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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Taxodium distichum (L.) Rich. (Cupressaceae) naturalizado em Portugal

 


Taxodium distichum (L.) L.C.M. Richard, in Ann. Mus. Natl. Hist. Nat. 16: 298. 1810
= Cupressus disticha L., Sp. Pl.: 1003. 1753
Esta gimnospérmica norte-americana (natural do SE dos Estados Unidos), caducifólia, pode considerar-se entre nós possivelmente como um agriófito. É um fanerófito, que terá sido introduzido sobretudo como ornamental, podendo ter também interesse pela sua madeira e pela sua utilidade ecológica, para fixar terrenos arenosos nas zonas costeiras ou próximas do mar, pois “Tem particular interêsse no revestimento de terrenos encharcados, inundáveis e margens de cursos de água” (Amaral Franco, Dendrologia Florestal, 1943: 69).
Encontrámo-la bem naturalizada e aparentemente em expansão na margem da Lagoa das Braças (BL: Figueira da Foz: Quiaios), 29TNE165552, alt. ca. 45 m, em 29 de Setembro de 2015, como permitem comprovar as quatro fotos seguintes, nas quais se podem ver os característicos pneumatóforos (nas fotos 1, 2 e 3), assim como o aspecto geral da árvore (foto 4).
A Med-Checklist (1984) e a Flora iberica (1986) não referem esta árvore, a Flora Europaea (ed. 2, 1993) e a Euro+Med Plantbase (2014) não a indicam para Portugal, assim como Amaral Franco, na Nova Flora de Portugal (1971) e Amaral Franco e Rocha Afonso em Distribuição de Pteridófitos e Gimnospérmicas em Portugal (1982); contudo, em 1943, na sua Dendrologia Florestal, Amaral Franco já mencionava esta espécie norte-americana, natural do SE dos Estados Unidos, como quase naturalizada: «Na Marinha Grande, existem exemplares com 31 m. de altura e 0,52 m. de diâmetro à altura de peito, sendo a sua propagação natural tão fácil que se pode até considerar quási subespontâneo». Propaga-se muito bem por semente, possuindo as suas sementes «um coeficiente germinativo de 40-60 %» (Amaral Franco, 1943: 68-69).
Na Europa, encontra-se sobretudo cultivada, em diversos países, embora na Bélgica seja já considerada como “Casual alien” ou “Très rarement subspontané” (Verloove, F. 2006 – Catalogue of neophytes in Belgium (1800-2005) - Scripta Botanica Belgica (Meise), 39: 81; Lambinon, J. & Verloove, F. – Nouvelle Flore de la Belgique, du Grand-Duché de Luxembourg, du nord de la France et des régions voisines (Ptéridophytes et Spermatophytes), Ed. 6 (Deuxième tirage, avec corrections). Meise. 2015: 51; Raab-Straube, E. von (2014): Gymnospermae. – In: Euro+Med Plantbase - the information resource for Euro-Mediterranean plant diversity.)
Agradecemos a A.C. Matos e a M.J. Pereira pela companhia nesta excursão botânica, assim como a F. Verloove pela sugestão de visitar este local fascinante.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Welwitschia mirabilis subsp. mirabilis (Welwitschiaceae)

Nos desertos, as comunidades vegetais perenes são abertas ou descontínuas. Consequentemente, uma parte significativa da superfície do solo não está coberta pela vegetação ou por resíduos orgânicos de origem vegetal.
Os geobotânicos (i.e. os especialistas em vegetação que sabem flora) geralmente reconhecem três tipos de deserto: o subdeserto, o eudeserto (deserto s.str.) e o hiperdeserto.
Nos subdesertos a precipitação é suficiente para sustentar formações vegetais pouco abertas, dominadas por arbustos ou mesmo pequenas árvores. Nos eudesertos, embora de forma esparsa, ocorrem plantas perenes, arbustivas ou herbáceas, fora das zonas de fisiografia depressionária.
Nos hiperdesertos a vegetação perene apresenta-se contraída em zonas depressionárias de solos arenosos, não salinos. Nestes biótopos, sob uma camada de solo seco de espessura variável, acumula-se água em profundidade que pode sustentar uma significativa biomassa de folhas transpirantes. Nos euclimatopos, i.e. nos solos próprios dos desertos mais ou menos próximos da horizontalidade, onde a concentração da água das chuvas ou o escorrimento superficial são pouco significativos, a vegetação é estritamente anual, e a germinação das plantas depende de eventos raros de precipitação efectiva, por vezes intervalados por mais de uma década.
A ecologia da vegetação desértica foi magistralmente descrita por Henrich Walter, no conhecido Vegetation of the Earth, reformulado em 2002 pelo Prof. Siegmar Walter Breckle, sob o título Walter's Vegetation of the Earth: the Ecological Systems of the Geo-Biophere.

Aproveito 4 fotos de W. mirabilis subsp. mirabilis oferecidas pelo Prof. José Carlos Costa para tecer alguns comentários avulsos sobre a ecologia desta espécie e da vegetação desértica.

W. mirabilis subsp. mirabilis, Deserto do Namibe, perto do Namibe (antiga Moçâmedes). Recentemente foi descrita mas a sul, na Namíbia, a subsp. namibiana.

Plantas femininas de W. mirabilis subsp. mirabilis.
N.b. a W. mirabilis é uma planta dióica, i.e. as populações naturais são constituídas por indivíduos masculinos e femininos; a W. mirabilis tem 2, raramente 3, folhas persistentes, frequentemente rasgadas até à base mais do que uma vez, que se alongam durante toda a vida da planta; em ambas as fotos emergem caules curtos (determinados) encimados por estróbilos femininos (= cones femininos), no bordo de um caule lenhoso em forma de disco.

Planta masculina de W. mirabilis subsp. mirabilis.
N.b. estróbilos masculinos já desorganizados (mais informação sobre W. mirabilis disponível aqui) [fotos J. C. Costa].

Diz-me o Prof. J.C. Costa que a W. mirabilis subsp. mirabilis coloniza leitos arenosos de cursos água temporários no Deserto do Namibe. Muito provavelmente as plantas retratadas nas fotografias, todas elas provenientes da mesma população, germinaram de semente e estabeleceram-se num curto período favorável, resultante da conjugação de uma toalha freática anormalmente próxima da superfície, com o humedecimento das camadas superficiais do solo por chuvas torrenciais. Os ecólogos dizem que as plantas equiénias (com a mesma idade), estabelecidas mais ou menos ao mesmo tempo, pertencem à mesma coorte.
Logo após a germinação estas Welwithscia emitiram uma raiz profundante especializada em perseguir e bombear a água acumulada em profundidade, parte dela certamente proveniente das áreas subdesérticas e dos planaltos situados a leste do Namibe. A W. mirabilis é, portanto, uma planta freatófila, i.e. exigente em águas freáticas, de modo algum adaptada a securas extremas.
Admirável planta, a W. mirabilis!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ephedra fragilis (Ephedraceae)




















Ainda faltava aqui uma Ephedra, curioso género representado em Portugal por apenas uma espécie, de distribuição algarvia e baixo-alentejana: E. fragilis Desf. (pertencente à família Ephedraceae Dumortier).
As efedras pertencem a uma das seguintes classes: Ephedropsida L.D. Benson ex Reveal, Gnetopsida Eichler ex Kirpotenko ou ainda Pinopsida Burnett.
A classe a que pertencem as efedras (seja ela qual for) inclui-se numa das seguintes divisões: Gnetophyta Bessey ou Pinophyta Cronquist.
As opiniões dos diversos autores variam um pouco em relação à posição taxonómica mais adequada para a família das Efedráceas.
Como exemplos de bibliografia internética para este género podemos citar os seguintes:
Ephedra (genus) - Wikipedia, the free encyclopedia e
http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/01_031_01_Ephedra.pdf
(A síntese do género Ephedra na Flora iberica (Vol. I, 1986) é da autoria do ilustre botânico português Professor Amaral Franco)
Uma das fotos representa a planta portuguesa: E. fragilis Desf. Noutra das fotos, de uma planta murícola pertencente a outra espécie de Ephedra L., é possível observarem-se estames, que são característicos das plantas do sexo masculino. Os frutos, que ocorrem nas plantas femininas, são mais ou menos globosos e apresentam por vezes, quando maduros, uma cor avermelhada ou arroxeada.

domingo, 11 de abril de 2010

Encephalartos sp. (Zamiaceae)
















Como ainda não estava por aqui nenhuma cicadófita, deixo aqui algumas imagens de um belíssimo e raro arbusto sul-africano pertencente ao género Encephalartos Lehm., da família Zamiaceae Horaninow (ordem Cycadales Dumort., classe Cycadopsida Brongn. e divisão Cycadophyta Bessey).
Esta curiosa planta lenhosa e perenifólia é dióica e produz sementes, sendo aparentemente algo semelhante a um feto ou a uma palmeira anã.
Possui evidente interesse ornamental, tal como é norma no vasto grupo das Gimnospérmicas.
O seu crescimento é lento e dá-se bem em climas temperados e subtropicais.
Alguma informação sobre este género pode encontrar-se aqui:
Encephalartos - Wikipedia, the free encyclopedia

sábado, 10 de abril de 2010

Ginkgo biloba (Ginkgoaceae)

















Esta bela árvore de jardim, natural da China, muito resistente e longeva (Ginkgo biloba L.) é a única espécie actualmente viva do seu género (Ginkgo L.), da sua família (Ginkgoaceae Engl.), da sua ordem (Ginkgoales Gorozh.), da sua classe (Ginkgoopsida Engl.) e da sua divisão (Ginkgoophyta Bessey), o que a torna particularmente singular.
É comummente cultivada em jardins públicos, encontrando-se actualmente em floração, como se pode verificar observando as fotos.
É possível encontrar muita informação sobre esta árvore por exemplo aqui:
Ginkgo biloba - Wikipedia, the free encyclopedia
ou aqui: Ginkgo - Wikipédia, a enciclopédia livre