sábado, 26 de maio de 2012

Carex lusitanica (Cyperaceae)

Ciclicamente escrevo sobre lameiros. Se buscarem a palavra lameiro no "pesquisar neste blogue" foram 13 os posts, nestes três anos e pico de "Das plantas e das pessoas". Vivo em Trás-os-Montes, sou agrónomo e gosto de plantas - era inevitável.
Num dos posts (aqui) referi os riscos de uma gestão relaxada dos lameiros. O dono descuida-se, não fena, não arranca as ervas-daninhas à enxada, não limpa muros e agueiras, e rapidamente se espandem plantas indígenas pouco produtivas, de baixa palatibilidade. Tenta-se o fogo, o herbicida, mas a certa altura a boa flora pratense só é recuperável com uma mobilização seguida de ressementeira.
Hoje trago uma das infestantes mais perniciosas dos lameiros mal-tratados, o Carex lusitanica (Cyperaceae):


C. lusitanica, com o passar dos anos, desenvolve uma toiça densa, em altura, com uma grande quantidade de folhas secas na base:

O fogo é uma forma de conter o alastramento da espécie a partir das linhas de água. Para que os cárices lusitanos ardam  o prado tem que estar bem seco, e a humidade relativa baixa.
Nestas condições o risco de ignição de matos e matas vizinhos aos lameiros, a partir das queimadas é grande.


Depois do fogo as plantas tomam este extraordinário aspecto:




Os cadáveres das toiças de C. lusitanica fazem lembrar, por exemplo, as  Xanthorrhoeaceae australianas (foto de Xanthorrhoeaceae, Jardim Botânico da Universidade do Porto) .


De fora considerações filogenética, o C. lusitanica tem logo uma irremediável diferença em relação aos seus análogos tropicais: suporta bem o frio; fazia um frio de rachar quando foram gravadas as fotos  da espécie aqui apresentadas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Papaver dubium L. (Papaveraceae)


Esta bela planta ornamental e ruderal, espontânea e muito comum em Portugal, da família das Papaveráceas, ainda aqui não tinha sido postada: Papaver dubium L., Sp. Pl. 2: 1196. 1753 [1 May 1753]. Foi fotografada hoje mesmo, junto de outras plantas ruderais como Lapsana communis L. (Compositae) e Fumaria muralis W.D.J.Koch (Papaveraceae/ Fumariaceae).

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Crocus chrysanthus (Herb.) Herb. (Iridaceae)

Uma belíssima espécie de Crocus (Iridaceae) das montanhas calcáreas do sul da Anatólia (24.III.2010): Crocus chrysanthus (Herb.) Herb. = Crocus annulatus var. chrysanthus Herb. (Basion.) (http://www.theplantlist.org/tpl/record/kew-327214)

domingo, 20 de maio de 2012

Filogenia de poáceas

GPWG (Grass Phylogeny Working Group) publicou, no início do corrente ano, um novo paper de filogenia das gramíneas (aqui). A topologia da árvore filogenética das gramíneas pouco mudou nestes últimos 11 anos, desde o GPWG (2001, aqui): três grupos basais (AnomochlooideaePharoideae Puelioideaede corologia tropical, aninhados em série, sucedidos por dois grandes clados irmãos, BEP e PACMAD. O  BEP inclui as subfamílias Bambusoideae (bambus), Ehrhartoideae (e.g. Oryza sativa «arroz») e Pooideae (subfamília da maioria das gramíneas indígenas de Portugal). O clado  PACMAD agrega Panicoideae (e.g. Sorghum bicolor «sorgo» e Zea mays «milho-graúdo»), Arundinoideae (e.g. Arundo donax «cana»), Chloridoideae (e.g. Cynodon dactylon «grama»), Micrairoideae (grupo tropical ausente de Portugal), Aristidoideae  (grupo tropical ausente de Portugal) e Danthonioideae (e.g. Cortaderia selloana «cortaderia»)
Enquanto revisitava a árvore filogenética da Poaceae fiquei curioso, e googlei em busca da história da descoberta da Anomochlooideae, o grupo mais primitivo de todas as gramíneas. Nestas coisas da filogenia é inevitável, a atenção foge para a base das árvores, onde radicam os taxa ancestrais, e para os taxa mais evoluídos, ricos em caracteres derivados. A descrição da primeira espécie de Anomochlooideae - a Anomochloa marantoidea - deve-se a Adolphe-Théodore Brongniart [1801-1876], um botânico francês, afincado estudioso da Flora da Nova Caledónia, citado nos livros, e na Wikipedia, como o pai da paleobotânica. Interessante, Paris está inscrita como localidade clássica da tropical A. marantoidea, porque a planta que lhe serviu de tipo encontrava-se cultivada num jardim botânico da capital de França. Durante mais de um século multiplicaram-se os exemplares de herbário de A. marantoidea, todos com a mesma proveniência: um punhado de sementes que alguém trouxe, em data desconhecida, de algures, no Brasil. A agrostóloga argentina, Cleofe Carderon, naturalista no Sminthsonian National Museum, reecontrou-a em 1976, numa plantação de cacaueiros no Estado da Baía, 125 anos depois da descrição de Brongniart. Esta curiosa história é contada aqui. Não é única do tipo.

Lolium perenne L. (Poaceae ou Gramineae)

Mais uma beldade do Reino Vegetal, fotografada hoje mesmo: Poaceae: Lolium perenne L. Sp. Pl. 1: 83. 1753 [1 May 1753] View page [BHL] Links: basionym of:Poaceae Festuca perennis (L.) Columbus & J.P.Sm. Aliso 28: 65 (-66). 2010 [21 May 2010] Original Data: Notes: Europ.; As. temp. (http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=407493-1)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Anagallis monelli L. (Primulaceae)

Fotografámos hoje esta beldade no CW. calc. (entre Botão e Souselas) e vamos postá-la aqui: Primulaceae: Anagallis monelli L., Sp. Pl. 1: 148. 1753 [1 May 1753] basionym of: Lysimachia monelli (L.) U.Manns & Anderb. Willdenowia 39(1): 52. 2009 [7 Jul 2009] (http://www.ipni.org/ipni/idPlantNameSearch.do?id=700104-1)

sábado, 12 de maio de 2012

Caixas florais pintadas à mão (várias famílias)

Já há muito tempo que aqui não se postava nada, por isso fica hoje um post, bastante diferente dos habituais, neste caso sobre arte botânica, com três fotos de caixas florais pintadas à mão, incluindo imagens das seguintes espécies: Na foto com duas caixas, de cima para baixo: Apocynaceae: Vinca difformis Pourr., Mem. Acad. Toul. iii. (1788) 333. basionym of: Vinca major L. subsp. difformis (Pourr.) M.Laínz, Aport. Conoc. Fl. Gallega 6: 22. 1968 [26 Oct 1968]. Ranunculaceae: Hepatica nobilis Mill., Gard. Dict., ed. 8. Hepatica no. 1 [textus s.n.]. 1768 [16 Apr 1768] Type Information: native of North America; cultivated in UK. Convolvulaceae: Calystegia sepium ( L. ) R.Br., Prodr. Fl. Nov. Holland. 483. 1810 [27 Mar 1810] basionym: Convolvulus sepium L., Sp. Pl. 1: 153. 1753 [1 May 1753]. Na foto com três caixas, de cima para baixo: Orchidaceae: Cypripedium calceolus L., Sp. Pl. 2: 951. 1753 [1 May 1753] Distribution: Europe, Asia & North America Type Information: Type Specimen: Dodoens, Stirp. Hist. Permpt. ed. 2, 180, fig. 1, 2. 1616. Plantaginaceae: Kickxia spuria ( L. ) Dumort., Florula Belgica 1827 = Antirrhinum spurium L., Sp. Pl. 2: 613. 1753 [1 May 1753] Kickxia spuria (L.) Dumort. subsp. integrifolia (Brot.) R. Fern. = Antirrhinum spurium L. var. integrifolium Brot. Plantaginaceae: Linaria triornithophora ( L. ) Cav., Elench. Pl. Horti Matr. 21 (1803); cf. Rothm. in Fedde, Repert. xlix. 52(1940). = Antirrhinum triornithophorum L., Sp. Pl. 2: 613. 1753 [1 May 1753], um endemismo exclusivo da Península Ibérica. E, na foto com seis caixas, no sentido dos ponteiros do relógio: Solanaceae: Solanum dulcamara L., Sp. Pl. 1: 185. 1753 [1 May 1753] Type Location: lectotype LINN (NO. 248.7). Oxalidaceae: Oxalis acetosella L., Sp. Pl. 1: 433. 1753 [1 May 1753] Type Information: Locality: "Habitat in Europae borealis sylvis." Alismataceae: Alisma sp., flores brancas de uma bela planta aquática, espontânea em Portugal, em locais frescos e húmidos. Iridaceae: Moraea sisyrinchium (L.) Ker Gawl., Ann. Bot. [König & Sims]. 1(2): 241. 1804 [1 Sep-6 Nov 1804] = Iris sisyrinchium L., Sp. Pl. 1: 40. 1753 [1 May 1753] Original Data: Notes: Reg. Mediterr.; Oriens; Afghan = Gynandriris sisyrinchium (L.) Parl., Nuov. Gen. Sp. 52. = Helixyra sisyrinchium (L.) N.E.Br. Geraniaceae: Geranium sanguineum L., Sp. Pl. 2: 683. 1753 [1 May 1753] Distribution: "Europae pratis siccis umbrosis"; introduced in North America Type Information: lectotype BM (HERB. CLIFFORD 343). Myrsinaceae: Trientalis europaea L., Sp. Pl. 1: 344. 1753 [1 May 1753] Type Information: Locality: "Habitat in Europae borealis sylvis & juniperetis." Informações provenientes de IPNI: http://www.ipni.org/ipni.