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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Celebrando o Outono (várias famílias)


















Ao contrário dos excelentes posts anteriores neste blog, acerca de Pináceas, este não é um post particularmente científico - antes pretende ser uma singela comemoração do Outono, essa estação que se pode considerar constituir uma segunda Primavera, depois dos calores tórridos do Estio.
Assim, apresentamos aqui algumas fotos de diversas angiospérmicas obtidas hoje (ou muito recentemente):
Celtis australis L. (Cannabaceae) (pronuncia-se "Kéltiss");
Olea europaea L. (Oleaceae), a oliveira;
Viburnum tinus L. (Adoxaceae);
Erica ciliaris L. (Ericaceae);
Pittosporum sp. (Pittosporaceae) e
Zanthoxyllum armatum DC. (Rutaceae), um arbusto ornamental espinhoso ("armado") relativamente pouco conhecido.

Para acompanhar, sugerimos "Gloria in excelsis Deo", do grande compositor veneziano António Vivaldi (Antonio Vivaldi - Wikipedia, the free encyclopedia), que se pode encontrar por ex. aqui: YouTube - Vivaldi: Gloria In D, RV 589 - Gloria In Excelsis Deo

terça-feira, 13 de abril de 2010

Celtis australis (Cannabaceae)


Flores hermafroditas (à esquerda) e masculinas (à direita) de Celtis australis, que aparecem simultaneamente com as folhas (Portugal, Lamego, foz do rio Varosa).
Destacam-se os grandes estigmas sésseis e os estames epitépalos (dispostos sobre as tépalas da
flor). [foto TiagoMH]


A Celtis australis L. (Cannabaceae) está agora em plena floração. Esta árvore caduca identifica-se facilmente pelo seu ritidoma (casca) liso, acinzentado e quase sem fissuras, pelas folhas longamente acuminadas (terminando em ponta estreita e comprida) e trinérveas na base. A espécie foi tradicionalmente colocada na família das Ulmaceae (muito próxima filogeneticamente, que se caracteriza pelas sementes muito achatadas) e mesmo numa família distinta, as Celtidaceae. No Angiosperm Phylogeny Website encontram-se justificações (e referências bibliográficas) para a inclusão do género Celtis na família das Cannabaceae (agrupando os géneros Celtis, Humulus, Cannabis, entre outros). Ao que parece, estes géneros partilham caracteres que não estão presentes nos antepassados comuns com as Ulmaceae (apomorfias), tais como: flores incompletas, pêlos unicelulares normalmente micropapilosos, nervação palmada, etc. (mas note-se que as flores incompletas existem também em algumas Ulmaceae e que a Celtis australis, por exemplo, possui flores completas; atente-se igualmente para o facto de a nervação da C. australis não ser verdadeiramente palmada). A proposta filogenética actual torna difícil descrever a morfologia comum aos géneros da família das Cannabaceae. Talvez estudos futuros possam trazer mais luz sobre o assunto.

domingo, 22 de novembro de 2009

Cannabis sativa subsp. sativa (Cannabaceae)

A descrição do Vale da Vilariça (vd. aqui) no "Voyage en Portugal ..." (vd. aqui e aqui) é rica em pormenores. Alguns excertos (tradução livre do francês):
"Para lá de Vila For, em direcção a Moncorvo, desce-se por uma pequena pendente suave e através de belas pastagens, até ao rico e fértil vale conhecido por Campo da Vilariça".
"As terras [da Vilariça] não são estrumadas, ao contrário das terras vizinhas".
"Além dos cereais, dos quais se colhem anualmente 30000 alqueires, cultiva-se o cânhamo [para a indústria da cordoaria] nos locais inundados pelo rio Sabor; calculamos que produzam anualmente 220 a 254 milliers [1 millier = ca. 490 kg] de cânhamo".
" A terra própria para o cânhamo em primeiro lugar é arada na Primavera [a charrua não era ainda utilizada na região, estaria em uso um arado com aivecas de madeira ] e depois gradada; quinze dias depois repete-se a operação, semeando-se em seguida. A planta do cânhamo permanece, de ordinário, 100 dias na terra; em seguida é cortada, e amontoada em grandes molhos, durante oito dias, num terreno destinado para o efeito (o tendal); de seguida fazem-se pequenos molhos, as estrigas, que são posteriormente macerados na água".
"... os melões passam por ser os melhores do Reino" ;-)



Cannabis sativa subsp. sativa (Cannabaceae) « cânhamo» [Le Château de Guédelon, Auxerre, França; foto C. Aguiar].

Na bibliografia taxonómica e nas bases de dados de nomenclatura botânica geralmente admitem-se duas subespécies de C. sativa: sativa e indica. O cânhamo textil, ou cultivado para a produção de sementes destinadas à alimentação animal (fáceis de encontrar nas lojas da especialidade em Portugal, diga-se), pertence à subsp. sativa. Esta subespécie, aparentemente, é nativa da Ásia Central; na Europa Oriental são frequentes populações naturalizadas em ambientes ruderais. As plantas da subsp. sativa têm folhas grandes de segmentos estreitos (vd. foto). Este critério morfológico, no entanto, é insuficiente para destrinçar a subsp. sativa da psicotrópica subsp. indica (vd. aqui). A taxonomia de Cannabis permanece confusa e inconclusiva.