quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Apomixia em Rubus


Foto: Duarte Silva

A taxonomia das silvas é um problema tão complexo que mesmo os investigadores que se dedicam ao seu estudo - batologistas – raramente tem certezas. Este género extramente complexo oferece no entanto algumas oportunidades únicas para obter uma perspectiva diferente do conceito de espécie. O exemplar da foto que ilustra este post é um exemplo típico das dificuldades em identificar “espécies” dentro do género Rubus. Este é um dos inúmeros híbridos da secção Corylifolii, série Subthyrsaidei que ocorrem na natureza e que se podem propagar por via apomítica, ou seja formam sementes sem necessidade de fecundação.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Narcissus tazetta (Amaryllidaceae)















Fotografámos hoje esta beldade de floração precoce, que nos pareceu ser o Narcissus tazetta L., Sp. Pl. 1: 290. 1753 [1 May 1753] (Amaryllidaceae)
IPNI Plant Name Query Results.
Na primeira foto é possível observar-se também a comum Oxalis pes-caprae L. (erva canária, trevo azedo, etc.), da família das Oxalidáceas, assim como uns curiosos insectos avermelhados que surgem frequentemente aos pares.

Como acompanhamento musical, vamos sugerir o belíssimo Te Deum do famoso compositor letão Peteris Vasks Pēteris Vasks - Wikipedia, the free encyclopedia.
YouTube - Peteris VASKS = Te Deum

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O fim da biodiversidade litoral


Rhynchospora modesti-lucennoi (foto: Duarte Silva)

Apesar de as áreas classificadas da Rede Natura ocuparem 21% do território Nacional, estamos longe de ter a perda de biodiversidade sob controlo. Em primeiro lugar, classificado não é a mesma coisa que protegido. Basta pensar no empreendimento da Barragem do Sabor e no caso A24 que atravessa a melhor área de carvalhal do sítio Alvão/Marão. Em segundo lugar, a maior parte das áreas classificadas estão em zonas do interior do país, onde a desertificação humana está a promover o restauro ecológico da paisagem. Mas olhando para as zonas litorais, o panorama é completamente diferente. A erosão costeira, a eutrofização excessiva e a construção sem ordenamento estão a transformar para sempre a paisagem litoral. E se fosse feito um Livro Vermelho da Flora Vascular neste momento algumas das plantas mais raras estariam em áreas litorais. Resolvi então falar de algumas dessas plantas e da sua situação no Norte de Portugal, para pintar um pouco do retrato da conservação vegetal em Portugal em comparação com os nossos vizinhos Espanhóis. Rhynchospora modesti-lucennoi (Em perigo critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) está a desaparecer nas zonas das lagoas de Quiaios devido a eutrofização das mesmas. Recentemente foi descoberta uma população perto de Ponte de Lima. Genista ancistrocarpa (Em Perigo Critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) possui algumas boas populações em Ponte de Lima e Viana do Castelo e Chaves mas foi extinta no resto da área. Euphorbia uliginosa (Em Perigo Critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) encontra-se provavelmente extinta no norte de Portugal, tendo algumas boas populações no Centro de Portugal. Cheirolophus uliginosus (Em Perigo Critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) ocorre num local em Vila Nova de Gaia, tendo algumas boas populações no Centro de Portugal. Succisella carvalhoana, Selinum broteri, Dryopteris guanchica e Linkagrostis juresii estão classificados como vulneráveis em Espanha mas a sua situação em Portugal é uma incógnita. Estas plantas estão quase todas associadas a ambientes oligotróficos litorais que se tornaram raros devido a uma política agrícola comum que promoveu uso excessivo de fertilizantes.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Taraxacum nordstedtii (Asteraceae)


Esta espécie de dente-de-leão, fotografada em Alturas do Barroso no concelho de Boticas é, juntamente com o T. pinto-silvae, uma das espécies da secção Celtica mais comum nas zonas montanhosas do Noroeste Peninsular. É uma planta que prefere ambientes acidófilos e oligotróficos e por essa razão é rara nos relvados urbanos saturados de nitratos. Nas áreas urbanas as espécies deste género pertencem quase todas à secção Ruderalia, e algumas tais com o T. ekmanii são seleccionadas positivamente pelo excesso de fertilizantes.
Foto: João Gonçalves

Rubus laciniatus (Rosaceae)


Mais uma espécie de silva encontrada assilvestrada num pinhal em Ponte de Lima. Esta espécie de origem desconhecida foi descrita a partir de exemplares cultivados no jardim botânico de Berlim, tendo sido reportada na Flora Ibérica como naturalizada em algumas províncias de Espanha.
Foto: João Gonçalves

Fragaria vesca (Rosaceae)














Ainda estamos no início de Janeiro, mas esta maravilha já se encontra em floração:
Fragaria vesca L., Sp. Pl. 1: 494. 1753 [1 May 1753] (ou Potentilla vesca Scop., Fl. Carniol., ed. 2. 1: 363. 1771)
IPNI Plant Name Details
IPNI Plant Name Query Results

Mais informação sobre esta belíssima planta se pode consultar por ex. aqui: Fragaria vesca information from NPGS/GRIN e aqui: Fragaria vesca in Flora of China @ efloras.org.
O morangueiro silvestre pode-se encontrar em toda a zona temperada do Hemisfério Norte, sobretudo em florestas, montanhas e prados, e deu até o nome ao famoso filme de Bergman «Smultronstället» ou «Morangos Silvestres»: Wild Strawberries (film) - Wikipedia, the free encyclopedia.

Como acompanhamento musical, e para começar bem o ano, vamos sugerir de G.F. Händel, Dettingen Te Deum: YouTube - G.F. Händel -Dettingen Te Deum- Diego Fasolis

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dracaena draco (Ruscaceae) I

O significado geográfico de Macaronésia é claro: designa, colectivamente, os arquipélagos atlânticos dos Açores, Madeira, Selvagens, Canárias e Cabo Verde. O conceito biogeográfico de Macaronésia, pelo contrário, não faz sentido.
A justificação de uma região biogeográfica Macaronésica assenta, tradicionalmente, na presença de alguns taxa peculiares de carácter reliquial, e.g. Myrica faya, Dracaena draco, Laurus e Euphorbia subsect. Pachycladae, e na partilha (muito desigual) de uma radiação adaptativa em alguns géneros, entre os quais se contam os inevitáveis Echium (Boraginaceae), mas também  Artemisia (Asteraceae), Euphorbia (Euphorbiaceae), Globularia (Plantaginaceae), Sonchus (Asteraceae), Tolpis (Asteraceae), Erysimum (Brassicaceae), Lotus (Fabaceae), Festuca (Poaceae) ou Deschampsia (Poaceae). Embora os arquipélagos da Madeira, Selvagens e Canárias tenham um elemento florístico e "vegetacional" comum assinalável, a semelhança da sua flora e coberto vegetal com os Açores, a Norte, ou com Cabo Verde, a Sul, é marginal. Não vale a pena sequer perder tempo a procurar pontes entre a flora e a vegetação tropical árida a desértica de Cabo Verde, e o verde luxuriante dos Açores.
Fiz uma leitura rápida das Floras e das checklists das plantas-com-flor dos arquipélagos de Cabo Verde, Canárias, Madeira e Açores e encontrei uma única espécie indígena comum a todos eles, a Dracaena draco. Isto, partindo do princípio que não andam por aí perdidas uma, ou mais, Dracaena por descrever.


Dracaena draco (Ruscaceae) «dragoeiro», algures nos Açores