A publicação deste livro dependente do número de pré-reservas.
P.f. demonstre o seu interesse através do endereço trevoseanafes@ipb.pt
O professor Vasco Garcia, conhecido por "o pipetas", décadas a fio professor de Microbiologia do Instituto Superior de Agronomia (ISA), costumava fazer uma pergunta tão simples, como de árdua resposta. O professor perguntava qualquer coisa do tipo: "que aconteceria ao mundo se as leguminosas desaparecessem ". Os deslumbrados e simples alunos do primeiro ano, desconhecedores da complexa mente do Prof. Garcia, discorriam, então, alongadamente sobre a interação simbiótica leguminosa-rizóbio, quando o professor, inquieto, pedia apenas uma lapidar resposta: "a morte".
Sim, sem leguminosas os ecossistemas terrestres, pouco produtivos, apenas poderiam contar com o escasso azoto proveniente das descargas atmosféricas, e das bactérias diazotróficas que habitam, livres, esse complexo habitat que é o solo. A complexidade da vida animal que hoje povoa a Terra não existiria.
Sem a incorporação de leguminosas a agricultura nunca teria sido o que foi, e a população humana o que é. E os sistemas de agricultura do futuro terão, obrigatoriamente, que incluir leguminosas e uma componente animal que as coma e digira.
Mas para trabalhar a agricultura do futuro é preciso saber coisas, muitas coisas, e entre elas conhecer profundamente esta família angular que são as leguminosas.
Boas notícias para todos.
Três autores de nomeada, do Instituto Superior de Agronomia, Maria Edite Sousa, Maria Lisete Caixinhas e Paulo Forte preparam-se para atirar para cá para fora um livro que a todos nos ajudará: ao agricultor, ao naturalista amador, ao agrónomo, ao botânico, ao curioso.
Chama-se ele:
Trevos, anafes e luzernas de Portugal.
Eis o resumo:
Trabalhos
sobre o conhecimento botânico das espécies forrageiras têm sido efectuados por
muitos investigadores não apenas da União Europeia mas também do resto do
mundo. No entanto, em Portugal, somente em 1962 foi publicado pelo Serviço de
Informação Agrícola da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas da Secretaria de
Estado da Agricultura – Ministério da Economia – da autoria do Professor João
de Carvalho e Vasconcellos do Instituto Superior de Agronomia, o livro
intitulado “Ervas Forrageiras”.
Em 1990, Portugal enviou para a “FAO International”o relatório nacional
das espécies da flora portuguesa potencialmente importantes, entre as quais
foram mencionadas algumas forrageiras.Como aparece agora este trabalho, considerado como Manual Universitário a ser
adoptado em Instituições Universitárias Agronómicas, Veterinárias e por
Técnicos Agrícolas?Em 1995, foi apresentada uma tese de doutoramento sobre o tema: “Pastagens da
Região de Setúbal” (Sousa, 1995), em que foram efectuados 422
levantamentos florísticos o que permitiu às autoras a selecção das
espécies a serem estudadas nesta obra.Em 2001, foi publicado a 3ª edição de um livro (Caixinhas et al., 2001) em que foram
divulgadas 200 espécies de plântulas de espécies adventícias das culturas.
Entre estas foram incluídas 28 espécies de Leguminosas consideradas também como
forrageiras.As cerca de 70 espécies agora apresentadas tidas como forrageiras importantes
são estudadas desde a sua emergência após germinação até à formação da vagem
com sementes.Pela experiência que temos desde há quatro décadas no Instituto Superior
de Agronomia, baseada em respostas a consultas efectuadas por alunos de
Agronomia ou Veterinária e por Técnicos destas áreas, sobre a identificação de
espécies forrageiras, justifica-se que o seu conhecimento é tanto mais útil
quanto mais jovens elas são; daí o interesse da sua identificação no estado de
plântula. Também as aulas em que colaborámos nas disciplinas de Agricultura nos
levaram à conclusão ser indispensável o conhecimento botânico de forrageiras
desde os primeiros estados de desenvolvimento, enquanto ainda possuem
cotilédones (planta jovem) – plântula.A obra agora apresentada é o resultado de um estudo iniciado em2003, em que se
tem vindo a fotografar e descrever, desde então, algumas espécies de Medicago L., Melilotus Mill. e Trifolium L consideradas mais relevantes em
Portugal como forrageiras.Foi adoptada a nomenclatura científica da Flora Ibérica (Castroviejo et al., 2000) e para os nomes
vulgares adoptámos os divulgados por Rocha (1996).Na metodologia seguida, no que concerne ao estudo de cada espécie, menciona-se:
a origem geográfica, a distribuição em Portugal, o habitat e referências
ecológicas mais relevantes.Em cada
descrição da plântula mencionam-se os caracteres morfológicos dos cotilédones,
primeira, segunda e por vezes a terceira e as seguintes folhas. Sempre que a
observação o permitiu, foram descritos: o hipocótilo, os cotilédones, o
epicótilo e as folhas verdadeiras. Para os cotilédones e folhas verdadeiras
seguiu-se geralmente a seguinte ordem: inserção (só para folhas verdadeiras),
dimensões, forma geral, margem, ápice, base, textura, cor, indumento,
superfície e nervação.Para as plantas adultas mencionam-se o tipo fisionómico de acordo com a
classificação de Raunkjaer (1934) e a descrição morfológica do caule, folhas,
inflorescências, flores, frutos e sementes bem como o início e final da
floração.Para algumas
espécies descreve-se também o seu valor económico, refere-se a sua
importância no controlo da erosão do solo e o seu interesse como potencial
fonte genética em programas de melhoramento de pastagens, como leguminosas
proporcionam um enriquecimento do solo em azoto e fornecem elevada concentração
de proteína à forragem.Actualmente, com a crescente importância da manutenção da biodiversidade, são
fundamentais estudos botânicos que permitam a conservação e cultura de prados e
pastagens para o incremento da produção forrageira.