quinta-feira, 13 de maio de 2010

Avena sativa (Poaceae): morfologia da folha

Os estudantes portugueses de ciências agrárias aprendem a distinguir os cereais antes do espigamento com base nesta figura:

A) Triticum aestivum «trigo-mole», aurículas pilosas que abraçam o caule; B) Avena sativa «aveia-comum», sem aurículas; C) Hordeum vulgare «cevada», aurículas glabras (sem pêlos) que abraçam o caule; D) Secale cereale «centeio», aurículas curtas que não chegam a abraçar o caule . N.b. as aurículas são pequenas expansões lineares, situadas no encontro entre o limbo e a bainha; supõe-se que tenham por função dificultar a abertura da bainha, por exemplo pela acção do vento, e desse modo impedir a entrada de água e parasitas para o espaço entre a bainha e o caule. Imagem extraída das "Noções sobre a Morfologia Externa das Plantas Superiores", do Prof. João de Carvalho e Vasconcellos (1969)

... e sabem que as aveias não têm aurículas:

Avena sativa «aveia-comum» (Poaceae)

No entanto, poucos saberão que as folhas das aveias, quando observadas de topo, enrolam no sentido oposto aos ponteiros do relógio ...

Avena sativa «aveia-comum»
(Poaceae)

... enquanto as folhas dos restantes cereais enrolam no sentido inverso:

Secale cereale «centeio» (Poaceae)

Uma curiosidade ... curiosa.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Odontitella virgata (Orobanchaceae)















Continuando com a tribo Rhinantheae da família Orobanchaceae, aqui ficam duas imagens da belíssima planta hemiparasita Odontitella virgata (Link) Rothm. = Euphrasia tenuifolia Link (basiónimo), também conhecida como Odontites tenuifolius (Pers.) G. Don = Euphrasia tenuifolia Pers., como se pode ver aqui:
http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/13_144_26_Odontitella.pdf.
Trata-se de uma prima relativamente próxima da Euphrasia hirtella Jord. ex Reut., que aqui apareceu anteriormente, e também é possível encontrá-la no concelho de Bragança, assim como em muitos outros locais (por ex. nas Beiras, na Região Duriense e ainda em pinhais junto ao litoral, como é o caso de uma das fotos aqui apresentadas).
É um endemismo ibérico que ocorre em todas ou em quase todas as províncias portuguesas.

sábado, 8 de maio de 2010

Euphrasia hirtella (Orobanchaceae)














Continuando com as plantas da tribo Rhinantheae, actualmente pertencentes à família Orobanchaceae, apresentamos hoje uma imagem da belíssima e discreta Euphrasia hirtella Jord. ex Reut.
Esta erva anual hemiparasítica é muito rara em Portugal e a possibilidade de a termos encontrado deveu-se às preciosas indicações do amigo CA. Fotografámo-la há alguns anos no concelho de Bragança, num lameiro de montanha.
As suas preferências habitacionais vão para a vegetação das classes de lameiros e cervunais MOLINIO-ARRHENATHERETEA e NARDETEA STRICTAE.
Consta que existe ainda outra espécie de Euphrasia L. em Lu: E. minima Jacq. ex DC. (Syn.: E. Mendonçae Samp.), como se pode verificar consultando a Flora iberica XIII (Vitek, 2009), já disponível na Net (ver aqui), mas a Euphrasia minima deve ser ainda mais difícil de encontrar em Portugal que a sua congénere E. hirtella.
A palavra grega "euphrasía" significa alegria, regozijo, que os botânicos habitualmente sentem ao encontrar tão formosas plantas (cf. Flora iberica XIII: 454).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Melampyrum pratense subsp. pratense (Orobanchaceae)



















Voltando às antigas Escrofulariáceas, fica aqui o Melampyrum pratense L., Sp. Pl. 2: 605. 1753 [1 May 1753], como se pode ver aqui:
Biodiversity Heritage Library: Caroli Linnaei ... Species plantarum,
hoje incluído na família das Orobancáceas, por razões de ordem filogenética.
Esta bela planta, ao que consta hemiparasítica, é pouco comum em Lu, podendo encontrar-se sobretudo nas províncias mais a Norte: Mi e TM, sendo rara no DL e na BA. Vive em locais frescos e sombrios como carvalhais (de Quercus pyrenaica Willd. e Quercus robur L.) e suas orlas (ordem Quercetalia roboris Tüxen 1931, da classe de vegetação florestal QUERCO-FAGETEA, predominantemente, assim nos dizem os mestres fitossociólogos ibéricos).

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma quimera de Silene marizii (Caryophyllaceae)

Uma quimera de Silene marizii (Caryophyllaceae) que encontrei recentemente no vale do Rio Tua, na companhia de outro contribuinte deste blogue, o meu amigo Tiago Henriques:


Para evitar redundâncias, recomendo a leitura de um post do Paulo Araújo no blogue Dias com Árvores (ver aqui), onde se explica com a ajuda de um extraordinário exemplo o significado de quimera.

domingo, 2 de maio de 2010

Flora do lameiro do Poulão V: Alopecurus arundinaceus (Poaceae)

Interrompido o pastoreio, o lameiro do Poulão incha de erva. Quem manda nos lameiros em Maio e Junho são as gramíneas (= poáceas): os meristemas apicais destas plantas deixaram de produzir caule e folhas em Março, diferenciam agora flores; desde o início de Abril os entre-nós situados imediatamente abaixo da parte reprodutiva alongam-se aceleradamente pela acção de meristemas intercalares. As plantas prostradas produzem quanto antes sementes, preparando-se para serem submergidas por uma floresta de colmos (nome dado aos caules das gramíneas).

Entretanto floriu a primeira gramínea perene:


Alopecurus arundinaceus (Poaceae), a primeira gramínea a florir nos lameiros do NE de Trás-os-Montes. Tem uma clara preferência por solos encharcados bem expostos ao sol (vd. imagem 2). Ao mesmo género pertence o A. myosuroides, a mais temível infestante de cereais da Europa temperada; em Portugal as infestantes de cereais são outras.

Este ano foi particularmente chuvoso e muitos prados não puderam ser pastoreados em Março-inícios de Abril. Por outro lado há água em abundância, suficiente em muitos deles até ao fim de Junho, início de Julho. Consequentemente, em muitos lameiros a erva será muito alta, a produção de feno elevada, porém de qualidade baixa. Se a erva é muita, parte das folhas da base das gramíneas e de outras plantas não terão acesso à luz e apodrecerão. Fenos assim são pouco apreciados pelos animais.
Por hora não faltam ervas nos campos para alimentar ovelhas. Os lameiros de pasto alimentam as vacas. Mas aproxima-se o mês mais crítico na alimentação dos animais na montanha: Junho. O pouco feno que sobra do ano anterior já não presta, os animais torcem-lhe o nariz; os prados anuais de plantas indígenas estão cobertos de uma fina camada de plantas anuais secas, de baixa digestibilidade e proteína bruta; o lameiros de feno estão fechados a acumular biomassa; restolhos de cereais só mais tarde, depois da ceifa.
Ser agricultor na montanha não é tarefa fácil!

sábado, 1 de maio de 2010

Iris × germanica L. (Iridaceae)















Mais uma vez, recorro à bondade dos ilustres leitores e camaradas blogueiros para a identificação de uma belíssima espécie de Iris fotografada em 30.IV.2010 com um telemóvel (ou telefone celular) num arrelvado do CW calc.!