O T. repens «trevo-branco» é muito frequente em prados temperados ou em prados mediterrânicos de solos de baixa, húmidos e meso-eutróficos (com algumas bases e fósforo). A sua identificação é muito fácil: plantas perenes enraizantes nos nós; folhas com três folíolos (como todos os trevos) glabros (sem pêlos); flores brancas, as polinizadas inflectidas em direcção ao solo. A sua presença é sempre bem-vinda porque os trevos incrementam o teor em proteína do pasto e, consequentemente, as taxas de crescimento e a condição corporal dos animais que o consomem.
No NE de Portugal ocorrem dois ecótipos de trevo-branco morfologicamente e ecologicamente muito distintos.
Os ecótipos de terras húmidas e fundas têm folhas grandes, totalmente glabras e flores brancas. Acompanham estas plantas as plantas características dos prados perenes de influência eurossiberiana, i.e. dos lameiros.
Nos prados de solos mais secos e compactados, intensamente pastoreados, em ambientes de montanha com uma estação seca relativamente longa, observam-se plantas, muito semelhantes ao T. repens var. nevadense, de folhas mais pequenas e escuras, com pecíolos peludos, pêlos estes por vezes estendendo-se à base da nervura média dos folíolos, e flores rosadas. Estas plantas geralmente estão acompanhas, entre outras plantas, por Poa bulbosa (Poaceae), T. subterraneum (Fabaceae) e T. micranthum (Fabaceae).
O comportamento dos T. repens das misturas comerciais de sementes nas áreas mediterrânicas é muito irregular, quando não desastrosa. Valia a pena multiplicar estes trevos-brancos adaptados a solos secos e compactados e oferecê-los à lavoura.
Temos literalmente à mão de semear, ecótipos autóctones de trevo-branco de elevado potencial agronómico para seleccionar, multiplicar e introduzir nas misturas comerciais de sementes. Por que razão importá-los da Austrália???


