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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Linaria vulgaris (Plantaginaceae) e mais alguns bichos (Insecta)





















O post de hoje, como o nome indica, é sobre a belíssima Linaria vulgaris Mill., Gard. Dict., ed. 8: no. 1. 1768 [16 Apr 1768]
= Antirrhinum linaria L., Sp. Pl.: 616. 1753 ("Habitat in Europae ruderatis.")
= Linaria linaria (L.) H. Karst., Deut. Fl. (Karsten) 947. 1882 [Nov 1882] ; Wettst. in Engl. & Prantl, Naturl. Pflanzenfam. iv.3b (1891) 59
= Linaria vulgaris lutea, flore majore Bauh., pin.: 212
vol. 2 - Caroli Linnaei ... Species plantarum - Biodiversity Heritage Library

Esta excelente planta perene, superornamental, pertencente à nobilíssima tribu das Antirrhineae (http://bibdigital.rjb.csic.es/spa/RJBvistapag.php?pag=../Imagenes/F(46AND)VAL_Fl_And_Occid_2/VAL_Fl_And_Occid_2_507.pdf), constitui, ao que supomos, a espécie-tipo do género Linaria Mill., e encontra-se naturalizada em todos os estados dos Estados Unidos da América!
PLANTS Profile for Linaria vulgaris (butter and eggs) | USDA PLANTS,
sendo espontânea em grande parte da Eurásia, frequentemente como planta ruderal
Linaria vulgaris information from NPGS/GRIN
Linaria vulgaris in Flora of China @ efloras.org
Image/JPEG: Scrophulariaceae
Linaria vulgaris - Wikipedia, the free encyclopedia
Infelizmente, não se encontra espontânea em Portugal, embora viva em quase todos os países da Europa (http://euromed.luomus.fi/euromed_map.php?taxon=308396&size=medium).

É vernacularmente conhecida por "linária", "linária vulgar", "butter and eggs", "common toadflax", "osyride", "pajarita", "pajaritas", "yellow toadflax" e muitos outros nomes
PLANTS Profile for Linaria vulgaris (butter and eggs) | USDA PLANTS
The Euro+Med Plantbase Project
(Marhold, K. (2011): Scrophulariaceae. – In: Euro+Med Plantbase - the information resource for Euro-Mediterranean plant diversity).

Estas fotos -as da linária (nas quais é possível também vislumbrar um Rubus (Rosaceae) exibindo as saborosas amoras)- são de origem francesa, mais concretamente da Normandia
Longues-sur-Mer - Wikipédia;
As borboletas e a mosca, contudo, são bem portuguesas!

Como acompanhamento animal, vamos deixar aqui uma mosca (Diptera) e duas borboletas (Lepidoptera), uma das quais sobre Myosotis sp. (Boraginaceae), para os ilustres peritos entomólogos que visitam este blog identificarem, se assim lhes aprouver!
(Ficam desde já os nossos sinceros agradecimentos!)

Como sugestão musical deixamos esta maravilha, da autoria de G. Gershwin, Wilson, Bennett, "Nothing but Love"
Brian Wilson Reimagines Gershwin - Wikipedia, the free encyclopedia,
interpretada pelo grande Brian Wilson:
Brian Wilson - Nothing But Love - YouTube

sábado, 30 de julho de 2011

Rosa arvensis (Rosaceae)

Duas fotos com menos de uma semana de Rosa arvensis, uma nova espécie para Portugal:

Rosa arvensis (Rosaceae). N.b. folhas de dentição simples (foto esq.), estiletes organizados numa coluna que emerge acima dos estames (coluna estilar) e pequenas glândulas a revestir o pedúnculo (foto dir.). Três espécies de Rosa indígenas de Portugal têm coluna estilar: R. arvensis, R. sempervirens e R. stylosa. A R. arvensis distingue-se da R. sempervirens por ser caducifólia, e da R. stylosa por apresentar um disco plano (não visível nas fotos) e coluna estilar glabra.

Fotografei e colhi esta roseira na margem de um avelanal (comunidade de Corylus avellana) no local mais isolado e pristino da Serra de Nogueira, a cerca de 10 km da minha cidade de Bragança. Esta localidade é também a única conhecida em Portugal de Bromus ramosus (Poaceae) e de Rubus vestitus (Rosaceae). Ainda lá estavam!

Os carvalhais não são todos iguais.
Os carvalhais recentes, emersos em paisagem de elevada hemerobia (muito alteradas pelo homem), são desinteressantes porque são pobres em espécies raras, sobretudo em plantas especialistas de bosque, esciófilas (de sombra) e de dispersão lenta. O carvalhal da Serra de Nogueira não, porque é antigo e foi usado com pouca intensidade pelo homem.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Daboecia azorica (Ericaceae) e Anobium punctatum (Anobiidae)




















Ainda aqui não tinha sido postada a extraordinária beldade endémica açórica Daboecia azorica Tutin & Warb.
Daboecia azorica Tutin & Warb. Queiró - Portal da Biodiversidade dos Açores
Assim, aqui fica ela!

A acompanhar esta adorável ericácea, deixamos aqui também um curioso coleóptero que gosta de roer os nossos soalhos de madeira (as larvas, não propriamente os adultos):
Common furniture beetle - Wikipedia, the free encyclopedia

Como acompanhamento musical, nada mais apropriado do que os excelentes Beatles, neste caso Martha my dear, uma belíssima homenagem musical de Paul à sua cadela Martha:
YouTube - ‪Martha My Dear - The Beatles (1968)‬‏

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Rosa canina vrs. R. squarrosa (Rosaceae)

As roseiras-bravas estão em flor. As espécies de Rosa citadas para Portugal são muitas; se não estou em erro 17, se tomarmos em consideração as microespécies do grupo da R. canina.
Uma fonte garantida de "prazer botânico".
A R. canina s.str. (no sentido estrito) é uma espécie de "default" do género Rosa: não tem pêlos nas folhas, não tem glândulas nas folhas e nos pedicelos, os dentes das folhas são simples (ver imagem), não tem os estiletes salientes e estes emergem por um orifício estreito; as flores da R. canina s.str. são geralmente brancas e as folhas não exalam um odor peculiar.

A R. canina s.str. prefere ambientes sombrios e frescos.
Nestes habitats aparece, frequentemente, uma outra espécie do grupo da R. canina - a R. squarrosa - que se distingue da R. canina s.str. por apresentar folhas com dentes duplos, i.e., os dentes maiores das folhas surgem recortados por dentes mais pequenos.
Duas fotos de R. squarrosa:

domingo, 5 de junho de 2011

Potentila erecta (Rosaceae) e mais um insecto

















Deixamos aqui hoje um belo insecto e uma bela planta, da família das Rosáceas, felizmente comum nas nossas montanhas frescas e húmidas:
Potentilla erecta (L.) Raeusch.
= Tormentilla erecta L.
Potentilla erecta (L.) Raeusch. — The Plant List

Em relação ao insecto, cuja identificação não podemos precisar, fica a esperança de que algum dos amigos entomólogos que frequentam este blog (e a quem, antecipadamente, agradecemos) o possa identificar.
Este insecto tão curioso parece-nos ser bastante semelhante a um outro, não menos belo, que já aqui tínhamos deixado para possível identificação (embora sem grande êxito).
Das plantas e das pessoas: Cedrus libani e mais alguns amigos (Pinaceae)

Como sugestão musical, fica hoje "Dez-Onze-Doze" da excelente e inesquecível Banda do Casaco:
YouTube - Dez-Onze-Doze - Banda do Casaco

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lacerta schreiberi (Lacertideae) e Funaria hygrometrica (Funariaceae)




















Trazemos hoje aqui um belíssimo lagarto, Lacerta schreiberi Bedriaga, 1878, também conhecido como "lagarto de água", um lacertídeo que parece gostar de sítios frescos e húmidos (com precipitações anuais superiores a 600 mm) e que se pode encontrar nalgumas das nossas montanhas como por exemplo as Serras da Freita e de Montemuro, sendo endémico da Península Ibérica (http://www.icn.pt/psrn2000/caracterizacao_valores_naturais/FAUNA/anfibios_repteis/Lacerta%20schreiberi.pdf).
Segundo o mesmo artigo acima citado, cerca de 45% da sua área de distribuição localiza-se em Portugal!

Como acompanhamento vegetal trazemos hoje aqui o belo musgo Funaria hygrometrica Hedw., cuja seta se assemelha a uma corda -do "Latin funis, rope, alluding to cord-like twisted seta"-, e que é relativamente comum em Portugal.
Funaria in Flora of North America @ efloras.org
Funaria hygrometrica in Flora of North America @ efloras.org
Funaria hygrometrica - Wikipedia, the free encyclopedia

Convém ainda notar a presença de um Rubus (Rosaceae), da Stellaria holostea (Caryophyllaceae) e de uma gramínea -quem sabe se será Holcus mollis (Poaceae)-, tão comuns na classe de vegetação florestal Querco-Fagetea e nas suas orlas (classe Trifolio-Geranietea).

Como acompanhamento musical, vamos sugerir mais uma vez o excelente Philippe Jaroussky, que vale sempre a pena ouvir:
YouTube - Philippe Jaroussky - Carestini

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Apomixia em Rubus


Foto: Duarte Silva

A taxonomia das silvas é um problema tão complexo que mesmo os investigadores que se dedicam ao seu estudo - batologistas – raramente tem certezas. Este género extramente complexo oferece no entanto algumas oportunidades únicas para obter uma perspectiva diferente do conceito de espécie. O exemplar da foto que ilustra este post é um exemplo típico das dificuldades em identificar “espécies” dentro do género Rubus. Este é um dos inúmeros híbridos da secção Corylifolii, série Subthyrsaidei que ocorrem na natureza e que se podem propagar por via apomítica, ou seja formam sementes sem necessidade de fecundação.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rubus laciniatus (Rosaceae)


Mais uma espécie de silva encontrada assilvestrada num pinhal em Ponte de Lima. Esta espécie de origem desconhecida foi descrita a partir de exemplares cultivados no jardim botânico de Berlim, tendo sido reportada na Flora Ibérica como naturalizada em algumas províncias de Espanha.
Foto: João Gonçalves

Fragaria vesca (Rosaceae)














Ainda estamos no início de Janeiro, mas esta maravilha já se encontra em floração:
Fragaria vesca L., Sp. Pl. 1: 494. 1753 [1 May 1753] (ou Potentilla vesca Scop., Fl. Carniol., ed. 2. 1: 363. 1771)
IPNI Plant Name Details
IPNI Plant Name Query Results

Mais informação sobre esta belíssima planta se pode consultar por ex. aqui: Fragaria vesca information from NPGS/GRIN e aqui: Fragaria vesca in Flora of China @ efloras.org.
O morangueiro silvestre pode-se encontrar em toda a zona temperada do Hemisfério Norte, sobretudo em florestas, montanhas e prados, e deu até o nome ao famoso filme de Bergman «Smultronstället» ou «Morangos Silvestres»: Wild Strawberries (film) - Wikipedia, the free encyclopedia.

Como acompanhamento musical, e para começar bem o ano, vamos sugerir de G.F. Händel, Dettingen Te Deum: YouTube - G.F. Händel -Dettingen Te Deum- Diego Fasolis

sábado, 6 de novembro de 2010

Frutos de Prunus dulcis (Rosaceae)

Os frutos carnudos deiscentes, por outras palavras, os frutos brandos ricos em água que se rompem e libertam as sementes na maturação, tanto quanto sei, só ocorrem nos trópicos. Recordei este facto há 15 dias atrás enquanto observava estas amendoeiras.

Prunus dulcis (Rosaceae) «amendoeira»

Passo a explicar.
A amendoeira produz um fruto carnudo - uma drupa -, não comestível, ao contrário do fruto do Prunus persica «pessegueiro», uma espécie próxima também do subgénero Amygdalus. Nas drupas, o endocarpo, a parte mais interna do fruto, é rijo e protege uma semente, comestível no caso da amendoeira. Portanto, a amêndoa é uma semente, e não um "fruto seco", um termo agronómico de uso corrente, incorrecto do ponto de vista botânico. A parte carnuda das drupas da amendoeira - o mesocarpo - chegado o outono, abre uma larga fenda, solta-se e, geralmente, tomba no solo antes do caroço [endocarpo mais a semente]. Mas, atenção, a drupa da amendoeira não é deiscente porque a semente permanece sequestrada no endocarpo.
Uma curiosidade botânica menor.

sábado, 9 de outubro de 2010

Cydonia oblonga (Rosaceae)

Porque está na época de os colher, uma foto de uma ...

... Cydonia oblonga (Rosaceae) «marmeleiro»

O marmeleiro é nativo do Cáucaso, do Norte do Irão e do Kopet Dag [linha de montanhas que separa o Irão do Turquemenistão, a leste do mar Cáspio]. Chegou à Bacia Mediterrânica tardiamente, já no Período Clássico.

O marmelo, a maçã, a pêra e a nêspera são pseudofrutos [porque derivados de um ovário ínfero] carnudos [com tecidos moles geralmente ricos em água]; para eles os botânicos reservaram o termo "pomo". Por terem origem num ovário ínfero são constituídos por tecidos de origem carpelar e receptacular. O marmelo tem uma notável particularidade: cada um dos seus cinco lóculos [cavidade carpelar que contem as sementes, fácil de observar cortando transversalmente o fruto] pode conter mais de duas sementes.

O marmeleiro propaga-se facilmente por estaca e é excelente para construir sebes. Dos frutos fazem-se óptimas compotas [a marmelada] e das cascas, sementes e tecidos carpelares mais internos [estrutura cartilaginosa que envolve as sementes] geleias. Os frutos consomem-se cozidos mas há quem goste deles em fresco. E, façam a experiência, provem as suas pétalas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Rubus vigoi (Rosaceae)


A maior parte dos aficionados das plantas portugueses acham mais apelativas as plantas de floração mais vistosa, ou as que possuem características peculiares, tais como as orquídeas e as plantas insectívoras. Não vou contestar a popularidade de alguns destes grupos de plantas porque existem motivos mais do que suficientes para as pessoas se sentirem atraídas pelas “raridades” do mundo vegetal. Mas alguns grupos taxonómicos mais "espinhosos" são abandonados porque são simplesmente pouco atractivos ou de identificação complicada. Este é o caso das silvas, género Rubus, um grupo de plantas que tardamos a dominar apesar de vários investigadores já terem passado anos e anos debruçados sobre o assunto. E dentro do género Rubus existem secções que intimidam o investigador mais experiente. O Rubus vigoi pertence a uma das secções mais complicada do género mas é uma planta tão atractiva que se destaca mesmo no meio do silvado mais monótono. As pétalas brancas de grande tamanho e os folíolos de margens onduladas são duas das características mais importantes. Não é assim raro encontrar o Rubus vigoi nas orlas florestais, mas escapa muitas vezes à nossa atenção pela semelhança que tem com a espécie mais abundante da nossa flora e que pertence ao mesmo grupo, o Rubus ulmifolius.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Rosa micrantha (Rosaceae)

Num post recente (clicar aqui) apresentei uma curiosa hipótese sobre a cor dos frutos de Outono. Para decorar o texto postei um fruto negro; ficou por mostrar um fruto vermelho. Aqui está um exemplo:


Rosa micrantha (Rosaceae)

A R. micrantha é uma das roseiras-bravas mais frequente e de mais fácil identificação em Portugal. Reúne os seguintes caracteres diagnóstico: pedicelos do fruto (ou da flor) revestidos por glândulas providas de um pequeno pé (glândulas pediculadas) (ver imagem); presença abundante de glândulas acastanhadas sésseis (sem pé) na página inferior, que tornam as folhas rugosas ao tacto, e quando esmagadas libertam um intenso odor a maçã.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Crataegus monogyna & al. (Rosaceae, Iridaceae)















Uma pessoa amiga enviou-me estas fotos, provenientes de Condeixa, no CW. calc., para identificação...
Penso que Crataegus monogyna Jacq. está inequivocamente presente, assim como uma outra Rosácea, que poderá ser uma espécie de Prunus- algum abrunheiro, Prunus spinosa L., talvez. Parece tratar-se de uma orla espinhosa, muito provavelmente pertencente à classe RHAMNO-PRUNETEA Rivas Goday & Borja ex Tüxen 1962.














A terceira foto deve corresponder provavelmente à bonita Iridácea Gladiolus illyricus L., ou então à sua congénere Gladiolus italicus Mill....

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Alpercheiro em amendoeira

As árvores de fruto exigem muita atenção para produzirem fruto com qualidade, e vegetarem com saúde, a nosso gosto. Pedimos muito às árvores domesticadas: que produzam frutos grandes em quantidade, que mantenham uma forma acessível para a colheita e tratamentos fitossanitários; que lutem estoicamente contra doenças e pragas; e que suportem todo o tipo de violências físicas (poda, enxertia e mobilização do solo). A nossa relação com as árvores de fruto fundamenta-se num contrato tacitamente aceite por ambas as partes: nós defendemos e propagamos as árvores, em contrapartida recebemos frutos maravilhosos, impossível de imitar artificialmente.

O conceito de enxertia é simples: sobre um sistema radicular com características vantajosas (e.g. resistência a doenças, à secura ou ao calcário activo), que toma o nome de cavalo ou porta-enxerto, "espeta-se", com uma técnica adequada de enxertia (variável de espécie para espécie), a copa de uma planta com interesse económico, ou que satisfaça os nossos desejos. O cavalo não necessita de pertencer à mesma espécie do enxerto, mas para que as enxertias tenham sucesso o cavalo e o enxerto são, regra geral, filogeneticamente próximos. Cada grupo de plantas tem "regras" próprias no que toca às compatibilidades de enxertia. Por exemplo, enxerta-se pereira (Pyrus communis) em marmeleiro (Cydonia oblonga) ou pilriteiro (Crataegus monogyna), mas não macieira em pereira. As enxertias possíveis nas prunóideas (árvores da família das rosáceas de fruto com caroço, pertencentes ao género Prunus) cultivadas são mais variadas: podemos construir uma árvore onde convivem quatro ou mais espécies, e.g. pessegueiro, ameixeira-europeia, amendoeira e alpercheiro. Um dos cuidados a ter em conta nas árvores enxertadas é a eliminação dos lançamentos provenientes do porta-enxerto. Por essa razão se escava a vinha, e se cortam os rebentos da base (ladrões) no castanheiro.

O alpercheiro (Prunus armeniaca, Rosaceae) enxerta-se facilmente em amendoeira (Prunus dulcis, Rosaceae). Se o clima é seco e escasseia a água para regar, o porta-enxerto de amendoeira é uma boa opção técnica.
O abandono destas árvores muitas vezes tem este efeito:




Torre de Moncorvo, antiga residência do juiz. N.b. os ramos com folhas alongadas (metade esquerda da copa na 1ª foto, em cima na 2ª foto) são de amendoeira; o enxerto de alpercheiro tem folhas triangulares, ou quase [foto CA]


... o cavalo (porta-enxerto) rebela-se contra o cavaleiro (enxerto) :-)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Rubus brigantinus (Rosaceae)

Outro Rubus endémico descrito por Gonçalo Sampaio: o Rubus brigantinus.
A localidade clássica desta espécie situa-se na aldeia de Montesinho (Concelho de Bragança), daí o restritivo específico.
Caracteres diagnóstico da espécie: plantas de cor vinosa; folhas frequentemente debruadas a cor de vinho; acúleos turionais heterogéneos (de diferente tamanho) com uma base algo engrossada; presença de glândulas pediculadas nos turiões; turiões de indumento variável, por vezes glabrescentes, sem placas de pruina.



Rubus brigantinus (Rosaceae) [fotos C. Aguiar]

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Rubus vagabundus (Rosaceae)

Para identificar Rubus é essencial entender a sua fenologia. No início da Primavera estas plantas emitem a partir da base caules longos, flexíveis, não ramificados, arqueados, estéreis (sem flores) e, geralmente, de curta duração (3-4 anos), designados por turiões. Na Primavera seguinte alguns meristemas axilares dos turiões são activados e produzem ramos férteis (com flores), erectos, determinados (culminam numa inflorescência) e relativamente curtos. Os meristemas activados, como acontece na videira, situam-se nos nós mais distantes do solo. Como os turiões desenham um arco alargado, os caules férteis geralmente inserem-se nos nós da face oposta ao solo do segmento de turião que marca a inflexão deste em direcção ao solo.
Os Rubus, portanto, produzem flores (e frutos) em ramos com dois anos. Por essa razão nas plantações de framboesas (Rubus idaeus) os turiões com dois anos (que produziram ramos férteis com flores e frutos) são eliminados (por poda) durante o repouso vegetativo.

O Rubus vagabundus é outra espécie de «silva» relativamente fácil de identificar (vd. este post). Caracteriza- se por possuir turiões pejados de pequenos acúleos muito aguçados e homogéneos, mesclados com glândulas pediculadas (com um pé mais ou menos longo e rígido) amarelas e vermelhas e pêlos geralmente simples. Tem preferência por orlas de bosque mas entra, com alguma facilidade, em margens de caminhos em territórios de baixa hemerobia (influência humana). Importante: endemismo do Norte da Península Ibérica descrito por Gonçalo Sampaio em 1904.


Rubus vagabundus (Rosaceae) [Bragança, Serra de Nogueira; foto C. Aguiar]

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Rubus lainzii (Rosaceae)

O número de caracteres com interesse taxonómico em Rubus «silvas» é elevado, muitos deles são quantitativos (e.g. número de pêlos por cm de caule e densidade de acúleos), e, no campo, parecem variar de forma quase aleatória. Por outras palavras, as correlações de caracteres em Rubus são muito instáveis sendo difícil encontrar tipos morfológicos (espacialmente e temporalmente) consistentes. A nomenclatura lineana é pouco apropriada para estes casos. Não admira, por isso, que os Rubus sejam um dos "terrores" da florística e da taxonomia botânica; Rubus crux botanicorum [os Rubus são a cruz dos botânicos].

A causa maior das dificuldades da taxonomia de Rubus reside no seu sistema de reprodução. Em condições naturais são frequentes, neste género, a multiplicação vegetativa (e.g. por mergulhia) e a reprodução vegetativa por sementes apomíticas, cujo embrião se forma a partir de uma oosfera não fecundada alojada num saco embrionário não reduzido (2n cromossomas). Quer isto dizer que a maior parte das sementes disseminadas no interior das amoras das silvas contém a mesma informação genética das plantas maternais.
Pontualmente, formam-se sementes sexuais que dão, geralmente, origem a indivíduos de morfologia muito distinta dos indivíduos parentais. A explicação para este fenómeno é complexa. Em primeiro lugar os Rubus hibridam facilmente entre si (barreiras interespecíficas fracas). Depois, os Rubus são geralmente alogâmicos e muito heterozigóticos (como as pereiras ou as macieiras, por isso uma semente de macieira 'Golden' pode originar plantas com frutos vermelhos). Finalmente, os Rubus são morfologicamente muito plásticos; por exemplo a exposição à luz e a disponibilidade de água do solo alteram significativamente a sua forma (e.g. as plantas expostas ao sol são mais avermelhadas e de folíolos mas espessos e enrugados).
Consequentemente, quem quiser colectar Rubus deve fazer saídas de campo apenas com esse objecto e deve estar preparado para não consegui identificar mais de 50 % dos exemplares herborizados!!!

Os Rubus são difíceis, é certo. Ainda assim é possível identificar tipos morfológicos consistentes que carregam em si imensa informação ecológica (o assunto fica adiado para outro post)!
Aqui vai um dos Rubus mais fáceis de identificar: o Rubus lainzii, um endemismo do NW peninsular, em Portugal apenas conhecido de Trás-os-Montes. Para o observar há que visitar os imensos bosques de Q. pyrenaica de umas das mais fabulosas serras de Portugal: a Serra de Nogueira.



Rubus lainzii (Rosaceae) [foto C. Aguiar]. Espécie de orla de bosque ou de margens de caminhos em ambiente florestal, caracterizada pela presença de folíolos inferiores sésseis e imbricados e pétalas brancas, orbiculares e enrugadas. N.b. estames infinitos, livres, e gineceu apocárpico (de carpelos livres)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Nectários extraflorais: "não há almoços de graça"

A cerejeira, ou «cerdeiro», como bem entenderem, para além da sua importância como árvore de fruto é uma belíssima árvore indígena dos bosques higrófilos no norte e centro do país.
No início do Verão é fácil de distinguir das restantes árvores de fruto da família das rosáceas: dá cerejas :-) Reune, é claro, uma ampla combinação original de caracteres morfológicos que permite a sua identificação em qualquer altura do ano, e.g.: a casca, prateada, descataca-se por tiras horizontais; as flores são brancas, com numerosos estames inseridos na margem de um hipanto alargado, uma espécie de taça onde se acumula o néctar que escorre das suas paredes internas; o ovário é súpero com um único primórdio seminal; nas árvores jovens as pernadas e braças têm uma inserção verticilada (mais de uma por nó); na copa desenvolvem-se ramos grossos, rugosos, os mais velhos muito compridos e rectos, especializados na produção de flores e frutos, conhecidos em fruticultura por esporões.
Esporões com 3 anos em Prunus avium «cerdeiro» [foto C. Aguiar]

Queria, porém, chamar a vossa atenção para um interessante  pormenor que passa facilmente desapercebido nesta espécie: os nectários extraflorais. No «cerdeiro», como em muitas outras espécies (e.g. «salgueiros» e «maracujazeiros»), os nectários extraflorais situam-se no limbo ou no pecíolo das folhas. Segregam soluções açucaradas que servem de recompensa em relações mutualistas com insectos. Conforme o nome indica, os nectários extraflorais situam-se no exterior da flor, por conseguinte, não se destinam a "pagar" o serviço polinização. O mais provavel é que a suas secreções paguem aos batalhões de formigas que diariamente percorrem os seus ramos um serviço de defesa contra insectos herbívoros, sobretudo contra afídeos e lagartas de borboletas. Na Natureza "não há almoços de graça"!

Folhas de Prunus avium «cerdeiro» [foto C. Aguiar]. N.b. nectários extraflorais no encontro do pecíolo com o limbo da folha.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Potentilla neumanniana (Rosaceae)

As plantas mais interessantes pela sua raridade, forma, o quer que seja, podem conviver lado a lado connosco, competir pelos mesmos espaços e, ainda assim, passarem desapercebidas. Aqui vai um exemplo.
Fazendo fé nas etiquetas do herbário PO (Faculdade de Ciências do Porto) o Prof. Gonçalo Sampaio colheu plantas na região de Bragança entre 1903-1909. Numa das suas excursões pela região encontrou na Serra de Nogueira, uma fabulosa serra (um dia destes explicarei o porquê) situada a menos de 10 km a WSW de Bragança, uma Potentilla invulgar hoje conhecida por Potentilla neumanniana. 50 anos mais tarde, nos anos 60 do séc. XX, o Engº Pinto da Silva tentou em vão reencontrar a mesma planta. De facto é preciso ter sorte para "tropeçar" na P. neumanniana nas clareiras de carvalhal mais abertas e livres da competição de gramíneas, porque o seu período de floração é muito curto e precoce.


Como podem confirmar na fotografia em anexo os relvados da Escola Superior Agrária de Bragança cobrem-se de P. neumanniana na segunda-terceira semana de Março. Suponho que esta seja a população mais numerosa da espécie em Portugal. Mas não é a única planta rara nestes relvados adubados, regados e aparados com corta-relva. No início de Março, bem encostadinha aos lancis de granito, floresce a Viola suavis (Violaceae).

A que se deve esta invulgar combinação florística de Lolium perenne, Trifolium repens e espécies RELAP? A explicação é simples. Em Bragança quem precisa de "terra vegetal" pega numa pá e parte numa carrinha de caixa aberta para Serra de Nogueira. Fica mais barato do que a turfa e a terra tem mais nutrientes.