sábado, 3 de janeiro de 2015

Arquitetura de plantas

Fica aqui o link (clicar na imagem) de uma pequena publicação sobre o tema em epígrafe.


Schmeissneria sinensis

Numa carta dirigida ao botânica Joseph Hooker, em 1879, Darwin referia-se à origem das angiospérmicas como um "abominável mistério". O mistério continua por desvendar.
Já escrevi algures sobre este tema neste blogue. Hoje quero insistir numa pequena história que mostra que a botânica, como todas as outras ciências, não está livre da mordaça das ideias dominantes (dos paradigmas de Kuhn, para os aficionados em epistemologia).
A história é a que se segue.
Os primeiros pólens de angiospérmicas datam do Valingiano (Cretácico Inferior, ca. 135 M.a.). Os dados moleculares, consoante os autores, antecipam a sua origem para o Triássico Superior-Jurássico Inferior (199-167 M.a.), ou para o Triássico (170-229 M.a.).
As datas não batem certo, portanto.
O que é normal por três razões: 1) podem existir depósitos mais antigos de pólen fóssil de angiospérmicas por descobrir; 2) as primeiras populações de uma dado grupo taxonómico são por natureza escassas, e podem não ter tido a oportunidade de fossilizar; 3) as primeiras angiospérmicas poderiam ter um pólen semelhante ao das gimnospérmicas.
A recente sequenciação da Amborella trichopoda, a mais basal das angiospérmicas atuais, mostra que a gimnospérmica ancestral de todas as angiospérmicas, sofreu uma duplicação do seu genoma no Triássico Superior (214 M.a.). Os genes então duplicados puderam evoluir, desempenhar novas funções e codificar novas estruturas características das angiospérmicas.
As datações moleculares começam a ganhar consistência.
Wang et al. (2007) comprovaram em Schmeissneria sinensis, um fóssil do Jurássico Inferior, dois critérios fundamentais para distinguir positivamente uma angiospérmica: 1) presença de sementes encerradas num fruto; 2) extremidade do ovário fechada ao exterior antes da polinização. A Schmeissneria aparentemente pertence a um grupo extinto de angiospérmicas, anterior às angiospérmicas atuais, esporádico em comunidades vegetais dominadas por gimnospérmicas. Sendo correta esta interpretação, a Schmeissneria atira a origem das angiospérmicas para o Triássico Superior.
A informação fóssil e molecular parecem convergir.
O interessante nisto tudo é que os fósseis de Schmeissneria alteram de tal maneira a história oficial das angiospérmicas que foram sistematicamente desvalorizados nas mais recentes revisões sobre a origem das angiospérmicas. As minhas últimas leituras mostram que finalmente as coisas estão a mudar.
A general view of female structures, leaf, and short shoot. a. A general view of two female structures (a, b) and one leaf (c) on the same slab. The specimen A is the holotype, and specimens B and C are the paratypes. Specimen numbers 8604a, 8604b, and 8604c. Bar = 2 cm. b. A detailed view of specimen B in Fig. 1a. Note the twisted axis of the female structure and the attached female organs. Specimen number 8604b. Bar = 1 cm. c. A detailed view of the short shoot. Note the leaf cushion (black arrow) and the axis of the connected female structure (white arrow). Specimen number 8604a. Bar = 2 mm (Wang et al. BMC Evolutionary Biology 2007 7:14)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Papaver rhoeas L. (Papaveraceae)

Para começarmos bem o ano 2015 - com votos de próspero e feliz ano novo para todos! - nada como uma papoila bem vermelha e frutífera: Papaver rhoeas L. (Papaveraceae), fotografada em 3.V.2014 em Ferreirim (junto à torre), pr. Lamego (TM).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Parthenocissus tricuspidata (Siebold & Zucc.) Planch. (Vitaceae)

 
 
 


Fotografámos hoje em Coimbra, no muro da casa que pertenceu ao Prof. Dr Luís Wittnich Carrisso «(Figueira da Foz, 14 de Fevereiro de 1886Deserto do Namibe, Angola, 14 de Junho de 1937) foi um professor universitário e botânico português, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e director do Instituto Botânico Júlio Henriques» (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Wittnich_Carrisso)
esta bela vitácea exótica em fruto, que pensamos poderá ser talvez um Parthenocissus.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ilex Aquifolium L. (Aquifoliaceae)



Aqui fica o nosso (duplo) postal natalício de 2014, com os votos de um bom Natal e próspero ano 2015 para todos, e uma bela árvore/arbusto da nossa flora, recentemente fotografada na Serra do Buçaco (6.XII.2014). 
Trata-se de um endemismo euro-mediterrânico, distribuído pela Europa Ocidental e Central, Escandinávia, Balcãs, Anatólia e outras regiões do Norte de África e do Mediterrâneo Oriental (http://ww2.bgbm.org/EuroPlusMed/PTaxonDetail.asp?NameCache=Ilex%20aquifolium&PTRefFk=7100000; http://euromed.luomus.fi/euromed_map.php?taxon=435085&size=medium).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pistacia lentiscus L. (Anacardiaceae)

 

Trazemos hoje aqui a famosa Pistacia lentiscus L. (Anacardiaceae) (http://www.flora-on.pt/#/1Pistacia+lentiscus), comummente conhecida como aroeira, que fotografámos hoje na Serra da Boa Viagem (Lu: BL: conc. da Figueira da Foz, CW. calc., alt. ca. 100 m), num miradouro sobre o Oceano Atlântico. Também é visível na segunda foto a bem conhecida Smilax aspera L. (Smilacaceae), outra planta (espinhosa e lianóide) de distribuição bem Mediterrânica (http://euromed.luomus.fi/euromed_map.php?taxon=507582&size=medium).

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Parietaria judaica L. (Urticaceae)

 
 

Há muito tempo que ninguém aqui posta, por isso vamos hoje postar uma bela e comum - sobretudo no Norte e Centro de Lu (http://www.flora-on.pt/#/1Parietaria+judaica) - planta ruderal: Parietaria judaica L. (Urticaceae), que encontrámos outro dia (29.XI.2014) em floração no castelo de Montemor-o-Velho, na BL: 29TNE2747.