domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carduus carpetanus (Asteraceae)

A maior parte do interior norte e centro de Portugal distribui-se por dois andares bioclimáticos: mesomediterrânico e supramediterrânico. No andar mesomediterrânico dominam os bosques perenifólios; os bosques caducifólios de Quercus pyrenaica são característicos do andar supramediterrânico.
Além dos bosques, ambos andares dispõem de um conjunto alargado de plantas bioindicadores. Um dos mais fiáveis é este cardo:


Carduus carpetanus (Asteraceae), um bioindicador do andar supramediterrânico no interior norte e centro de Portugal, frequente em pousios e em margens de caminhos afastadas dos povoados [foto CA, Bragança]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Carduus pycnocephalus (Asteraceae)

Os Carduus têm uma ecologia curiosa: gostam de solos perturbados de baixa densidade aparente (baixa relação peso/volume), i.e. de solos fofos, porosos, não compactados. Faz-se um cardal em três tempos com a terra proveniente da abertura de uma vala ou de uma terraplangem, ou com um pouco de entulho de construção. Três, quatro ou cinco anos depois, com a chuva, com o pisoteio, a terra compacta-se ... o habitat dos Carduus extingue-se ... e há que mudar de lugar. Longe dos povoados humanos, em lugar dos Carduus, ficam, geralmente, as giestas.
A recessão da construção civil reduz a área de ocupação dos habitats de Carduus e afins. Os investimentos públicos e privados têm sempre associado um "trade-off botânico", até nos cardais!
Há muitas espécie Carduus em Portugal, 10 se não estou em erro.
O C. tenuiflorus e C. pycnocephalus, dois dos cardos mais frequentes no interior do país, são um tanto ou quanto difíceis de distinguir:

Carduus pycnocephalus (Asteraceae) [foto CA, Bragança]

... o C. pycnocephalus tem os capítulos pedunculados (vd. imagem); no C. tenuiflorus os capítulos são sésseis.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Platanthera bifolia (Orchidaceae)














Platanthera bifolia (L.) L.C.M. Rich. = Orchis bifolia L. [basiónimo] = Habenaria bifolia (L.) R.Br. ou ainda Satyrium diphyllum Link (nomes vernáculos: satirião bifoliado, satirião verde) é uma orquidácea de distribuição eurasiática (em Portugal encontra-se sobretudo no Norte).
Esta rara orquídea é uma característica da classe florestal Querco roboris-Fagetea sylvaticae Braun-Blanq. & Vlieger in Vlieger 1937, cujo nome correcto é Querco-Fagetea Braun-Blanq. & Vlieger in Vlieger 1937, de acordo com Rivas-Martínez, T. Díaz, F. Fernández-González, J. Izco, J. Loidi, M. Lousã & A. Penas, 2002, Vascular plant communities of Spain and Portugal: Addenda to the Syntaxonomical Checklist of 2001. Itinera Geobotanica 15 (2).
A foto é de Junho de 2008, de um local situado entre a BA e TM, entre os concelhos de Tarouca e Armamar, e mostra-nos a bela orquídea num mato de Halimium lasianthum (Lam.) Spach subsp. alyssoides (Lam.) Greuter (= Cistus alyssoides Lam. (basiónimo) = Halimium alyssoides (Lam.) K. Koch, um arbusto endémico ibero-gálico), que também inclui algumas gramíneas.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Huperzia selago (Lycopodiaceae)














Ainda mais um licopódio: Huperzia selago (L.) Bernh. ex Schrank & Mart. = Lycopodium selago L. (basiónimo): ambos os nomes são igualmente legítimos, sendo o primeiro adoptado na maioria das floras recentes e o segundo adoptado por ex. por Greuter & Burdet (Med-Checklist vol. 1, 1984).
Esta foto é açórica, proveniente da bela e extraordinária Ilha do Pico.
Segundo os mestres fitossociólogos, pode encontrar-se em vegetação da ordem Vaccinio microphylli-Juniperetalia nanae Rivas Martínez & Costa 1998, pertencente à classe Vaccinio myrtilli-Piceetea abietis Braun-Blanq. in Braun-Blanq., G.Sissingh & Vlieger 1939, de florestas de Coníferas acidófilas circumboreais, em solos oligotróficos.
Esta erva tão peculiar era colhida com ceremonial religioso pelos druidas, na antiguidade (de acordo com a Flora iberica vol. I, 1986).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Diphasiastrum maderense (Lycopodiaceae)

Na sequência do último post do ZG, trago hoje uma licopodiácea endémica da Madeira e dos Açores.

Diphasiastrum maderense (Lycopodiaceae) [foto CA, Ilha do Pico, Açores]

Imito de alguma maneira o CR9. Não encontro outra forma de expressar o meu pesar pela imensa tragédia se abateu sobre a Ilha da Madeira no passado sábado!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Lycopodiella cernua (Lycopodiaceae), Polytrichum sp. (Polytrichaceae) e Sphagnum sp. (Sphagnaceae)
















Depois de quatro maravilhosas crucíferas precoces estremadurenses, ficam aqui três criptogâmicas açóricas, da fantástica Ilha Terceira, que também são bem interessantes (as fotos são provenientes de um local aromaticamente sulfuroso):
Lycopodiella cernua (L.) Pichi-Sermolli (=Palhinhaea cernua (Linn.) Franco et Vasc. = Lycopodium cernuum L., basiónimo), um licopódio considerado pantropical (da família Lycopodiaceae, classe Lycopodiopsida), cujos principais nomes vernáculos são "pinheirinho", "musgão" e "musgo do mato";
Polytrichum sp., um belo musgo quase vascular, já referido neste blog (do género Polytrichum Hedw., família Polytrichaceae e classe Polytrichopsida);
e ainda Sphagnum sp., o famoso musgo das turfeiras (do género Sphagnum L., pertencente à família Sphagnaceae e à classe Sphagnopsida).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

É tempo de crucíferas

Não tenho nenhuma hipótese ou pergunta ecológica fantástica, apenas me apeteceu mostrar informalmente umas quantas crucíferas, já que é tempo delas.
Generalizações são perigosas, especialmente se forem empíricas como esta que vou fazer. Mesmo assim arriscaria dizer que a família das crucíferas parece ter uma certa tendência para florescer muito cedo - em meados de Fevereiro já muitas espécies podem ser vistas em flor. Algumas até no Outono já estão em pleno (ver aqui). Eis quatro dessas crucíferas "temporãs", todas encontradas no mesmo habitat - uma cascalheira calcária.

[fotos: MPorto]

Hesperis laciniata, em particular, acho fantástica, exuberância suprema, além de bastante rara. Apenas a conheço nos "melhores calcários" aqui do centro sul. Planta perene de grande tamanho, flores grandes, um tanto ou quanto semelhante aos goivos de jardim (Matthiola spp.). Simplesmente espectacular, muito estranho é ver tamanha exuberância e delicadeza debaixo deste frio invernal.
Hornungia petraea, pelo contrário, prima pela sua minuscularidade. Um habitante efémero de rochas com uma fina camada de solo, onde, após o término das chuvas, apenas conseguem subsistir plantas suculentas (fam. Crassulaceae) e musgos tolerantes à desidratação (poiquilohídricos), já que estas camadas finíssimas de solo não retêm a água mais do que poucas horas se expostas ao sol em tempo seco; qualquer ocupante desprevenido seria desidratado tout de suite. Não sei se a H. petraea é rara, talvez seja provavelmente mais comum do que se pensa, e por ser tão discreta e efémera, passa despercebida.
Semelhante comportamento têm as restantes duas, plantas em geral muito pequenas que colonizam pequenos nichos efémeros. E como estas há todo um grupo de crucíferas anuais miniatura a florescer nesta época... não esquecer Teesdalia spp., Cardamine spp., Jonopsidium acaule, entre outras...

Mas nem só de crucíferas vive o homem, com isto ficou a apetecer mostrar mais um pouco das maravilhas em miniatura que se podem ver nesta época! Plantas das quais só nos apercebemos da existência quando estamos a vinte centímetros de distância!