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terça-feira, 6 de agosto de 2013
Yucca aloifolia L. (Asparagaceae) e Tamus communis L. (Dioscoreaceae)
Fotografámos hoje (Coimbra, 6.VIII.2013) estas duas plantas:
Yucca aloifolia L. (Asparagaceae), um pequeno arbusto exótico de folhas picantes, aqui em plena floração estival; e
Tamus communis L. (Dioscoreaceae), que agora mostra os seus frutos ovóides em maturação.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Ehrharta erecta Lam. (Gramineae) e Arum italicum L. (Araceae)
Para assinalarmos devidamente o Equinócio - que marca a entrada na gloriosa estação da Primavera - postamos hoje duas plantas muito interessantes:
Ehrharta erecta Lam. (aqui nascida numa fenda de uma parede vertical urbana), uma das gramíneas menos conhecidas da flora de Portugal, mas que é indubitavelmente subespontânea entre nós, há mais de 70 anos (foi primeiramente referida por J. Gonçalves Garcia in Anales Jard. Bot. Madrid 6: 422, 1946, como planta subespontânea em Portugal);
e uma belíssima arácea que pensamos ser Arum italicum L., em versão de espata pintalgada, daí ser por vezes também chamado de Arum maculatum ou Arum pictum...
As três fotos aqui postadas são de Coimbra, 29TNE4950, alt. c. 110 m, 19.III.2013.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Arabis stenocarpa Boiss. & Reut. (Brassicaceae)
O belo endemismo ibérico Arabis stenocarpa Boiss. & Reut., Diagn. Pl. Nov. Hisp. 4. 1842 [Mar 1842] (http://www.ipni.org/ipni/simplePlantNameSearch.do?find_wholeName=arabis+stenocarpa&output_format=normal&query_type=by_query&back_page=query_ipni.html)
fotografado nos arredores da Guarda, pr. Serra da Estrela, alt. ca. 800 m, 27.IV.2009, em talude junto a bosques de Holco mollis-Quercetum pyrenaicae (classe Querco-Fagetea).
Esta planta poderá encontrar-se em orlas florestais da classe Trifolio-Geranietea.
Também é visível Saxifraga granulata L. (Saxifragaceae), com as suas pequenas flores brancas.
A última foto parece de uma planta-fantasma, mas como hoje é 1 de Novembro...
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domingo, 7 de agosto de 2011
Monotropa hypopitys (Ericaceae), Tanacetum mucronulatum (Asteracae) e mais alguns bichos (Insecta)





Como o nome do post indica, trazemos aqui de novo a rara e bela Monotropa hypopitys L. (Ericaceae)
Monotropa hypopitys - Wikipedia, the free encyclopedia,
que encontrámos em Bragança, na Serra de Rebordãos ou Nogueira, assim como o belo e também raro Tanacetum mucronulatum (Hoffmanns. & Link) Heywood in Agron. Lusit. 20: 214. 1958 (Asteracae), proveniente de um local próximo (carvalhal de Holco mollis-Quercetum pyrenaicae, da classe de vegetação florestal Querco-Fagetea) e ainda mais alguns bichos igualmente interessantes (Insecta), que deixamos aqui, na esperança de que venham a ser identificados pelos ilustres especialistas que frequentam este blog!
Convém salientar que o Tanacetum mucronulatum é um endemismo exclusivamente português, de acordo com Greuter, W. (2006-2009): Compositae (pro parte majore). – In: Greuter, W. & Raab-Straube, E. von (ed.): Compositae. Euro+Med Plantbase - the information resource for Euro-Mediterranean plant diversity.
Quanto ao insecto alado verde, pensamos tratar-se provavelmente de um neuróptero, pertencente à ordem Neuroptera Linnaeus, 1758
Neuroptera - Wikipedia, the free encyclopedia
Em relação às duas lindas borboletas, sabemos apenas pertencerem à ordem Lepidoptera Linnaeus, 1758
Lepidoptera - Wikipedia, the free encyclopedia
Como sugestão musical, vamos deixar hoje aqui, apropriadamente, a excelente "She Came Through The Bathroom Window", dos Beatles:
THE BEATLES Remasters! /// 13. She Came Through The Bathroom Window - (STEREO Remastered 2009) - YouTube
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Lacerta schreiberi (Lacertideae) e Funaria hygrometrica (Funariaceae)





Trazemos hoje aqui um belíssimo lagarto, Lacerta schreiberi Bedriaga, 1878, também conhecido como "lagarto de água", um lacertídeo que parece gostar de sítios frescos e húmidos (com precipitações anuais superiores a 600 mm) e que se pode encontrar nalgumas das nossas montanhas como por exemplo as Serras da Freita e de Montemuro, sendo endémico da Península Ibérica (http://www.icn.pt/psrn2000/caracterizacao_valores_naturais/FAUNA/anfibios_repteis/Lacerta%20schreiberi.pdf).
Segundo o mesmo artigo acima citado, cerca de 45% da sua área de distribuição localiza-se em Portugal!
Como acompanhamento vegetal trazemos hoje aqui o belo musgo Funaria hygrometrica Hedw., cuja seta se assemelha a uma corda -do "Latin funis, rope, alluding to cord-like twisted seta"-, e que é relativamente comum em Portugal.
Funaria in Flora of North America @ efloras.org
Funaria hygrometrica in Flora of North America @ efloras.org
Funaria hygrometrica - Wikipedia, the free encyclopedia
Convém ainda notar a presença de um Rubus (Rosaceae), da Stellaria holostea (Caryophyllaceae) e de uma gramínea -quem sabe se será Holcus mollis (Poaceae)-, tão comuns na classe de vegetação florestal Querco-Fagetea e nas suas orlas (classe Trifolio-Geranietea).
Como acompanhamento musical, vamos sugerir mais uma vez o excelente Philippe Jaroussky, que vale sempre a pena ouvir:
YouTube - Philippe Jaroussky - Carestini
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terça-feira, 29 de março de 2011
Primula acaulis (Primulaceae)
Esta maravilha já aqui tinha sido postada:
Das plantas e das pessoas: Primula acaulis (Primulaceae),
há quase dois anos (!!), ocorrendo-nos por isso ser tempo apropriado para a relembrar:
Primula acaulis (L.) L. = Primula veris L. var. acaulis L., de acordo com a Flora iberica vol. V: 17:
http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/05_080_01%20Primula.pdf
Esta belíssima planta pode encontrar-se por exemplo em bosques da classe Querco-Fagetea e também em lameiros e nas proximidades de linhas de água, dos amieiros e dos freixos (aqui neste blog tão recentemente comentados); a sua floração assinala o início da Primavera.
Como acompanhamento musical vamos sugerir outra maravilha: "Mattäus-Passion - Kommt, Ihr Töchter, helft mir klagen", do imortal J.S. Bach:
YouTube - Bach: Mattäus-Passion - Kommt, Ihr Töchter, helft mir klagen - Otto Klemperer
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Mais uma planta não identificada (Brassicaceae)
Trazemos hoje aqui uma crucífera não identificada, fotografada no Jardim Botânico de Berlim já há vários anos. Não sabemos se será uma planta particularmente comum, mas parece-nos dar-se bem em sítios frescos e sombrios, apresentando uns curiosos bulbilhos globosos anegrados, algo semelhantes às amoras das silvas.
Pode ser que algum dos ilustres leitores deste blog nos possa esclarecer acerca da identidade desta crucífera...
A Fagus sylvatica L. (Fagaceae) e a Hedera helix L. (Araliaceae) também são bem visíveis nestas duas fotos, e, possivelmente, ainda outras espécies umbrófilas.
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Omphalodes nitida (Boraginaceae)
Ainda aqui não tinha aparecido esta simpática Boraginácea: Omphalodes nitida Hoffmanns. & Link, Fl. Portug. 1: 194, t. 25. 1811, que se pode encontrar habitualmente em orlas de bosques em sítios sombrios e frescos da ordem Origanetalia vulgaris Th. Müll. 1962, pertencente à classe TRIFOLIO MEDII-GERANIETEA SANGUINEI Th. Müll. 1962, cujo nome correcto é Trifolio-Geranietea Th. Müll. 1962, de acordo com SYNSYSTÈME DE LA FRANCE.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Gagea bohemica subsp. saxatilis? (Liliaceae)
Em 8 de Abril de 2004 fotografámos esta bela planta bolbosa em pleno carvalhal de Rebordãos: Holco mollis-Quercetum pyrenaicae Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1956, o maravilhoso bosque que se dá muito bem sobre as rochas básicas de Bragança e arredores. Pensamos que poderá possivelmente tratar-se da Gagea bohemica (Zauschner) Schultes & Schultes fil. subsp. saxatilis (Mert. & Koch) Ascherson & Graebner, Syn. Mitteleur. Fl. 3: 79 (1905); Syn.: Gagea nevadensis sensu Richardson in TUTIN et al. (eds.), Flora Europaea, non Boiss.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Melampyrum pratense subsp. pratense (Orobanchaceae)

Voltando às antigas Escrofulariáceas, fica aqui o Melampyrum pratense L., Sp. Pl. 2: 605. 1753 [1 May 1753], como se pode ver aqui:
Biodiversity Heritage Library: Caroli Linnaei ... Species plantarum,
hoje incluído na família das Orobancáceas, por razões de ordem filogenética.
Esta bela planta, ao que consta hemiparasítica, é pouco comum em Lu, podendo encontrar-se sobretudo nas províncias mais a Norte: Mi e TM, sendo rara no DL e na BA. Vive em locais frescos e sombrios como carvalhais (de Quercus pyrenaica Willd. e Quercus robur L.) e suas orlas (ordem Quercetalia roboris Tüxen 1931, da classe de vegetação florestal QUERCO-FAGETEA, predominantemente, assim nos dizem os mestres fitossociólogos ibéricos).
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O azevinho

(foto de A. Magalhães)
O azevinho, um dos arbustos mais excêntricos das nossas florestas, é uma das raras plantas que teve direito a uma legislação especial destinada à sua protecção. Apesar de não ser um arbusto raro, começava a desaparecer de algumas zonas do nosso pais devido à procura que tinha como enfeite natalício. Os azevinhos fêmeas eram os mais procurados e para impedir que se repetisse um processo semelhante ao do teixo, fez-se legislação que impedisse a colheita de azevinho espontâneo, resultando daí o Decreto-Lei n.º 423/89. O teixo já foi mais comum nas nossas montanhas, mas desapareceu rapidamente devido à destruição das plantas fêmea pelos pastores, já que eram frequentemente ingeridas pelo gado, levando à sua intoxicação. A razão da utilização do azevinho como enfeite de natal tem origens que remontam aos tempos do paganismo. Como algumas plantas morriam ou perdiam as suas folhas durante o outono e o inverno, os pagãos da zona da Germânia responsabilizavam os espíritos malignos pela destruição da flora. No solstício de inverno levavam para casa ramos verdes, de coníferas ou de azevinho, para lhes fornecerem energia para resistirem aos poderes do frio e da escuridão. Nasceu assim a tradição da árvore de Natal e do ramo de azevinho, mostrando que Natureza foi a primeira divindade a ser adorada pelo Homem. Mas porque razão permanece o azevinho com as suas folhas enquanto todos os outros arbustos deixam cair as suas no outono? O azevinho é relíquia de tempos antigos, durante os quais o clima na Europa era mais quente. As relíquias paleotropicais são fáceis de identificar, porque normalmente são as únicas representantes da sua família. O loureiro das Lauraceas, a murta das Mirtaceas e o azevinho das Aquifoliaceas são alguns desses exemplos mas com uma diferença. O azevinho não se refugiou nas zonas mais amenas do Sul da Europa, mas pelo contrário, avançou para territórios mais a Norte. E para combater o frio e os herbívoros esfomeados dos meses de inverno, teve de se armar até aos dentes. As folhas do azevinho possuem uns dentes afilados durante a fase em que possuem um porte arbustivo, perdendo os dentes quando chegam a velhas, pois nessa altura os ramos estão mais altos e são mais difíceis de alcançar. As folhas estão cheias de celulose para serem pouco palatáveis, e possuem altos conteúdos de sacarose, proteínas e lípidos que funcionam como um anticongelante. O azevinho é um arbusto extremamente bonito, fácil de cultivar, sendo um dos poucos que aguenta bem crescer ao sol ou à sombra. No seu ambiente natural, as árvores que estão acima dele estão despidas durante o inverno, deixando passar os raios solares. No verão, pelo contrário, permanece à sombra das copas cerradas, tendo por essa razão evoluído para viver entre estas duas posições extremas. Parece que os antigos pagãos tinham razão, o azevinho tem realmente poderes extraordinários.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Corydalis cava (Fumariaceae)

Depois de uma belíssima linária, uma planta não menos bela, e ainda mais rara em Portugal: Corydalis cava (L.) Schweigg. & Körte = Fumaria bulbosa L. var. cava L. (basiónimo), "Habitat in Europae nemoribus & umbrosis" segundo o grande Lineu indicou para a sua espécie (Fumaria bulbosa L.).
Em Lu esta planta só se encontra na Serra de Rebordãos (= Serra de Nogueira), pr. de Bragança, com o seu "rizoma tuberoso, ôco em pouco tempo" já o dizia D. António Xavier Pereira Coutinho, na sua excelente Flora de Portugal.
Sobre esta esplêndida planta diz o Carlos (2000: 217): "Orlas de bosques caducifólios sobre rochas básicas, sobretudo se recentemente ardidos, nas cotas mais elevadas da Serra de Nogueira. (Trifolio-Geranietea) [Fagetalia sylvaticae]. Raro."
As fotos foram obtidas na dita serra, na Primavera (Abril/Maio), pr. do castelo de Rebordãos, num simpático carvalhal de Holco mollis-Quercetum pyrenaicae (da classe florestal Querco-Fagetea) ou nas suas orlas (Trifolio-Geranietea).
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Tanacetum mucronulatum (plantas esquecidas..?)
Preocupam-me algumas plantas, que me parece que estão um bocado esquecidas. O distinto Tanacetum mucronulatum é uma delas:
A informação que se encontra sobre esta planta é mínima. Parece que é um endemismo ibérico, ou talvez um "quasi-endemismo" português, já que no Proyecto Anthos nos aparecem somente dois (!!) registos desta planta em Espanha.
Só o conheço na região norte de Lisboa (que deverá ser o seu limite sul de distribuição), onde aparece pontualmente em vários locais; parecendo preferir orlas de bosques (de carvalho-cerquinho - Quercus faginea subsp. broteroi) e carrascais (Q. coccifera); mas também taludes mais ou menos resguardados, sempre no meio de vegetação arbustiva. O seu aspecto é até um bocado estranho, não estamos habituados a ver flores tão exuberantes e protuberantes a emergir das moitas de carrasco. Sempre em colónias de poucos indivíduos, distantes umas das outras. É uma planta que tem algo a nos dizer... porque não aparece mais? Orlas de carrascais e bosques não faltam por aqui, e a dispersão pelo vento (anemocoria) não deve ser difícil para esta espécie. Porquê em grupos pequenos e isolados? Há alguma explicação para haver nesta sebe de carrasco um grupo de 5 indivíduos e, nas outras sebes a toda a volta, nenhum? Claro que estas perguntas se podem aplicar a tantas outras espécies...
Desconheço como será a distribuição e abundância desta planta pelo norte do país, mas, para mim, esta espécie merece ser olhada com mais atenção e mais falada! Olhando aqui para o sul, não hesitaria muito em chamá-la de "rara"...
Desconheço como será a distribuição e abundância desta planta pelo norte do país, mas, para mim, esta espécie merece ser olhada com mais atenção e mais falada! Olhando aqui para o sul, não hesitaria muito em chamá-la de "rara"...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Linaria triornithophora (Plantaginaceae)

Vamos hoje apresentar duas fotos (a forma triornithophora (típica) e a forma albiflora Pinto da Silva) da belíssima Linaria triornithophora (L.) Cav., a "erva dos três passarinhos", assim conhecida por aparentar ser portadora de 3 ou 4 (ou mais) passarinhos - as suas extraordinárias flores personadas e longamente esporoadas. Nas suas corolas bastante fechadas podem penetrar insectos, que se presume poderem desempenhar uma útil função polinizadora.
Esta espécie costuma encontrar-se em orlas florestais e de matos: aliança Linarion triornithophorae Rivas-Martínez, T.E. Díaz, F. Prieto, Loidi & Penas 1984, pertencente à ordem Origanetalia vulgaris Th. Müll. 1962 e à classe Trifolio-Geranietea Th. Müll. 1962.
Trata-se de um endemismo exclusivo da Península Ibérica.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Serra do Reboredo II
O nome Reboredo - do latim robur (nominativo) ou roboris (genitivo) - é uma alusão directa aos carvalhais de Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral» que revestiam esta serra em tempos de antanho. Ao colonizador romano que habitava as villae da Vilariça (ver aqui), ou ao presor astur-leonês alto-medieval, mais do que uma hipotética dominância do carvalhal, deveria impressionar a natureza insular desta montanha: um pequeno maciço montanhoso, agudo, com abundantes carvalhais, a emergir, imponente, de um mar acinzentado de sobreiros e azinheiras.
No pequeno MPEG que se segue tentei capturar uma interessantíssima peculiaridade do carvalhal do Reboredo:
Conseguem ver, logo no início do vídeo, um zimbro (Juniperus oxycedrus, Cupressaceae)? E não é o único! O carvalhal do Reboredo está apinhadinho de zimbros! Se a combinação sobreiro e zimbro é incomum à escala do mediterrânico (vd. aqui), então que dizer deste "carvalhal-zimbral"!
Antes de explorar as causas desta combinação florística tão original convém saber que este bosquete foi, recentemente, sujeito a uma cuidadosa limpeza (eliminação mecânica da vegetação arbustiva), que as suas árvores são todas muito jovens, e que os zimbros, quer adultos quer juvenis, são intolerantes à sombra.
O árvores retratadas no filme certamente, evoluíram a partir de carvalhiças (carvalhos arbustivos, baixos, com grande densidade de caules), secularmente submetidas a pastoreio e corte. Somente após os fluxos migratórios de 60-70 (séc. XX), e a generalização do uso de derivados de petróleo na cozinha e no aquecimento, as carvalhiças tiveram a oportunidade de progredir para alto fuste, i.e. de tomar um porte arbóreo. A paisagem de matriz arbórea visível nas fotos do post anterior (clicar aqui) tem uma génese muito recente (voltarei a este tema para a semana).
O carvalho-negral emite poulas radiculares com grande facilidade (rebentos caulinares com origem em gomos adventícios diferenciados em raízes próximas da superfície do solo). Graças a este mecanismo, sob regimes de perturbação (e.g. corte e fogo) de baixa intensidade, consegue rapidamente recolonizar grandes espaços, por via vegetativa, a partir de um reduzido número de indivíduos iniciais. Por conseguinte, o crescimento vertical das árvores (evolução para alto fuste) foi acompanhado pela expansão horizontal do carvalhal, e pela eliminação das clareiras.
As duas hipóteses aventadas nos parágrafos anteriores - a juvenilidade e a origem do carvalhal do Reboredo a partir de carvalhiças muito abertas e intensamente pastoreadas - sustentam-se nas seguintes observações (os inquéritos estruturados e a fotografia aérea seriam a forma mais apropriada e simples de testar estas hipóteses, mas não tive tempo):
- árvores pequenas e equiénias (da mesma idade)
- abundância de troncos de pequeno diâmetro mortos ou dominados (não visíveis no filme)
- baixa diversidade específica de plantas herbáceas vivazes de orla (plantas características da classe Trifolio-Geranietea)
- presença abundante de Cytisus striatus, uma giesta pioneira, no sub-bosque (nas orlas dos carvalhais mais maduros esta espécie é substituída pelo C. scoparius subsp. scoparius)
A janela de oportunidade oferecida pela redução da pastorícia e da recolha de lenhas terá sido aproveitada pelo zimbro, uma espécie na época frequente em afloramentos rochosos de difícil acesso no vale do Sabor, e disseminada com grande eficiência a longa distância pelas aves. A canópia (i.e. a copa) do carvalhal, entretanto, fechou, e o zimbro ficou aprisionado no seu interior. Por outro lado, a expansão do carvalhal eliminou as clareiras impedindo a regeneração do zimbro, e de muitas outras espécies heliófilas (e.g. Cytisus striatus).
O estrato arbóreo dos bosques misto de carvalho e zimbro caracteriza-se, então, por uma combinação florística fortuita e transiente, condenada ao insucesso (à escala temporal das árvores, é claro). O filme retrata uma árvore condenada à morte pelos Quercus: um violento e impudente assassinato, com uma lentidão e requinte próprios do mundo vegetal. Não faz sentido, por isso, descrever um novo tipo de carvalhal na Serra do Reboredo. Os bosques mistos de zimbro e carvalho são uma curiosidade tão rara, como temporária.
P.S. dedico este post aos meus alunos do CET (curso de especialização tecnológica) "Defesa da Floresta Contra Incêndios", organizado pelo IPB (Instituto Politécnico de Bragança) em Torre de Moncorvo. Nunca é tarde de mais para voltar a estudar!
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