
Foto: Duarte Silva
O carácter autóctone do choupo-negro (Populus nigra) em Portugal sempre foi muito discutido, dificilmente havendo consenso entre os diversos especialistas. Em termos ecológicos, a sua estratégia de vida é completamente diferente da das árvores ripícolas com as quais convive no nosso território. Ecologicamente comporta-se como uma “árvore ruderal”, crescendo rapidamente e produzindo imensas sementes com uma capacidade de dispersão enorme. Rapidamente envelhece, sendo que um choupo-negro com cem anos é uma árvore velhíssima. Árvores com o freixo, o amieiro ou o lódão podem viver durante centenas de anos e comportam-se mais como especialistas no seu habitat, tendo uma grande capacidade para resistir a eventos extremos e ao stress ambiental causados por esses eventos. O habitat do choupo parece ser locais sujeitos a inundações catastróficas periódicas resultantes das chuvas invernais ou causadas por degelos repentinos na primavera. Na Península Ibérica, um dos poucos rios que apresenta essas características é o Ebro, e um estudo recente da variação do DNA cloroplastidial desta espécie (Cottrell et all., 2005) mostra que este rio foi um dos principais refúgios para esta espécie durante as glaciações. Se neste momento parece não existir dúvidas que o choupo-negro é autóctone da Península, resta saber se ele chegou ao nosso território através da migração natural, ou foi trazido pelo Homem.
Uma boa pergunta e um excelente post!
ResponderEliminarPost muito interessente, e gostaria de colocar uma questão. Penso que o salix atrocinerea apresenta um comportamento algo semelhante ao P. nigra, nomeadamente o carácter "ruderal"?
ResponderEliminarObrigado.
AC
Apesar de tudo, apresenta algumas diferenças fundamentais. Cresce mais lentamente, produz menos sementes e em condições difíceis onde outras árvores higrófilas não conseguem crescer, podeviver durante bastante tempo. Entre as espécies lenhosas higrófilas, é a que apresenta o carácter pioneiro mais marcado.
ResponderEliminarPaulo Alves
Excelente post, Paulo!
ResponderEliminarDe facto é difícil perceber onde estaria esta espécie na paisagem pristina de Portugal continental. Na margem de ribeiras torrenciais em vales muito abertos a baixa altitude? Talvez os homens da genética nos possam dar um dia pistas para resolver o mistério.
Antes de mais dou-te os parabéns sobre este excelente trabalho! Estava a procurar informação sobre o choupo negro, ou branco, para começar a escrever o meu livro de poesia do próximo ano. Grande abraço e continuação de bons e belos trabalhos. Sérgio Mendes.
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