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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Drimia maritima (L.) Stearn (Asparagaceae)

 
 
 
 


Postamos aqui hoje a belíssima Drimia maritima (L.) Stearn, Ann. Mus. Goulandris 4: 204. 1978
= Scilla maritima L.  (basion.)
que se encontra actualmente em floração.
As fotos apresentadas são de 4.VIII.2014, em Coimbra: CW calc.: Eiras; a foto dos bolbos com folhas verdes é bastante mais antiga (data e local incertos, possivelmente no Barrocal algarvio, ca. 2002); e o arranjo floral incluindo inflorescências de Drimia maritima é de 13.IX.2013, na catedral de Palermo.

sábado, 14 de julho de 2012

Tetragonia tetragonoides (Pall.) Kuntze (Aizoaceae)




Ainda aqui não tinha sido postada a bela Tetragonia tetragonoides (Pall.) Kuntze (Aizoaceae), uma erva cultivada e subespontânea em Portugal, que se poderá eventualmente, com os devidos cuidados (convém a propósito deste assunto consultar o precioso esclarecimento do ilustre botânico CA, que se pode encontrar no quarto comentário, mais abaixo!), colocar na sopa.

"Aizoaceae Tetragonia tetragonoides ( Pall. ) Kuntze

Revis. Gen. Pl. 1: 264. 1891 [5 Nov 1891] (as "tetragoniodes")

Links: basionym:Aizoaceae Demidovia tetragonoides Pall. Enum. Hort. Demidof 150 (-157; t. 1). 1781"

(http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=1194241-2)


quinta-feira, 10 de março de 2011

Iris pseudacorus e mais algumas flores (Iridaceae)















Ainda ninguém aqui tinha postado flores de papel (Origami)
Origami - Wikipédia,
e por isso aqui ficam as famosas flores de lis, que são tão usadas em Heráldica:
Fleur de lys - Wikipédia

Iris pseudacorus Linnaeus, Sp. Pl. 1: 38. 1753.
Iris pseudacorus in Flora of North America @ efloras.org

Trata-se de vegetação aquática ou palustre da classe Phragmito-Magno Caricetea, que aqui surge acompanhada por um pequeno cisne e algumas ervas aquáticas.

Como acompanhamento musical, nada mais apropriado que a belíssima versão de "Clair de Lune" de Claude Debussy do famoso filme "Fantasia" de Walt Disney:
YouTube - Clair De Lune

sexta-feira, 5 de março de 2010

Galega officinalis (Fabaceae)

Não há diabético tipo II medicado que não conheça a metformina. A grande maioria não saberá, porém, que esta molécula de síntese é uma análoga da galegina, uma substância com propriedades hipoglicemiantes presente nas folhas da Galega officinalis.
Foi o uso etnobotânico da Galega officinalis na diabetes que conduziu à descoberta da galegina, e à síntese de metformina. Agora, importante: a galegina é tóxica para o homem; a metformina muito menos. As tisanas têm os seus riscos!

Galega officinalis (Fabaceae). Faz lembrar as ervilhacas (género Vicia) de flores grandes organizadas em cachos axilares da secção Cracca, mas os cachos da G. officinalis têm mais flores, as flores são brancas e os dentes do cálice são iguais. Nas fotos identificam-se ainda inflorescências de Holcus lanatus (Poaceae) «erva-lanar» e do invulgar Elymus caninus (Poaceae) (primeira foto, em baixo, a meio e do lado esquerdo) [Douro Intenacional, foto CA]

A Flora Iberica diz-nos que a
G. officinalis é indígena de Portugal e que no passado foi cultivada como planta forrageira porque estimula a produção de leite. Tanto quanto sei as únicas populações conhecidas no país habitam os arrelvados vivazes que marginam o rio Douro Internacional.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O azevinho


(foto de A. Magalhães)

O azevinho, um dos arbustos mais excêntricos das nossas florestas, é uma das raras plantas que teve direito a uma legislação especial destinada à sua protecção. Apesar de não ser um arbusto raro, começava a desaparecer de algumas zonas do nosso pais devido à procura que tinha como enfeite natalício. Os azevinhos fêmeas eram os mais procurados e para impedir que se repetisse um processo semelhante ao do teixo, fez-se legislação que impedisse a colheita de azevinho espontâneo, resultando daí o Decreto-Lei n.º 423/89. O teixo já foi mais comum nas nossas montanhas, mas desapareceu rapidamente devido à destruição das plantas fêmea pelos pastores, já que eram frequentemente ingeridas pelo gado, levando à sua intoxicação. A razão da utilização do azevinho como enfeite de natal tem origens que remontam aos tempos do paganismo. Como algumas plantas morriam ou perdiam as suas folhas durante o outono e o inverno, os pagãos da zona da Germânia responsabilizavam os espíritos malignos pela destruição da flora. No solstício de inverno levavam para casa ramos verdes, de coníferas ou de azevinho, para lhes fornecerem energia para resistirem aos poderes do frio e da escuridão. Nasceu assim a tradição da árvore de Natal e do ramo de azevinho, mostrando que Natureza foi a primeira divindade a ser adorada pelo Homem. Mas porque razão permanece o azevinho com as suas folhas enquanto todos os outros arbustos deixam cair as suas no outono? O azevinho é relíquia de tempos antigos, durante os quais o clima na Europa era mais quente. As relíquias paleotropicais são fáceis de identificar, porque normalmente são as únicas representantes da sua família. O loureiro das Lauraceas, a murta das Mirtaceas e o azevinho das Aquifoliaceas são alguns desses exemplos mas com uma diferença. O azevinho não se refugiou nas zonas mais amenas do Sul da Europa, mas pelo contrário, avançou para territórios mais a Norte. E para combater o frio e os herbívoros esfomeados dos meses de inverno, teve de se armar até aos dentes. As folhas do azevinho possuem uns dentes afilados durante a fase em que possuem um porte arbustivo, perdendo os dentes quando chegam a velhas, pois nessa altura os ramos estão mais altos e são mais difíceis de alcançar. As folhas estão cheias de celulose para serem pouco palatáveis, e possuem altos conteúdos de sacarose, proteínas e lípidos que funcionam como um anticongelante. O azevinho é um arbusto extremamente bonito, fácil de cultivar, sendo um dos poucos que aguenta bem crescer ao sol ou à sombra. No seu ambiente natural, as árvores que estão acima dele estão despidas durante o inverno, deixando passar os raios solares. No verão, pelo contrário, permanece à sombra das copas cerradas, tendo por essa razão evoluído para viver entre estas duas posições extremas. Parece que os antigos pagãos tinham razão, o azevinho tem realmente poderes extraordinários.

sábado, 25 de abril de 2009

Plantas silvestres comestíveis: idiossincrasia de pastores, brincadeira de crianças ou suplemento alimentar…

A propósito do texto Cytinus hypocistis (Cytinaceae) do Carlos Aguiar, ocorre-me uma boa maneira de corresponder ao seu convite para participar neste blogue.
Deambulando pela Terra-Fria Transmontana (Vinhais, Bragança e Miranda) para inventariar o conhecimento etnobotânico (levantamento de espécies, saberes, usos e práticas) encontramos referências ao uso de várias espécies silvestres que, tal como o Cytinus hypocistis, eram frequentemente consumidas em cru. Folhas, caules aéreos e subterrâneos, botões florais, flores e frutos podem ser chupados ou mastigados, libertando adocicados sucos ou oferecendo uma consistência fibrosa e durável, fazendo concorrência apreciável às actuais “gomas” e “pastilhas elásticas”.
E de facto, é assim que muitos informantes (as pessoas que participam num estudo etnobotânico e fornecem informação) gostam de apresentar este tipo de aproveitamento das plantas silvestres, isto é, como sendo uma brincadeira de crianças ou uma faceta temperamental associada aos pastores e contrabandistas, tidos como pessoas de convívio nem sempre fácil.
Idiossincrasias e jogos de crianças à parte, muitos informantes mais velhos recordam que nos tempos da sua meninice, a alimentação era pobre, pouco variada e com uma única refeição quente diária, o jantar. Durante o dia “enganavam a fome” com um naco de pão, queijo e um punhado de frutos secos. Assim sendo, nos intervalos da escola ou enquanto ajudavam nas tarefas agrícolas, procuravam alternativas para saciar a fome na natureza que os rodeava. E a verdade é que esses alimentos informais que recolhiam, além de satisfazerem a vontade de comer, funcionavam como suplementos alimentares e vitamínicos.
Considerando apenas as espécies consumidas durante a Primavera, ficando para outra oportunidade os frutos silvestres do Verão e Outono, listamos alguns exemplos de plantas silvestres comidas (chupadas ou mastigadas) em cru e da respectiva designação popular, registados nas regiões de Bragança, Miranda do Douro e Vinhais.

«Agreichos, puniqueijos, riqueijões» – Tubérculos de Conopodium majus subsp. marizii (Apiaceae)
«Azedas» – Caules e folhas de várias espécies de Rumex (Polygonaceae)
«Botas, botainas» – Caules intumescidos de Hypochoeris glabra (Asteraceae)
«Canastras, sapatetas, zapatetas» – Vagens imaturas de Astragalus pelecinus (Fabaceae)
«Chupa-méis» – Caules e flores de Lamium purpureum (Lamiaceae)
«Corniços, corneichos, corniçoilos» – Vagens imaturas de Astragalus cymbaecarpos (Fabaceae)
«Fogaças, tortas» – Frutos imaturos de Malva sylvestris (Malvaceae)
«Maias, mimos» – Flores de Cytinus hypocistis (Cytinaceae)
«Pipotes, bercegos, vercegos» – Rebentos jovens de Celtica (Stipa) gigantea (Poaceae)
«Rabos de gato» – Caules de Trifolium sp.pl. (Fabaceae)
«Sargaço branco» – Botões florais e cápsulas de Halimium lasianthum subsp. alyssoides (Cistaceae)

Uma curiosidade: outras partes de algumas destas espécies eram, ou são ainda, usadas na confecção de saladas, sopas e verduras para acompanhamento de pratos cozinhados e como plantas medicinais na preparação de remédios caseiros.


Astragalus cymbaecarpos, exemplar seco [foto de A.M. Carvalho]

Astragalus pelecinus, exemplar seco [foto de A.M. Carvalho]

Halimium lasianthum subsp. alyssoides [foto de A.M. Carvalho]