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sábado, 12 de maio de 2012
Caixas florais pintadas à mão (várias famílias)
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
A Marquesa de Alorna e a botânica
Leonor de Almeida Portugal [1750-1835], Marquesa de Alorna, teve uma vida tão longa como acidentada. Sofreu as perseguições do Marques de Pombal, e refugiou-se por duas vezes exilada no estrangeiro. Assistiu ao terramoto de 1755, à primeira fase da decadência dos Braganças, às invasões francesas, à guerra civil e à instauração da monarquia constitucional. A adolescência passou-a desterrada num mosteiro, em Chelas, não sem o convívio de visitadores masculinos. Casou com um alemão que, como era e ainda é hábito na nação, dado o berço alóctone, subiu meteoricamente no poder e na escala social indígena. Aparentemente, esteve envolvida no assassinato de um general francês. Uma filha foi amante de Junot; um filho acompanhou os exércitos de Napoleão à Rússia. Conviveu com a nata da nobreza europeu e o melhor da elite cultural portuguesa. Acabou os seus dias, bem, numa quinta apalaçada nos arredores de Lisboa.
Mulher de densa cultura, estupenda inteligência e incontida petulância aristocrática, pintou e foi autora de traduções e de uma obra poética vasta. Um dos seus livros de poesia tem por título "Recreações botanicas". Conheço dois artigos sobre o livro, ricos de comentários e transcrições, da autoria de Luis de Pina (1953) e da Prof. Maria Helena Rocha Pereira (1983). Da sua leitura percebo que além de um acurado conhecimento teórico da ciência botânica e da sua história - leu Lineu e Tournefort, louva Correia da Serra e Brotero e recomenda a botânica como fonte de prazer e elevação - a Marquesa de Alorna percepcionou a forma das plantas, entendeu o sistema sexual lineano, e conhecia de facto as plantas e o seu uso.
Atentem nestes dois trechos de poesia.
Sobre as leguminosas:
E das labiadas:
Ficam pela certa bem a abrir uma dissertação sobre metabolitos secundários e substâncias aromáticas ou, então, um panegírico dirigido às leguminosas, ao rizóbio e à nitrogenase. O último servia também um livro de agricultura biológica, não fora a natureza alternativa da política de muitos dos seus praticantes.
[fotos C.Aguiar]
Mulher de densa cultura, estupenda inteligência e incontida petulância aristocrática, pintou e foi autora de traduções e de uma obra poética vasta. Um dos seus livros de poesia tem por título "Recreações botanicas". Conheço dois artigos sobre o livro, ricos de comentários e transcrições, da autoria de Luis de Pina (1953) e da Prof. Maria Helena Rocha Pereira (1983). Da sua leitura percebo que além de um acurado conhecimento teórico da ciência botânica e da sua história - leu Lineu e Tournefort, louva Correia da Serra e Brotero e recomenda a botânica como fonte de prazer e elevação - a Marquesa de Alorna percepcionou a forma das plantas, entendeu o sistema sexual lineano, e conhecia de facto as plantas e o seu uso.
Atentem nestes dois trechos de poesia.
Sobre as leguminosas:
Quantos legumes saborosos cobre
Uma silica branca! Com que graça
Verde e branco o faval recrêa a vista!
Como a luzerna, que viçosa cresce
D'esmeraldas os campos alcatifa!
Quantas mais com profusos dons contentam
Homens, aves, quadrupedes, insectos!
As artes, a saúde, a economia,
Implorando os aureílios desta Classe,
Sem as plantas que pródiga concede
Talvez parcos triunfos obteriam.
Medicago orbicularis (Fabaceae), uma luzerna anual, frequente nas áreas de clima mediterrânico de Portugal continental, com algum interesse nas misturas de sementes de pastagens ricas em leguminosas
E das labiadas:
As labiadas são familia illustre
Que a Natureza distinguiu vaidosa,
Pela forma do calix, pelas bracteas,
Pela corolla as reconhece as eschola.
Destas plantas cheirosas as virtudes.
Combatem as tristeza, a dôr, e a morte:
...
Teucrium heterophyllum (Lamiaceae), um soberbo endemismo madeirense e canarino
Ficam pela certa bem a abrir uma dissertação sobre metabolitos secundários e substâncias aromáticas ou, então, um panegírico dirigido às leguminosas, ao rizóbio e à nitrogenase. O último servia também um livro de agricultura biológica, não fora a natureza alternativa da política de muitos dos seus praticantes.
[fotos C.Aguiar]
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Das grosse Rasenstück (Albrecht Dürer, 1503)
Numa exposição dedicada a Albrecht [Alberto] Dürer, organizada pelo Museu do Prado em 2005, com base no acervo do Museu Albertina de Viena de Austria, tive a rara oportunidade de fruir uma das mais espantosas pinturas naturalistas de toda a história da arte: o "Das grosse Rasenstück".
Bragança é mais perto de Madrid do que de Lisboa, o que tem as suas vantagens!

Imagem extraída daqui.
A tradução (via inglês) para português deste título, corrija-me quem sabe, poderá ser: "O grande tufo de erva" ou, com um pouco mais de liberdade, porque não, "O grande pedaço de arrelvado". O termo arrelvado é muito rico; foi usado pelo Prof. Amaral Franco na sua Nova Flora de Portugal para designar, de forma genérica, comunidades herbáceas, pratenses ou não.
As plantas do "Das grosse Rasenstück" estão identificadas ao pormenor: Achillea millefolium (Asteraceae), Agrostis stolonifera (Poaceae), Bellis perennis (Asteraceae), Cynoglossum officinale (Boraginaceae), Dactylis glomerata (Poaceae), Plantago major (Plantaginaceae), Poa pratensis (Poaceae), Taraxacum officinale (Asteraceae) e Veronica chamaedrys (Plantaginaceae).
Entre estas espécies são particularmente evidentes as seguintes (todas elas indígenas de Portugal Continental):
Taraxacum officinale (Asteraceae). N.b. brácteas involucrais reflexas (dobradas para trás), como é característico deste Taraxacum
A entrada da Wikipedia refere que o "Das grosse Rasenstück" retrata um grupo aleatório de plantas. Muito pelo contrário! Dürer pintou, com precisão, uma comunidade pratense de solos eutróficos que os fitossociólogos actuais não teriam dificuldade em classificar. Dürer era, certamente, um grande naturalista.
[fotos C. Aguiar]
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Vegetação pratense perene
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