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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Azolla pinnata subsp. africana (Azollaceae) e Marsilea coromandeliana (Marsileaceae)

O arroz é o alimento base dos guineenses.
Tradicionalmente o ciclo de arroz segue o ciclo das chuvas. Começa a chover em Maio-Junho. Em Outubro a convergência intertropical migra para sul, e começa a seca. Portanto em Junho mobilizam-se os canteiros nas bolanhas (terras-baixas) e fazem-se os viveiros. A plantação do arroz decorre em Julho-Agosto, e a colheita em Novembro.
Um dos segredos da produtividade do arroz nos trópicos está num dos dois fetos! desta foto:


Dois fetos salviniales: Azolla pinnata subsp. africana (Azollaceae) [flutuante de cor castanha] e Marsilea coromandeliana (Marsileaceae) [semelhante a um trevo de 4 folhas]

É que escondido nas folhas das azolas está um ser muito peculiar, uma bactéria azul-esverdeada, de nome Anabaena azollae. Este microscópico simbionte tem no seu arsenal bioquímico uma enzima muito especial, exclusiva de alguns poucos procariotas, a nitrogenase, que consegue quebrar a irredutível ligação tripla do azoto molecular atmosférico, reduzindo-o a amónia. O mais difícil fica feito porque qualquer planta é depois capaz de construir aminoácidos (as peças de lego das proteínas) juntando amónia a cadeias carbonadas, direta ou indiretamente, provenientes da fotossíntese.
A A. azollae fixa azoto; a azola cresce e reproduz-se; a azola morre; o azoto mineral entra no agroecossistema arrozal; o arroz absorve o azoto mineral, cresce e produz grão ... e as gentes alimentam-se.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Várias plantas, quase na Primavera



















Neste dia tão extraordinário (29 de Fevereiro - trata-se de um ano bissexto!) aqui ficam algumas beldades subespontâneas que quase assinalam a chegada da nossa prima favorita, a Primavera!

São elas:
Phytolacca americana L., Sp. Pl. 1: 441. 1753 [1 May 1753] (Phytolaccaceae);

Oxalis pes-caprae L., Sp. Pl. 1: 434. 1753 [1 May 1753] (Oxalidaceae) (2 fotos);

Bergenia crassifolia (L.) Fritsch, Verh. Zool.-Bot. Ges. Wien xxxix. (1889) 587.
basionym: Saxifraga crassifolia L. Sp. Pl. 1: 401. 1753 [1 May 1753] (Saxifragaceae);

Ehrharta erecta Lam., Encycl. [J. Lamarck & al.] 2(1): 347. 1786 [16 Oct 1786] (Poaceae);

Verbascum levanticum I.K.Ferguson, Bot. J. Linn. Soc. 64 (2): 230 (1971) (Scrophulariaceae)
Original Data: Notes: Turkey, Israel, Lebanon, Cyprus, naturalised in Portugal;

Nephrolepis cordifolia (L.) C. Presl, Tentamen Pteridographiae 1836 (Lomariopsidaceae).

Estes dados são provenientes de The International Plant Names Index (IPNI), http://www.ipni.org

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Uma flor (Gentianaceae) e mais cinco espécies de bichos (Insecta)





















Deixamos hoje aqui uma pequena gencianácea anual que gosta de locais calcários (calcícola):
Blackstonia perfoliata (L.) Huds., Fl. Angl. (Hudson) 146. 1762
= Gentiana perfoliata L., Sp. Pl. 1: 232. 1753 [1 May 1753]
= Chlora perfoliata (L.) L., Syst. Nat., ed. 12. 2: 267. 1767 [15-31 Oct 1767]
IPNI Plant Name Query Results
IPNI Plant Name Query Results
IPNI Plant Name Query Results
Blackstonia perfoliata - Wikipedia, the free encyclopedia,

assim como cinco belos insectos para eventual identificação pelos ilustres entomólogos que habitualmente por aqui passam - e aos quais ficam, desde já, os nossos sinceros agradecimentos!
Apesar da nossa profunda ignorância em relação ao fascinante mundo dos amigos de seis patas, pensamos estarem aqui representados duas borboletas (Lepidoptera), um coleóptero (Coleoptera), uma mosca (Diptera) e ainda uma colmeia de abelhas ou vespas (Hymenoptera).

O belíssimo coleóptero listado parece estar situado sobre a gramínea relativamente comum Agrostis curtisii Kerguélen, Lejeunia 75(Err. & Corr.): 1, nom. nov. 1975; Bull. Soc. Bot. France 123(5-6): 318, nom. 1976
IPNI Plant Name Query Results.

A borboleta de cima encontra-se sobre folhas secas do comum Pteridium aquilinum, feto já aqui divulgado neste blog:
Das plantas e das pessoas: Pteridium aquilinum (Dennstaedtiaceae),
enquanto que a borboleta de baixo surge pousada sobre a bela composta de distribuição eurasiática, macaronésica e mediterrânica
Pallenis spinosa (L.) Cass. in Cuvier, Dict. Sci. Nat. 37: 276. 1825
= Buphthalmum spinosum L., Sp. Pl. 2: 904. 1753 [1 May 1753]
(http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Pallenis spinosa&PTRefFk=7000000)
IPNI Plant Name Query Results
IPNI Plant Name Query Results

E, porque esta versão nos parece particularmente excelente, aqui fica, mais uma vez, do genial A. Vivaldi:
YouTube - Vivaldi - Gloria: 1. Gloria in excelsis Deo - Trevor Pinnock - The English Concert

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pteridium aquilinum (Dennstaedtiaceae) e mais um insecto

















Trazemos aqui pela segunda vez este extraordinário feto, uma das plantas mais comuns a nível mundial, que já aqui tinha sido abordado:
Das plantas e das pessoas: Pteridium aquilinum (Dennstaedtiaceae)
É de realçar o excelente comentário do ilustre naturalista H.N. Alves ao nosso post anterior sobre o Pteridium aquilinum, que acrescenta muita informação interessante acerca deste feto tão pirófilo e tão abundante em Portugal.
Nestas duas modestas fotos, o feto parece servir de pasto a um curioso insecto, cuja identidade desconhecemos. Mais uma vez, recorremos às capacidades entomológicas dos nossos benévolos leitores, agradecendo desde já a identificação do dito bicho, que será possivelmente um Coleóptero...

Como acompanhamento musical, vamos sugerir desta vez "In the Hall of the Mountain King", do ilustre compositor norueguês Edvard Grieg:
YouTube - Grieg, In the Hall of the Mountain King
Este nosso feto tão comum também é de alguma forma um rei da nossas montanhas...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pteridium aquilinum (Dennstaedtiaceae)






















Vamos hoje mostrar aqui uma das plantas mais comuns do Mundo: o belo feto Pteridium aquilinum (Linnaeus) Kuhn in Decken, Reisen Ost-Afrika. 3(3): 11. 1879 = Pteris aquilina Linnaeus, Sp. Pl. 2: 1075. 1753 (basiónimo)
Pteridium aquilinum in Flora of North America @ efloras.org,
também conhecido por "Adlerfarne" "Bracken", "fougère-aigle commune" ou "feto comum", entre muitas outras designações.
Numa das fotos, este feto tão comum aparece com dois exemplares da belíssima borboleta Zygaena trifolii Esper, 1783, da família Zygaenidae (Ordem Lepidoptera) Zygaena trifolii - Wikipedia, the free encyclopedia;
noutra das fotos surge acompanhado por uma Luzula (possivelmente a Luzula sylvatica (Huds.) Gaudin, Agrost. Helv. 2: 240 (1811) = Juncus sylvaticus Huds. Fl. Angl. (Hudson) 132. 1762 (basiónimo), monocotiledónea que pertence à família das Juncáceas e que se pode encontrar aqui: IPNI Plant Name Query Results e aqui: http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/17_172_02_Luzula.pdf);
na outra foto, surge sob a cobertura de um pinhal de Pinus pinaster Aiton, Hort. Kew. 3: 367. 1789, árvore bem conhecida que se pode encontrar por exemplo aqui: Pinus pinaster in Flora of China @ efloras.org e aqui: Maritime Pine - Wikipedia, the free encyclopedia.
Este feto extraordinário, que se encontra sobretudo no Hemisfério Norte, forma clones que podem viver 1400 anos e produz toxinas que podem afectar as plantas vizinhas (Mabberley's Plant-Book, 2008: 714).
Sobrevive bem aos incêndios que tantas vezes destroem as outras espécies e desenvolve-se particularmente bem em locais frescos e chuvosos como as montanhas e os bosques.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Psilotum nudum e Ophioglossum lusitanicum (Psilotaceae, Ophioglossaceae)



















Vamos hoje publicar aqui duas maravilhas criptogâmicas de Outono, ambas pertencentes à classe Psilotopsida:

Psilotum nudum (Linnaeus) Palisot de Beauvois, Prodr. Aethéogam. 106, 112. 1805.
= Lycopodium nudum Linnaeus, Sp. Pl. 2: 1100. 1753,
como aqui se pode ver: Psilotum nudum in Flora of North America @ efloras.org.
Este pteridófito invulgar, de distribuição tropical, pertence à família Psilotaceae e à ordem Psilotales.

Ophioglossum lusitanicum L., Sp. Pl. 2: 1063. 1753 [1 May 1753]
IPNI Plant Name Query Results
Este pequeno pteridófito é espontâneo entre nós: "Habitat in Lusitania", já dizia o grande Lineu (loc. cit.), e pertence à família Ophioglossaceae e à ordem Ophioglossales.

E para acompanhar estas duas beldades extraordinárias, aqui fica música apropriada:
YouTube - Handel : Zadok the Priest, coronation anthem No. 1(HQ)
do grande compositor Georg Friedrich Händel George Frideric Handel - Wikipedia, the free encyclopedia

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nephrolepis cordifolia (Lomariopsidaceae)















Hoje vamos aqui mostrar um feto muito curioso: Nephrolepis cordifolia (L.) C.Presl = Polypodium cordifolium L. (syn.: Nephrolepis tuberosa (Bory ex Willd.) C.Presl = Aspidium tuberosum Bory ex Willd.).
Este belo feto tropical, para além de se propagar por esporos, também se espalha vegetativamente, através de numerosos estolhos e tubérculos de aspecto algo batatóide, como se pode verificar numa das fotos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Selaginella denticulata (Selaginellaceae)
















Para abrir o mês de Março em beleza, ficam aqui três imagens da Selaginella denticulata (L.) Spring, Flora 21(10): 149. 1838 [14 Mar 1838] = Lycopodium denticulatum L., Sp. Pl. 2: 1106. 1753 [1 May 1753] - nomes que se podem consultar aqui: IPNI Plant Name Query Results.
Na foto de baixo, a selaginela aparece na companhia de um belo líquen (ou fungo?) de botões vermelhos, num local arenítico; na segunda e na primeira fotos, provenientes de calcários do CW. calc., a selaginela aparece na simpática companhia de Sedum album L. (Crassulaceae) e de Narcissus calcicola Mendonça (Amaryllidaceae), já na fase de frutificação.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Comunidades de paredes ressumantes do SW Alentejano

Nas escarpas litorais com águas ressumantes organiza-se umas das comunidades de plantas mais notávies do SW Alentejano. Recentemente, um grupos de fitossociólogos, encabeçados pelo Prof. Carlos Neto da Fac. Letras da Univ. Cl. de Lisboa, descreveu esta comunidade sob o nome Didymodon spadicei-Adiantetum capilli-veneris (classe Adiantetea).



O Didymodon-Adiantetum capilli-veneris é dominado pelo feto Adiantum capillus-veneris «avenca». Acompanha este feto um leque variado de espécies onde se destacam, entre outras, o Samolus valerandi e o Isolepis setacea(= Scirpus setaceus).


Samolus valerandi (Theophrastaceae). Planta recentemente transferida para a família Theophrastaceae, comum nos solos temporariamente encharcados do litoral centro e sul.
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Isolepis setacea (Cyperaceae). Uma das plantas mais frequentes nas comunidades de solos temporariamente encharcados um pouco por todo o Portugal Continental

Nas comunidades de escarpas ressumantes litorais do SW Alentejano é comum um Plantago coronopus perene, de folhas crassas (gordas) dentadas no ápice que o Prof. João do Amaral Franco designou por P. coronopus subsp. occidentalis. Este táxone é dificilmente sustentável porque são frequentes morfologias intermédias entre ele e as formas continentais de P. coronopus. Vi plantas semelhantes a estas nas arribas litorais da Ilha de S. Miguel.

Ecótipo litoral de Plantago coronopus (Plantaginaceae).
[Fotos C. Aguiar]

terça-feira, 21 de julho de 2009

Plantas primitivas

Figura1. Rhynia gwynne-vaughanii


Figura2. Psilotum nudum (foto: J.Capelo, 2009 no Jardim Botânico de Leiden, Holanda)


Todos temos fascínio pelo arcaico, o mais antigo, o primevo. No meu caso, foi numa colecção de cromos, que tinha quando era criança, que vi uma figura da planta vascular terrestre mais antiga conhecida: a Rhynia gwynne-vaughanii (figura 1). É um fóssil descrito em 1917 por Kidston e Lang, de quartzitos devónicos de Aberdeenshire, na Escócia. Trata-se de uma planta com caules simples, ramificados dicotomicamente e com esporângios terminais. As raizes correspondem a uma especialização subterrânea dos ramos. Uma planta lacustre, lembrando um junco, ainda próxima dos talófitos aquáticos (isto é das 'algas', digamos assim). A opinião corrente é que o parente mais próximo vivo seria Psilotum nudum (L.) Beauvois, um pteridófito apresentando uma estrutura superficialmente análoga a Rhynia: caules simples, ramificados em dicotomias e com esporângios sub-terminais. É certamente uma planta vascular muito primitiva, um fóssil vivo, como se dizia antes. Contemplá-la é contemplar a mais simples e arcaica planta que se conhece (pode representar uma simplificação evolutiva ulterior, mas a opinião mais recente é que é mesmo muito primitiva e mesmo que não fosse isso não lhe tira a emoção do arcaico). Na Europa apenas existe na Serra de Algeciras (Cadiz, Espanha) [P. nudum var. mollesworthii]. Em rigor, a relação taxonómica não é directa, Rhynia é um Rhyniophyta e Psilotum, um Pteridophyta. Separam-nas, portanto, a categoria de Divisão do reino Plantae. São suficientemente diferentes para tal distinção.

Esta planta fui-a encontrando de vez em quando. Vi a primeira numa exposição permanente do Museu, Laboratório e Jardim Botânico de Lisboa, num pavilhão que reconstroi o ambiente vegetal do Secundário, de forma agradavelmente ingénua e com objectivos didácticos (bem haja a quem montou a exposição, certamente já há vários anos e lá pôs o Psilotum nudum!). Talvez ainda lá esteja, com os seus dinossaurios pintados na parede...

Depois, no campo, vi-a em Moçambique numas rochas riolíticas junto á conhecida cascata da Namacha, assim que pús os pés fora do carro (houve uma telenovela que tinha muitas cenas nesta cascata). O encontro mais curioso foi num vaso no campus da Universidade da Madeira e ninguém fazia a mínima ideia de como lá foi parar.

Depois fui-a vendo em jardins botânicos, não é assim tão difícil de encontrar. A figura 2 é uma foto tirada no Jardim Botânico de Leiden, há 15 dias.
Gosto tanto desta planta.