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domingo, 22 de setembro de 2024

Acerca da "Floresta-Relíquia" do Bussaco

https://www.rtp.pt/play/p12458/e795854/hora-de-agir?fbclid=IwY2xjawFcXL9leHRuA2FlbQIxMQABHcC-3dKo4GCOhJJrE8AFsC7XgBt3qTkMykjHjnochzqWV-EkPeulK6n1Gw_aem_Qlh1nzM5EBrL7IOO8W6zvw

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Professor Vernon Hilton Heywood (1927-2022)

Soubemos hoje do falecimento muito recente (18.IX.2022) do grande botânico britânico, de Edinburgh, Professor Vernon Hilton Heywood (1927-2022) (PhD, DSc, Professor Emeritus at University of Reading), um eminente membro da OPTIMA -Organization for the Phyto-Taxonomic Investigation of the Mediterranean Area (https://www.optima-bot.org/index.php/en/)-, que visitou diversas vezes Portugal (aliás visitou quase todo o Mundo, incluindo cerca de 500 viagens a Espanha (!) segundo as suas próprias palavras), e foi um ilustre editor, secretário e colaborador de algumas das principais floras eurasiáticas mais recentes: Flora Europaea (de T.G. Tutin & al. (eds), 1964-1980, 1993) e European Garden Flora: A Manual for the Identification of Plants Cultivated in Europe, Both Out-of-Doors and under Glass (de S.M. Walters & al., 1984-2000), entre muitas outras actividades. As fotos são de alguns OPTIMA Meetings e de outros encontros científicos, realizados entre 2005 e 2016 (em Agrigento (Itália, Sicília), Belek (Turquia, Antalya), e Montpellier (França)). "His publications include several major books including Principles of angiosperm taxonomy (1963),[7] Flowering Plants of the World, and its update Flowering Plant Families of the World (with Richard K. Brummitt, Alastair Culham and Ole Seberg) as well as the Global Biodiversity Assessment." (https://en.wikipedia.org/wiki/Vernon_Heywood). "En 1987 es galardonado con la Medalla linneana de la Sociedad linneana de Londres.1La ONG Planta Europa lo honró con su "Galardón de Linneo" en su quinta conferencia, hecha en 2007 in Cluj-Napoca, Rumania.2 El libro Taxonomy & Plant Conservation (Cambridge University Press, 2006, Etelka Leadlay & Stephen Jury, eds.) fue dedicado en su tributo en honor de su 75º cumpleaños" (https://es.wikipedia.org/wiki/Vernon_Hilton_Heywood). Foi-lhe dedicado um género de Compostas: Heywoodiella Svent. & Bramwell: "Nach Heywood benannt ist die Pflanzengattung Heywoodiella Svent. & Bramwell aus der Familie der Korbblütler (Asteraceae)." (https://de.wikipedia.org/wiki/Vernon_Heywood) Algumas das suas - muitas e muito importantes - publicações botânicas: "Principles of Angiosperm Taxonomy; V.H. Heywood & P.H. Davis; Krieger Publishing Company (1970); ISBN 0442020112 Flowering Plants of The World; V.H. Heywood; Oxford University Press (1978) Vertaald als: Bloeiende planten van de wereld; Vernon H. Heywood; Elsevier (1979); ISBN 9010029182 Flowering Plants of the World (updated edition); V.H. Heywood (redacteur); Oxford University Press (1993); ISBN 0195210379 Flowering Plant Families of the world; V.H. Heywood, R.K. Brummitt, A. Culham & O. Seberg; Royal Botanic Gardens, Kew (2007); ISBN 1842461656 Global Biodiversity Assessment; Vernon H. Heywood (redacteur); Cambridge University Press (1995); ISBN 0521564816 Heywood, H. Vernon 1999. Conservation of the wild relatives of native European crops. p. 146–147. In: J. Janick (ed.), Perspectives on new crops and new uses. ASHS Press, Alexandria, VA Heywood, V. and M. Skoula. 1999. The MEDUSA Network: Conservation and sustainable use of wild plants of the Mediterranean region. p. 148–151. In: J. Janick (ed.), Perspectives on new crops and new uses. ASHS Press, Alexandria, VA Towards a Global Strategy for Crop Wild Relative Conservation and Use; Shelagh Kell, Vernon Heywood & Nigel Maxted; in: Crop wild relatives 5 oktober 2005 Botanic gardens as introduction centres for plants of economic importance – a reappraisal; Vernon H. Heywood; 3rd Global Botanic Gardens Congress (2007)" (https://nl.wikipedia.org/wiki/Vernon_Heywood) Segundo as suas próprias palavras, o Prof. Vernon Heywood trabalhou em: “University of Liverpool September 1964-December 1967”, como “Professor and Head of Department of Botany”, em “Flora Europaea Multivariate systematics of Umbelliferae Flora and vegetation of Spain Phenetic and numerical approaches to plant classification” “International Union for Conservation of Nature; BGCI January 1987-December 1992”, em Richmond, United Kingdom, como “Chief Scientist (Plant Conservation); Director Botanic Gardens Conservation International”, “Responsible for plant conservation throughout the Union. Founded IUCN Botanic Gardens Conservation Secretariat (later BGCI)” “University of Reading January 1990-April 2020”, como Professor Emeritus Em Reading, United Kingdom, School of Biological Sciences, “Formerly Professor and Head of Department of Botany (1968–87), Dean of the Faculty of Science, Chairman School of Biological Sciences. Multivariate systematics of Umbelliferae; European Science Foundation ESFEDS project; Flora Europaea Secretariat” (https://www.researchgate.net/profile/Vernon-Heywood)

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Ian Charleson Hedge (1928-2022)

Soubemos hoje do falecimento muito recente (7.VIII.2022) do grande botânico escocês Ian Charleson Hedge (1928-2022), de Edinburgh (https://en.wikipedia.org/wiki/Ian_Charleson_Hedge; https://es.wikipedia.org/wiki/Ian_Charleson_Hedge), um destacado membro da OPTIMA -Organization for the Phyto-Taxonomic Investigation of the Mediterranean Area (https://www.optima-bot.org/index.php/en/)-, que visitou diversas vezes Portugal, e foi um ilustre colaborador de várias das principais floras eurasiáticas mais recentes: Flora Iranica (de K.H. Rechinger & al. (eds), 1963-2015), Flora Europaea (de T.G. Tutin & al. (eds), 1964-1980), Flora of Turkey and the East Aegean Islands (de P.H. Davis & al. (eds), 1965-1988), e Flora iberica (de S. Castroviejo & al. (eds), 1986-2021), entre muitas outras actividades. As fotos são do XIII OPTIMA Meeting, in Antalya (Turkey), the 22th-27th March 2010.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Galium Belizianum Ortega Oliv., Devesa & Rodr. Riaño (Rubiaceae)





Ainda aqui não tinha sido postada esta belíssima espécie:
Galium Belizianum Ortega Oliv., Devesa & Rodr. Riaño, Bot. Helv. 114(1): 2 (1-6; fig.). 2004 [June 2004], que se encontra em Portugal (Southwestern Europe, Europe) e foi originalmente colectada por A.Ortega-Olivencia & T.Rodríguez Riaño, no “Miño: Serra do Gerês, carretera de Caldas do Gerês a Portela do Homen”, em 2002-7-10 (holotype UNEX 30821)
Este endemismo ibérico de distribuição bastante restrita parece-nos inteiramente apropriado para abrir o ano de 2017, que se espera seja um bom ano para todos os participantes e leitores deste blog!

As fotos estivais aqui publicadas foram obtidas nas serras da Freita (concelho de Arouca, a 1.ª foto, de 3.VII.2008) e de Montemuro (Serra das Meadas, conc. de Lamego, as 3 fotos seguintes, de 29.VI.2006), em locais rochosos de natureza granítica ou quartzítica (no caso da serra da Freita), a altitudes superiores a 1000 m, onde se pode encontrar em arrelvados perenes, por entre os blocos de rocha.

O nome Belizianum constitui uma muito justa homenagem ao grande botânico e engenheiro agrónomo alentejano (nascido em Lisboa) José Vicente Cordeiro Malato Beliz (1920-1993). que durante tantos anos trabalhou em Elvas, na Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, onde criou e desenvolveu um excelente herbário (ELVE). Eminente fitossociólogo e fitotaxonomista, foi também professor na Universidade de Évora, assim como deputado à Assembleia Nacional (1969-1974), entre muitas outras coisas, tendo deixado uma obra científica muito vasta e de grande qualidade, assim como ilustres discípulos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Notas de uma viagem a Portugal através de França e Espanha

Heinrich Friedrich Link foi um naturalista alemão que visitou Portugal, acompanhando pelo conde de Hoffmansegg, entre 11 de Fevereiro de 1798 e 1799, para estudar a flora portuguesa. A sua natureza observadora registou muito dos usos, costumes locais que moldavam a paisagem naquela época. Algumas das observações que fez na serra do Gerês são muito pertinentes e mostram a antiguidade cultural de algumas das práticas. Link refere na sua obra “Notas de uma viagem a Portugal através de França e Espanha” que a serras só tinham árvores junto aos rios e que a maior parte dos montes estava revestida por mato. O povo deitava fogo ao mato de três em três anos para renovar os pastos mas também para afugentar os animais perigosos. O vale do rio Homem não era cultivado mesmo naquela altura, em contraste com todas as zonas do Minho. Também lhe chamou a atenção a considerável quantidade de gado que era criado nas serras. Curiosamente, Link reparou que as pessoas ingeriam grandes refeições com muito carne, algo que se tornaria mais difícil no século XIX. Um dos objectivos dos dois cientistas era medir a altitude das serras daquela zona, o que não puderam fazer porque os monges boçais do mosteiro de S. Maria de Bouro lhe quebraram o barómetro que tinha resistido a toda a viagem. Em compensação Link descobriu uma planta nova para a ciência na zona de Leonte que chamou de Agrostis juressi. Depois da sua descrição, muitos botânicos procuraram esta planta naquelas serras, de tal maneira que o botânico Julio Henriques refere concretamente que “Depois do Prof. Link, nunca mais foi esta espécie encontrada no Gerez”. No verão de 2006 encontrei uma população na vertente galega do maciço geresiano, a poucos quilómetros da Portela do Homem. Tendo em conta o habitat da espécie, visitamos os ambientes turfosos com vegetação pioneira de baixa cobertura situados nas proximidades da localização galega, na vertente portuguesa, o que resultou na redescoberta de uma população no vale do rio junto à Portela do Homem.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Recordando Lance Chilton



 

Tivemos hoje conhecimento da morte, ocorrida em 31.VII.2014 (http://www.medpag.org/news.html ), do grande botânico inglês Lance Chilton (1953-2014). Conhecemo-lo em Creta em Abril de 2006 (primeira foto, observando uma espécie de Centaurea - um dos numerosos endemismos da Região Mediterrânica) e voltámos a encontrá-lo algumas vezes, a última da quais em Junho de 2009 (terceira foto), nos Alpes dolomíticos, que ele conhecia tão bem, desde a sua juventude.
Na segunda foto, Lance encontrava-se no W de Chipre (em Março de 2007), observando uma gramínea.
Para além de um botânico notável (cf. por ex. http://www.ipni.org/ipni/idAuthorSearch.do;jsessionid=8BB4897AC68C4B9FB1D08C491A325A02?id=39237-1&back_page=), era também um excelente fotógrafo (https://www.flickr.com/photos/114876561@N02/with/14747104862/; https://www.flickr.com/photos/114876561@N02/sets/ ), caminhante, desportista e viajante, tendo organizado e liderado numerosas expedições botânicas, sobretudo na Região Mediterrânica, mas também na Macaronésia e nas Ilhas Britânicas.
Poucas vezes tivemos o privilégio de o acompanhar, mas ele comunicava-nos sempre a sua sabedoria com grande rigor, disponibilidade e simpatia. Grande naturalista e "ace botanist" (como alguém disse), com enorme experiência de campo, produziu uma obra científica vasta e de grande qualidade.
Era um homem austero, eficiente e pontual, com uma ampla cultura e um discreto sentido de humor, tipicamente britânico. Deixa-nos uma profunda saudade.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Recordando um botânico de Coimbra

Soubemos recentemente do falecimento do Senhor Manuel Cardoso Alves, um dos últimos (e um dos melhores) colectores de plantas e sementes do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.
Nesta fotografia, de 25.X.2005, vemo-lo no seu modesto jardim, numa aldeia dos arredores de Coimbra, onde continuava a trabalhar afincadamente em Botânica, naturalmente rodeado de belas plantas, vários anos depois da sua aposentação.
Os botânicos raramente são pessoas muitas conhecidas, e o Senhor Manuel Cardoso Alves não era seguramente um dos mais conhecidos - no entanto a influência dos seus longos anos de trabalho entusiasta na vinha da Botânica permanece, como se pode verificar por exemplo nesta obra notável: http://bibdigital.rjb.csic.es/PDF/Cardoso-da-Silveira_Fl_Serra_A%C3%A7or%28BL%29_Guineana_13_2007.pdf


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Checklist da flora vascular de Portugal

Foi finalmente disponibilizada uma Checklist da Flora Vascular de Portugal Continental e Insular (ver aqui).
Um pdf da checklist completa pode ser solicitado aqui.


A dado passo referem os seus autores que "a colaboração de profissionais e amadores da botânica é ... uma componente essencial no futuro e na utilidade social e científica da Checklist da Flora de Portugal (Continente, Açores e Madeira)". Para tal, propõem o seguinte mecanismo de colaboração:
a)  "A ALFA disponibiliza a todos os interessados em colaborar nos trabalhos de actualização um endereço de e-mail dedicado (alfachecklist@gmail.com);
...
c) Informa a direcção da ALFA que existe um acordo com a revista científica Silva Lusitana, editada pelo INRB, IP, de publicação bianual, para a publicação, em tempo útil, de alterações nomenclaturais e taxonómicas inéditas e das adições corológicas à escala dos três grandes territórios abrangidos pela Checklist – Lu, Az e Ma
...
e) As propostas de alteração aceites, e os respectivos autores, serão devidamente divulgados no site da ALFA.
f) Todos os anos, em Janeiro, será publicada e difundida uma nova versão, actualizada, da  “ALFA-Checklist da flora vascular de Portugal”.

Aqui fica o anúncio de uma etapa importante da história recente da botânica portuguesa e um pedido de colaboração que os botânicos, amadores ou profissionais, não devem (não podem) recusar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

José Gomes Pedro [1915-2010]

Faleceu na manhã de ontem, em Azeitão, com 95 anos de idade o notável botânico Engº Agrónomo José Gomes Pedro.

O Engº Gomes Pedro é conhecido entre os naturalistas portugueses pelas suas publicações sobre a Flora da Serra da Arrábida. Muitos dos que com ele conviveram não saberão, porém, que antes de se dedicar à flora arrabidense o Engº Gomes Pedro foi Director-Geral da Agricultura de Moçambique e um exímio botânico tropical. Contou-me um dia que em Moçambique os carregadores lhe chamavam "o homem que sobe às árvores" - para colher flores, claro - numa língua indígena que não recordo.
Tempos heróicos estes. As excursões botânicas duravam meses. Dava tempo para semear o milho, colher as massarocas, e alimentar e criar as galinhas que faziam parte da companha. E cada planta colhida tinha boa probabilidade de vir a ser um tipo nomenclatural.
A África acabou para os botânicos portugueses, e a flora europeia não tem graça. Com menos graça ficou também a botânica portuguesa sem o Engº Gomes Pedro.

Carlos Aguiar

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Marquesa de Alorna e a botânica

Leonor de Almeida Portugal [1750-1835], Marquesa de Alorna, teve uma vida tão longa como acidentada. Sofreu as perseguições do Marques de Pombal, e refugiou-se por duas vezes exilada no estrangeiro. Assistiu ao terramoto de 1755, à primeira fase da decadência dos Braganças, às invasões francesas, à guerra civil e à instauração da monarquia constitucional. A adolescência passou-a desterrada num mosteiro, em Chelas, não sem o convívio de visitadores masculinos. Casou com um alemão que, como era e ainda é hábito na nação, dado o berço alóctone, subiu meteoricamente no poder e na escala social indígena. Aparentemente, esteve envolvida no assassinato de um general francês. Uma filha foi amante de Junot; um filho acompanhou os exércitos de Napoleão à Rússia. Conviveu com a nata da nobreza europeu e o melhor da elite cultural portuguesa. Acabou os seus dias, bem, numa quinta apalaçada nos arredores de Lisboa.
Mulher de densa cultura, estupenda inteligência e incontida petulância aristocrática, pintou e foi autora de traduções e de uma obra poética vasta. Um dos seus livros de poesia tem por título "Recreações botanicas". Conheço dois artigos sobre o livro, ricos de comentários e transcrições, da autoria de Luis de Pina (1953) e da Prof. Maria Helena Rocha Pereira (1983). Da sua leitura percebo que além de um acurado conhecimento teórico da ciência botânica e da sua história - leu Lineu e Tournefort, louva Correia da Serra e Brotero e recomenda a botânica como fonte de prazer e elevação - a Marquesa de Alorna percepcionou a forma das plantas, entendeu o sistema sexual lineano, e conhecia de facto as plantas e o seu uso.
Atentem nestes dois trechos de poesia.
Sobre as leguminosas:

Quantos legumes saborosos cobre
Uma silica branca! Com que graça
Verde e branco o faval recrêa a vista!
Como a luzerna, que viçosa cresce
D'esmeraldas os campos alcatifa!
Quantas mais com profusos dons contentam
Homens, aves, quadrupedes, insectos!
As artes, a saúde, a economia,
Implorando os aureílios desta Classe,
Sem as plantas que pródiga concede
Talvez parcos triunfos obteriam.

Medicago orbicularis (Fabaceae), uma luzerna anual, frequente nas áreas de clima mediterrânico de Portugal continental, com algum interesse nas misturas de sementes de pastagens ricas em leguminosas

E das labiadas:

As labiadas são familia illustre
Que a Natureza distinguiu vaidosa,
Pela forma do calix, pelas bracteas,
Pela corolla as reconhece as eschola.
Destas plantas cheirosas as virtudes.
Combatem as tristeza, a dôr, e a morte:
...

Teucrium heterophyllum (Lamiaceae), um soberbo endemismo madeirense e canarino

Ficam pela certa bem a abrir uma dissertação sobre metabolitos secundários e substâncias aromáticas ou, então, um panegírico dirigido às leguminosas, ao rizóbio e à nitrogenase. O último servia também um livro de agricultura biológica, não fora a natureza alternativa da política de muitos dos seus praticantes.
[fotos C.Aguiar]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Santiago Castroviejo (1946-2009)

Faleceu ontem o Dr. Santiago Castroviejo, o editor, e mentor, da Flora Ibérica, amigo de tantos botânicos portugueses. Devemos muito a Santiago Castroviejo!


NOTA DE PRENSA DEL REAL JARDÍN BOTÁNICO DE MADRID

El Real Jardín Botánico, CSIC, llora la pérdida del profesor Santiago Castroviejo Bolíbar
Jueves, 01 de octubre de 2009 | Gabinete de Prensa


La pérdida del que fuera director del Real Jardín Botánico, el profesor de investigación Santiago Castroviejo, que falleció en Madrid la noche de ayer a los 63 años tras una larga enfermedad, ha provocado una gran conmoción en la comunidad científica y en todo el personal de esta casa.

Santiago Castroviejo Bolíbar nació en Tirán, Moaña (Pontevedra) en 1946. Se doctoró en Biología por
la Universidad Complutense de Madrid (1972). En su brillante trayectoria dentro del Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Santiago Castroviejo fue Profesor de Investigación del Real Jardín Botánico (CSIC), Director del Real Jardín Botánico durante 10 años, Director Científico del Proyecto Coiba en la Estación Biológica de Coiba (Panamá), Miembro del Comité ejecutivo y del “Steering Committee” respectivamente de los proyectos: Euro+Med PlantBase y Species Plantarum Project-Flora of the World , Presidente de la “Real Sociedad Española de Historia Natural”, Académico de Número de la Real Academia de Ciencia Exactas Físicas y Naturales y Medaille du Conseill de la Société Botanique de France, entre otras importantes distinciones científicas. Ha dirigido 19 tesis doctorales y es autor de más de 150 trabajos de investigación publicados en revistas científicas nacionales e internacionales.

La ciencia Botánica española le debe a Santiago Castroviejo, Coordinador General del Proyecto, la magna obra Flora Iberica. Según contaba él mismo en la entrevista que publicó “El Diario del Botánico” en su número 2, llegó al mundo de las plantas cuando investigaba el hábitat de los animales. Quería ser zoólogo e, investigando el medio ambiente vegetal de los animales, se quedó en
la Botánica.

Hijo del escritor José María Castroviejo, se atrevió a llenar un vacío secular de
la Botánica española. El profesor Castroviejo consiguió poner en marcha el proyecto Flora Iberica. Tras 28 años de trabajo, el proyecto Flora Iberica ha incrementado en un 20 por ciento el número de especies conocidas, ha involucrado a casi tres centenares de personas y, todavía quedan diez duros años de trabajo para culminarlo. También es obra de Santiago Castroviejo el proyecto ANTHOS, que permite encontrar en Internet información sobre las plantas españolas.

Su tenacidad, sus grandes conocimientos científicos, su dominio de lenguas extranjeras, su capacidad para la docencia y para servir de inspiración a los jóvenes investigadores y tantas otras cualidades que adornaron al Profesor Castroviejo fueron tal vez las claves de su etapa como director del Real Jardín Botánico (1984-1994). Bajo su dirección se produjo el despegue y la modernización científica de esta institución, hasta situar al RJB como uno de los centros de referencia internacionales.

En el mes de julio de este año, el Real Jardín Botánico rindió homenaje al Profesor Castroviejo dando su nombre al invernadero de exhibición, cuya construcción él impulsó, entre otras mejoras que se realizaron en esta casa bajo su dirección (años de
1984 a 1994).

El Real Jardín Botánico, CSIC, comunica tan sensible pérdida. La incineración tendrá lugar mañana, viernes 2 de octubre, a las 11:10 h, en el crematorio del cementerio de
La Almudena, en Madrid.

Descanse en paz.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Tipo nomenclatural de Hydrangea paniculata Sieb. (Hydrangeaceae)


Billhete postal novecentista do Parque Siebold em Nagasaqui, Japão (fonte: Wikipedia commons).



Tipo nomenclatural de Hydrangea paniculata Sieb. (Foto: J. Capelo, 2009)


É sempre uma ocasião especial ser-nos dado observar um tipo nomenclatural. Relembro que se trata de um exemplar de herbário ao qual está associado indelevelmente o nome científico de uma planta. Quaisquer que sejam as reviravoltas na classificação e nomenclatura - mudanças de género, fusões, divisões (de espécies), mudanças de categoria, combinações, substituição de nomes - o tipo está lá, sempre associado ao nome original (chama-se basiónimo, por isso) e vai viajando ao sabor das tentativas de estabilização nomenclatural e de obtenção de um modelo taxonómico coerente - ora entre parêntesis, ora fora, ora relegado para sinónimo. Não é o caso desta 'hortênsia', que - por enquanto - foi descrita e ficou como tal desde então.

Este fotografei-o numa exposição dedicada a Philipp Franz von Siebold (1796-1866), médico e naturalista alemão ao serviço do governo holandês que descreveu esta espécie de hortênsia- Hydrangea paniculata - e aliás, muita da flora e fauna do Japão: país onde viveu vários anos. (Descreveu a salamandra-gigante japonesa, por exemplo).

Está também ligado a certos exemplares de herbário, a história de quem os colheu. Por ter tido acesso a mapas cedidos pelo astrónomo-chefe do Império e cartografado uma parte do Norte do Japão, P. F. Siebold foi acusado de alta traição pelos japoneses. Ofereceu-se para nunca mais deixar o país e por honradez, assim nunca revelar os segredos de estado. Os japoneses apreciaram de tal modo o gesto, que ele e a sua colecção foram autorizados a deixar o Japão a bordo do famoso navio Batavia e regressar à Holanda.

Como de costume, está ligado aqui o artigo da wikipedia relativo à biografia deste botânico.

Veja aqui um site com variedades hortícolas de hortênsias 'paniculata'

domingo, 19 de julho de 2009

DOIS JARDINS



Figura 1. Frontispício do horto botânico de Carolus Clusius em Leiden, na Holanda (J. Capelo, 2009).


Figura 2. A secção do Jardim organizada de acordo com o APG II (J.Capelo, 2009)


Figura 3. Placa explicativa mostrando a posição das plantas na árvore filogenética APGII (J. Capelo, 2009)

O Jardim Botânico de Leiden, nos Países Baixos, para além de numerosas colecções de plantas e da actividade de investigação que suporta, tem duas secções que representam dois extremos, certamente significativos, na história da Sistemática das plantas superiores. Um deles é uma reconstituição in situ do horto botânico de Charles de l'Écluse (1526-1609), ou Carolus Clusius na forma de epítome latino. Terá sido, com intenções conscientemente científicas, um dos primeiros, senão o primeiro jardim botânico do Mundo (figura 1).

Sobre a grande importância deste botânico flamengo quinhentista não direi mais, pois justificaria mais que um simples post. Podem os leitores do blogue ver aqui um resumo biográfico. Diga-se apenas, que uma das obras que lhe grangeou fama foi Aromatum et simplicium aliquot medicamentorum apud indos nascentium historia de 1566. Trata-se, nada menos, que uma tradução para latim dos 'Colóquios' (*) de Garcia de Orta, publicado em Goa em 1563, um dos primeiros tratados científicos de botânica acerca de flora não-europeia.

No outro extremo, está a secção do jardim dedicada à Evolução através de um conjunto de canteiros organizado de acordo com o APGII (Angiosperm Phylogeny Group), que como se sabe, constitui a mais consensual e actualizada categorização filogenética das famílias de angiospérmicas. O sistema de classificação APG II representa a síntese do maior número de dados taxonómicos, incluindo marcadores moleculares, alguma vez conseguida (figura2). O artigo do APG II System está aqui, para os leitores mais interessados.

O mais interessante, é que os canteiros representando as ordens estão devidamente acompanhados por paineis explicativos onde a posição na árvore filogenética global é salientada e os aspectos gerais do grupo são resumidos (figura 3).

Ainda procurei a Amborella trichopoda, tida como a angiospérmica viva mais primitiva: aquela mais próxima da 'raiz' da árvore filogenética... mas não estava lá.


(*) Cujo nome completo é: Colóquios dos simples e drogas he cousas medicinais da Índia e assi dalgũas frutas achadas nella onde se tratam algũas cousas tocantes a medicina, pratica, e outras cousas boas pera saber.

domingo, 21 de junho de 2009

João Manuel António Paes do Amaral Franco

João Manuel António Paes do Amaral Franco o patriarca da botânica portuguesa, autor da sua última flora, faleceu em Lisboa no dia 8 de Maio de 2009, aos 87 anos de idade.
Nasceu a 25 de Junho de 1921 em Santos-o-Velho, Lisboa tendo representado ao longo da sua vida como botânico uma linha de mais de um século de insignes botânicos do Instituto Superior de Agronomia e da Botânica portuguesa.
Foi professor de Botânica de várias gerações de engenheiros agrónomos e silvicultores tendo sido responsável pelas disciplinas de botânica no Instituto Superior de Agronomia de 1950 até à sua jubilação em 1991. Foi ainda membro de uma grande parte dos júris de doutoramento, e outros, dos botânicos portugueses seniores da actualidade.
O seu curriculum inclui mais de 150 publicações sendo o exemplo do trabalho profícuo de um taxónomo e sistemata. Realizou centenas de descrições, redescrições, aperfeiçoamentos em descrições anteriores, alteração de corologias, traduzindo nos herbários que estudou, particularmente em LISI, a mais significativa das mais valias.
O Professor João Amaral Franco iniciou a sua actividade científica ainda como aluno e prolongou-a pelos últimos 67 anos.
O primeiro período (1940 a 1950) da sua vida científica corresponde à precoce introdução à taxonomia vegetal sobretudo através de estudos de dendrologia de coníferas. Durante este período inicia a sua longa carreira académica como docente ao ser contratado como segundo assistente no Instituto Superior de Agronomia.
Depois de 1950, e até 1960, já como Professor agregado, continua a publicação de diversas notas sobre coníferas datando deste período um consistente alargamento do horizonte taxonómico dos seus interesses e publicações a que não serão alheios os períodos passados em Kew e no Museu de História Natural de Londres. Nesta década publica diversas notas sobre a flora de Portugal algumas de índole biogeográfica, a par da principal linha de investigação em taxonomia vegetal.
A década de 60 fica marcada pela sua colaboração com o projecto Flora Europaea e pelas notas publicadas em colaboração com o A. R. Pinto da Silva bem como com a M. L. Rocha Afonso. Ainda na década de 60 foi nomeado professor extraordinário do 1º grupo de disciplinas do Instituto Superior de Agronomia.
A partir de 1971 João Amaral Franco iniciou (por sugestão do Prof. V. Heywood e do Prof. T.G. Tutin) a publicação da Nova Flora de Portugal, da qual publica o primeiro volume. Ainda na década de 70 inicia a colaboração com a iniciativa Atlas Florae Europaeae e colabora no terceiro e quarto volume da Flora Europaea. Datam deste período as suas principais contribuições na fitogeografia e corologia da flora de Portugal, mantendo assinalável produção científica taxonómica patente nas Notulae Systematicae
Na década de 80 vê o seu curriculum científico e académico reconhecido tendo sido nomeado professor Catedrático do 1º grupo de disciplinas do Instituto Superior de Agronomia. Neste período alarga os seus estudos sobre monocotiledóneas sobretudo gramíneas grupo sobre o qual publica diversos artigos e notas. Publica o segundo volume da Nova Flora de Portugal e a Distribuição de Pteridófitos e Gimnospérmicas em Portugal. Mantém a colaboração como o Atlas Florae Europaeae datando deste período a sua colaboração com a Med-Checklist projecto de que foi Conselheiro Nacional, e no projecto Flora Ibérica do qual é editado o primeiro volume.
Após a sua jubilação 1991, continua a colaborar activamente no herbário e Departamento de Protecção de Plantas e de Fitoecologia do Instituto Superior de Agronomia, bem como nos projectos Flora Ibérica e Atlas Florae Europaeae. Em 1994 publica, em colaboração com M.L. Rocha Afonso o primeiro fascículo do terceiro volume da Nova Flora de Portugal, bem como diversos artigos e notas resultado da preparação do segundo fascículo dedicado às gramíneas.
Nos primeiros anos do novo milénio vê a luz do dia o terceiro (e último) fascículo do terceiro volume Nova Flora de Portugal. Nestes anos João Amaral Franco continuou a manter intensa actividade de revisão de material herborizado no herbário LISI, tendo revisto para nova edição o primeiro Volume da Nova Flora de Portugal.
Foi autor de cerca de 160 novos taxa ou combinações tendo-lhe sido recentemente dedicadas as espécies Teucrium francoi e Festuca francoi.
O seu exemplo e a sua obra na produção de revisões e monografias, na publicação de novidades florísticas ou taxonómicas, reflecte o trabalho de uma vida na taxonomia, a sua Flora foi, e é, uma ferramenta de excelência, primando pelo rigor da linguagem pelas extensas descrições. A Botânica portuguesa deve-lhe muito pois a sua obra exemplar possuio sempre um rumo coerente, contínuo e pertinaz, características exemplares de um curriculum que contribui para o progresso da ciência e da taxonomia vegetal em particular.
Recordo o Professor João Amaral Franco no antigo herbário LISI debruçado sobre algum espécimen enquanto centenas de outros esperavam o momento de serem escrutinados, que esta imagem de labor contínuo e o resultante curriculum nos sirvam de exemplo.

A sua obra perdurará.


Miguel Pinto da Silva Menezes de Sequeira, Funchal, 12 de Maio de 2009.