Aqui há tempos referi, neste blogue, que a
Vicia articulata estaria extinta em Trás-os-Montes (vd.
aqui).
Pois bem, uma boa notícia: os meus amigos da AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, vd.
aqui) descobriram-na no Planalto de Miranda e multipicaram-na com sucesso.
Esta antiga planta forrageira de proveniência desconhecida, designada na região por "parda" ou "ervilhaca-parda", era cultivada nos solos mais pobres (será tolerante à escassez de fósforo?) para produzir fenos. Mais recentemente, lá para os lados de Mirandela, misturava-se com centeio para melhorar o habitat da perdiz-vermelha. Parece que se enreda nos colmos do cereal, formando uma mata emaranhada que a perdiz aprecia para esconder os ninhos e as crias.
Vicia articulata (Fabaceae). Esta espécie tem uma característica única entre as plantas do género Vicia: as estípulas - i.e. os dois orgãos que ladeiam a inserção da folha no caule - são muito distintas, uma é grande e ramificada (parece uma anémona), a outra pequena e linear (fotos CA)
A extinção de uma espécie, de uma variedade ou de um ecótipo cultivado é, por definição, irreversível. Quem sabe se estas plantas pouco produtivas, adaptadas a solos de baixa fertilidade, não serão fundamentais nos sistemas de agricultura do futuro? Um tema para reflectir com demora no próximo ano agrícola/escolar.
Volto no final de Agosto.