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domingo, 19 de julho de 2026

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Ficus Carica L. (Moraceae, Rosales, Rosanae, Magnoliopsida)

Ficus Carica L. (Moraceae, Rosales, Rosanae, Magnoliopsida) - Vila Franca das Naves (BA, conc. Trancoso), 31.VIII.2023.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Ficus Carica Linnaeus (Moraceae, Rosales)

Ficus Carica Linnaeus (Moraceae, Rosales) in Coimbra (BL), alt. c. 20 m, 14.VIII.2024.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Polinização em Ficus carica (Moraceae)

As plantas do género Ficus (Moraceae) servem-se de um sistema particularmente engenhoso e complexo de polinização que envolve uma simbiose com pequenas vespas sem ferrão da família Agaonidae. Em Portugal existe uma única espécie de Ficus, a F. carica, a vulgar figueira.
As plantas selvagens de F. carica do Mediterrânico Oriental, conhecidas por «caprifigos», são monóicas (têm flores ♂ e ♀) e polinizadas por uma única espécie de vespa, a Blastophaga psenes. Grande parte dp interior do sícono (figo imaturo) destas plantas está revestido por flores de estilete curto; as flores concentram-se na vizinhança do ostíolo, um pequeno poro situado na extremidade distal do figo imaturo.
Os machos da B. psenes são ápteros e nunca abandonam o sícono. Emergem dos pistilos das flores dos «caprifigos» no início da Primavera (Abril), fecundam as fêmeas ainda imaturas retidas no interior das flores e morrem pouco depois sem ver a luz do dia. As vespas ♀, já fecundadas, ao abandonarem o figo são “carregadas” de pólen pelas flores . Uma vez no exterior, embora só consigam parasitar flores de estiletes curtos, tanto podem visitar, e polinizar, «caprifigos» como «figueiras-doméstica». As «figueiras-selvagens» produzem figos em três épocas do ano, consequentemente, a B. pesenes tem três gerações anuais. As fêmeas de B. pesenes de uma dada época de figos polinizam e põem ovos nos figos da época seguinte.
A domesticação da F. carica logo no início do Holocénico (um destes dias escreverei sobre o assunto), resultou em dois grupos de plantas seguindo dois modelos distintos de biologia da reprodução. As plantas selvagens de F. carica, como referi, produzem flores ♀ e ♂ e reproduzem-se sexuadamente. As inflorescências das «figueiras-domésticas» (os síconos), pelo contrário, são unissexuais e, hoje em dia, maioritariamente partenocárpicas (os frutos formam-se a partir de flores não polinizadas). As variedades não partenocárpicas, os «figos-de-esmirna», são pouco cultivados, entre outra razões porque precisam de caprifigos da vizinhança para fornecerem pólen e polinizadores.
As flores ♀ das «figueiras-domésticas» têm estiletes longo. Por conseguinte, potencialmente, todas elas poderão evoluir para fruto porque o ovipositor da B. psenes é demasiado curto para atingir o ovário de flores de estiletes longos a partir do estigma. Os síconos dos «caprifigos» não são edíveis porque a maioria das flores é parasitadas pela B. psenes; i.e. “produzem” mais vespas do que frutos.

Inflorescência (sícono) de «figueira-doméstica». N.b.: todas as flores são ♀ e de estilete longo; a abertura do figo ao exterior (ostíolo) no lado direito da foto; o figo é uma infrutescência constituídas por numerosos frutos (cada flor dá origem a um pequeno fruto) e um tecido carnudo esbranquiçado de origem caulinar [foto C. Aguiar]


Como referi, as variedades comerciais de «figueira-doméstica», regra geral, possuem apenas flores partenocárpicas não necessitando, por isso, de ser polinizadas. O mesmo acontece com as «figueiras-domésticas» assilvestradas que encontramos um pouco por todo o país. Esta é uma importante prova de que a F. carica não é indígena de Portugal.