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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Jasminum Mesnyi Hance (Oleaceae) e Geitonoplesium cymosum (R. Br.) A. Cunn. ex R. Br. (Xanthorrhoeaceae)

Foto 1: Jasminum Mesnyi Hance (Oleaceae) com Viola odorata L. (Violaceae) e Phoenix canariensis Hort. ex Chabaud (Palmae = Arecaceae), subespontâneas ou escapadas de cultura no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, em 21.II.2016
 

  
Foto 2: Geitonoplesium cymosum (R. Br.) A. Cunn. ex R. Br. (Xanthorrhoeaceae), subespontânea ou escapada de cultura no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, em 21.II.2016



Reencontrámos recentemente algumas espécies interessantes subespontâneas ou escapadas de cultura no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (29TNE4950, alt. ca. 75 m acima do nível do mar), em fendas de muros calcáreos, entre as quais: Jasminum Mesnyi Hance (Oleaceae) e Geitonoplesium cymosum (R. Br.) A. Cunn. ex R. Br. (Xanthorrhoeaceae).
Outras plantas subespontâneas no mesmo local, que já haviam sido referidas noutros trabalhos anteriores são: Elodea canadensis Michaux (Hydrocharitaceae), Phoenix canariensis Hort. ex Chabaud (Palmae = Arecaceae), Coriaria nepalensis Wallich (Coriariaceae), Micromeria Juliana (L.) Reichenb. (Lamiaceae), Cymbalaria aequitriloba (Viv.) A. Chevall. e Cymbalaria muralis G. Gaertn., B. Mey. & Scherb. (Plantaginaceae), Verbascum levanticum I.K.Ferguson (Scrophulariaceae) e Viola odorata L. (Violaceae).

domingo, 16 de setembro de 2012

Haworthia coarctata Haw. (Xanthorrhoeaceae) e uma osguinha (Gekkonidae)

Trazemos hoje aqui uma xantorroeácea ornamental cultivada, que pensamos ser a Haworthia coarctata Haw. (Xanthorrhoeaceae), à qual está a trepar uma osguinha doméstica (da família Gekkonidae), talvez um exemplar jovem de Hemidactylus turcicus (Linnaeus, 1758)?
O género Haworthia Duval parece ser endémico da África do Sul e constituído por cerca de 70 espécies. 
(http://en.wikipedia.org/wiki/Haworthia)
Esta espécie em particular é fácil de cultivar e adapta-se bem ao clima português - pelo menos a uma altitude de 100 m acima do nível do mar, onde se dá bem em jardins ou em varandas - e cresce lentamente, podendo viver durante dezenas de anos!

sábado, 26 de maio de 2012

Carex lusitanica (Cyperaceae)

Ciclicamente escrevo sobre lameiros. Se buscarem a palavra lameiro no "pesquisar neste blogue" foram 13 os posts, nestes três anos e pico de "Das plantas e das pessoas". Vivo em Trás-os-Montes, sou agrónomo e gosto de plantas - era inevitável.
Num dos posts (aqui) referi os riscos de uma gestão relaxada dos lameiros. O dono descuida-se, não fena, não arranca as ervas-daninhas à enxada, não limpa muros e agueiras, e rapidamente se espandem plantas indígenas pouco produtivas, de baixa palatibilidade. Tenta-se o fogo, o herbicida, mas a certa altura a boa flora pratense só é recuperável com uma mobilização seguida de ressementeira.
Hoje trago uma das infestantes mais perniciosas dos lameiros mal-tratados, o Carex lusitanica (Cyperaceae):


O C. lusitanica, com o passar dos anos, desenvolve uma toiça densa, em altura, com uma grande quantidade de folhas secas na base:

O fogo é uma forma de conter o alastramento da espécie a partir das linhas de água. Para que os cárices lusitanos ardam  o prado tem que estar bem seco, e a humidade relativa baixa.
Nestas condições o risco de ignição de matos e matas vizinhos aos lameiros, a partir das queimadas é grande.


Depois do fogo as plantas tomam este extraordinário aspecto:




Os cadáveres das toiças de C. lusitanica fazem lembrar, por exemplo, as  Xanthorrhoeaceae australianas (foto de Xanthorrhoeaceae, Jardim Botânico da Universidade do Porto) .


De fora considerações filogenética, o C. lusitanica tem logo uma irremediável diferença em relação aos seus análogos tropicais: suporta bem o frio; fazia um frio de rachar quando foram gravadas as fotos  da espécie aqui apresentadas.

domingo, 26 de setembro de 2010

Epilobium angustifolium e E. hirsutum (Onagraceae)

Nos passados 21 a 24 de Setembro decorreu em Bragança uma Conferência Internacional de Ecologia da Paisagem-IUFRO, subordinada ao tema "Forest Landscapes and Global Change" (vd.aqui e aqui).
A palestra de abertura foi entregue à Drª Monica Turner, uma conhecida ecóloga norte-americana que há décadas estuda o efeito do fogo e das explosões de escolitídeos na estrutura e função dos ecossistemas de Yellowstone (ver aqui). A palestra versou, essencialmente, o impacto dos fogos que devassaram o mais antigo Parque Nacional do planeta em 1988, e os brutais ataques de escolitídeos que se lhe seguiram  Os resultados obtidos pela equipa da Drª Turner são claros: nem os fogos de copa massivos, nem os "outbreaks" de escolitídeos são desastres ecológicos em Yellowstone; estes dois tipos de perturbação são parte integrante da história, e do funcionamento dos ecossistemas e das paisagens deste imenso território. Tudo voltará a ser como dantes, desde que o clima e os padrões de perturbação se mantenham estáveis.
A passagem da conferência que mais me impressionou foi o relato da descoberta do facto de os ecossistemas de Yellowstone conservarem eficazmente o azoto (N) após fogo. Não fazia ideia. Nas fotos que ilustraram a palestra identificavam-se muito bem, por entre os guiços ardidos de gimnospérmicas arbóreas, mares de flores rosadas de uma famosa, e formosa, planta: o Epilobium angustifolium. Trata-se de uma planta nitrófila de distribuição holártica, raríssima em Portugal (apenas está citada para Serras do Gerês e Montesinho). De acordo com a Drª Turner, esta e outras plantas subnitrófilas de orla e clareira de bosque são os agentes da conservação do N após fogo. Entretanto, a regeneração das árvores - em Yellowstone de Pinus contorta, P. albicaulis, Picia engelmannii e Abies lasiocarpa -  reduz rapidamente o habitat destas plantas preferencialmente heliófilas (de ambientes ensolarados), e os nutrientes inicialmente por elas retidos acabam por ser capturados pelas árvores. Então, a presença de plantas subnitrófilas facilita a regeneração das árvores porque o N geralmente é o nutriente mais escasso, e que mais controla a produtividade dos ecossistemas naturais. Que mecanismo maravilhoso! No nosso rectângulo, desempenham uma função semelhante, entre muitas outras plantas, várias espécies dos géneros Asphodelus (Xanthorrhoeaceae), Urtica (Urticaceae) «urtigas», Senecio (Asteraceae) e Cirsium (Asteraceae).

Como não encontro as minhas fotos de E. angustifolium, aqui vai um primo, o Epilobium hirsutum, comum de Norte a Sul nos depósitos vasosos que marginam as nossas linhas de água.

A conservação do N nas paisagens de matriz florestal não resultou de um desenho cuidado de mosaicos de ecossistemas pela mão da evolução, ou de um ente superior. A selecção natural, não esqueçamos, só actua à escala do gene, do indivíduo ou, quando muito, de pequenos grupos de indivíduos [não mais de 25, dizem-nos Levin & Kilmer (1974)]. A cíclica, e brusca, disponibilização de N por eventos de perturbação nas florestas criou oportunidades de especiação que por sua vez redundaram em benefício das essências florestais. Faz todo o sentido, mas não estava a priori previsto, creio.