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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Juglans regia (Juglandaceae) III

Agora só faltam as flores masculinas da nogueira:
Pormenor de um amento de flores masculinas de Juglans regia [foto C. Aguiar]. N.b. uma pequena bráctea semelhante a um umbigo

Envolvem as flores masculinas da nogueira sete peças estéreis: quatro sépalas e três folhas modificadas (brácteas). O interior da flor está preenchido com numerosos estames. Vistos à lupa, antes da ântese (da libertação do pólen), estes estames assemelham-se a pequenas árvores.
Sem entrar em pormenores a estrutura das flores masculinas da nogueira tem semelhanças assinaláveis com a dos bidoeiros. Não surpreende, por isso, que Betulaceae e Juglandaceae, assim como Fagaceae, Casuarinaceae e Myricaceae, pertençam à ordem dos Fagales.

domingo, 10 de maio de 2009

Juglans regia (Juglandaceae) II

As flores muito modificadas são sempre as mais interessantes. Tentar descobrir o que significa e como evoluiu cada estrutura morfológica ou anatómica, ao longo de uma linhagem ou em diferentes linhagens de plantas, é um dos exercícios mais estimulantes em botânica sistemática.

Experimentemos, a título de exemplo, explorar as flores femininas da Juglans regia «nogueira».

Flores femininas de Juglans regia «nogueira» [foto C. Aguiar]. N.b. em princípio a polinização já ocorreu porque os estigmas destas flores fazem um ângulo superior a 45º


 Na nogueira o perianto, i.e. as peças estéreis que envolvem a flor, estão reduzidas a quatro pequenas sépalas (as nogueiras não têm pétalas). Na fotografia em ambas as flores são visíveis três das quatro sépalas.

O pequeno dente localizado por debaixo da sépala mais à esquerda (flor da esquerda) tem uma interpretação mais elaborada. Os especialistas em juglandáceas admitem que se trata da extremidade livre de uma folha muito modificada (bráctea); a maior parte desta bráctea está intimamente soldada às paredes do ovário. Embora não sejam visíveis na foto, nas flores femininas da nogueira consegue-se ainda identificar os esboços de mais duas folhas modificadas (bractéolas). Por conseguinte, o fruto da nogueira, além das paredes do ovário, inclui tecidos das sépalas e das ditas brácteas!

Alguns autores referem que as brácteas das flores femininas da nogueira são uma prova, entre outras, de que as famílias da nogueira (Juglandaceae) e dos carvalhos (Fagaceae) têm um antepassado comum muito próximo. Por outro lado, a organização das brácteas é um carácter fundamental para deslindar as relações evolutivas entre os vários géneros de juglandáceas.

As relações evolutivas das plantas são exploradas da mesma forma que nos animais. O especialista em hominídeos fósseis observa a estrutura de um molar, de um fémur ou a forma de uma calote cranial. O botânico espreita, por exemplo, as flores, os dentes das folhas e, nas plantas actuais, o DNA.

sábado, 9 de maio de 2009

Juglans regia (Juglandaceae) I

A nogueiras abrolharam, aqui, na montanha, há cerca de 15 dias e encontram-se em plena floração. Como os Salix (Salicaceae) «salgueiros», os Populus (Salicaceae) «choupos» ou as Betula (Betulaceae) «bidoeiros» as nogueiras são polinizadas pelo vento, i.e. são anemófilas.

Juglans regia «nogueira» [foto C. Aguiar]. N.b. amento de flores maculinas em baixo,à esquerda; flor feminina na extremidade do ramo do ano (+/- a meio da fotografia)

Na figura percebe-se que a nogueira tem flores masculinas e femininas: é uma árvore monóica. As flores masculinas surgem organizadas em amentos e são produzidas em gomos especializados (gomos florais masculinos). As flores femininas aparecem em pequenas inflorescências de uma a duas flores nos ramos do ano.