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sábado, 7 de junho de 2014

Um cacto não identificado (Cactaceae)





Fotografámos agora mesmo um cacto cultivado não identificado - a primeira planta da família Cactaceae a ser postada aqui neste blog, ao que supomos!
Quaisquer sugestões identificativas serão bem vindas, evidentemente!

sábado, 12 de outubro de 2013

Welwitschia mirabilis Hook. f. (Welwitschiaceae)







Ainda aqui não tínhamos postado esta extraordária beldade africana, endémica das zonas áridas de Angola e da Namíbia: Welwitschia mirabilis Hook. f. (Welwitschiaceae).
É uma planta de difícil cultivo, que já foi em tempos cultivada no Jardim Botânico de Coimbra e que pudemos fotografar numa das estufas (repleta de Cactáceas e outras plantas suculentas) do excelente Jardim Botânico de Palermo, em 11.IX.2013.



quarta-feira, 16 de junho de 2010

Welwitschia mirabilis subsp. mirabilis (Welwitschiaceae)

Nos desertos, as comunidades vegetais perenes são abertas ou descontínuas. Consequentemente, uma parte significativa da superfície do solo não está coberta pela vegetação ou por resíduos orgânicos de origem vegetal.
Os geobotânicos (i.e. os especialistas em vegetação que sabem flora) geralmente reconhecem três tipos de deserto: o subdeserto, o eudeserto (deserto s.str.) e o hiperdeserto.
Nos subdesertos a precipitação é suficiente para sustentar formações vegetais pouco abertas, dominadas por arbustos ou mesmo pequenas árvores. Nos eudesertos, embora de forma esparsa, ocorrem plantas perenes, arbustivas ou herbáceas, fora das zonas de fisiografia depressionária.
Nos hiperdesertos a vegetação perene apresenta-se contraída em zonas depressionárias de solos arenosos, não salinos. Nestes biótopos, sob uma camada de solo seco de espessura variável, acumula-se água em profundidade que pode sustentar uma significativa biomassa de folhas transpirantes. Nos euclimatopos, i.e. nos solos próprios dos desertos mais ou menos próximos da horizontalidade, onde a concentração da água das chuvas ou o escorrimento superficial são pouco significativos, a vegetação é estritamente anual, e a germinação das plantas depende de eventos raros de precipitação efectiva, por vezes intervalados por mais de uma década.
A ecologia da vegetação desértica foi magistralmente descrita por Henrich Walter, no conhecido Vegetation of the Earth, reformulado em 2002 pelo Prof. Siegmar Walter Breckle, sob o título Walter's Vegetation of the Earth: the Ecological Systems of the Geo-Biophere.

Aproveito 4 fotos de W. mirabilis subsp. mirabilis oferecidas pelo Prof. José Carlos Costa para tecer alguns comentários avulsos sobre a ecologia desta espécie e da vegetação desértica.

W. mirabilis subsp. mirabilis, Deserto do Namibe, perto do Namibe (antiga Moçâmedes). Recentemente foi descrita mas a sul, na Namíbia, a subsp. namibiana.

Plantas femininas de W. mirabilis subsp. mirabilis.
N.b. a W. mirabilis é uma planta dióica, i.e. as populações naturais são constituídas por indivíduos masculinos e femininos; a W. mirabilis tem 2, raramente 3, folhas persistentes, frequentemente rasgadas até à base mais do que uma vez, que se alongam durante toda a vida da planta; em ambas as fotos emergem caules curtos (determinados) encimados por estróbilos femininos (= cones femininos), no bordo de um caule lenhoso em forma de disco.

Planta masculina de W. mirabilis subsp. mirabilis.
N.b. estróbilos masculinos já desorganizados (mais informação sobre W. mirabilis disponível aqui) [fotos J. C. Costa].

Diz-me o Prof. J.C. Costa que a W. mirabilis subsp. mirabilis coloniza leitos arenosos de cursos água temporários no Deserto do Namibe. Muito provavelmente as plantas retratadas nas fotografias, todas elas provenientes da mesma população, germinaram de semente e estabeleceram-se num curto período favorável, resultante da conjugação de uma toalha freática anormalmente próxima da superfície, com o humedecimento das camadas superficiais do solo por chuvas torrenciais. Os ecólogos dizem que as plantas equiénias (com a mesma idade), estabelecidas mais ou menos ao mesmo tempo, pertencem à mesma coorte.
Logo após a germinação estas Welwithscia emitiram uma raiz profundante especializada em perseguir e bombear a água acumulada em profundidade, parte dela certamente proveniente das áreas subdesérticas e dos planaltos situados a leste do Namibe. A W. mirabilis é, portanto, uma planta freatófila, i.e. exigente em águas freáticas, de modo algum adaptada a securas extremas.
Admirável planta, a W. mirabilis!

domingo, 6 de junho de 2010

Árvores-garrafa: Pachypodium lealii (Apocynaceae) e Moringa ovalifolia (Moringaceae)

Nas regiões semidesérticas paleotropicais (da África e da Ásia) são frequentes árvores caducifólias de estação seca, de caules anormalmente alargados na base. Este tipo de suculência - conhecida por paquicaulia - é uma adaptação à escassez e irregularidade da precipitação. Mais do água, a região engrossada do tronco destas plantas invulgares acumula grandes quantidades de hidratos de carbono e aminoácidos.
A abundância de árvores hiperpaquicaules, ou árvores-garrafa, é um dos aspectos mais curiosos da fisionomia da vegetação semidesértica do SW de Angola. Esta adaptação surgiu de forma independente, por convergência, em grupos evolutivamente muito dispares, tanto de mono como de eudicotiledóneas.
A Moringa ovalifolia e a Pachypodium lealii são duas das espécies hiperpaquicaules mais comuns da faixa semidesértica que envolve o Deserto do Namibe:

Moringa ovalifolia (Moringacea)
[foto amavelmente cedida por J.C. Costa ]

A M. ovalifolia é um endemismo angolano-namibiano. As suas folhas e frutos são consumidos por girafas e elefantes, entre outros grandes herbívoros. A família das Moringaceas inclui um único género com 12 espécies de distribuição paleotropical, adaptadas a climas áridos.


Pachypodium lealii Welw. (Apocinaceae)
[fotos amavelmente cedidas por J.C. Costa ]

O P. lealii é endémico do Sul de Angola e Norte da Namíbia. Foi dedicado ao geólogo português Fernando da Costa Leal pelo grande botânico austríaco Friedrich Welwitsch [1806-1872], conhecido explorador da flora angolana ao serviço da coroa portuguesa. À semelhança de muitas outras apocináceas, o P. lealii produz um latex tóxico.

Certamente muitos dos leitores deste blogue conhecem o Brachychiton populneus (Malvaceae, Sterculioideae), uma árvore-garrafa relativamente comum nas avenidas e jardins portugueses.