quinta-feira, 8 de abril de 2010

Os mirtilos de Portugal

Em Portugal são reconhecidas duas espécies de mirtilos espontâneas: Vaccinium myrtillus que ocorre nas serras de Gerês (MI), Trás-os-Montes (TM) e Estrela (BA) e Vaccinium uliginosum restrito à serra da Estrela.

V. uliginosum é considerado uma relíquia glaciária artico-alpina nas montanhas do Centro e Sudoeste da Europa. Neste continente a espécie ocorre nas áreas mais elevadas dos Pirinéus, Cordilheira Cantábrica, Montanhas Leonesas, Sistema Central Ibérico e Serra Nevada.

V. uliginosum caracteriza-se por apresentar ramos de secção circular e folhas inteiras e verde-azuladas, ao passo que V. myrtillus possui ramos de secção quadrangular e folhas finamente recortadas verde brilhantes.


Vaccinium uliginosum (esq.) e V. myrtillus (Ericaceae)
(fotos Alexandre Silva)

Na serra da Estrela conhecem-se dois núcleos de V. uliginosum localizados no andar orotemperado de ombroclima hiper-húmido, isto é a cotas altitudinais superiores aos 1700 m. Um dos núcleos, que ocupa uma superfície que não excederá 1 m2, vegeta sob o zimbral rasteiro de Juniperus communis subsp. alpina, que constitui a comunidade climácica da série climatófila do andar orotemperado desta serra. O segundo núcleo, com apenas 1 indivíduo, cresce entre as fissuras de um afloramento granítico acompanhado também pelo zimbro-rasteiro.

As principais ameaças que recaem sobre a espécie são a herbivoria provocada pelo pastoreio, que não permite que a espécie desenvolva o seu normal ciclo fenológico, as alterações climatéricas e a erosão genética.

10 comentários:

  1. Bem-vindo, Alexandre. Excelente e informativo post!

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  2. Excelente, sem dúvida! É bom ter mais um óptimo colaborador neste blog tão interessante!

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  3. Very excellent, indeed!

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  4. Gostei muito. Porém, de Portugal... continental ;)

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  5. Peço desculpa e agradeço a correcção. Como é óbvio de Portugal continental, a Macaronésia apesar de ser outra região biogeografica,também é lusa.

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  6. Só uma pergunta: existe literalmente apenas uma espécie de V. uliginosum ?

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  7. Segundo a Flora Ibérica os diferentes níveis de ploidia não parecem correlacionar-se com os carateres morfológicos, pelo que parece, não ser razoável admitir taxa infraespecíficos. No entanto alguém com mais conhecimentos em taxononomia poderá esclarecer melhor a sua dúvida.

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  8. Parabéns pelo belo post.
    Realmente os Mirtilos são bastante interessantes, quer fazendo parte da nossa flora quer como espécie com um enorme potencial ornamental e até gastronómico.
    No entanto, por várias vezes tentei instalar Mirtilos numa Quinta próxima de Vila Real e não tenho tido muito sucesso.
    Quais as melhores condições para a instalação de Mirtilos, em pleno sol, meia sombra? Sendo ericaceae presumo que prefiram o solo ligeiramente ácido?
    Seria interessante que também explorassem essa vertente na divulgação da nossa flora.

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  9. Eu atrás enganei-me e queria evidentemente perguntar se existia literalmente apenas UM INDIVÍDUO da espécie de V. uliginosum...

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  10. A Quinta da Remolha produz mirtilos em Sever do Vouga, a quinta está aberta para receber pessoas interessadas em visitar as suas plantações, no site há um formulário para marcar visitas.

    www.quintadaremolha.com

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