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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Capsella Bursa-pastoris (L.) Medikus (Cruciferae) - II

Capsella Bursa-pastoris (L.) Medikus (Cruciferae), in Figueira da Foz (BL), alt. ca. 30 m, 10.II.1992.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

sábado, 22 de junho de 2024

Alyssum serpyllifolium Desf. = Odontarrhena serpyllifolia (Desf.) Jord. & Fourr. (Cruciferae)

Alyssum serpyllifolium Desf. = Odontarrhena serpyllifolia (Desf.) Jord. & Fourr.; syn.: Alyssum Pintodasilvae T.R. Dudley (Cruciferae = Brassicaceae, Brassicales), planta culta in horto botanico conimbricense (BL: Coimbra), alt. ca. 80 m, 17.VI.2024.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Albânia, pr. Korça, 11.VI.2017, vegetação serpentinícola, de rochas ultra-básicas

Albânia, pr. Korça, 11.VI.2017, vegetação serpentinícola, de rochas ultra-básicas, dominada por compostas, crucíferas, gramíneas e leguminosas (Anthyllis cf. Vulneraria, por exemplo).

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Diplotaxis muralis (L.) DC. (Cruciferae = Brassicaceae)



Esta crucífera espontânea parece ser a Diplotaxis muralis (L.) DC. = Sisymbrium murale L. (Cruciferae = Brassicaceae), fotografada em BL: Coimbra, 29TNE4950, alt. ca. 90 m, 21.IV.2020 - Trata-se de uma planta de vasta distribuição eurasiática e norte-africana (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Diplotaxis%20muralis&PTRefFk=7200000), que poderá talvez ser  relativamente frequente em Portugal continental (Lu), pelo menos nalgumas províncias do litoral (https://flora-on.pt/#/1diplotaxis+muralis). Agradecemos a sugestão identificativa ao insigne botânico André Carapeto (in Facebook).

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Teesdalia nudicaulis (L.) W.T. Aiton (Brassicaceae)


Há muito tempo que não era aqui postada uma crucífera, por isso aqui fica a tâo comum e pequena Teesdalia nudicaulis (L.) W.T.Aiton, Hort. Kew., ed. 2 [W.T. Aiton] 2: 83. 1812 [Dec 1812] = Iberis nudicaulis L. Sp. Pl. 2: 650. 1753 [1 May 1753] (http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=1059969-2) (Brassicaceae = Cruciferae), um endemismo de floração precoce, que parece ser exclusivamente europeu. madeirense e marroquino (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Teesdalia%20nudicaulis&PTRefFk=7200000; http://euromed.luomus.fi/euromed_map.php?taxon=292808&size=medium)

Esta curiosa planta foi fotografada hoje, 26.II.2017, em Aigra Nova (BL: Góis), 29TNE7241, alt. ca. 600 m, em local xistoso.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Arabis stenocarpa Boiss. & Reut. (Brassicaceae)



O belo endemismo ibérico Arabis stenocarpa Boiss. & Reut., Diagn. Pl. Nov. Hisp. 4. 1842 [Mar 1842] (http://www.ipni.org/ipni/simplePlantNameSearch.do?find_wholeName=arabis+stenocarpa&output_format=normal&query_type=by_query&back_page=query_ipni.html)
fotografado nos arredores da Guarda, pr. Serra da Estrela, alt. ca. 800 m, 27.IV.2009, em talude junto a bosques de Holco mollis-Quercetum pyrenaicae (classe Querco-Fagetea).
Esta planta poderá encontrar-se em orlas florestais da classe Trifolio-Geranietea. 
Também é visível Saxifraga granulata L. (Saxifragaceae), com as suas pequenas flores brancas.
A última foto parece de uma planta-fantasma, mas como hoje é 1 de Novembro...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Arabis beirana (Cruciferae)





Pedindo desculpa pela modesta qualidade da foto, mas tentando mesmo assim iniciar bem o novo ano 2012, com votos de paz, prosperidade e saúde para todos os leitores e camaradas blogueiros, deixamos aqui uma crucífera rara, endémica exclusiva da Península Ibérica: Arabis beirana P. Silveira, Paiva & N. Marcos in Bot. J. Linn. Soc. 135(3): 299 (2001).
Mais algumas informações interessantes acerca desta planta:
«Type Information
Collector(s): P. Silveira 2050
Locality: Beira Litoral, Pampilhosa da Serra, Colmeal, between Quinta de Belide and Decabelos, 940m
Collection Date: 1998-6-18
Type Location:
holotype COI
isotype AVE
isotype MA
Original Data:
Distribution: Portugal.», provenientes daqui:
http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=1020076-1

Na foto, proveniente de S, Pedro do Açor, alt. c. 1340 m, é possível observar mais algumas espécies como por ex. Pterospartum tridentatum (Leguminosae) -a carqueja-, Sedum sediforme (Crassulaceae), Jurinea humilis e Solidago virgaurea (Compositae).

terça-feira, 12 de abril de 2011

Alyssum minutum (Brassicaceae)

Antes que a Primavera avance em demasia, interrompo temporariamente os meus devaneios sobre agricultura e plantas agrícolas para mostrar uma pequena e fugaz planta, daquelas que facilmente passam despercebidas ao botânico mais treinado e atento.
Alyssum minutum (Brassicaceae)

Este Alyssum anual faz parte de um grupo alargado de vegetais neutrófilos que povoa as rochas básicas nordestinas, e que por ali fica, não avançando mais para sul, país adentro (o A. minutum está citado para a Beira Alta mas não faço ideia para onde). Conforme se pode confirmar na foto, tem os frutos (silículas) glabros, ao contrário dos demais congéneres presentes no território Português.
O A. minutum foi colhido pela primeira vez em Portugal por Gonçalo Sampaio numa das suas memorável viagens de comboio a Trás-os-Montes. A linha do Tua chegou a Bragança em 1906. A plantas mais interessantes foram colhidas por G. Sampaio em 1904 e em 1909. Nas listas publicadas por este eminente botânico conta-se uma mão cheia de espécies novas para Portugal (e.g. Alyssum minutum, Phleum phleoides, Saxifraga dichotoma subsp. albarracinensis, Silene legionensis e Rubus genevieri), e para a ciência (e.g. Digitalis amandiana, ver aqui).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sinapis arvensis (Brassicaceae)

No passado mês de Junho, num leito de cheias cascalhento de um pequeno rio transmontano, longe de tudo e de todos, herborizei esta planta:

«A linha de água está pouco perturbada e as encostas sobranceiras revestidas por abundantes azinhais climácicos. A planta deve ser rara!», pensei então. Entusiasmado, corri para o herbário; segui as chaves das Floras e observei ao pormenor os meus exemplares herbário de brassicáceas com frutos compridos (silíquas). O resultado era sempre o mesmo. «Não pode ser! O sítio é perfeito para plantas invulgares!». Recusei-me a aceitar. Enviei uma foto a um amigo botânico; o veredicto foi rápido e claro: Sinapis arvensis, a mais do que frequente mostarda-dos-campos. Que desilusão! Não tinha, afinal, encontrado uma espécie nova para Trás-os-Montes, e muito menos para Portugal.

Este relato pequenino pouco interesse tem; não chega sequer para um blogue descomprometido de divulgação botânica. Porém estimula a imaginação, oferece uma razão para recuperar, ainda brevemente, uma das especulações preferidas  da comunidade fitossociológica: na paisagem pristina, há mais de 5000 anos, qual era o habitat das espécies que hoje preenchem os nossos campos e matos? Por outras palavras: Onde estavas tu, planta daninha, arbusto enfadonho, antes do Neolítico?
Estas dúvidas não têm uma resposta simples e objectiva. Vai-se especulando, vai-se cambiando de ideias com novas observações, com pequenas epifanias. Cada planta é um caso, e um caso por natureza insolúvel.
De qualquer modo, a dita Sinapis arvensis (Brassicaceae), o Pinus pinaster (Pinaceae) «pinheiro-bravo» e o Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva» numa escapa, a Erica australis (Ericaceae) «urze-vermelha» encavalitada numa crista quartzítica, a Spergula arvensis (Caryophyllaceae) que germina às primeiras chuvas num mato recentemente ardido ou o Cynodon dactylon (Poaceae) «grama» a perfurar um exíguo mouchão de areias acumulado nas margens de um rio de montanha, estas e muitas outras plantas, fazem-me suspeitar da sua raridade, ou, pelo menos, infrequência nas paisagens pristinas.
O Neolítico, a agricultura, alterou a ordem das coisas: o que era raro volveu abundante e o comum incomum. Com muitas excepções, suponho.
A conservação da natureza, como muito bem dava a entender o Luís Moreira num comentário a este post, está impregnada pelos modelos de paisagem das sociedades orgânicas tradicionais, que sobreviviam, mal, muito mal, a malhar nos ecossistemas naturais, numa luta diária para recuperar ou colher o átomo de azoto e de fósforo e com ele fazer a seara e a horta, e compensar à justa a enorme despesa energética dos corpos retorcidos pela enxada e pela gadanha.
Este referencial em cima do qual raciocinamos a conservação da natureza, no fundo, esta ideologia, não parece lá muito lógica.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mais uma planta não identificada (Brassicaceae)




Trazemos hoje aqui uma crucífera não identificada, fotografada no Jardim Botânico de Berlim já há vários anos. Não sabemos se será uma planta particularmente comum, mas parece-nos dar-se bem em sítios frescos e sombrios, apresentando uns curiosos bulbilhos globosos anegrados, algo semelhantes às amoras das silvas.
Pode ser que algum dos ilustres leitores deste blog nos possa esclarecer acerca da identidade desta crucífera...
A Fagus sylvatica L. (Fagaceae) e a Hedera helix L. (Araliaceae) também são bem visíveis nestas duas fotos, e, possivelmente, ainda outras espécies umbrófilas.

domingo, 25 de abril de 2010

Flora do lameiro do Poulão III: Bellis perennis, Moenchia erecta, Lepidium heterophyllum, Ranunculus peltatus

Trago hoje 4 plantas de flores bancas que por estes dias florescem no lameiro do Poulão.
Primeiro a Bellis perennis (Asteraceae), a conhecida margarida, em floração deste o início de Abril, e que persistirá até ser abafada pelas gramíneas. A B. perennis distingue-se facilmente de outras compostas arrosetadas (com folhas concentradas na superfície do solo) pelas suas lígulas brancas, muito estreitas, frequentemente tintas de vermelho.



Como choveu muito, este ano é invulgarmente frequente nas partes mais altas e secas dos lameiros a Moenchia erecta (Caryophyllaceae), uma pequena e frágil planta com uma marcada preferência por solos temporariamente encharcados. Ao contrário da grande maioria das cariofiláceas a M. erecta tem geralmente 4 sépalas e 4 pétalas. As sépalas debruadas de branco são também inconfundíveis.


Em breve tentarei explicar por que razão os lameiros não são uma comunidade, mas sim um intrincado complexo de vegetação pratense, frequentemente enriquecido com vários tipos de vegetação nitrófila, semiterrestre (= anfíbia) e aquática. A planta que se segue, o Lepidium heterophyllum (Brassicaceae), é um conhecido indicador das versões mais secas dos chamados lameiros de regadio, a comunidade vegetal mais produtiva destes complexos de vegetação. Esta pequena crucífera perene coloniza ainda com facilidade margens de caminhos e taludes algo húmidos.


Nas valas e canais iluminados pelo sol, com águas permanentes lentas mas não estancadas, está em flor o Ranunculus peltatus (Ranunculaceae):



A revisão do José Pizarro (ver aqui) tem desenhos e chaves dicotómicas muito úteis para identificar os Ranunculus aquáticos (Ranunculus subgénero Batrachium) portugueses.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Eruca vesicaria & Sinapis alba subsp. mairei (Brassicaceae)

A Terra Quente transmontana está fantástica dos meados de Março até aos meados de Maio.
Por esta altura dominam a biomassa das comunidades de plantas de taludes e margens de caminhos duas plantas da família da couve (Brassicaceae ou Cruciferae, o Código Internacional de Nomenclatura Botânica aceita as duas grafias): a Eruca vesicaria e a Sinapis alba subsp. mairei.

Eruca vesicaria (Brassicaceae) «rúcula-selvagem»
[Carrazeda de Ansiães, Foz Tua; Foto C. Aguiar]

A Eruca vesicaria «rúcula-selvagem» é apreciada pelo menos desde a Roma Clássica, e muito citada pelos gourmets de plantas não cultivadas.
No passado extraía-se um óleo da rúcula-selvagem, usado como condimento em substituição da mostarda. Actualmente, colhem-se as suas folhas, de preferência antes da floração, para consumo em fresco em saladas. O mesmo destino pode ser dado às flores e aos botões florais. A rúcula tem um sabor picante inconfundível devido à presença de um glucosinolato sulfurado - o ácido erúcico - cuja toxicidade não é consensual entre os especialistas. Pelo sim e pelo não mais vale consumir folhas de variedades melhoradas com baixos teores de ácido erúcico, que podem ser cultivadas com sucesso em qualquer horta urbana ou rural. Em alternativa, é fácil encontrar rúcula empacotada nos supermercados, vindas sabe-se lá de onde, e a que preço!
Alguns autores defendem que as linhagens cultivadas desta planta exibem uma morfologia distinta das populações selvagens, concretamente maior dimensão, folhas menos divididas, cálice persistente e flores mais pálidas - propondo a sua segregação sob o nome E. vericaria subsp. sativa. Outros afirmam que se observa um contínuo entre a subsp. vericaria e a subsp. sativa, que impede qualquer tratamento subespecífico da E. vesicaria

S. alba subsp. mairei (Brassicaceae)
[Carrazeda de Ansiães, Foz Tua; Foto C. Aguiar]

Das sementes moídas da S. alba subsp. alba, um domesticado da subsp. mairei de escasso valor taxonómico, faz-se uma mostarda suave (mostarda-branca). As mostardas mais picantes (mostardas francesas) baseiam-se nas sementes de Brassica nigra, uma planta de proveniência desconhecida, assilvestrada no sul do país. Dizem os livros que a mostarda-branca pode ser usada como condimento, ou em sinapismos (cataplasmas que provocavam um afluxo de sangue nas zonas de aplicação).

sábado, 20 de março de 2010

Arabis sadina (Brassicaceae)


























Animado pelos gentis comentários, deixo ainda aqui outra pérola da flora de Portugal: Arabis sadina (Samp.) Cout. = Arabis muralis var. sadina Samp. (basiónimo), mais uma vez fotografada no excepcional Cabeço da Fórnea (concelho de Porto de Mós, no PNSAC e CW calc.). Planta perene, rizomatosa e unicaule, trata-se de um endemismo português de floração precoce, que se pode encontrar nas seguintes províncias: BAl, BL, E, R, de acordo com o ilustre botânico S. Talavera in Flora iberica (IV: 153, 1993), que se pode consultar aqui.
Segundo as fontes fitossociológicas habituais (já citadas em vários outros posts recentes), este precioso endemismo surge no seio da aliança Calendulo lusitanicae-Antirrhinion linkiani, da ordem Phagnalo saxatilis-Rumicetalia indurati, pertencente à classe Phagnalo-Rumicetea indurati, de comunidades rupícolas casmo-comofíticas de plantas anãs e perenes.
Como é normal nas Crucíferas, as flores desta pequena planta possuem 6 estames e 4 pétalas, bem visíveis.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

É tempo de crucíferas

Não tenho nenhuma hipótese ou pergunta ecológica fantástica, apenas me apeteceu mostrar informalmente umas quantas crucíferas, já que é tempo delas.
Generalizações são perigosas, especialmente se forem empíricas como esta que vou fazer. Mesmo assim arriscaria dizer que a família das crucíferas parece ter uma certa tendência para florescer muito cedo - em meados de Fevereiro já muitas espécies podem ser vistas em flor. Algumas até no Outono já estão em pleno (ver aqui). Eis quatro dessas crucíferas "temporãs", todas encontradas no mesmo habitat - uma cascalheira calcária.

[fotos: MPorto]

Hesperis laciniata, em particular, acho fantástica, exuberância suprema, além de bastante rara. Apenas a conheço nos "melhores calcários" aqui do centro sul. Planta perene de grande tamanho, flores grandes, um tanto ou quanto semelhante aos goivos de jardim (Matthiola spp.). Simplesmente espectacular, muito estranho é ver tamanha exuberância e delicadeza debaixo deste frio invernal.
Hornungia petraea, pelo contrário, prima pela sua minuscularidade. Um habitante efémero de rochas com uma fina camada de solo, onde, após o término das chuvas, apenas conseguem subsistir plantas suculentas (fam. Crassulaceae) e musgos tolerantes à desidratação (poiquilohídricos), já que estas camadas finíssimas de solo não retêm a água mais do que poucas horas se expostas ao sol em tempo seco; qualquer ocupante desprevenido seria desidratado tout de suite. Não sei se a H. petraea é rara, talvez seja provavelmente mais comum do que se pensa, e por ser tão discreta e efémera, passa despercebida.
Semelhante comportamento têm as restantes duas, plantas em geral muito pequenas que colonizam pequenos nichos efémeros. E como estas há todo um grupo de crucíferas anuais miniatura a florescer nesta época... não esquecer Teesdalia spp., Cardamine spp., Jonopsidium acaule, entre outras...

Mas nem só de crucíferas vive o homem, com isto ficou a apetecer mostrar mais um pouco das maravilhas em miniatura que se podem ver nesta época! Plantas das quais só nos apercebemos da existência quando estamos a vinte centímetros de distância!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Diplotaxis catholica (Brassicaceae) e Spergula arvensis (Caryophyllaceae)

O Outono adensa-se. Dois dias seguidos de chuva a sério, finalmente! O frio embora (muito) atrasado, não deve tardar. Entretanto, algumas das anuais que germinaram com as primeiras chuvas de Outubro, já produziram flores e frutos, e preparam-se para disseminar as primeiras sementes maduras.
Os dois campeões da precocidade no NE de Trás-os-Montes são ...

Fruto imaturo de Diplotaxis catholica (Brassicaceae). N.b. estilete e estigma na extremidade distal (oposta ao pedicelo) do fruto em formação; ovário a evoluir para fruto com sementes imaturas no seu interior; sementes dispostas em duas fiadas longitudinais, a principal característica do género Diplotaxis [Moncorvo, Vilariça]

Spergula arvensis (Caryophyllaceae) [Moncorvo, Vilariça]

Ao olhar para estas plantas recordei-me de uma das vantagens evolutivas das angiospérmicas geralmente citadas nos livros de evolução de plantas: rápida fecundação e formação de sementes (nas gimnospérmicas [e.g. pinheiros e ciprestes] a fecundação e a disseminação das sementes distam mais de um ano, enquanto uma angiospérmica [plantas com flor] pode florir e produzir sementes em poucos dias).
[fotos C. Aguiar]

sábado, 13 de junho de 2009

Alliaria petiolata (Brassicaceae)

A Alliaria petiolata é muito frequente em orlas de bosques caducifólios e em margens sombrias de caminhos no centro e norte de Portugal continental.
Tem uma uma característica inconfundível vertida no nome genérico: liberta um intenso odor a alho quando esmagada.

Alliaria petiolata (Brassicaceae)

sábado, 6 de junho de 2009

Alyssum serpillifolium subsp. lusitanicum (Brassicaceae) II

O A. serpillifolium subsp. lusitanicum tem uma característica fisiológica muito curiosa: hiperacumula níquel (Ni). Este metal pesado pode ultrapassar a concentração de 35 g Ni/kg matéria seca, i.e. representar mais de 3,5 % do peso seco desta planta.

Qualquer planta suporta uma comunidade de herbívoros que vivem à sua custa. Está provado que o Ni entra nas cadeias tróficas através dos herbívoros que consomem Alyssum. Bem perto de minha casa, no termo de Samil, os gafanhotos que pastam Alyssum revelaram teores elevados de Ni: estão naturalmente contaminados com metais pesados!


Existem várias explicações para a hiperacumulação de Ni (e de outros metais pesados) nos tecidos das plantas, todas elas partindo do princípio que acumulação de grandes quantidades de Ni é adaptativa, i.e. que aumenta o sucesso reprodutivo dos seus portadores. As hipóteses mais plausíveis são: 1) a defesa contra herbívoros e microorganismos patogénicos (hipótese da defesa); 2) enriquecimento superficial do solo em Ni de modo a conter potenciais plantas competidoras (hipótese da alelopatia).
A hiperacumulação de Ni (por convenção plantas com mais de 1 g Ni/kg peso seco) está comprovada em mais de 320 espécies de plantas vasculares, a maioria delas pertencentes às famílias Euphorbiaceae, Flacourtiaceae (família hoje em dia incluida nas Salicaceae), Sapotaceae, Violaceae, Buxaceae e Brassicaceae.
Na Europa as plantas hiperacumuladoras de Ni são todas Brassicáceas, pertencentes a dois géneros: Alyssum e Thlaspi. Estão descritos perto de 50 microendemismos no género Alyssum que hiperacumulam Ni, dois deles na Península Ibérica: o A. serpillifolium subsp. lusitanicum, no NE de Portugal e Galiza, e o A. malacitanum, no SE da Andaluzia.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Alyssum serpyllifolium subsp. lusitanicum (Brassicaceae) I

A. serpillifolium subsp. lusitanicum (= A. pintodasilvae) é uma pequeno arbusto da família da couve (Brassicaceae), supostamente endémico das rochas ultrabásicas do NE de Portugal (Maciços de Morais e de Bragança-Vinhais) e da Galiza (Melides). Encontra-se, neste momento, em plena floração cobrindo de um manto amarelo os serpentinitos transmontanos.


Comunidade de A. serpillifolium subsp. lusitanicum (Samil, Bragança) [foto C. Aguiar]

Esta espécie coloniza solos recentemente abandonados pela agricultura cerealífera e margens de caminhos. Embora menos abundante é frequente em estevais de Cistus ladanifer e Genista hystrix e em comunidades herbáceas vivazes.
A regeneração do Alyssum depende da perturbação do solo. A mobilização mecânica do solo, a movimentação dos animais domésticos, as fossadas dos javalis ou os ciclos de congelamento-descongelamento da superfície do solo nos dias frios de Inverno facilitam a instalação desta espécie. A sua abundância está, em grande medida, relacionada  com o historial recente de uso agrícola do solo.
A correlação entre a presença desta espécie e os afloramentos de rochas ultrabásicas é absoluta. Uma boa ajuda para os especialistas em cartografia geológica e para os prospectores de minerações de níquel, crómio e platina.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Flores amarelas pelo caminho

A presença abundante de plantas de flor amarela a bordejar os caminhos é uma das imagens mais marcantes da Primavera em Portugal continental. A maioria daquelas plantas pertencem à família das Brassicáceas (= Crucíferas). 
Três exemplos:

Sinapis alba (Brassicaceae)

Sisymbrium officinale (Brassicaceae)

Hirschfeldia incana (Brassicaceae) [fotos C.Aguiar]

A floração das crucíferas ruderais de flor amarela não é simultânea. As primeiras a florir, geralmente, são os Diplotaxis (e.g. D. catholica) e a Brassica barrelieri. Pouco depois florescem os Sisymbrium sp.pl., a Hirschfeldia incana, a Bunias erucago, a Sinapis alba ou o Rapistrum rugosum. Estas duas últimas espécies são claramente termófilas, i.e. preferem territórios quentes pouco atreitos as geadas tardias.