quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pteridium aquilinum (Dennstaedtiaceae)






















Vamos hoje mostrar aqui uma das plantas mais comuns do Mundo: o belo feto Pteridium aquilinum (Linnaeus) Kuhn in Decken, Reisen Ost-Afrika. 3(3): 11. 1879 = Pteris aquilina Linnaeus, Sp. Pl. 2: 1075. 1753 (basiónimo)
Pteridium aquilinum in Flora of North America @ efloras.org,
também conhecido por "Adlerfarne" "Bracken", "fougère-aigle commune" ou "feto comum", entre muitas outras designações.
Numa das fotos, este feto tão comum aparece com dois exemplares da belíssima borboleta Zygaena trifolii Esper, 1783, da família Zygaenidae (Ordem Lepidoptera) Zygaena trifolii - Wikipedia, the free encyclopedia;
noutra das fotos surge acompanhado por uma Luzula (possivelmente a Luzula sylvatica (Huds.) Gaudin, Agrost. Helv. 2: 240 (1811) = Juncus sylvaticus Huds. Fl. Angl. (Hudson) 132. 1762 (basiónimo), monocotiledónea que pertence à família das Juncáceas e que se pode encontrar aqui: IPNI Plant Name Query Results e aqui: http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/17_172_02_Luzula.pdf);
na outra foto, surge sob a cobertura de um pinhal de Pinus pinaster Aiton, Hort. Kew. 3: 367. 1789, árvore bem conhecida que se pode encontrar por exemplo aqui: Pinus pinaster in Flora of China @ efloras.org e aqui: Maritime Pine - Wikipedia, the free encyclopedia.
Este feto extraordinário, que se encontra sobretudo no Hemisfério Norte, forma clones que podem viver 1400 anos e produz toxinas que podem afectar as plantas vizinhas (Mabberley's Plant-Book, 2008: 714).
Sobrevive bem aos incêndios que tantas vezes destroem as outras espécies e desenvolve-se particularmente bem em locais frescos e chuvosos como as montanhas e os bosques.

4 comentários:

  1. Este ano as montanhas do N Portugal foram massacradas pelo fogo. Tens razão, ZG, vê-se muito bem que o P. aquilinum é, frequentemente, a primeira planta a regenerar após as primeiras chuvas outonais.

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  2. Bom realmente é uma das plantas mais comuns do Mundo, é praticamente cosmopolita, não ocorre no Antárctico, mas de bela discordo profundamente e acho que será mais o monstro.
    Do ponto de vista estritamente ecológico é uma invasora terrível em muitas partes do mundo, sendo um problema para a agricultura e a conservação.
    É considerada como uma das maiores pragas do reino vegetal e listada entre as cinco espécies vegetais de maior ocorrência na Terra (TAYLOR, J. A. The Bracken problem: a global perpective.
    In: TAYLOR, J. A.; SMITH, R. T. (Eds). Bracken control and management. Sydney: Australian Institute of Agricultural Science, 1989. p.3-19.) e registada desde o período mesozóico.
    Os seus rizomas, que podem andar a mais de um metro de profundidade, em nada são afectados pelos incêndios, daí a sua capacidade de colonizar espaços percorridos pelo fogo. Além disso é uma planta praticamente sem qualquer inimigo ou concorrente produzindo mesmo diversas substâncias tóxicas (metabólitos secundários) com propriedades alelopáticas.

    É também uma das poucas plantas superiores, senão a única, que induz de uma forma natural cancro em diversos animais. Apesar de ter sido demonstrado o seu potencial carcinogénico pela primeira vez em 1965 ainda agora é negligenciado.
    A planta possui diferentes princípios tóxicos com acção carcinogénica, e até os esporos o são. A sua influência na incidência do cancro de estômago e bexiga, pelo menos nalgumas populações, não deveria ser negligenciada penso eu. Uma das utilizações tradicionais é para a cama do gado e para chamuscar os porcos na matança por exemplo. Ainda que não esta completamente esclarecida a possibilidade de algumas dessas substâncias passarem para a água e induzirem cancro a verdade é que algumas são solúveis em água e passam até para o leite (Alonso-Amelot ME, Castillo U, Smith BL and Lauren DR (1996) Bracken ptaquiloside in milk.Nature 382: 587).
    Vejam a tabela 2 deste artigo este artigo, por exemplo http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1756650/pdf/v052p00812.pdf

    Como curiosidade nada simpática Constantine Samuel Rafinesque-Schmaltz, que foi um notável e genial naturalista e arqueólogo, morreu de cancro de estômago provocado por infusões ou remédios por ele próprio feitos e contaminado provavelmente com este feto.

    A primeira foto parece-me de Athyrium filix-femina (L.) Roth, ou um Dryopteris mas não Pteridium.

    Para a revisão do género este por exemplo:
    http://www.rbgsyd.nsw.gov.au/__data/assets/pdf_file/0004/72760/Tel10Tho793.pdf

    Henrique N. Alves

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Muito obrigado a ambos pelos dois excelentes comentários!!

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