Mostrar mensagens com a etiqueta Cytinaceae. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cytinaceae. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cytinus ruber (Cytinaceae)















Depois de já aqui terem aparecido os belíssimos parasitos Cynomorium coccineum L. (Cynomoriaceae) e Cytinus hypocistis (L.) L. subsp. macranthus Wettst. (Cytinaceae, antigamente incluído nas Rafflesiaceae), é hoje a vez do não menos espectacular Cytinus ruber (Fourr.) Komarov, espécie de distribuição mediterrânica, que se pode encontrar no Barrocal algarvio (e não só), em matos baixos dominados por Cistáceas como Cistus albidus L., pertencentes à «associação araceno-pacense, algárvica e arrabidense, termomediterrânica, seca a sub-húmida» designada como Phlomido purpureae-Cistetum albidi Rivas-Martínez, Lousã, Díaz, Fernandez-González & J.C. Costa 1990, que se desenvolve sobre «substratos erosionados neutro-alcalinos de calcários duros descarbonatados, metavulcanitos e outras rochas siliciosas básicas», conforme se pode consultar aqui e aqui.
Esta foto foi obtida no Cerro da Bemposta (concelho de Faro), no início de Abril de 2003.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cytinus hypocistis (Cytinaceae)

Cytinus hypocistis é uma das plantas parasitas mais fáceis de identificar e de encontrar em Portugal continental. Os Cytinus emergem do solo nos primeiros meses da Primavera, geralmente próximo do colo de estevas (Cistus sp.pl.) e sargaços (Halimium sp.pl.), muitas vezes disfaçados sob a manta morta de folhas secas, negras e encarquilhadas que recobre o solo dos estevais.
Estas plantas não têm clorofila: alimentam-se das substâncias orgânicas e dos minerais produzidos ou bombeados do solo pelos seus hospedeiros. As flores do C. hypocistis  são relativamente grandes, de pétalas amarelas e unissexuais. Agrupam-se em cachos densos semelhantes a capítulos (capituliformes). Nas inflorescências as flores externas são femeninas e as internas masculinas.
As Floras tradicionais colocam o género Cytinus nas Rafflesiaceae, a família da maior flor do mundo, a Rafflesia arnoldii. Recentemente, Daniel L. Nickrent, o mentor do"The parasitic plant connection" (vd. http://www.parasiticplants.siu.edu/) descobriu que afinal os Cytinus, e a sua família Cytinaceae, são evolutivamente próximos da tropical Muntingiaceae e das Thymelaeaceae, a família do conhecido trovisco (Daphne gnidium). Os parentes próximos da Rafflesia são outros, mas ainda não está esclarecido quais.
O ovário do Cytinus hypocistis tem um líquido mucilaginoso comestível, assim o dizem os pastores da região de Bragança. Em Trás-os-Montes chamam-lhes «pútegas»; um  bom trunfo para recuperar uma assembleia adormecida numa daquelas longas conferências de divulgação de botânica ou de conservação da natureza ;-) 

Cytinus hypocistis (Cytinaceae) [foto C. Aguiar]