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sábado, 22 de maio de 2021

Polinizadores: os fiéis mensageiros das plantas, com Sílvia Castro

De muito interesse, também, acerca dos polinizadores e da polinização. Agradecemos à LPN estes quatro excelentes vídeos científicos e didácticos - parabéns por esta admirável iniciativa botânica!

Do verde ao vermelho: a flora ameaçada, com André Carapeto

Muito interessante, sobre a flora de Portugal continental.

domingo, 28 de outubro de 2012

Holcus gayanus Boiss. (Gramineae)


Pensamos que ainda aqui não tinha sido postada a bela gramínea Holcus gayanus Boiss., Voy. Bot. Espagne 2: 637. 1842, que é endémica exclusiva da Península Ibérica, segundo Valdés, B. & Scholz, H.; with contributions from Raab-Straube, E. von & Parolly, G. (2009): Poaceae (pro parte majore). Euro+Med Plantbase - the information resource for Euro-Mediterranean plant diversity.
Esta erva discreta e rara tem importância para a conservação da Natureza no Norte do País, por ex. de acordo com esta proposta muito recente:
CÂMARA MUNICIPAL DE PONTE DA BARCA
REVISÃO DO PLANO DIRETOR MUNICIPAL
«Nos afloramentos rochosos existe vegetação rupícola dominada pela Silene acutifólia acompanhada habitualmente de Sedum hirsutum, Holcus gayanus e Umbilicus rupestres (Sileno acutifoliae-Holcetum gayani) (HONRADO, 2003). Esta vegetação enquadra-se no habitat 8220pt1 – Afloramentos rochosos siliciosos com comunidades casmofiticas (ALFA, 2006).»
Esta foto é proveniente da Serra do Gerês, num local elevado, 20.VI.2003, onde se encontra também uma espécie do género Rumex L.: Rumex sp. (Polygonaceae)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O fim da biodiversidade litoral


Rhynchospora modesti-lucennoi (foto: Duarte Silva)

Apesar de as áreas classificadas da Rede Natura ocuparem 21% do território Nacional, estamos longe de ter a perda de biodiversidade sob controlo. Em primeiro lugar, classificado não é a mesma coisa que protegido. Basta pensar no empreendimento da Barragem do Sabor e no caso A24 que atravessa a melhor área de carvalhal do sítio Alvão/Marão. Em segundo lugar, a maior parte das áreas classificadas estão em zonas do interior do país, onde a desertificação humana está a promover o restauro ecológico da paisagem. Mas olhando para as zonas litorais, o panorama é completamente diferente. A erosão costeira, a eutrofização excessiva e a construção sem ordenamento estão a transformar para sempre a paisagem litoral. E se fosse feito um Livro Vermelho da Flora Vascular neste momento algumas das plantas mais raras estariam em áreas litorais. Resolvi então falar de algumas dessas plantas e da sua situação no Norte de Portugal, para pintar um pouco do retrato da conservação vegetal em Portugal em comparação com os nossos vizinhos Espanhóis. Rhynchospora modesti-lucennoi (Em perigo critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) está a desaparecer nas zonas das lagoas de Quiaios devido a eutrofização das mesmas. Recentemente foi descoberta uma população perto de Ponte de Lima. Genista ancistrocarpa (Em Perigo Critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) possui algumas boas populações em Ponte de Lima e Viana do Castelo e Chaves mas foi extinta no resto da área. Euphorbia uliginosa (Em Perigo Critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) encontra-se provavelmente extinta no norte de Portugal, tendo algumas boas populações no Centro de Portugal. Cheirolophus uliginosus (Em Perigo Critico no Livro Vermelho da flora vascular Espanhola) ocorre num local em Vila Nova de Gaia, tendo algumas boas populações no Centro de Portugal. Succisella carvalhoana, Selinum broteri, Dryopteris guanchica e Linkagrostis juresii estão classificados como vulneráveis em Espanha mas a sua situação em Portugal é uma incógnita. Estas plantas estão quase todas associadas a ambientes oligotróficos litorais que se tornaram raros devido a uma política agrícola comum que promoveu uso excessivo de fertilizantes.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sinapis arvensis (Brassicaceae)

No passado mês de Junho, num leito de cheias cascalhento de um pequeno rio transmontano, longe de tudo e de todos, herborizei esta planta:

«A linha de água está pouco perturbada e as encostas sobranceiras revestidas por abundantes azinhais climácicos. A planta deve ser rara!», pensei então. Entusiasmado, corri para o herbário; segui as chaves das Floras e observei ao pormenor os meus exemplares herbário de brassicáceas com frutos compridos (silíquas). O resultado era sempre o mesmo. «Não pode ser! O sítio é perfeito para plantas invulgares!». Recusei-me a aceitar. Enviei uma foto a um amigo botânico; o veredicto foi rápido e claro: Sinapis arvensis, a mais do que frequente mostarda-dos-campos. Que desilusão! Não tinha, afinal, encontrado uma espécie nova para Trás-os-Montes, e muito menos para Portugal.

Este relato pequenino pouco interesse tem; não chega sequer para um blogue descomprometido de divulgação botânica. Porém estimula a imaginação, oferece uma razão para recuperar, ainda brevemente, uma das especulações preferidas  da comunidade fitossociológica: na paisagem pristina, há mais de 5000 anos, qual era o habitat das espécies que hoje preenchem os nossos campos e matos? Por outras palavras: Onde estavas tu, planta daninha, arbusto enfadonho, antes do Neolítico?
Estas dúvidas não têm uma resposta simples e objectiva. Vai-se especulando, vai-se cambiando de ideias com novas observações, com pequenas epifanias. Cada planta é um caso, e um caso por natureza insolúvel.
De qualquer modo, a dita Sinapis arvensis (Brassicaceae), o Pinus pinaster (Pinaceae) «pinheiro-bravo» e o Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva» numa escapa, a Erica australis (Ericaceae) «urze-vermelha» encavalitada numa crista quartzítica, a Spergula arvensis (Caryophyllaceae) que germina às primeiras chuvas num mato recentemente ardido ou o Cynodon dactylon (Poaceae) «grama» a perfurar um exíguo mouchão de areias acumulado nas margens de um rio de montanha, estas e muitas outras plantas, fazem-me suspeitar da sua raridade, ou, pelo menos, infrequência nas paisagens pristinas.
O Neolítico, a agricultura, alterou a ordem das coisas: o que era raro volveu abundante e o comum incomum. Com muitas excepções, suponho.
A conservação da natureza, como muito bem dava a entender o Luís Moreira num comentário a este post, está impregnada pelos modelos de paisagem das sociedades orgânicas tradicionais, que sobreviviam, mal, muito mal, a malhar nos ecossistemas naturais, numa luta diária para recuperar ou colher o átomo de azoto e de fósforo e com ele fazer a seara e a horta, e compensar à justa a enorme despesa energética dos corpos retorcidos pela enxada e pela gadanha.
Este referencial em cima do qual raciocinamos a conservação da natureza, no fundo, esta ideologia, não parece lá muito lógica.

sábado, 20 de novembro de 2010

Cereal-pousio: erosão com o apoio da UE

Imagens como esta continuam a ser frequentes em Trás-os-Montes e em todo o sequeiro mediterrânico português:


Preparação do solo - para trigo, talvez - no sentido do maior declive

Mesmo em declives suaves, qualquer que seja o número, a época ou o sentido das mobilizações, a rotação cereal-pousio herdada da Roma clássica origina enormes perdas de solo por erosão (para entender o porquê proponho a leitura do capítulo IV deste livro):

Seara de centeio [PNM, Carragosa, Outubro de 2010]


A terra acaba por se esvair. Sobra um solo de palmo, com a mesma profundidade a que se desloca a relha da charrua:

Restolho de Trigo [Concelho de Macedo de Cavaleiros]


A rotação cereal-pousio é apoiada financeiramente pela UE porque - é senso comum - terá um papel essencial na conservação de uma certa biodiversidade animal. Faz sentido trocar um recurso não renovável - o solo - por um hipotético efeito benéfico em espécies cuja área de ocupação actual é um produto da perturbação antrópica holocénica? Para mim não faz, e duvido que as gerações futuras agradeçam tamanho empenho. A rotação cereal-pousio é anacrónica.

terça-feira, 13 de abril de 2010

'A CRIAÇÃO' de EDWARD O. WILSON








Existe uma obra póstuma do ilustre planetólogo Carl Sagan (1934 - 1996): 'the varietes of scientific experience', que reúne um ciclo de conferências compiladas pela sua mulher Ann Druyan, a partir das cassetes então gravadas. É um livro acerca do encantamento e reverência pelo Universo e pela Natureza que decorrem do conhecimento científico. O capítulo final, dedica-o Sagan, a um apelo à união de esforços entre os cientistas e os líderes religiosos para lutar, sem tréguas, contra a perspectiva próxima de uma catastrófica perda de biodiversidade na Terra. O próprio título é uma paráfrase de um famoso tratado de antropologia e filosofia das religiões 'the varieties of religious experiences' de William James (1842 - 1910). A ideia principal de Sagan é que: a diferença cultural entre crentes e humanistas seculares poderia ser ultrapassada, neste particular, a bem de um valor maior de defesa da Vida e catalisada neste propósito a influência que ambas os magistérios têm na Humanidade. Em nome de ser salva a Bioesfera tal como a conhecemos.

É esse mesmo tema que o eminente biólogo, Edward O. Wilson (1929 - ),um dos maiores pensadores científicos do nosso tempo, retoma no seu livro 'A Criação'. Na qualidade de humanista secular e de cientista, dirige-se ao longo do livro, a um pastor evangélico do Sul dos E.U.A, expondo-lhe a maravilhosa diversidade da Vida e a catastrófica ameaça de extinção de um quarto das espécies da Terra, até ao fim do presente século, por via da acelerada e imparável destruição dos seus habitats. Uma imensidão de evidência científica suporta ser a diversidade de seres vivos o resultado do processo de Evolução em alternativa a um acto de um divino demiurgo; mas não é disso que o cientista quer convencer ou debater com o pastor, que acredita na literalidade bíblica da criação ex nihilo.

Apelando à união - neste desígnio - de dois domínios largamente irreconciliáveis por natureza: a Ciência e a religião, como as forças mais influentes na vontade humana, o cientista insta o pastor a juntar-se-lhe e pregar junto dos seus fieis, uma vez mais, o ensejo da salvação. Da salvação da 'Criação'.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ophrys bombyliflora Link. (Orchidaceae)


[J.Capelo, 2009, foto de telemóvel. A espantosa profundidade de campo, tipo 'pinhole' é muito boa para estas brincadeiras].


Só mais uma para a biodiversidade urbana agraciando com esta órquídea o novel Instituto Nacional de Recursos Biológicos (instituto público). Se eu em eu tal acreditasse, diria uma graça da providência. Notar os pauzinhos que a protegem. Na ausência de políticas e estratégias de investigação consistentes para a área da conservação da biodiversidade, vamos-nos enternecendo com estas coisas que surgem no nosso relvado.