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terça-feira, 8 de julho de 2025
terça-feira, 13 de abril de 2010
Celtis australis (Cannabaceae)
Flores hermafroditas (à esquerda) e masculinas (à direita) de Celtis australis, que aparecem simultaneamente com as folhas (Portugal, Lamego, foz do rio Varosa).
Destacam-se os grandes estigmas sésseis e os estames epitépalos (dispostos sobre as tépalas da flor). [foto TiagoMH]
A Celtis australis L. (Cannabaceae) está agora em plena floração. Esta árvore caduca identifica-se facilmente pelo seu ritidoma (casca) liso, acinzentado e quase sem fissuras, pelas folhas longamente acuminadas (terminando em ponta estreita e comprida) e trinérveas na base. A espécie foi tradicionalmente colocada na família das Ulmaceae (muito próxima filogeneticamente, que se caracteriza pelas sementes muito achatadas) e mesmo numa família distinta, as Celtidaceae. No Angiosperm Phylogeny Website encontram-se justificações (e referências bibliográficas) para a inclusão do género Celtis na família das Cannabaceae (agrupando os géneros Celtis, Humulus, Cannabis, entre outros). Ao que parece, estes géneros partilham caracteres que não estão presentes nos antepassados comuns com as Ulmaceae (apomorfias), tais como: flores incompletas, pêlos unicelulares normalmente micropapilosos, nervação palmada, etc. (mas note-se que as flores incompletas existem também em algumas Ulmaceae e que a Celtis australis, por exemplo, possui flores completas; atente-se igualmente para o facto de a nervação da C. australis não ser verdadeiramente palmada). A proposta filogenética actual torna difícil descrever a morfologia comum aos géneros da família das Cannabaceae. Talvez estudos futuros possam trazer mais luz sobre o assunto.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Ulmeiros e freixos
Os ulmeiros e freixos têm gomos florais e gomos foliares. No mês de Março, talvez mais cedo nas áreas mais quentes e litorais, os gomos florais, concentrados na base dos ramos do ano anterior, emitem grupos de flores polinizadas pelo vento. Cerca de quinze dias mais tarde são activados os gomos foliares, localizados na extremidade dos ramos formados no ano anterior. No interior de cada gomo folhear está abrigado um pequeno grupo de células com capacidade de produzir um novo caule com folhas, i.e. um ramo. Quando “deitam a folha” os ulmeiros têm os frutos quase maduros; nos freixos o ovário ainda não começou a inchar. Todos os freixos florescem abundantemente. Os ulmeiros, não.
Em Trás-os-Montes a maioria dos pequenos ulmeiros que ainda não foram aniquilados pela grafiose (uma doença fúngica mortal) não produzem sementes. Pontualmente, encontram-se grupos de indivíduos que se “desfazem” em semente. Este padrão adere à hipótese do ulmeiro ser um arqueófito, i.e. uma planta introduzida antes dos descobrimentos (por convenção antes de 1500 d.C.), provavelmente na proto-história (I milénio a.C.). O ulmeiro é propagado com estacas herbáceas no Verão ou por poulas (= chupões) radiculares no Outono-Inverno. Depois de instalado, com facilidade se dissemina por via vegetativa em torno das plantas-mãe. A dominância dos clones estéreis só se pode explicar pela acção do homem. Convém referir que num passado ainda recente as folhas dos ulmeiros eram fundamentais na alimentação dos animais domésticos, sobretudo dos porcos, no pino do estio.
Temos uma segunda espécie Ulmus em Portugal. O Ulmus glabra foi recentemente descoberto no norte do país. Esta espécie é certamente indígena (vd. P. Bingre et al., Guia de campo. As árvores e os arbustos de Portugal Continental, 2007). De norte a sul de Portugal encontramos uma única espécie de freixo, o F. angustifolia, embora nas plantações que por aí se fazem se vejam indivíduos de F. excelsior.
Temos uma segunda espécie Ulmus em Portugal. O Ulmus glabra foi recentemente descoberto no norte do país. Esta espécie é certamente indígena (vd. P. Bingre et al., Guia de campo. As árvores e os arbustos de Portugal Continental, 2007). De norte a sul de Portugal encontramos uma única espécie de freixo, o F. angustifolia, embora nas plantações que por aí se fazem se vejam indivíduos de F. excelsior.
Ulmus glabra (Ulmaceae) [foto C. Aguiar]
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A flor das angiospérmicas I
O ensino da flor no ensino básico e secundário, geralmente, resume-se a uma breve apresentação da flor dita completa, tendo como modelo a flor das Brassicáceas (e.g. couve) ou das Rosáceas (e.g. macieira ou do pessegueiro). A flor completa, trauteiam os alunos, tem cálice (conjunto das sépalas), corola (conjunto das pétalas), androceu (conjunto dos estames) e gineceu (conjunto dos carpelos).

Flor do nabo (Brassica napus, Brassicaceae) [foto C.Aguiar]
Na realidade a flor é um órgão vastamente mais diverso.
A.X. Pereira Coutinho nos seus muitos manuais de ensino da botânica – vd. o formidável Atlas de Botânica: para uso dos lyceus (I, II, III e IV classes) de 1898 – emprega, muita vezes, a flor do ulmeiro (Ulmus minor) e do freixo (Fraxinus angustifolia), como exemplos da flor incompleta. As flores do freixo são nuas (não têm perianto, i.e. nem pétalas, nem sépalas). A flor do ulmeiro apresenta um perianto simples, apenas com um tipo de peças periantais, arranjadas num único nó.
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