quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Serapias cordigera (Orchidaceae)







Suponho que esta bela orquídea, que aparece frequentemente em lameiros de montanha da classe de vegetação pratense perene Molinio-Arrhenatheretea, ainda não estava representada neste blog. Assim, para dar um pouco mais de cor e frescura a este Verão tão quente e seco, aqui ficam duas imagens desta espécie tão interessante e ornamental:
Serapias cordigera L. -- Sp. Pl., ed. 2. 2: 1345. 1763 [Jul-Aug 1763], conforme se pode consultar aqui:
IPNI Plant Name Query Results

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Smilax aspera (Smilacaceae)

A Smilax azorica e a S. pendulina foram apresentadas em posts anteriores, respectivamente, pelo ZG e pelo J. Capelo.
Ficou em falta a S. aspera:

Esta liana de óptimo biogeográfico mediterrânico evita, em Portugal continental, as montanhas (andares bioclimáticos oromediterrânico, supramediterrânico e supratemperado) e os territórios mais continentais do interior norte e centro. De resto podem-na encontrar do Algarve ao Minho, nos mais variados habitats - e.g. escarpas, dunas, pinhais e matos baixos - embora prefira os matos altos e os bosques perenifólios.

O S. aspera tem uma característica rara no mundo das plantas: as estípulas (dois pequenos órgãos geralmente de natureza foliar que ladeiam os pecíolos das folhas)  estão transformados em gavinhas (estruturas delgadas , ramificadas ou não, adaptadas a envolver ramos ou outros tipos de suportes).
A enorme plasticidade morfológica da suas folhas é outra das curiosidades da morfologia externa da S. aspera. No campo observam-se, entre outro tipos foliares, folhas cordadas (em forma de coração estilizado), lanceoladas (com a forma da folha de uma lança), reniformes (em forma de rim) ou sagitadas (semelhantes às de um jarro-de-jardim, Zantedeschia aethiopica). As folhas cordadas são mais comum nas plantas dos bosques e matos altos, ou protegidas da sombra. O stress (e.g. herbivoria e exposição ao vento) e a exposição à luz do sol promove os outros tipos foliares.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Trifolium resupinatum (Fabaceae)

Para recomeçar nada melhor do que um trevo indígena da nossa flora, muito usado em misturas comerciais de plantas pratenses: o Trifolium resupinatum «trevo-da-pérsia».

O T. resupinatum aprecia solos húmidos, inclusivamente algo salinos, percorridos por animais. É muito fácil de distinguir no campo. Além dos vistosos capítulos de flores rosadas, apresenta a corola resupinada. Quer isto dizer que a corola sofre uma rotação de 180º, ficando o estandarte em baixo e a quilha em cima (a corola papilionada que caracteriza muitas leguminosas é constituída por 4 peças, 1 estandarte, 2 asas e 1 quilha). Nas leguminosas de corola resupinada os insectos polinizadores podem estacionar no estandarte - geralmente a maior das peças da corola papilionada - e, calmamente, aceder à sua recompensa, cumprindo o seu papel de polinizadores.


Finda a fecundação, os cálices alargam-se e a inflorescência toma a forma de uma bola. O T. resupinatum é uma espécie anemocórica: dispersa-se pela acção do vento.

domingo, 8 de agosto de 2010

Cymbalaria aequitriloba (Plantaginaceae)














Voltando às belíssimas Antirríneas, actualmente inseridas na família das Plantagináceas, aqui fica a tão ornamental Cymbalaria aequitriloba (Viv.) A.Chev. -- Bull. Soc. Bot. France 83: 646. 1937 [1936 publ. 1937] = Antirrhinum aequitrilobum Viv. -- Fl. Libyc. Spec. 68; Fl. Cors. Sp. Nov. 10. (basiónimo), ou
Linaria aequitriloba Spreng. -- Syst. Veg. (ed. 16) [Sprengel] 2: 790. 1825 [Jan-May 1825], como se pode consultar aqui: IPNI Plant Name Query Results.
Esta antirrínea pode encontrar-se em fendas de rochas e muros, nalgumas ilhas do Mediterrâneo Ocidental (Arquipélago Toscano, Baleares, Córsega e Sardenha), de onde é endémica, conforme nos informa a excelente Flora iberica (vol. XIII: 212-214).
A época estival está a ser demasiado quente, mas continua a haver algumas plantas em floração!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Smilax azorica (Smilacaceae)
















Seguindo o exemplo do ilustre botânico JCapelo, aqui fica uma outra Smilax endémica, esta do Arquipélago dos Açores. Pensamos que se trata da Smilax azorica H.Schaef. & P.Schönfelder, Homenaje al Prof. Dr. Wolfredo Wildpret de la Torre 304. 2009. Este nome substitui o anterior Smilax divaricata Sol. ex H.C.Watson London J. Bot. iii. (1844) 608, por razões nomenclaturais, conforme aqui se pode consultar:
IPNI Plant Name Query Results
Supomos que esta bela espécie é um endemismo raro das Ilhas dos Açores, onde se pode encontrar na laurissilva, a exemplo da sua congénere madeirense que ontem foi publicada neste blog.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Smilax pendulina Lowe

Smilax pendulina Lowe (Madeira, 2004; foto: Sandra Mesquita)


Em recente viagem á Madeira vi levadas, que por terem rebentado, arrastaram partes significativas de encostas com laurissilva de til (Clethro arboreae-Ocoteetum foetentis) e lembrei-me entretanto desta planta. Tem sido referida em floras e outras publicações, como 'Smilax aspera', esta salsaparrilha da Madeira. É uma planta da laurissilva madeirense. São plantas geralmente inermes (sem espinhos), as folhas verde-claras, são baças ou com um brilho mate e ceroso e têm consistência sub-rígida, por vezes quase herbácea. Os frutos são avermelhado-claros quando completamente maduros, com ca. de 1,2 - 1,5 cm de diâmetro, de secção triangular-arredondada. Solicito agora o pequeno incómodo de confrontar os citados caracteres com uma descrição de S. aspera. Pode ser aqui na Flora iberica. Os deslizamentos na laurissilva resultam do encontro da perturbação gravitacional espontânea, das chuvadas catastróficas e de alguma irreflectida engenharia. Com muitas outras plantas, entre elas tis centenários, as derrocadas deste ano - algumas com largas dezenas de metros de extensão, arrastaram banais Smilax aspera ou endémicos S. pendulina? Julguem os leitores por si próprios , se nos serve uma taxonomia assim?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vicia articulata (Fabaceae)

Aqui há tempos referi, neste blogue, que a Vicia articulata estaria extinta em Trás-os-Montes (vd. aqui).
Pois bem, uma boa notícia: os meus amigos da AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, vd. aqui) descobriram-na no Planalto de Miranda e multipicaram-na com sucesso.
Esta antiga planta forrageira de proveniência desconhecida, designada na região por "parda" ou "ervilhaca-parda", era cultivada nos solos mais pobres (será tolerante à escassez de fósforo?) para produzir fenos. Mais recentemente, lá para os lados de Mirandela, misturava-se com centeio para melhorar o habitat da perdiz-vermelha. Parece que se enreda nos colmos do cereal, formando uma mata emaranhada que a perdiz aprecia para esconder os ninhos e as crias.


Vicia articulata (Fabaceae). Esta espécie tem uma característica única entre as plantas do género Vicia: as estípulas - i.e. os dois orgãos que ladeiam a inserção da folha no caule - são muito distintas, uma é grande e ramificada (parece uma anémona), a outra pequena e linear (fotos CA)

A extinção de uma espécie, de uma variedade ou de um ecótipo cultivado é, por definição, irreversível. Quem sabe se estas plantas pouco produtivas, adaptadas a solos de baixa fertilidade, não serão fundamentais nos sistemas de agricultura do futuro? Um tema para reflectir com demora no próximo ano agrícola/escolar.
Volto no final de Agosto.