Além dos bosques, ambos andares dispõem de um conjunto alargado de plantas bioindicadores. Um dos mais fiáveis é este cardo:
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Carduus carpetanus (Asteraceae)
A maior parte do interior norte e centro de Portugal distribui-se por dois andares bioclimáticos: mesomediterrânico e supramediterrânico. No andar mesomediterrânico dominam os bosques perenifólios; os bosques caducifólios de Quercus pyrenaica são característicos do andar supramediterrânico.
sábado, 28 de novembro de 2009
Serra do Reboredo (Moncorvo) I
Nas bibliografias agronómica e geográfica, tradicionalmente, são reconhecidos dois espaços ecologicamente homogéneos no interior norte e centro de Portugal continental: a Terra Quente e a Terra Fria. Os fitossociólogos e os bioclimatologistas confundem o primeiro com o andar bioclimático mesomediterrânico, e o segundo com o andar supramediterrânico.
Dominam as paisagens vegetal e agrária da Terra-Quente os bosques de Querci perenifólios - sobreirais e azinhais, mistos de Juniperus oxycedrus «zimbro», ou não -, os estevais de Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva-comum», os olivais, os amendoais e a vinha. O trigo era o cereal mais cultivado na Terra-Quente. A Terra-Fria situa-se acima dos 650-700 m de altitude. Por essa razão, chove mais, faz mais frio (temperatura média anual inferior a 12º C) e as geadas iniciam-se mais cedo do que na Terra-Quente. Encontram um óptimo ecológico na Terra-Fria os Querci «carvalhos» caducifólios (Quercus robur e Q. pyrenaica), os urzais mesófilos (matos baixos dominados por Erica [Ericaceae] «urzes»), o castanheiro, a batateira e o centeio.
O uso agrícola do território borratou a linha de fronteira entre os andares meso e supramediterrânico, i.e. entre a Terra-Fria e a Terra-Quente. A Serra do Reboredo (concelho de Moncorvo) é um dos locais mais propícios para observar esta transição em Trás-os-Montes, sobretudo no Outono, quando o amarelo e o castanho da folhagem revelam a distribuição, e a ecologia dos Querci caducifólios.
Serra do Reboredo (concelho de Torre de Moncorvo) [foto CA]. Zona indústrial de Moncorvo ao longe; a meio, na margem esquerda da foto, o Carmelo de Moncorvo (vd. foto seguinte). N.b. carvalhal de Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral» a revestir a encosta norte da Serra do Reboredo; azinhais-zimbrais nos relevos convexos do planalto de Moncorvo; a transição entre os andares de vegetação meso e supramediterrânico situa-se no sopé da Serra do Reboredo; os relevos côncavos estão cultivados, o bosque que no passado os revestia, além do sobreiro, envolvia o Q. faginea subsp. faginea «carvalho-cerquinho» e o Fraxinus angustifolia (Oleaceae) «freixo-de-folhas-estreitas»
Carmelo da Sagrada Família de Torre de Moncorvo (Ordem do Carmo) [foto CA]. N.b. azinhal-zimbral no 1/4 inferior esquerdo da figura; em cima, ao fundo, azinhal-zimbral em regeneração no vale do rio Sabor.
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Vegetação arbórea
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Canárias, os extremos da mediterraneidade
Foto3. Andar oromediterrânico na base do vulcão do Teide (aprox. 2400 m de altitude): Juniperus cedrus subsp. cedrus, um dos zimbros das Canárias; S. Mesquita, 2003)Foto 1. Euphorbia canariensis, Tenerife, Canárias (S. Mesquita, 2003)
Alexander von Humboldt (1769-1859), o naturalista viajante mais brilhante do final do século XVIII, princípios de XIX, descreve na Narrativa Pessoal de uma Viagem às Regiões Equinociais do Novo Continente (1814-1825) a sua primeira paragem fora da Europa continental e relata o seu espanto com o contraste climático da ilha de Tenerife, nas Canárias: desde o nível do mar até ao cume da alta montanha vulcânica do Teide (3.718 m de altitude) sucedem-se quase todos os andares bioclimáticos possíveis no clima mediterrânico, desde o infra-mediterrânico desértico nas baixas altitudes com vegetação megatérmica de caules suculentos (foto1); passando, á vez, pelo mesomediterrânico hiper-húmido com laurissilva mesofítica na zona das nuvens (foto 2); à vegetação oromediterrânica semi-árida já acima do nível altitudinal das nuvens (foto 3). A ilha de Tenerife é de facto um paradigma bioclimático e vegetacional da mediterraneidade. Independentemente da quantidade total de precipitação em cada andar, existe um traço comum ao ritmo da precipitação: seja qual for a quantidade de chuva anual, o Verão é sempre seco. A resposta vegetacional compõe-se a partir de uma pool de espécies simultaneamente herdada da vegetação tropical do Terciário pré-mediterrânica e também numa especiação muito intensa desde então, aliás uma característica de todas as ilhas.
Como este é também um blogue de pessoas, eu apareço empoleirado num til (Ocotea foetens).
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