O significado geográfico de Macaronésia é claro: designa, colectivamente, os arquipélagos atlânticos dos Açores, Madeira, Selvagens, Canárias e Cabo Verde. O conceito biogeográfico de Macaronésia, pelo contrário, não faz sentido.
A justificação de uma região biogeográfica Macaronésica assenta, tradicionalmente, na presença de alguns
taxa peculiares de carácter reliquial, e.g.
Myrica faya,
Dracaena draco, Laurus e
Euphorbia subsect
. Pachycladae, e na partilha (muito desigual) de uma radiação adaptativa em alguns géneros, entre os quais se contam os inevitáveis
Echium (
Boraginaceae), mas também
Artemisia (Asteraceae), Euphorbia (Euphorbiaceae), Globularia (Plantaginaceae), Sonchus (Asteraceae), Tolpis (Asteraceae), Erysimum (Brassicaceae), Lotus (
Fabaceae),
Festuca (
Poaceae) ou
Deschampsia (
Poaceae). Embora os arquipélagos da Madeira, Selvagens e Canárias tenham um elemento florístico e "vegetacional" comum assinalável, a semelhança da sua flora e coberto vegetal com os Açores, a Norte, ou com Cabo Verde, a Sul, é marginal. Não vale a pena sequer perder tempo a procurar pontes entre a flora e a vegetação tropical árida a desértica de Cabo Verde, e o verde luxuriante dos Açores.
Fiz uma leitura rápida das Floras e das checklists das plantas-com-flor dos arquipélagos de Cabo Verde, Canárias, Madeira e Açores e encontrei uma única espécie indígena comum a todos eles, a
Dracaena draco. Isto, partindo do princípio que não andam por aí perdidas uma, ou mais,
Dracaena por descrever.
Dracaena draco (Ruscaceae) «dragoeiro», algures nos Açores