Mostrar mensagens com a etiqueta Vegetação arbórea. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vegetação arbórea. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Quercus orocantabrica Rivas Mart., Penas, T.E.Díaz & Llamas (Fagaceae)

Quercus orocantabrica Rivas Mart., Penas, T.E.Díaz & Llamas (FagaceaeFagales, Magnoliopsida, Magnoliopsida) - BA: Castro Daire: Picão, Bogalhão, alt. c. 500 m s. m., 23.V.2003.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Quercus pyrenaica Willd. (Fagaceae, Fagales, Magnoliopsida, Angiospermae)

Quercus pyrenaica Willd. (Fagaceae, Fagales, Magnoliopsida, Angiospermae) - BA: Castro Daire, Picão, alt. c. 800 m s. m., 23.V.2003.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Arbutus Unedo Linnaeus (Ericaceae, Ericales)

O medronheiro, Arbutus Unedo Linnaeus (Ericaceae, Ericales) pr. ⊠ Vigia, 393 m, conc. de Odemira (BAl), em 1.XI.2003.

domingo, 26 de novembro de 2023

Quercus rotundifolia Lamarck (Fagaceae, Fagales)

Parece ser Quercus rotundifolia Lamarck (Fagaceae, Fagales) - em Coimbra (BL), alt. 100 m, 25.XI.2023.

Quercus Robur Linnaeus (Fagaceae, Fagales

Parece ser Quercus Robur Linnaeus (Fagaceae, Fagales) - em Coimbra (BL), alt. 100 m, 25.XI.2023.

Quercus pyrenaica Willdenow (Fagaceae, Fagales)

Quercus pyrenaica Willdenow (Fagaceae, Fagales) em Coimbra (BL), alt. 100 m, 25.XI.2023.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Aria edulis (Willd.) M.J. Roemer (Rosaceae)



Fig. 1: Aria edulis (Willd.) M.J. Roemer - BA: Sabugal, pr. Quadrazais, 29TNE700646, alt. ca. 830 m, 23.VI.2016.

Fig. 2: Aria edulis (Willd.) M.J. Roemer - BA: Sernancelhe: Serra da Lapa, 29TPF1925, alt. ca. 890 m, 19.V.2004.
Fig. 3: Aria edulis - BA: Tondela: Serra do Caramulo, Cabeço da Neve, ca. 2001.


Fig. 4 e 5: Aria edulis (Willd.) M.J. Roemer - BA: Sernancelhe: Arnas: pr. Tabosa, 29TNE700646, alt. ca. 830 m, 13.V.2017.



Fig. 6: Aria edulis (Willd.) M.J. Roemer from BA: Penedono, 29TPF351386, 905 m, 27.VIII.2004.

Aria edulis (Willd.) M.J. Roemer = Pyrus edulis Willd. [basion.] 
(syn.: Crataegus aria L. = Sorbus aria (L.) Crantz) é um arbusto ou árvore da família das Rosáceas, espontâneo e pouco comum em Portugal continental (Lu), no Norte e Centro.

Referências: 

Almeida, J.D., E.P. Pereira & H.N. Alves.  2018. Sorbus aria (L.) Crantz – Mapa de distribuição. Flora-On: Flora de Portugal Interactiva, Sociedade Portuguesa de Botânica. http://www.flora-on.pt/#wSorbus+aria. Consulta realizada em 8/05/2018.

Kurtto, A., A.N. Sennikov & R. Lampinen & A. (eds).  2018. Atlas Florae Europeaeae. Distribution of vascular plants in Europe. 17. Rosaceae (Sorbus s. lato). Rosaceae (Rubus). ― The Committee for Mapping the Flora of Europe & Societas Biologica Fennica Vanamo. Helsinki. 


Sennikov, A. & A. Kurtto.  2017. A phylogenetic checklist of Sorbus s.l. (Rosaceae) in Europe. Memoranda Societatis pro Fauna et Flora Fennica 93: 1–78. Helsinki, 13 June 2017.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Orobanche gracilis Smith (Orobanchaceae)

No primeiro post deste Verão quente de 2016, trazemos aqui a belíssima Orobanche gracilis Smith (Orobanchaceae), que ainda não tinha sido postada neste blog. Esta foto foi obtida na orla de um pequeno bosque (antigo carvalhal de Arisaro-Quercetum fagineae) no Vale de Poios (BL: concelho de Soure), no CW. calc., 29TNE4027, alt. ca. 290 m.
Agradecemos ao ilustre botânico francês James Molina a identificação desta bela planta.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Aveleirais

Aveleiral em Arcos de Valdevez (Foto: P. Alves) Um dos habitats florestais que se encontra em expansão nos solos férteis da Galiza e norte de Portugal corresponde a carvalhais ricos em espécies que ocorrem geralmente em solos férteis na base de encostas e incorporam no estrato arbóreo uma grande diversidade de espécies para além do carvalho-alvarinho, tais como Fraxinus angustifolia, Acer pseudoplatanus, Laurus nobilis ou Castanea sativa. Podem também corresponder a formações secundárias em zonas de coluviões ou ravinas apertadas com presença de linhas de água, sendo dominadas por espécies como Corylus avellana e Ulmus glabra. No território português estas formações foram interpretadas como pertencendo ao habitat 9160 - Carvalhais pedunculados ou florestas mistas de carvalhos e carpas subatlânticas e médio europeias da Carpinion betuli, enquanto no território galego foram atribuídos ao habitat 9180* - Bosques de encostas, depósitos ou barrancos de Tilio-Acerion. Na realidade, as espécies de Carpinion (habitat 9160) e Tilio-Acerion (habitat 9180*) chegam de forma finícola aos nossos territórios e por essa razão estes dois tipos de formações foram colocadas no mesmo saco. Na verdade, as formações de aveleira enquadradas no subtipo 2 do habitat 9160 correspondem, se fizermos uma interpretação correcta, ao habitat prioritário 9180*.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

azevinhos e carvalhos

Azevinhal na serra da Peneda (foto: P. Alves). Os azevinhais são das formações mais interessantes em Portugal, devido à raridade e carácter pontual com que aparecem na paisagem. A sua permanência parece ter origem na resiliência do azevinho face a perturbação recorrente pelos incêndios, mas não explica completamente o fenómeno. Os azevinhais aparecem no topo das serras em locais onde todos os carvalhos foram cortados há muito tempo. Os carvalhos são árvores com um grande sucesso de germinação e a grande quantidade de endosperma das bolota dá-lhes uma vantagem competitiva mesmo quando jovens plântulas. Mas essa vantagem é uma inconveniência quando falamos na dispersão das sementes. Se não existir um carvalho que forneça propágulos na proximidade, dificilmente teremos carvalhais na paisagem. Pelo contrário, o azevinho é um campeão nesse particular, especialmente quando falamos de dispersão zoocórica. As aves são os seus maiores aliados e uma semente de azevinho chega quase a todo o lado. E por essa razão vemos bosques de azevinho exuberantes na serrana da Peneda e não conseguimos descobrir nem um pequeno carvalho…

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cedrus libani e mais alguns amigos (Pinaceae)



















Trazemos aqui hoje a grande e bela árvore Cedrus libani A.Rich. = Abies cedrus (L.) Poir. = Pinus cedrus L. = Larix cedrus (L.) Mill. = Peuce cedrus (L.) Rich. = Cedrus libanotica Link, que possui muitos nomes, como aqui se pode consultar:
Cedrus libani A.Rich. — The Plant List.
Mais misteriosa é a identidade dos pequenos amiguinhos fotografados no mesmo local, uma bela floresta de cedros (cedral) situada no sul da grande península (ou microcontinente) que é a Anatólia.
Se algum dos ilustres leitores deste blog os puder identificar, antecipadamente, aqui ficam os nossos humildes agradecimentos.
Também existem excelentes bosques de cedros noutros locais: nas montanhas de Marrocos, com Cedrus atlantica (Endl.) Manetti ex Carrière = Pinus atlantica Endl. = Cedrus libani subsp. atlantica (Endl.) Batt. & Trab. = Abies atlantica (Endl.) Lindl. & Gordon
Cedrus atlantica (Endl.) Manetti ex Carrière — The Plant List;
assim como na região dos Himalaias: Cedrus deodara (Roxb. ex Lamb.) G.Don = Abies deodara (Roxb. ex Lamb.) Lindl. = Larix deodara (Roxb. ex Lamb.) K.Koch = Cedrus indica Chambray, entre outras designações, como aqui se pode confirmar: Cedrus deodara (Roxb. ex Lamb.) G.Don — The Plant List.

Como acompanhamento musical para estas beldades, vamos sugerir uma gravação verdadeiramente histórica do prelúdio do III acto de Lohengrin, de Richard Wagner, dirigida pelo grande maestro Arturo Toscanini:
YouTube - Lohengrin: Prelude Act III -- Arturo Toscanini/NBC Symph

sábado, 16 de janeiro de 2010

Vegetação Natural Potencial de Portugal Continental

O grande fitossociólogo alemão R. Tüxen (1953) definiu do seguinte modo Vegetação Natural Potencial (VNP): um estado natural imaginário da vegetação ... que poderá ser projectado para o tempo actual ..., se a influência humana na vegetação fosse removida ... e a vegetação natural fosse imaginada como movendo para um novo equilíbrio numa fracção de segundo ... de modo a excluir os efeitos das alterações climáticas e as suas consequências”.
Por trocados ...
Imaginem que todas as pessoas abandonavam a vossa terra, e a vegetação podia evoluir livre da influência do Homem. Suponham ainda que a progressão do coberto vegetal ocorria suficientemente depressa de modo a que o clima mantivesse características semelhantes às actuais. A comunidade vegetal de maior complexidade estrutural - i.e. com maior número de estratos vegetais, e.g. estratos herbáceo, arbustivo e arbóreo - que culminaria esse processo de sucessão ecológica designa-se por Vegetação Natural Potencial (VNP).
Embora a identificação da VNP não seja fácil, e alguns aspectos teóricos do conceito sejam discutíveis, a verdade é que o conceito de VNP é insubstituível e tem uma inegável utilidade prática.

Uma equipa de fitossociólogos (especialistas em vegetação) portugueses liderada pelo Dr. Jorge Capelo (Estação Florestal Nacional)
publicou, recentemente, uma carta da VNP de Portugal Continental (Lu):



Carta da VNP de Lu (Capelo et al., Phytocoenologia, 37, 399-415, 2007). A resolução do mapa é propositadamente baixa e a legenda foi retirada (copyright oblige !)


Algumas das conclusões, muitíssimo breves, que se podem tirar da análise da referida carta:
  • A VNP em Lu é geralmente arbórea e dominada por uma ou mais espécies de árvores do género Quercus (Fagaceae), ainda que por vezes acompanhadas por Juniperus oxycedrus (Cupressaceae) «zimbro» nos vales mais secos, por Betula celtiberica (Betulaceae) «bidoeiro» nas montanhas, ou por Fraxinus angustifolia (Oleaceae) «freixo» nos solos mais férteis e espessos, por exemplo;
  • A Betula celtiberica (Betulaceae) «bidoeiro» é dominante nos bosques das áreas hiper-húmidas das Serras do Gerês, Peneda e Estrela;
  • Nos solos mais húmidos que o normal (e.g. fundos de vale) o estrato arbóreo dos bosques potenciais é constituído por Alnus glutinosa (Betulaceae) «amieiro», Fraxinus angustifolia (Oleaceae) «freixo» e/ou Salix sp.pl. (Salicaceae) (várias espécies de salgueiros);
  • A Olea europaea var. sylvestris (Oleaceae) «azambujeiro», acompanhada ou não pela Ceratonia siliqua (Fabaceae) «alfarrobeira», substitui os Quercus nos solos muito argilosos (barros ou solos vérticos) do sul do país (e.g. barros derivados de basaltos e rochas afins, de Lisboa e Beja);
  • A VNP tem um porte (fisionomia) arbustivo em "habitats especiais", como sejam o andar orotemperado da Serra da Estrela (grosso modo acima dos 1750 m de altitude), as escarpas interiores mais declivosas (e.g. encostas do troço final do Guadiana), as linhas de água permanentes de maior torrencialidade, as escapas litorais, as dunas secundária e terciária, e algumas comunidades de sapal.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Verde e amarelo

A primeiras geadas outonais aceleram e coordenam a senescência e a queda das folhas. O frio queima as folhas, ainda funcionais, das árvores e dos arbustos caducifólios (de folha caduca), que transitam de um verde clorofilino para um castanho escuro em poucos dias, tombando no solo pouco depois. Geadas violentas muito precoces, pelo contrário, podem reter, ainda que secas e pendentes, as folhas nas copas por longo tempo. Frios antes da chuva, cerceiam a retoma da produção de erva nos lameiros (prados perenes seminaturais meso-higrófilos), e atrasam a germinação e a acumulação de biomassa das plantas anuais que colonizam as clareiras dos matos baixos (urzais e estevais) e os restolhos dos cereais. Assim tem acontecido, amiude, na última década, no interior norte e centro de Portugal continental. Em quinze dias as árvores despem-se de folhas, e a paisagem escurece até ao final do Inverno.
Este ano, não! O Outono foi invulgarmente quente, e a chuva suficiente. Por essa razão, dominam a paisagem o verde dos lameiros e dos prados anuais, e os amarelos e os castanhos das árvores caducifólias. As folhas tardam em cair.


Burga (concelho de Macedo de Cavaleiros)


Lamas de Podence (concelho de Macedo de Cavaleiros). N.b. lameiro abandonado.


As cores fortes do nascer do sol (08h00m) na ponte do Remisquedo (linha do Tua), Rebordãos (concelho de Bragança). N.b. em cima, no lado direito, uma talhadia de castanheiro (Castanea sativa, Fagaceae) e, mais abaixo, um bosquete de Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral»; lá no alto, no cocuruto do monte, terras de cereal abandonadas colonizadas por um giestal heliófilo (exigente em luz) de Cytisus striatus (Fabaceae) «giesta-amarela» e C. multiflorus (Fabaceae) «giesta-branca», com Quercus dispersos, árvores estas que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por expulsar as giestas.

Não me lembro de um Outono assim ...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Serra do Reboredo II

O nome Reboredo - do latim robur (nominativo) ou roboris (genitivo) - é uma alusão directa aos carvalhais de Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral» que revestiam esta serra em tempos de antanho. Ao colonizador romano que habitava as villae da Vilariça (ver aqui), ou ao presor astur-leonês alto-medieval, mais do que uma hipotética dominância do carvalhal, deveria impressionar a natureza insular desta montanha: um pequeno maciço montanhoso, agudo, com abundantes carvalhais, a emergir, imponente, de um mar acinzentado de sobreiros e azinheiras.

No pequeno MPEG que se segue tentei capturar uma interessantíssima peculiaridade do carvalhal do Reboredo:


Conseguem ver, logo no início do vídeo, um zimbro (Juniperus oxycedrus, Cupressaceae)? E não é o único! O carvalhal do Reboredo está apinhadinho de zimbros! Se a combinação sobreiro e zimbro é incomum à escala do mediterrânico (vd. aqui), então que dizer deste "carvalhal-zimbral"!

Antes de explorar as causas desta combinação florística tão original convém saber que este bosquete foi, recentemente, sujeito a uma cuidadosa limpeza (eliminação mecânica da vegetação arbustiva), que as suas árvores são todas muito jovens, e que os zimbros, quer adultos quer juvenis, são intolerantes à sombra.
O árvores retratadas no filme certamente, evoluíram a partir de carvalhiças (carvalhos arbustivos, baixos, com grande densidade de caules), secularmente submetidas a pastoreio e corte. Somente após os fluxos migratórios de 60-70 (séc. XX), e a generalização do uso de derivados de petróleo na cozinha e no aquecimento, as carvalhiças tiveram a oportunidade de progredir para alto fuste, i.e. de tomar um porte arbóreo. A paisagem de matriz arbórea visível nas fotos do post anterior (clicar aqui) tem uma génese muito recente (voltarei a este tema para a semana).
O carvalho-negral emite poulas radiculares com grande facilidade (rebentos caulinares com origem em gomos adventícios diferenciados em raízes próximas da superfície do solo). Graças a este mecanismo, sob regimes de perturbação (e.g. corte e fogo) de baixa intensidade, consegue rapidamente recolonizar grandes espaços, por via vegetativa, a partir de um reduzido número de indivíduos iniciais. Por conseguinte, o crescimento vertical das árvores (evolução para alto fuste) foi acompanhado pela expansão horizontal do carvalhal, e pela eliminação das clareiras.

As duas hipóteses aventadas nos parágrafos anteriores - a juvenilidade e a origem do carvalhal do Reboredo a partir de carvalhiças muito abertas e intensamente pastoreadas - sustentam-se nas seguintes observações (os inquéritos estruturados e a fotografia aérea seriam a forma mais apropriada e simples de testar estas hipóteses, mas não tive tempo):
  • árvores pequenas e equiénias (da mesma idade)
  • abundância de troncos de pequeno diâmetro mortos ou dominados (não visíveis no filme)
  • baixa diversidade específica de plantas herbáceas vivazes de orla (plantas características da classe Trifolio-Geranietea)
  • presença abundante de Cytisus striatus, uma giesta pioneira, no sub-bosque (nas orlas dos carvalhais mais maduros esta espécie é substituída pelo C. scoparius subsp. scoparius)
A janela de oportunidade oferecida pela redução da pastorícia e da recolha de lenhas terá sido aproveitada pelo zimbro, uma espécie na época frequente em afloramentos rochosos de difícil acesso no vale do Sabor, e disseminada com grande eficiência a longa distância pelas aves. A canópia (i.e. a copa) do carvalhal, entretanto, fechou, e o zimbro ficou aprisionado no seu interior. Por outro lado, a expansão do carvalhal eliminou as clareiras impedindo a regeneração do zimbro, e de muitas outras espécies heliófilas (e.g. Cytisus striatus).
O estrato arbóreo dos bosques misto de carvalho e zimbro caracteriza-se, então, por uma combinação florística fortuita e transiente, condenada ao insucesso (à escala temporal das árvores, é claro). O filme retrata uma árvore condenada à morte pelos Quercus: um violento e impudente assassinato, com uma lentidão e requinte próprios do mundo vegetal. Não faz sentido, por isso, descrever um novo tipo de carvalhal na Serra do Reboredo. Os bosques mistos de zimbro e carvalho são uma curiosidade tão rara, como temporária.

P.S. dedico este post aos meus alunos do CET (curso de especialização tecnológica) "Defesa da Floresta Contra Incêndios", organizado pelo IPB (Instituto Politécnico de Bragança) em Torre de Moncorvo. Nunca é tarde de mais para voltar a estudar!

sábado, 28 de novembro de 2009

Serra do Reboredo (Moncorvo) I

Nas bibliografias agronómica e geográfica, tradicionalmente, são reconhecidos dois espaços ecologicamente homogéneos no interior norte e centro de Portugal continental: a Terra Quente e a Terra Fria. Os fitossociólogos e os bioclimatologistas confundem o primeiro com o andar bioclimático mesomediterrânico, e o segundo com o andar supramediterrânico.

Dominam as paisagens vegetal e agrária da Terra-Quente os bosques de Querci perenifólios - sobreirais e azinhais, mistos de Juniperus oxycedrus «zimbro», ou não -, os estevais de Cistus ladanifer (Cistaceae) «esteva-comum», os olivais, os amendoais e a vinha. O trigo era o cereal mais cultivado na Terra-Quente. A Terra-Fria situa-se acima dos 650-700 m de altitude. Por essa razão, chove mais, faz mais frio (temperatura média anual inferior a 12º C) e as geadas iniciam-se mais cedo do que na Terra-Quente. Encontram um óptimo ecológico na Terra-Fria os Querci «carvalhos» caducifólios (Quercus robur e Q. pyrenaica), os urzais mesófilos (matos baixos dominados por Erica [Ericaceae] «urzes»), o castanheiro, a batateira e o centeio.

O uso agrícola do território borratou a linha de fronteira entre os andares meso e supramediterrânico, i.e. entre a Terra-Fria e a Terra-Quente. A Serra do Reboredo (concelho de Moncorvo) é um dos locais mais propícios para observar esta transição em Trás-os-Montes, sobretudo no Outono, quando o amarelo e o castanho da folhagem revelam a distribuição, e a ecologia dos Querci caducifólios.


Serra do Reboredo (concelho de Torre de Moncorvo) [foto CA]. Zona indústrial de Moncorvo ao longe; a meio, na margem esquerda da foto, o Carmelo de Moncorvo (vd. foto seguinte). N.b. carvalhal de Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral» a revestir a encosta norte da Serra do Reboredo; azinhais-zimbrais nos relevos convexos do planalto de Moncorvo; a transição entre os andares de vegetação meso e supramediterrânico situa-se no sopé da Serra do Reboredo; os relevos côncavos estão cultivados, o bosque que no passado os revestia, além do sobreiro, envolvia o Q. faginea subsp. faginea «carvalho-cerquinho» e o Fraxinus angustifolia (Oleaceae) «freixo-de-folhas-estreitas»


Carmelo da Sagrada Família de Torre de Moncorvo (Ordem do Carmo) [foto CA]. N.b. azinhal-zimbral no 1/4 inferior esquerdo da figura; em cima, ao fundo, azinhal-zimbral em regeneração no vale do rio Sabor.

sábado, 21 de novembro de 2009

Vale da Vilariça (Moncorvo)

O chão transmontano é pouco propício a uma agricultura capitalista intensiva. Os solos são ácidos e pobres em nutrientes. A boa terra agrícola reduz-se a pequenas nesgas alongadas de coluvião de fundo de encosta comprimido entre a linha de água e a aldeia, ou a algum depósito de cobertura neogénico (com uma idade inferior a 23 milhões de anos). Quando faz calor escasseia a água, como é próprio do clima mediterrânico. No Inverno a chuva por vezes é tanta que os cereais não enraízam em profundidade o suficiente para adequadamente suportarem as primaveras mais secas. A natureza do solo e o relevo movimentado obviam o desenvolvimento do regadio, e explicam a dominância das culturas de sequeiro de baixa produtividade nos sistemas regionais de agricultura.


Vale da Vilariça (Moncorvo). No centro da imagem, pelo monte acima, o fantástico azinhal-zimbral da Quinta da Terrincha.

Os planaltos ácidos e oligotróficos e os exíguos coluviões que caracterizam a paisagem agrária transmontana são interrompidos por dois vales neotectónicos profundos (de formação recente, à escala de tempo geológica, claro) - o Vale da Vilariça e a Veiga de Chaves - preenchidos com solos de grande aptidão agrícola. Estes vales simbolizam, de algum modo, aquilo que Trás-os-Montes nunca foi: uma terra úbere, benevolente para com os seus povoadores.

Na Vilariça além do mosaico policultural, só de si digno da atenção do naturalista que gosta de plantas, sobressaem os fabulosos bosques mistos de azinheira e zimbro da Quinta da Terrincha.


Bosque misto de Quercus rotundifolia (Fagaceae) «azinheira» e Juniperus oxycedrus (Cupressaceae) «zimbro», um importante habitat prioritário Rede Natura 2000 ("9560 Florestas endémicas de Juniperus sp.", vd. aqui). Uma parte significativa do bosque da Terrincha ocupa mortórios, i.e. solos cultivados com vinha até à crise da filoxera, na segunda metade do séc. XIX (vd.este post). N.b. a copa avermelhada (efeito das folhas senescentes) de Pistacia terebinthus (Anacardiaceae) «cornalheira», uma das raras espécies caducifófias do nosso bosque perenifólio, passe a aparente contradição; as árvores despidas de folhas são choupos híbridos (Populus x canadensis, Salicaceae) de plantação recente.






Churra-badana (em cima) [foto Amândio Esteves] e Churra-da-terra-quente (em baixo) [foto C. Aguiar]

Conta-me o meu bom amigo Manuel Cardoso, ilustríssimo médico veterinário e escritor de Macedo de Cavaleiros, que a raça ovina Churra-da-terra-quente, também conhecida por ovelha Terrincha, "nasceu" de um cruzamento experimental entre a rústica Churra-badana, uma raça trasmontana seriamente ameaçada de extinção (o efectivo não ultrapassa os 3000 animais), e a produtiva Mondegueira, realizado na Quinta da Terrincha, no séc. XIX.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Serra de Montesinho vrs. Serra de Nogueira II

O Abade de Baçal, o mais conhecido erudito bragançano, para explicar a abundância de árvores e bosques na Serra de Nogueira e em outras áreas geograficamente próximas, propõe nas suas "Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança" (Alves, 1909-1918) a seguinte hipótese (vd. este post):

“Numa larga facha de terrenos de mais de vinte quilómetros de comprimento e passante de cinco de largura, que, do ponto central de Castro de Avelãs, onde existiu o famoso mosteiro Beneditino, se estende às povoações de Oleirinhos, ..., Castro de Avelãs, Gostei, ..., Nogueira, Rebordãos, ... e Pinela, deixou o frade essa famosa mata de castanheiros bravos e enxertos que ainda hoje faz a riqueza da terra, a par de outras de carvalhos, também valiosas”; “nas mesmas condições está a mata de castanheiros-enxertos, entremeada de carvalhos, que se estende desde Vinhais por rio de Fornos, ... e Soutelo, com ramificações em Paçó, ... e Mofreita, tudo no concelho de Vinhais”; “Idem, idem a de Parâmio, ... e Ozeive ...”; “Verdadeiramente, não temos elementos para mostrar, embora existam muitos, que todas estas matas são obra de frade; no entanto é mui provável conjuntura ...”.

Mais uma imagem dos carvalhais de Q. pyrenaica da Serra de Nogueira [foto C. Aguiar]

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Serra de Montesinho vrs. Serra de Nogueira I

Na Ilustração Transmontana de 1910 encontrei um relato de uma visita de estudo dos alunos do Seminário de Bragança às serras que rodeiam a minha cidade de Bragança.
A parte mais interessante da narrativa é uma descrição comparativa do coberto vegetal das Serras de Nogueira e de Montesinho.
Diz o autor (Pereira, 1910):
Serra de Montesinho: “É certo que, com a nudez arborea que por este lado [Serra de Montesinho] nos descontenta, contrasta singularmente o aspecto das montanhas a oeste da cidade [Bragança], regularmente vestidas d’arvoredo. Desde o Castro [de Avelãs], seguindo pela Castanheira, Formil, Gostei, Donai, etc. a arborização ostenta-se, ora em macissos, ora esparsa, mas efeitando mais ou menos o terreno e embellezando a paysagem”.

Aldeia espanhola de Hermisende na Serra da Teixeira, mesmo ao lado da Serra de Montesinho. N.b. Paisagem vegetal dominada por urzais; árvores concentradas em torno do povoado; o povoado funciona como uma "ilha de fertilidade".


Serra de Nogueira: “É certo que por aquelle lado a árvore não escassêa [Serra de Nogueira]; mas mesmo por ahí se notam largas manchas d’ermo, que outr’ora foram mattas cerradas de carvalho, hoje, mercê do machado destruidor, reduzidas a vegetação rasteira.”

Serra de Nogueira. N.b. Paisagem vegetal de matriz florestal (de bosques autóctones). Em 1910 os carvalhais estavam reduzidos a toiças mais ou menos rasteiras; hoje mercê da redução dos cortes para lenha evoluíram para bosque de alto-fuste.


Peço agora a colaboração dos leitores deste Blog. Pedia-vos que propusessem hipóteses para explicar por que razão a Serra da Nogueira em 1910 e, cem anos depois, em 2009, está dominada por comunidades de Quercus pyrenaica «carvalho-negral» enquanto, a menos de 30 km de distância em linha recta, em a direcção norte, a Serra de Montesinho está coberta por urzais (matos baixos) assanhados de Erica australis subsp. aragonensis. A altitude e a precipitação são semelhantes nos dois maciços montanhosos. Não precisam de conhecer estas Serras, e muito menos a sua vegetação, para darem a vossa opinião, anonimamente, se o entenderem.
[fotos C. Aguiar]

terça-feira, 28 de abril de 2009

Árvores filogenéticas


Figura 1: laurissilva de Til na Madeira, com um grupo de botânicos (clicar para aumentar).

Figura 2: árvore filogenética da laurissilva do Til na Madeira (clicar para aumentar).

Sobre a Terra, quaisquer dois organismos têm um antepassado comum. De ordinário, os diagramas expressando estas relações de parentesco têm a forma de árvores genealógicas. O esforço científico de obtenção destas 'árvores' por parte dos taxonomistas e que recebem a designação formal de árvores filogenéticas ou cladogramas, é antigo: começando com a famosa árvore 'I think...' do bloco de notas de Darwin (a primeira árvore filogenética). São construídas através da comparação de caracteres morfológicos, histológicos, bioquímicos,fisiológicos, funcionais e ecológicos. E mais recentemente a partir da análise molecular comparativa do ADN. Normalmente, os taxonomistas analisam a rede de parentesco, i.e. a filogenia, de um determinado grupo taxonómico: uma ordem, uma família, um género.

O gráfico da figura 2 é uma árvore filogenética das plantas que compõem uma única comunidade florestal da laurissilva temperada madeirense, dominada por til, Ocotea foetens (por isso mesmo, na nomenclatura fitossociológica das comunidades vegetais designada por Clethro arboreae-Ocoteetum foetentis - figura 1). Foi construída por mim a partir de dados moleculares publicados em bases de dados públicas e é apenas uma aproximação. Esta não é uma forma habitual de árvore filogenética, pois expressa a estrutura filogenética de uma comunidade e não de um grupo taxonómico. Como uma boa parte dos processos de evolução são de co-evolução no seio de comunidades, é altamente informativo obter estas árvores para comprender como se organizaram essas mesmas comunidades. Uma parte da comunidade é constituída por plantas pré-adaptadas ás condições do habitat e uma parte evoluiu para se adaptar. Percebe-se também quais foram espécies simplesmente ´filtradas' pelo habitat e quais as que evoluiram, assim como quais os caracteres morfologicos novos e antigos na comunidade.

Na foto 1, da esquerda para a direita, no meio de um sub-bosque dominado pelo pteridófito Diplazium caudatum (Athyriaceae): Jorge Capelo, Roberto Jardim, José Carlos Costa, Paulo Gouveia e Miguel Sequeira.