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terça-feira, 18 de novembro de 2025
Cistus crispus L. (Cistaceae, Malvales) - in Coimbra (BL): Eiras, 22.IV.2025
Cistus crispus L., Sp. Pl.: 524 (1753) (Cistaceae, Malvales, Rosanae, Magnoliopsida) - in Coimbra (BL): Eiras, alt. c. 100 m s. m., 22.IV.2025.
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domingo, 23 de abril de 2023
Cistus salviifolius Linnaeus (Cistaceae, Malvales)
Cistus salviifolius Linnaeus (Cistaceae, Malvales), em floração em Coimbra (BL), alt. 100 m, 23.IV.2023.
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quinta-feira, 23 de março de 2023
Cistus ladanifer Linnaeus (Cistaceae)
Cistus ladanifer Linnaeus (Cistaceae, Malvales) em floração em Coimbra (BL), alt. 100 m, 23.III.2023.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
Chamaerops humilis Linnaeus (Palmae)
Chamaerops humilis Linnaeus (Palmae = Arecaceae), fotografada nos solos vermelhos de Loulé, Amendoeira, em pleno Barrocal algarvio, em IV.2002.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
Halimio alyssoidis-Pterospartetum cantabricae na Serra de Arada
Para assinalar
a entrada no novo Ano 2019, que desejamos feliz e próspero a todos os nossos
leitores e companheiro(a)s, deixamos hoje aqui uma foto daquilo que pensamos ser a
associação Halimio
alyssoidis-Pterospartetum cantabricae, da classe de matos anões Calluno-Ulicetea, fotografada em toda a
sua glória na Serra de Arada, no concelho de S. Pedro do Sul (Lu: BA), em
1.V.2014.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Cistus psilosepalus Sweet (Cistaceae) e mais uma mosquinha (Syrphidae)
Chrysogaster basalis ou coemiteriorum (Syrphidae) sobre Cistus psilosepalus Sweet (Cistaceae): fotografados em Sernancelhe (Beira Alta, local granítico, alt. ca. 800 m), 13.V.2017.
Agradecimentos a M.ª Antónia Soares pela excelente excursão, assim como a quem sugeriu a identificação da mosca, no Facebook!
Agradecimentos a M.ª Antónia Soares pela excelente excursão, assim como a quem sugeriu a identificação da mosca, no Facebook!
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quinta-feira, 4 de maio de 2017
Tuberaria guttata (L.) Fourreau (Cistaceae)
Hoje fotografámos em Coimbra (29TNE4950) a bela Tuberaria guttata (L.) Fourreau = Cistus guttatus L. (basiónimo) = Helianthemum guttatum (L.) Miller = Therocistus guttatus (L.) Holub (Cistaceae), uma espécie anual, frequente na Região Mediterrânica (https://en.wikipedia.org/wiki/Tuberaria_guttata), e que dá o nome a uma conhecida classe de vegetação pratense anual: Helianthemetea guttatae ou Tuberarietea guttatae.
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domingo, 7 de julho de 2013
Cistus crispus L. (Cistaceae)
Tão adormecidos temos estado em estivação, que ainda nem comemorámos devidamente o solstício de Verão! Aqui fica então uma bela e efémera (26.VI.2013) flor da espontânea Cistus crispis L. (Cistaceae), proveniente do CW. calc. (Lu), agora que as temperaturas se aproximam dos 40 ºC, neste Verão tórrido de 2013.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Cistus sp. (Cistaceae) + Coleoptera...
Para iniciarmos bem o mês de Agosto, aqui fica uma curiosa foto com uma espécie do género Cistus L. (Cistaceae) e três possíveis insectos polinizadores (da ordem Coleoptera, possivelmente). A foto foi obtida no Centro de Portugal, pr. Figueira da Foz, em pleno CW. calc., em 14.VI.2012.
Agradecemos antecipadamente quaisquer comentários identificativos - sempre bem vindos, naturalmente!
Agradecemos antecipadamente quaisquer comentários identificativos - sempre bem vindos, naturalmente!
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sábado, 24 de dezembro de 2011
Scleroderma citrinum (Sclerodermataceae) e outras plantas
Com os nossos votos de um santo Natal de 2011 e um próspero Ano 2012, para todos os nossos leitores e camaradas blogueiros, trazemos aqui o belíssimo cogumelo Scleroderma citrinum Pers., Syn. meth. fung. (Göttingen) 1: 153 (1801) (Sclerodermataceae, Boletales, Agaricomycetidae, Agaricomycetes, Basidiomycota, Fungi)
(http://www.speciesfungorum.org/Names/GSDSpecies.asp?RecordID=181865),
que encontrámos em 22 de Maio de 2003, num pinhal bravo de Pinus Pinaster (Pinaceae) com vegetação arbustiva baixa acidófila da classe Calluno-Ulicetea, incluindo Agrostis Curtisii (Gramineae), Calluna vulgaris (Ericaceae), Halimium alyssoides (Cistaceae), Monotropa Hypopitys (Ericaceae), Ulex minor (Leguminosae) ... no conc. de Moimenta da Beira, pr. de Alva.
E como Vénus traz a Paz e Júpiter traz a Alegria, e ambos brilham intensamente no céu, nesta noite de Natal, aqui ficam:
http://www.youtube.com/watch?v=oKvG0RU4_fI
http://www.youtube.com/watch?v=Nz0b4STz1lo
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Planets
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Sonchus tenerrimus (Compositae) e mais algumas beldades (Lepidoptera)
As férias continuam, avançando a todo o vapor, e também as beldades, animais, vegetais e musicais que aqui trazemos!
Assim, fica hoje aqui a bela composta (ou Asterácea) Sonchus tenerrimus L., Sp. Pl.: 794. 1753, de vasta distribuição afro-eurasiática (http://euromed.luomus.fi/euromed_map.php?taxon=421464&size=medium), e também, actualmente, norte-americana
Sonchus tenerrimus - Wikipedia, the free encyclopedia
Sonchus tenerrimus in Flora of North America @ efloras.org
PLANTS Profile for Sonchus tenerrimus (slender sowthistle) | USDA PLANTS
Como acompanhantes lepidoptéricas, deixamos aqui algumas borboletas de belo recorte, todas elas provenientes da região Centro/Norte de Portugal continental, para os distintos especialistas que têm a amabilidade de nos visitar identificarem, se assim lhes aprouver!
A bela e volumosa borboleta de "quatro olhos", que aparece representada em duas fotos, parece estar provavelmente sobre uma população de Cistus psilosepalus Sweet, uma espécie bastante comum de Cistus no Norte e Centro de Portugal:
Flora Digital de Portugal
(http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/03_066_01_Cistus.pdf)
Como pérola musical, deixamos aqui hoje a belíssima "1979", dos saudosos Smashing Pumpkins:
1979 - Smashing Pumpkins Live - YouTube
terça-feira, 10 de maio de 2011
Movimentos násticos em Cistus ladanifer
Crescer é o principal tipo de movimento nas plantas. Já escrevi qualquer coisa sobre o assunto neste blogue (ver aqui).
Quando a direcção do movimento das plantas é independente da direcção estímulo, usa-se o conceito de movimento nástico (= nastia).
Quem não conhece a brasileiríssima Mimosa pudica (Fabaceae, Mimosoideae)?
Muitos dos leitores deste blogue não saberão, porém, que temos uma planta com movimentos násticos evidentes em Portugal.
Imaginem só; esta:
... o vulgaríssimo Cistus ladanifer!
Proponho a seguinte actividade para este fim de Primavera.
Num dia de sol, no pino do calor, toquem com um dedo ou um lápis nos estames das flores de C. ladanifer. Em muitas flores, não em todas, poderão observar os estames a deslocarem-se lentamente para trás, em direcção às pétalas
Como as flores de C. ladanifer têm os órgãos sexuais muito acessíveis aos coleópteros - por exemplo é frequente observar escaravelhos do género Cetonia (Cetoniidae) as pastar as anteras das flores destes arbustos - será que o movimento nástico dos estames tem algum efeito dissuasor sobre os insectos de armadura bucal mastigadora? Enfim, uma hipótese como outra qualquer.
Quando a direcção do movimento das plantas é independente da direcção estímulo, usa-se o conceito de movimento nástico (= nastia).
Quem não conhece a brasileiríssima Mimosa pudica (Fabaceae, Mimosoideae)?
Muitos dos leitores deste blogue não saberão, porém, que temos uma planta com movimentos násticos evidentes em Portugal.
Imaginem só; esta:
... o vulgaríssimo Cistus ladanifer!
Proponho a seguinte actividade para este fim de Primavera.
Num dia de sol, no pino do calor, toquem com um dedo ou um lápis nos estames das flores de C. ladanifer. Em muitas flores, não em todas, poderão observar os estames a deslocarem-se lentamente para trás, em direcção às pétalas
Como as flores de C. ladanifer têm os órgãos sexuais muito acessíveis aos coleópteros - por exemplo é frequente observar escaravelhos do género Cetonia (Cetoniidae) as pastar as anteras das flores destes arbustos - será que o movimento nástico dos estames tem algum efeito dissuasor sobre os insectos de armadura bucal mastigadora? Enfim, uma hipótese como outra qualquer.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Sinapis arvensis (Brassicaceae)
No passado mês de Junho, num leito de cheias cascalhento de um pequeno rio transmontano, longe de tudo e de todos, herborizei esta planta:
«A linha de água está pouco perturbada e as encostas sobranceiras revestidas por abundantes azinhais climácicos. A planta deve ser rara!», pensei então. Entusiasmado, corri para o herbário; segui as chaves das Floras e observei ao pormenor os meus exemplares herbário de brassicáceas com frutos compridos (silíquas). O resultado era sempre o mesmo. «Não pode ser! O sítio é perfeito para plantas invulgares!». Recusei-me a aceitar. Enviei uma foto a um amigo botânico; o veredicto foi rápido e claro: Sinapis arvensis, a mais do que frequente mostarda-dos-campos. Que desilusão! Não tinha, afinal, encontrado uma espécie nova para Trás-os-Montes, e muito menos para Portugal.
Este relato pequenino pouco interesse tem; não chega sequer para um blogue descomprometido de divulgação botânica. Porém estimula a imaginação, oferece uma razão para recuperar, ainda brevemente, uma das especulações preferidas da comunidade fitossociológica: na paisagem pristina, há mais de 5000 anos, qual era o habitat das espécies que hoje preenchem os nossos campos e matos? Por outras palavras: Onde estavas tu, planta daninha, arbusto enfadonho, antes do Neolítico?
Estas dúvidas não têm uma resposta simples e objectiva. Vai-se especulando, vai-se cambiando de ideias com novas observações, com pequenas epifanias. Cada planta é um caso, e um caso por natureza insolúvel.
De qualquer modo, a dita Sinapis arvensis (Brassicaceae), o Pinus pinaster (Pinaceae) «pinheiro-bravo» e o Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva» numa escapa, a Erica australis (Ericaceae) «urze-vermelha» encavalitada numa crista quartzítica, a Spergula arvensis (Caryophyllaceae) que germina às primeiras chuvas num mato recentemente ardido ou o Cynodon dactylon (Poaceae) «grama» a perfurar um exíguo mouchão de areias acumulado nas margens de um rio de montanha, estas e muitas outras plantas, fazem-me suspeitar da sua raridade, ou, pelo menos, infrequência nas paisagens pristinas.
O Neolítico, a agricultura, alterou a ordem das coisas: o que era raro volveu abundante e o comum incomum. Com muitas excepções, suponho.
A conservação da natureza, como muito bem dava a entender o Luís Moreira num comentário a este post, está impregnada pelos modelos de paisagem das sociedades orgânicas tradicionais, que sobreviviam, mal, muito mal, a malhar nos ecossistemas naturais, numa luta diária para recuperar ou colher o átomo de azoto e de fósforo e com ele fazer a seara e a horta, e compensar à justa a enorme despesa energética dos corpos retorcidos pela enxada e pela gadanha.
Este referencial em cima do qual raciocinamos a conservação da natureza, no fundo, esta ideologia, não parece lá muito lógica.
«A linha de água está pouco perturbada e as encostas sobranceiras revestidas por abundantes azinhais climácicos. A planta deve ser rara!», pensei então. Entusiasmado, corri para o herbário; segui as chaves das Floras e observei ao pormenor os meus exemplares herbário de brassicáceas com frutos compridos (silíquas). O resultado era sempre o mesmo. «Não pode ser! O sítio é perfeito para plantas invulgares!». Recusei-me a aceitar. Enviei uma foto a um amigo botânico; o veredicto foi rápido e claro: Sinapis arvensis, a mais do que frequente mostarda-dos-campos. Que desilusão! Não tinha, afinal, encontrado uma espécie nova para Trás-os-Montes, e muito menos para Portugal.
Este relato pequenino pouco interesse tem; não chega sequer para um blogue descomprometido de divulgação botânica. Porém estimula a imaginação, oferece uma razão para recuperar, ainda brevemente, uma das especulações preferidas da comunidade fitossociológica: na paisagem pristina, há mais de 5000 anos, qual era o habitat das espécies que hoje preenchem os nossos campos e matos? Por outras palavras: Onde estavas tu, planta daninha, arbusto enfadonho, antes do Neolítico?
Estas dúvidas não têm uma resposta simples e objectiva. Vai-se especulando, vai-se cambiando de ideias com novas observações, com pequenas epifanias. Cada planta é um caso, e um caso por natureza insolúvel.
De qualquer modo, a dita Sinapis arvensis (Brassicaceae), o Pinus pinaster (Pinaceae) «pinheiro-bravo» e o Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva» numa escapa, a Erica australis (Ericaceae) «urze-vermelha» encavalitada numa crista quartzítica, a Spergula arvensis (Caryophyllaceae) que germina às primeiras chuvas num mato recentemente ardido ou o Cynodon dactylon (Poaceae) «grama» a perfurar um exíguo mouchão de areias acumulado nas margens de um rio de montanha, estas e muitas outras plantas, fazem-me suspeitar da sua raridade, ou, pelo menos, infrequência nas paisagens pristinas.
O Neolítico, a agricultura, alterou a ordem das coisas: o que era raro volveu abundante e o comum incomum. Com muitas excepções, suponho.
A conservação da natureza, como muito bem dava a entender o Luís Moreira num comentário a este post, está impregnada pelos modelos de paisagem das sociedades orgânicas tradicionais, que sobreviviam, mal, muito mal, a malhar nos ecossistemas naturais, numa luta diária para recuperar ou colher o átomo de azoto e de fósforo e com ele fazer a seara e a horta, e compensar à justa a enorme despesa energética dos corpos retorcidos pela enxada e pela gadanha.
Este referencial em cima do qual raciocinamos a conservação da natureza, no fundo, esta ideologia, não parece lá muito lógica.
domingo, 3 de outubro de 2010
Tuberaria guttata (Cistaceae)
O ano hidrológico foi inaugurado: começou a chover a meio da noite; está a cair a primeira chuva outonal verdadeiramente efectiva.
As plantas anuais que aguardaram sob a forma de semente por esta oportunidade vão iniciar o seu ciclo biológico. Primeiro germinam as sementes e logo a seguir emergem os cotilédones (nas plantas de germinação epígea) ou as primeiras folhas (nas plantas de germinação hipógea). Dentro de 1 semana - 15 dias as clareiras dos matos baixos, os taludes e as margens de caminhas estarão revestidos por um delgado manto verde, constituído por plantas reduzidas a meia dúzia de folhas conectadas por curtos entre-nós. Nesta frágil aparência suportarão, rentes ao solo, as agruras do Inverno que se aproxima.
Quando os dias crescerem, logo no início da Primavera, os meristemas produzirão mais folhas, entre-nós mais longos e, pouco depois, flores. A dita manta verde tomará cores e formas inauditas, para satisfazer a ânsia dos botânicos estiolados pelo defeso invernal.
A Tuberaria guttata é uma das plantas mais frequentes nos nossos prados oligotróficos (de solos pobres) anuais.
A Tuberaria guttata começou por se chamar Cistus guttatus e depois Helianthemum guttatum. O autor da revisão para a Flora Iberica descobriu um nome genérico anterior a Tuberaria, e a planta passou a ser conhecida por Xolantha guttata. Recentemente, o nome genérico Tuberaria foi fixado pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ver aqui), através da sua inclusão no anexo de Nomina Generica Conservanda et Rejicienda [nomes conservados e rejeitados], i.e., um anexo que recupera nomes de uso muito frequente incorrectos à luz Código. A prática da Nomina Conservanda evita uma excessiva instabilidade nomenclatural na designação científica das plantas, que ninguém deseja. Conclusão: o bom e velho nome Tuberaria guttata está de volta.
As plantas anuais que aguardaram sob a forma de semente por esta oportunidade vão iniciar o seu ciclo biológico. Primeiro germinam as sementes e logo a seguir emergem os cotilédones (nas plantas de germinação epígea) ou as primeiras folhas (nas plantas de germinação hipógea). Dentro de 1 semana - 15 dias as clareiras dos matos baixos, os taludes e as margens de caminhas estarão revestidos por um delgado manto verde, constituído por plantas reduzidas a meia dúzia de folhas conectadas por curtos entre-nós. Nesta frágil aparência suportarão, rentes ao solo, as agruras do Inverno que se aproxima.
Quando os dias crescerem, logo no início da Primavera, os meristemas produzirão mais folhas, entre-nós mais longos e, pouco depois, flores. A dita manta verde tomará cores e formas inauditas, para satisfazer a ânsia dos botânicos estiolados pelo defeso invernal.
A Tuberaria guttata é uma das plantas mais frequentes nos nossos prados oligotróficos (de solos pobres) anuais.
A Tuberaria guttata começou por se chamar Cistus guttatus e depois Helianthemum guttatum. O autor da revisão para a Flora Iberica descobriu um nome genérico anterior a Tuberaria, e a planta passou a ser conhecida por Xolantha guttata. Recentemente, o nome genérico Tuberaria foi fixado pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ver aqui), através da sua inclusão no anexo de Nomina Generica Conservanda et Rejicienda [nomes conservados e rejeitados], i.e., um anexo que recupera nomes de uso muito frequente incorrectos à luz Código. A prática da Nomina Conservanda evita uma excessiva instabilidade nomenclatural na designação científica das plantas, que ninguém deseja. Conclusão: o bom e velho nome Tuberaria guttata está de volta.
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Platanthera bifolia (Orchidaceae)
Platanthera bifolia (L.) L.C.M. Rich. = Orchis bifolia L. [basiónimo] = Habenaria bifolia (L.) R.Br. ou ainda Satyrium diphyllum Link (nomes vernáculos: satirião bifoliado, satirião verde) é uma orquidácea de distribuição eurasiática (em Portugal encontra-se sobretudo no Norte).
Esta rara orquídea é uma característica da classe florestal Querco roboris-Fagetea sylvaticae Braun-Blanq. & Vlieger in Vlieger 1937, cujo nome correcto é Querco-Fagetea Braun-Blanq. & Vlieger in Vlieger 1937, de acordo com Rivas-Martínez, T. Díaz, F. Fernández-González, J. Izco, J. Loidi, M. Lousã & A. Penas, 2002, Vascular plant communities of Spain and Portugal: Addenda to the Syntaxonomical Checklist of 2001. Itinera Geobotanica 15 (2).
A foto é de Junho de 2008, de um local situado entre a BA e TM, entre os concelhos de Tarouca e Armamar, e mostra-nos a bela orquídea num mato de Halimium lasianthum (Lam.) Spach subsp. alyssoides (Lam.) Greuter (= Cistus alyssoides Lam. (basiónimo) = Halimium alyssoides (Lam.) K. Koch, um arbusto endémico ibero-gálico), que também inclui algumas gramíneas.
domingo, 1 de novembro de 2009
Quercus x neomarei (Fagaceae) e Cistus x cyprius (Cistaceae)
Pouco antes das férias grandes o meu amigo Rubim Silva (F.Ciências-U.Porto) enviou-me um artigo da Nature - Rieseberg et al., The Nature of Plant Species, Nature, 440, 7081, 2006 - onde se concluía, preto no branco, que as espécies de plantas existem mesmo! Surpreendido? Não pense que se trata de uma questão científica menor e ultrapassada, ou então de um capricho de teórico. Embora antiga e discutida até à exaustão, a realidade da espécie nas plantas, e, implicitamente, a aplicação do conceito biológico de espécie e a similaridade (ou a dissimilaridade) dos processos de especiação nos animais e nas plantas, são temas em aberto, e de ponta.
A partir de dados recolhidos em mais de 200 géneros de plantas, os suprareferidos autores, resumidamente, defendiam que:
1) nas plantas com reprodução sexual a existência de grupos discretos indivíduos de morfologia similar é a regra, e não a excepção;
2) estes grupos de indivíduos estão, geralmente, reprodutivamente isolados. Os eventuais híbridos têm uma elevada probabilidade de serem estéreis, aliás, os híbridos férteis são mais prováveis entre os animais, do que entre as plantas;
3) a formação de híbridos não é a principal causa de, ainda assim, algumas espécies apresentarem fronteiras (morfológicas) mal definidas.
Em suma, a espécie não é um artefacto da razão. Muitos botânicos sobrevalorizaram, abusivamente, as dificuldades taxonómicas, e os testemunhos de hibridação, em Quercus (Fagaceae), Cistus (Cistaceae), Rubus (Rosaceae), Taraxacum (Asteraceae) ou Hieracium (Asteraceae), por exemplo, concluindo que as plantas são mais promíscuas do que os animais. Este enviesamento é antigo, e contaminou muitos teóricos da especiação (e.g. Darwin, por influência do seu amigo, e enorme botânico, Joseph Hooker).
Óptimo.
Para comemorar a descoberta, e a partilha de propriedades evolutivas entre plantas e animais, publico as fotos de dois híbridos (e respectivas espécies parentais), frequentes em Trás-os-Montes ;-)
Quercus faginea subsp. faginea (Fagaceae) «carvalho-cerquinho» [Bragança]
Quercus x neomarei (= Q. faginea subsp. faginea x Q. pyrenaica) (Fagaceae). N.b. folhas brilhantes, de recorte intermédio
À esquerda Q. pyrenaica; à direita Quercus x neomarei. N.b. diferenças na cor da folhagem
Cistus x cyprius (= C. ladanifer x C. laurifolius) (Cistaceae) [Bragança, Monte de S. Bartolomeu]
[fotos C. Aguiar]
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