainda têm flores no final de Abril. Alguns trevos-subterrâneos vivem em solos pobres e secos, e outros em solos ricos nas vizinhança de cursos de água.
A variabilidade desta planta em Portugal é vastamente grande (uma combinação feliz de palavras que não foi inventada por mim). Um património genético que nos poderá vir a ser muito útil!
[o tema fertilidade da terra ficou a meio; um dia desta voltarei ao assunto]
domingo, 24 de outubro de 2010
Sobre as comunidades de plantas anuais
No mediterrâneo a maior parte das plantas anuais - não todas, atenção - germina com as primeiras chuvas outonais (vd. post anterior aqui). A flora continental portuguesa, como aliás toda a flora mediterrânica, é rica em plantas anuais. Por mais redundante que seja a ecologia destas plantas - a redundância é um daqueles temas clássicos e difíceis da ecologia das comunidades - é expectável que se organizem num leque variado de comunidades vegetais.
Pois bem, aqui estão três fotos com quinze dias, de outras tantas comunidades vegetais, que espécies em comum têm zero.
Pois bem, aqui estão três fotos com quinze dias, de outras tantas comunidades vegetais, que espécies em comum têm zero.
Comunidade escionitrófila [de sombra e nitrófila] anual. Os fitossociólogos colocam este tipo de vegetação na classe Cardamino hirsutae-Geranietea purpurei. Foto proveniente de uma orla de azinhal; as plantas com cotilédones grandes são Geranium «gerânios» (Geraniaceae)
Comunidade patense anual fotografada numa clareira de esteval. Classe Helianthemetea guttatae. Dos três exemplo aqui reunidos é o mais diverso em espécies [alfa diversidade].
Comunidade infestante anual pertencente à classe Stellarietea mediae (e à ordem Aperetalia spicae-venti)
sábado, 23 de outubro de 2010
Psilurus incurvus e Taeniatherum caput-medusae (Poaceae)
Mesmo secas, em pleno Verão, as plantas não deixam de apelar à atenção do naturalista que gosta de botânica. Aqui, em Trás-os-Montes, é impossível não reparar nos cadáveres de duas interessantes gramíneas (= poáceas) anuais:
Começou a estação das chuvas. As plantas anuais secas que escaparam incólumes ao pisoteio ou ao dente animal, à máquina agrícola ou ao efeito do vento estarão mineralizadas, incorporadas na matéria orgânica do solo ou serão consumidas por mamíferos herbívoros até à próxima estação seca. As primeiras chuvas outonais marcam, simultaneamente, o início do ciclo de vida e da decomposição do corpo da maioria das plantas anuais que povoam os nossos montes.
Psilurus incurvus (Poaceae). N.b. inflorescências filiformes, encaracoladas, que se fragmentam ao toque. Procurem-na nas orlas de esteval ou nos caminhos mais secos, mais pobres em nutrientes e expostos ao sol
Taeniatherum caput-medusae (Poaceae) «cabeça-de-medusa». Esta planta, embora xerófila, pede solos mais ricos em nutrientes do que a anterior. Uma análise cuidada da sua morfologia permite perceber que se trata de um parente próximo das cevadas (gén. Hordeum)
Começou a estação das chuvas. As plantas anuais secas que escaparam incólumes ao pisoteio ou ao dente animal, à máquina agrícola ou ao efeito do vento estarão mineralizadas, incorporadas na matéria orgânica do solo ou serão consumidas por mamíferos herbívoros até à próxima estação seca. As primeiras chuvas outonais marcam, simultaneamente, o início do ciclo de vida e da decomposição do corpo da maioria das plantas anuais que povoam os nossos montes.
domingo, 3 de outubro de 2010
Tuberaria guttata (Cistaceae)
O ano hidrológico foi inaugurado: começou a chover a meio da noite; está a cair a primeira chuva outonal verdadeiramente efectiva.
As plantas anuais que aguardaram sob a forma de semente por esta oportunidade vão iniciar o seu ciclo biológico. Primeiro germinam as sementes e logo a seguir emergem os cotilédones (nas plantas de germinação epígea) ou as primeiras folhas (nas plantas de germinação hipógea). Dentro de 1 semana - 15 dias as clareiras dos matos baixos, os taludes e as margens de caminhas estarão revestidos por um delgado manto verde, constituído por plantas reduzidas a meia dúzia de folhas conectadas por curtos entre-nós. Nesta frágil aparência suportarão, rentes ao solo, as agruras do Inverno que se aproxima.
Quando os dias crescerem, logo no início da Primavera, os meristemas produzirão mais folhas, entre-nós mais longos e, pouco depois, flores. A dita manta verde tomará cores e formas inauditas, para satisfazer a ânsia dos botânicos estiolados pelo defeso invernal.
A Tuberaria guttata é uma das plantas mais frequentes nos nossos prados oligotróficos (de solos pobres) anuais.
A Tuberaria guttata começou por se chamar Cistus guttatus e depois Helianthemum guttatum. O autor da revisão para a Flora Iberica descobriu um nome genérico anterior a Tuberaria, e a planta passou a ser conhecida por Xolantha guttata. Recentemente, o nome genérico Tuberaria foi fixado pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ver aqui), através da sua inclusão no anexo de Nomina Generica Conservanda et Rejicienda [nomes conservados e rejeitados], i.e., um anexo que recupera nomes de uso muito frequente incorrectos à luz Código. A prática da Nomina Conservanda evita uma excessiva instabilidade nomenclatural na designação científica das plantas, que ninguém deseja. Conclusão: o bom e velho nome Tuberaria guttata está de volta.
As plantas anuais que aguardaram sob a forma de semente por esta oportunidade vão iniciar o seu ciclo biológico. Primeiro germinam as sementes e logo a seguir emergem os cotilédones (nas plantas de germinação epígea) ou as primeiras folhas (nas plantas de germinação hipógea). Dentro de 1 semana - 15 dias as clareiras dos matos baixos, os taludes e as margens de caminhas estarão revestidos por um delgado manto verde, constituído por plantas reduzidas a meia dúzia de folhas conectadas por curtos entre-nós. Nesta frágil aparência suportarão, rentes ao solo, as agruras do Inverno que se aproxima.
Quando os dias crescerem, logo no início da Primavera, os meristemas produzirão mais folhas, entre-nós mais longos e, pouco depois, flores. A dita manta verde tomará cores e formas inauditas, para satisfazer a ânsia dos botânicos estiolados pelo defeso invernal.
A Tuberaria guttata é uma das plantas mais frequentes nos nossos prados oligotróficos (de solos pobres) anuais.
A Tuberaria guttata começou por se chamar Cistus guttatus e depois Helianthemum guttatum. O autor da revisão para a Flora Iberica descobriu um nome genérico anterior a Tuberaria, e a planta passou a ser conhecida por Xolantha guttata. Recentemente, o nome genérico Tuberaria foi fixado pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ver aqui), através da sua inclusão no anexo de Nomina Generica Conservanda et Rejicienda [nomes conservados e rejeitados], i.e., um anexo que recupera nomes de uso muito frequente incorrectos à luz Código. A prática da Nomina Conservanda evita uma excessiva instabilidade nomenclatural na designação científica das plantas, que ninguém deseja. Conclusão: o bom e velho nome Tuberaria guttata está de volta.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
Trifolium resupinatum (Fabaceae)
Para recomeçar nada melhor do que um trevo indígena da nossa flora, muito usado em misturas comerciais de plantas pratenses: o Trifolium resupinatum «trevo-da-pérsia».
O T. resupinatum aprecia solos húmidos, inclusivamente algo salinos, percorridos por animais. É muito fácil de distinguir no campo. Além dos vistosos capítulos de flores rosadas, apresenta a corola resupinada. Quer isto dizer que a corola sofre uma rotação de 180º, ficando o estandarte em baixo e a quilha em cima (a corola papilionada que caracteriza muitas leguminosas é constituída por 4 peças, 1 estandarte, 2 asas e 1 quilha). Nas leguminosas de corola resupinada os insectos polinizadores podem estacionar no estandarte - geralmente a maior das peças da corola papilionada - e, calmamente, aceder à sua recompensa, cumprindo o seu papel de polinizadores.
Finda a fecundação, os cálices alargam-se e a inflorescência toma a forma de uma bola. O T. resupinatum é uma espécie anemocórica: dispersa-se pela acção do vento.
O T. resupinatum aprecia solos húmidos, inclusivamente algo salinos, percorridos por animais. É muito fácil de distinguir no campo. Além dos vistosos capítulos de flores rosadas, apresenta a corola resupinada. Quer isto dizer que a corola sofre uma rotação de 180º, ficando o estandarte em baixo e a quilha em cima (a corola papilionada que caracteriza muitas leguminosas é constituída por 4 peças, 1 estandarte, 2 asas e 1 quilha). Nas leguminosas de corola resupinada os insectos polinizadores podem estacionar no estandarte - geralmente a maior das peças da corola papilionada - e, calmamente, aceder à sua recompensa, cumprindo o seu papel de polinizadores.
Finda a fecundação, os cálices alargam-se e a inflorescência toma a forma de uma bola. O T. resupinatum é uma espécie anemocórica: dispersa-se pela acção do vento.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Trifolium suffocatum (Fabaceae)
Os bovídeos (e.g. ovelhas, cabras e vacas) e os perissodáctilos (e.g. cavalos e burros) domésticos têm um efeito devastador nas plantas de que se alimentam.
Por duas razões maiores.
Por um lado são seres insaciáveis. Embora os micróbios que habitam o complexo sistema digestivo dos grandes herbívoros domésticos sejam capazes de digerir a celulose - a molécula mais abundante no reino vegetal - em favor dos seus mamíferos simbiontes, as plantas são alimentos de baixa qualidade e têm que ser consumidas em grande quantidade (e.g. uma vaca consome em média 15 kg de matéria seca/dia) para cobrir os enormes custos energéticos da maquinaria bioquímica animal.
Por outro lado, a boca, a língua e os dentes destes animais são instrumentos maravilhosos de arranque e corte de matéria verde. Percebi isto mesmo quando vi ovelhas a comer rebentos de Genista hystrix - uma giesta de caules rijos e aguçados - sem arranharem o focinho húmido e sensível, burros a deleitarem-se com Rubus «silvas», vacas Barrosãs e Maronesas a consumir com apetite Ulex minor «tojo-molar», e garranos a pastar o assanhado Ulex europaeus «tojo-arnal» sem castigar a boca e a língua. Eu não consigo colher amostras destas espécies sem picar as mãos, quanto mais debicar amoras de silva e cinorrodos (o fruto ...) de roseira com os dentes!
"Rastejar" é uma solução "lógica" para escapar aos efeitos da herbivoria. Mais do que as folhas há que manter bem rentes ao solo os meristemas (aglomerados de células que mantêm a capacidade de se dividir, geralmente situados na extremidade dos caules ou na axila das folhas), as flores e as sementes. Assim acontece em três dos trevos mais conhecidos da nossa flora: o T. subterraneum, o T. glomeratum e o espantoso T. suffocatum.
Estes três trevos - um trava-línguas para botânicos ;) - juntam o hábito prostrado - supostamente uma adaptação para escapar à herbivoria - com uma razoável resistência ao pisoteio e aos solos compactados: faz todo o sentido.
Por duas razões maiores.
Por um lado são seres insaciáveis. Embora os micróbios que habitam o complexo sistema digestivo dos grandes herbívoros domésticos sejam capazes de digerir a celulose - a molécula mais abundante no reino vegetal - em favor dos seus mamíferos simbiontes, as plantas são alimentos de baixa qualidade e têm que ser consumidas em grande quantidade (e.g. uma vaca consome em média 15 kg de matéria seca/dia) para cobrir os enormes custos energéticos da maquinaria bioquímica animal.
Por outro lado, a boca, a língua e os dentes destes animais são instrumentos maravilhosos de arranque e corte de matéria verde. Percebi isto mesmo quando vi ovelhas a comer rebentos de Genista hystrix - uma giesta de caules rijos e aguçados - sem arranharem o focinho húmido e sensível, burros a deleitarem-se com Rubus «silvas», vacas Barrosãs e Maronesas a consumir com apetite Ulex minor «tojo-molar», e garranos a pastar o assanhado Ulex europaeus «tojo-arnal» sem castigar a boca e a língua. Eu não consigo colher amostras destas espécies sem picar as mãos, quanto mais debicar amoras de silva e cinorrodos (o fruto ...) de roseira com os dentes!
"Rastejar" é uma solução "lógica" para escapar aos efeitos da herbivoria. Mais do que as folhas há que manter bem rentes ao solo os meristemas (aglomerados de células que mantêm a capacidade de se dividir, geralmente situados na extremidade dos caules ou na axila das folhas), as flores e as sementes. Assim acontece em três dos trevos mais conhecidos da nossa flora: o T. subterraneum, o T. glomeratum e o espantoso T. suffocatum.
T. suffocatum, um dos trevos morfologicamente mais originais da flora portuguesa. N.b. hábito prostrado; flores sésseis (sem pedicelo) aglomeradas na axila das folhas; folhas de limbo delgado e pecíolo longo e esguio, energeticamente baratas (fáceis substituir), adaptadas a atravessar densas matas de plantas rasteiras e emergir à sua superfície em busca da luz solar (fotos CA)
domingo, 11 de julho de 2010
Trifolium cernuum (Fabaceae)
A quantidade e a distribuição da precipitação ao longo do ano têm um enorme efeito na composição florística primaveril das pastagens anuais. Este ano as plantas adaptadas a solos temporariamente encharcados foram promovidas em detrimento das espécies mais xerófilas porque choveu intensamente durante toda a estação húmida, e os solos permaneceram húmidos até Junho.
No grupo funcional das leguminosas uma das plantas mais favorecidas neste ano tão invulgar foi este trevo:
No grupo funcional das leguminosas uma das plantas mais favorecidas neste ano tão invulgar foi este trevo:
Trifolium cernuum, um trevo descrito por Avelar Brotero, fácil de distinguir pelos seus capítulos axilares (localizados na axila de folhas) pedunculados (com um pé), constituídos por flores torcidas para baixo pelos pedicelos
O T. cernuum é uma planta de solos temporariamente encharcados, muito frequente nos anos mais húmidos em pastagens semeadas ou indígenas de trevo-subterrâneo.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Anthoceros punctatus (Anthocerotaceae)


Ainda aqui não tinha aparecido esta amiga: Anthoceros punctatus L. (Anthocerotaceae, uma família que pertence à ordem Anthocerotales, à classe Anthocerotopsida e à divisão Anthocerotophytha, do reino Plantae).
Esta curiosíssima planta parece dar-se bem em sítios perturbados, por exemplo em companhia da pequena Tillaea muscosa L., também conhecida como Crassula tillaea Lester-Garland (Crassulaceae). É possível ainda observar algumas cápsulas lenhosas já abertas de Eucalyptus sp. (Myrtaceae).
Fica aqui uma referência com informação interessante sobre estas plantas:
Hornwort - Wikipedia, the free encyclopedia
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vegetação pratense anual
quinta-feira, 18 de março de 2010
Linaria haenseleri (Plantaginaceae)
Continuando com a nobilíssima tribo das Antirríneas e com as linárias de flor amarela, aqui fica uma imagem da rara e primaveril Linaria haenseleri Boiss. & Reut. (Syn.: Linaria oblongifolia subsp. haenseleri (Boiss. & Reut.) Valdés), obtida na excelente Rocha da Pena (alt. c. 460 m), uma das pérolas do magnífico Barrocal algarvio (concelho de Loulé) e um endemismo peninsular (vd. aqui).
Esta pequena erva anual pode-se encontrar no seio da aliança Brachypodion distachyae, de acordo com os mestres fitossociólogos Pinto Gomes & Paiva Ferreira (vd. aqui).
Esta aliança pertence à ordem Brachypodietalia distachyae Rivas Mart. 1978 (ou Thero-Brachypodietalia), e à classe STIPO CAPENSIS-TRACHYNIETEA DISTACHYAE Brullo 1985, formada por vegetação anual neutrófila e xerófila de solos calcários oligotróficos e de litossolos sobre rochedos calcários (SYNSYSTÈME DE LA FRANCE).
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vegetação pratense anual
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Biarum arundanum (Araceae) e Trachynia distachya (Poaceae)
Para assinalar o Novo Ano 2010, começando com uma noite de Lua Cheia, apresentamos aqui uma curiosa foto obtida em Maio de 2008 no CW calc. (pr. Porto de Mós).
Trata-se da rara Arácea Biarum arundanum Boiss. & Reut., incluída num prado terofítico dominado por Trachynia distachya (L.) Link (Poaceae ou Gramineae), provavelmente pertencente à ordem Brachypodietalia distachyi Rivas-Martínez 1978, da classe Tuberarietea guttatae Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952 em. Rivas-Martínez 1978.
Neste prado anual também se encontram presentes alguns musgos (Bryophyta) cuja identificação não podemos precisar.
domingo, 14 de junho de 2009
Astragalus pelecinus subsp. pellecinus (Fabaceae)
Num post anterior fiz uma referência a uma planta do género Astragalus (ver aqui).

Trago hoje o A. pelecinus subsp. pelecinus (= Biserrula pelecinus subsp. pelecinus), uma planta anual comum em pastagens permanentes mediterrânicas submetidas a cargas animais elevada, instaladas em solos pobres em bases (sobretudo cálcio), geralmente ácidos e compactados pelo pastoreio. Na terminologia fitossociológica diz-se que é uma planta característica de Poetea bulbosae.
O A. pelecinus subsp. pelecinus distingue-se facilmente no campo, sobretudo se estiver em fruto. Em primeiro lugar tem folhas compostas parifolioladas (com um número par de folíolos) e folíolos com um entalhe triangular na extremidade muito característico.
Depois os frutos são inconfundíveis:
As modernas misturas de sementes de pastagens de sequeiro para altitudes não muito elevadas regra geral incluem esta espécie. Depois de instaladas as pastagens o A. pelecinus subsp. pelecinus embora seja muito persistente geralmente não atinge abundâncias elevadas.
[fotos C. Aguiar]
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