quarta-feira, 20 de junho de 2018
Mesembryanthemum nodiflorum L. (Aizoaceae)
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Os areinhos fluviais de Gaia
Fotos: Isabel Castro Freitas
Numa subida de barco que fiz pelo Douro durante esta semana fiquei a pensar na originalidade dos depósitos fluviais da parte terminal do rio Douro. Os areinhos fluviais de Gaia têm diversos motivos de interesse, desde a sua utilização como zona balnear às suas singularidades florísticas. Em termos geológicos é invulgar o aparecimento de depósitos de gravilha com aquelas dimensões nas partes terminais dos rios, já que nessas zonas a corrente costuma ser mais fraca e há uma tendência para a deposição de limos e formação de planícies aluviais. Contudo o rio Douro não é um rio qualquer e sua parte terminal é geologicamente muito recente. Ao chegar ao Porto, as suas águas ainda tem capacidade para transportar areão grosseiro, e por essa razão o estuário do rio Douro é incipiente em comparação com os estuários dos grandes rios. No estuário do Douro e nos areinhos de Gaia surgiam plantas que agora se encontram extintas em Portugal como o Juncus gerardii e a Vicia tetrasperma. Muitas dessas plantas ocorriam porque as suas sementes eram transportadas pelas águas do rio desde o canhão do Douro até à Foz. A Coronilla minima ocorria nestes areais apesar de ser uma planta dos leitos de cheia interiores, no meio de outras plantas características da Terra Quente. Indiferentes a esta paisagem invulgar, os veraneantes banhavam-se nas águas do Rio e comiam belas petiscadas como o sável assado no espeto. Os tempos são outros e algumas das singularidades deste local perderam-se para sempre.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Prados-juncais do Estuário do Rio Cávado III
Além do S. secundatum, os estuários temperados portugueses estão a ser devassados pelo Paspalum vaginatum (Poaceae), pela Spartina versicolor (Poaceae), pela Cotula coronopifolia (Asteraceae) e pelo Aster squamatus (Asteraceae), entre outras plantas. Vinda do norte (Galiza e país Basco) aproxima-se uma terrível ameaça, a Baccharis halimifolia (Asteraceae), mais uma invasora proveniente dos EUA.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Prados-juncais do Estuário do Rio Cávado II
Num estádio mais avançado da sucessão ecológica, nos biótopos mais abrigados do vento, é possivel que estes tojais coexistissem com um pinhal de Pinus pinaster (Pinaceae) «pinheiro-bravo», uma árvore sem dúvida indígena em grande parte da orla costeira ocidental de Portugal continental. ...
... Infelizmente esta dinâmica foi coarctada pela chegada de uma temível invasora de origem australiana, a Acacia longifolia (Fabaceae) «acácia-de-espigas».
sábado, 2 de janeiro de 2010
Prados-juncais do Estuário do Rio Cávado I
A Primavera aproxima-se ;-)
sábado, 26 de setembro de 2009
Sapal externo I
Os sapais são ecossistemas semiterrestres (= anfíbios). Prosperam em zonas costeiras protegidas da agitação marítima, i.e. de baixa energia. Os sistemas de ilhas barreira (e.g. Ria Formosa), os sistemas lagunares (e.g. Vouga) e os estuários (e.g. Minho, Lima, Mondego, Tejo, Sado e Mira) são particularmente adequados à diferenciação de sapais.
A génese, dinâmica e alguns aspectos da ecologia do sapais estão diponíveis, por exemplo, aqui. Neste post explorei as diferenças entre sapal externo e sapal interno. Falta agora resolver os chamados sapal externo baixo, médio e alto.
O sapal externo é banhado por águas de origem sobretudo marítima, necessariamente com um elevado teor em sal. Por se situar na faixa intermareal, o sapal externo está, ao sabor das marés, sujeito a um ciclo bidiário de emersão-submersão. Na preia-mar inunda-se de água; na baixa-mar a água abandona o sapal externo através de uma intricada rede de canais.

Sapal externo e lamaçais no estuário do Tejo durante a baixa-mar. N.b. rede de drenagem [foto C. Aguiar, tirada durante uma viagem na carreira aérea Bragança-Lisboa]
A duração da submersão da vegetação de sapal depende de pequenas variações na altitude dos sedimentos, relativamente ao nível médio do mar. O sapal externo baixo situa-se a cotas muito próximas do nível médio do mar, consequentemente, está submetido a períodos de submersão muito prolongados. O sapal baixo contacta com lamaçais (colonizados ou não por plantas vasculares aquáticas marinhas) e com o sapal médio. O sapal médio está intercalado entre o sapal baixo e o sapal alto. Acima do sapal médio situa-se o sapal externo alto, uma estreita faixa de vegetação halófila fugazmente, ou raramente, atingida pela água das marés. Estes três tipos de sapal externo organizam-se, portanto, em bandas perpendiculares ao sentido da variação do gradiente "duração da submersão", a cotas progressivamente mais elevadas, nas plataformas de sedimentos de sapal (tema para um post um destes dias).
Geralmente, assume-se que as plantas de sapal externo, e implicitamente as suas socializações (comunidades), se organizam espacialmente ao longo do já referido gradiente microtopográfico, em função da sua tolerância à anoxia radicular (falta de oxigénio ao nível das raizes). Bem, não é assim tão simples. À medida que a cota aumenta, as raízes das plantas estão, de facto, sujeitas a menores períodos de anoxia , mas também a maiores oscilações da temperatura e do teor em sal do solo. A química do solo varia também acentuadamente na mesma direcção, mas este é um tema fracamente especializado.
Nos sapais mediterrânicos o teor em sal aumenta acentuadamente em direcção ao sapal alto. O mecanismo é simples. A água do solo evapora-se, por capilaridade mais água salgada atinge a superfície do solo evaporando-se em seguida; o sal que fica para trás concentra-se próximo da superfície do solo. No sapal de Castro Marim chegam a formar-se crosta de sal “salt pans”. As chuvas, por seu turno, provocam descidas bruscas na concentração de sal, rapidamente repostas por capilaridade.
Nos sapais atlânticos (de clima temperado) a acumulação de sais no sapal alto é relativamente lenta (porque faz menos calor e a insolação é menor do que nos sapais mediterrânicos) e as chuvas mais frequentes. As comunidades de sapal alto atlânticas estão, por isso, sujeitas a menores concentrações e a variações temporais menos intensas da concentração de sal no solo do que os sapais mediterrânicos. Como a mediterraneidade climática em Portugal continental aumenta de norte de para sul, existe um forte gradiente latitudinal nas características do solo do sapal alto e, consequentemente, na sua flora. Este gradiente latitudinal é menos nítido (o "turnover" latitudinal de espécies é menor) nos sapais baixo e médio, porque a intensidade da anoxia radicular é, provavelmente, o factor dominante na estruturação das comunidades de sapal baixo e médio.
Para quem gosta de botânica: a flora do sapal alto mediterrânico é maravilhosa; marcar quanto antes uma visita aos estuários a sul do Rio Mondego!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Suaeda albescens (Amaranthaceae)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Sapal externo vrs. sapal interno

quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Salicornia ramosissima (Amaranthaceae)
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Sarcocornia perennis vrs. S. fruticosa (Amaranthaceae)
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Plantago maritima (Plantaginaceae)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Sarcocornia vrs. Arthrocnemum (Amaranthaceae)

A biomassa dos sapais externos (parte do sapal mais próxima do mar e, por isso, ciclicamente submersa por águas de elevada salinidade) mediterrânicos e temperados é dominada por arbustos baixos e por sufrútices (pequenas plantas perenes lenhosas na base) da família das Amaranthaceae. Entre estas plantas sobressaem pela sua abundância as plantas de caules carnudos e articulados dos géneros Arthrocnemum e Sarcocornia.
Os dois géneros distinguem-se bem no pino do Verão. Basta observar com cuidado as flores ou as cicatrizes deixadas pela queda dos futos nas espigas já secas:
- Género Arthrocnemum. Uma única espécie em Lu: A. macrostachyum. Arbusto glauco (azulado) ou verde até 1,5 m; flores ligeiramente salientes ; queda das inflorescências parciais (cimeiras de três flores) origina uma cavidade indivisa;
- Género Sarcocornia. Duas espécies em Lu: S. perennis e S. fruticosa. Sufrútices ou arbustos baixos (até 1,5 m); flores totalmente embebidas nos cachos; a queda das inflorescências parciais dá origem a uma cavidade tabicada com três depressões (uma por flor).
Sarcocornia fruticosa em plena floração. N.b. espigas localizadas na extremidade das plantas (não ultrapassadas pelos ramos estéreis), como é característico do género Sarcocornia




