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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Celebrando o Outono (várias famílias)


















Ao contrário dos excelentes posts anteriores neste blog, acerca de Pináceas, este não é um post particularmente científico - antes pretende ser uma singela comemoração do Outono, essa estação que se pode considerar constituir uma segunda Primavera, depois dos calores tórridos do Estio.
Assim, apresentamos aqui algumas fotos de diversas angiospérmicas obtidas hoje (ou muito recentemente):
Celtis australis L. (Cannabaceae) (pronuncia-se "Kéltiss");
Olea europaea L. (Oleaceae), a oliveira;
Viburnum tinus L. (Adoxaceae);
Erica ciliaris L. (Ericaceae);
Pittosporum sp. (Pittosporaceae) e
Zanthoxyllum armatum DC. (Rutaceae), um arbusto ornamental espinhoso ("armado") relativamente pouco conhecido.

Para acompanhar, sugerimos "Gloria in excelsis Deo", do grande compositor veneziano António Vivaldi (Antonio Vivaldi - Wikipedia, the free encyclopedia), que se pode encontrar por ex. aqui: YouTube - Vivaldi: Gloria In D, RV 589 - Gloria In Excelsis Deo

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Viburnum treleasei (Adoxaceae)

Viburnum treleasei «folhado-dos-açores» (Adoxaceae). N.b. frutos carnudos, de dispersão ornitocórica (= dispersos por aves), como acontece com a maioria dos arbustos indígenas dos Açores [Terceira, Açores; foto C. Aguiar]

Os meus dois post anteriores versaram dois Viburnum - V. opulus e V. lantana - muito raros em Portugal, porém com uma enorme área de distribuição euroasiática e norte-africana. Estas duas espécies são finícolas no nosso país, isto é as nossas populações situam-se no limite da área de distribuição destas espécies.
Temos ainda mais dois Viburnum na nossa flora. O V. tinus, o vulgar «folhado», tem uma distribuição mediterrânica, estando presente em Portugal desde Trás-os-Montes ao Algarve, em áreas de clima mediterrânico não muito frio e com alguma oceanidade. O V. tinus é um dos arbustos mais cultivados nos jardins nacionais. O V. treleasei (= V. tinus subsp. subcordatum) é um endemismo açoreano, citado para todas as ilhas do arquipélago excepto a Graciosa, morfologicamente muito próximo do V. tinus.
O V. tinus é putativamente a espécie-irmã - i.e. admite-se que estas duas espécies partilham um ancestral comum, sem descendentes adicionais - ou a espécie ancestral do V. treleasei. A história evolutiva do V. treleasei pode, no entanto, encerrar muitas surpresas porque as relações evolutivas entre o V. treleasei e o endemismo canarino V. rigidum não foram ainda elucidadas, creio.

domingo, 4 de outubro de 2009

Viburnum opulus (Adoxaceae)

Outro Viburnum, à semelhança do V. lantana (ver aqui), em Portugal apenas conhecido das terras altas do NE de Trás-os-Montes.



Viburnum opulus «caneleiro» (Adoxaceae). N.b., as flores de maior dimensão que marginam a inflorescência são estéreis, e têm por função atrair os insectos polinizadores. Na perspectiva (à escala) do insecto polinizador, a inflorescência do V. opulus provavelmente assemelhar-se-à, ao longe, a uma flor, desempenhando as flores estéreis uma função análoga à das pétalas de uma flor [fotos C. Aguiar]

O V. opulus pode ser observado, com alguma facilidade, por exemplo, em clareiras, ou na orla, dos bosques ripícolas que marginam o Rio Tuela (concelho de Vinhais) e a Ribeira de Alimonde (concelho de Bragança). Esta espécie floresce muito cedo, no início de Abril, quando a copa de muitas das árvores da região ainda repousa sem folhas. Talvez por esta razão tenha escapado ao olhar atento dos botânicos que percorrem o NE de Portugal no último século.
Muitos dos leitores deste blogue certamente conhecerão este arbusto alto porque é muito cultivado nos jardins portugueses. Foram detectados indivíduos assilvestrado de V. opulus em algumas ribeiras do Centro Oeste (e.g. Serra de Sintra).

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Viburnum lantana (Adoxaceae), um arbusto novo para a flora indígena de Portugal

Há 2 meses atrás recebi um e-mail de um estudante de medicina, nado e criado no concelho de Vinhais (distrito de Bragança), com um enorme gosto pela botânica e pelo património natural da sua região. Com três fotos, meia dúzia de linhas bem informadas e dois excelentes exemplares de herbário, o Victor Alves provava que tinha encontrado uma nova planta com flor, autóctone de Portugal - o Viburnum lantana. Uma nota florística a anunciar esta descoberta será, até ao final do ano, publicada numa revista da especialidade.



Habitat de Viburnum lantana em Portugal: margens de linhas de água permanentes, na vizinhança de bosques edafoxerófilos de Quercus rotundifolia «azinheira» [fotos amavelmente cedidas por Victor Alves]

Viburnum lantana (Adoxaceae) [fotos amavelmente cedidas por Victor Alves]

O Viburnum lantana vem engrossar uma já vasta lista de espécies cujo limite sul de distribuição no NW peninsular, ocorre no Parque Natural de Montesinho (PNM) ou na Serra de Nogueira. A peculiaridade florística do PNM e da Serra de Nogueira levou o Prof. João do Amaral Franco a criar uma unidade biogeográfica autónoma, apelidada de "Nordeste Leonês", na sua zonagem fitogeográfica de Portugal (vd. J. do A. Franco, Nova Flora de Portugal, vol II, 1984).
Para além da importância da descoberta em si, este belíssimo arbusto é uma testemunha do papel fundamental que os amadores de botânica podem, e devem, desempenhar na exploração da flora de Portugal.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os sabugueiros (Adoxaceae)

O sabugueiro (Sambucus nigra) é um arbusto alto de ramos flexíveis e folhas compostas, frequente no interior de Portugal continental em quintais abandonados, caminhos sombrios, orlas de bosques ripícolas e sebes.

Sambucus nigra nas margens do rio Fervença (Bragança)

É tão agradável nestes dias quentes de final de Primavera sentir, pelo fresco da manhã, o odor a erva-doce libertado pelas flores deste arbusto!

Flores e folhas de Sambucus nigra. N.b. flores brancas, pequenas, organizadas em grandes inflorescências +/- planas; folhas compostas com um número ímpar de folíolos (folhas penaticompostas imparifolioladas)

Está na moda consumir frutos maduros - bagas de cor negra - de sabugueiro, parece que são ricos em anti-oxidantes. A exportação de baga de sabugueiro para a Alemanha é uma importante actividade económica em muitos dos concelhos do Douro Sul; e.g. Armamar, Tarouca, Moimenta da Beira, Lamego e Tabuaço.

Em Portugal continental ocorre uma segunda espécie do género Sambucus: o S. ebulus. Trata-se de uma erva-alta, pontual em Trás-os-Montes e no Alto-Alentejo em margens de caminhos, muros e nas orlas de prados ou de bosques húmidos com solos fundos, húmidos, ricos em azoto mineral e em argila.

Sambucus ebulus

O S. lanceolata é um endemismo madeirense morfologicamente semelhante ao S. nigra (distingue-se por ter folhas glabras e frutos amarelados). Com algum esforço pode ser observado nas linhas de água que sulcam a laurissilva do til (Ocotea foetens, Lauraceae) (laurissilva das nuvens).

Sambucus lanceolata 

As Floras clássicas colocam os Sambucus nas Caprifoliaceae, à semelhança dos géneros Lonicera (madressilvas), Viburnum e Leycesteria. Os autores do Sistema APG II transferiram recentemente o género Sambucus, assim como o género Viburnum, para a família Adoxaceae (vd. aqui).
[fotos C. Aguiar]