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sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Ailanthus altissima (Mill.) Swingle (Simaroubaceae, Sapindales, Rosanae, Magnoliopsida)
Ailanthus altissima (Mill.) Swingle in J. Wash. Acad. Sci. 6: 495. 1916 ≡ Toxicodendron altissima Mill., Gard. Dict., ed. 8: Toxicodendron No. 10. 1768 (Simaroubaceae, Sapindales, Rosanae, Magnoliopsida) - in Coimbra (BL), supra ecclesiam, alt. c. 35 m s. m., 7.XI.2025
domingo, 24 de outubro de 2010
Sobre as comunidades de plantas anuais
No mediterrâneo a maior parte das plantas anuais - não todas, atenção - germina com as primeiras chuvas outonais (vd. post anterior aqui). A flora continental portuguesa, como aliás toda a flora mediterrânica, é rica em plantas anuais. Por mais redundante que seja a ecologia destas plantas - a redundância é um daqueles temas clássicos e difíceis da ecologia das comunidades - é expectável que se organizem num leque variado de comunidades vegetais.
Pois bem, aqui estão três fotos com quinze dias, de outras tantas comunidades vegetais, que espécies em comum têm zero.
Pois bem, aqui estão três fotos com quinze dias, de outras tantas comunidades vegetais, que espécies em comum têm zero.
Comunidade escionitrófila [de sombra e nitrófila] anual. Os fitossociólogos colocam este tipo de vegetação na classe Cardamino hirsutae-Geranietea purpurei. Foto proveniente de uma orla de azinhal; as plantas com cotilédones grandes são Geranium «gerânios» (Geraniaceae)
Comunidade patense anual fotografada numa clareira de esteval. Classe Helianthemetea guttatae. Dos três exemplo aqui reunidos é o mais diverso em espécies [alfa diversidade].
Comunidade infestante anual pertencente à classe Stellarietea mediae (e à ordem Aperetalia spicae-venti)
terça-feira, 6 de abril de 2010
Calendula vulgaris (Asteraceae)
As listas de plantas características das classes de vegetação nitrófilas e seminitrófilas ibérica (vd. aqui) mostram-nos que uma parte muito significativa da nossa flora - as contas estão ainda por fazer - habita margens de caminhos, pousios, muros e taludes.
A identificação da flora nitrófila e seminitrófila não é fácil, bem pelo contrário. Alguns dos géneros mais representativos deste enorme grupo ecológico são muito diversos, e as suas espécies morfologicamente semelhantes. O bom florista não pode evitar a flora infestante e ruderal: tem que investir muitas e boas horas de intensivo treino, por exemplo, com dicotiledóneas ruderais dos géneros Carduus, Erodium, Fumaria, Sonchus, Spergularia, Silene, Trifolium, ou Vicia, ou com gramíneas dos géneros Avena, Bromus ou Hordeum.
A mestria florística de um botânico não se testa com plantas raras de morfologia exuberante, ou de ecologia e área de distribuição concreta e reduzida! Felizmente, a identificação das plantas ruderais e infestantes, não é menos exaltante do que a identificação de uma orquídea: os coleccionistas, de cromos a selos, entendem, certamente, como é gratificante a descoberta de uma planta nunca vista, por mais comum que ela seja. Depois, muitas destas plantas detêm pormenores entusiasmantes de biologia ou ecologia que vale a pena explorar.
Para decorar esta pequena reflexão trago hoje a mais do que comum Calendula vulgaris (Asteraceae) «erva-vaqueira»:
Uma curiosidade.
Os frutos, i.e. as cipselas, da maioria das asteráceas portuguesas, têm um papilho de pêlos, e dispersam-se pelo vento:
Os frutos da erva-vaqueira não têm papilho, mas sim pequenos tubérculos e espinhos, que facilitam a sua dispersão suspensos no ventre de um animal, na asa de uma ave, ou nos interstícios de umas botas de montanha (dispersão zoocórica):
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domingo, 28 de março de 2010
A flora de Outono-Inverno das hortas transmontanas
Em função das datas de floração, de Março a Setembro sucedem-se três grupos de plantas nas hortas transmontanas: infestantes de Outono-Inverno, infestantes de Primavera-Verão e infestantes de estivais (de Verão). Os dois primeiros grupos são do conhecimento de qualquer agricultor que preze a sua horta. O terceiro grupo é menos evidente, e mais pobre em espécies.
Estamos no início da Primavera, vejamos mais de perto algumas das plantas de Outono-Inverno que infestam, neste momento, as nossas hortas:
Estamos no início da Primavera, vejamos mais de perto algumas das plantas de Outono-Inverno que infestam, neste momento, as nossas hortas:
Uma horta transmontana semeada com nabos (Brassica napus), já parcialmente arrancados. Na segunda foto observam-se Lamium amplexicaule (Lamiaceae), Poa annua (Poaceae), Veronica persica (Plantaginaceae) e Stellaria media (Caryophyllaceae) (vd. posts mais antigos aqui, aqui e aqui)
Stellaria media (Caryophyllaceae)
Lamium amplexicaule (Lamiaceae)
Estas plantas são todas anuais; germinam com as primeiras chuvas outonais, desenvolvem o seu corpo vegetativo no Outono-Inverno, e florescem e frutificam no final do Inverno-início da Primavera. Como exigem solos férteis são francamente menos abundantes nas terras de cereal; aí a flora é outra.
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domingo, 21 de março de 2010
Chamaemelum fuscatum (Asteraceae)
Chega o mês de Março e os olivais da Terra-Quente transmontana vestem-se de branco:
Olival invadido por Chamaemelum fuscatum (Asteraceae)
O responsável por esta repentina explosão de Primavera é o Chamaemelum fuscatum (Brot.) Vasc., um singelo malmequer anual, descrito sob o nome Anthemis fuscata pelo grande botânico Félix de Avelar Brotero [1744-1828], e recombinado no género Chamaemelum por outro não menos notável botânico lusitano, o Prof. João de Carvalho e Vasconcellos [1897-1972].
Chamaemelum fuscatum (Asteraceae)
O Ch. fuscatum pode ser confundido com o vulgar Anthemis arvensis. Para os distinguir há que romper o capítulo (inflorescência característica das asteráceas) e observar as brácteas interflorais. Conforme podem constatar na figura que se segue, as brácteas interflorais no Ch. fuscatum têm a extremidade distal (ápice) fusca (escura); no A. arvensis são hialinas (quase transparentes).
Flores tubulosas de Ch. fuscatum, axiladas por brácteas interflorais enegrecidas no ápice. As flores liguladas, de cor branca, foram retiradas para facilitar a fotografia
[fotos CA]
quinta-feira, 11 de março de 2010
Kickxia spuria subsp. integrifolia (Plantaginaceae)



Mais uma belíssima antirrínea da flora de Portugal:
Kickxia spuria (L.) Dumort. subsp. integrifolia (Brot.) R. Fern.
Esta planta, frequentemente ruderal, a que também já se tem chamado "linária lanígera", "linária bastarda" e ainda "falsa verónica da Alemanha", pertence tradicionalmente à família das escrofulariáceas mas foi recentemente transferida para as plantagináceas (assim como as restantes antirríneas, evidentemente).
Segundo o Mabberley's Plant-Book (2008), o género Kickxia Dumort. inclui 9 espécies de distribuição temperada (excluindo-se as espécies do género Nanorrhinum Betsche).
De acordo com os mestres fitossociólogos, esta kíckxia pode encontrar-se em comunidades de plantas ruderais e arvenses neutro-basófilas da ordem Centaureetalia cyani, pertencente à vasta classe STELLARIETEA MEDIAE, de vegetação anual e nitrófila, arvense e ruderal.
A sua floração pode prolongar-se de Março até Novembro, embora seja predominantemente estival.
Muita informação sobre esta planta notável pode encontrar-se aqui:
http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/13_144_09_Kickxia.pdf
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